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Medicamentos para Pressão e Coração

Verapamil

20 min de leitura Atualizado em 21/08/2026 Base ANVISA

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A saúde cardiovascular representa um dos pilares mais complexos e vitais da medicina interna. No centro do manejo farmacológico das cardiopatias, o controle do fluxo de íons através das membranas celulares desempenha um papel crucial. Entre os medicamentos que revolucionaram essa abordagem, destaca-se o cloridrato de verapamil, um fármaco pioneiro que atua diretamente nos canais de cálcio do organismo. Desenvolvido originalmente na década de 1960, o verapamil permanece como uma ferramenta terapêutica indispensável na prática cardiológica contemporânea, oferecendo uma abordagem multifacetada para o tratamento da hipertensão, da angina de peito e de arritmias cardíacas complexas.

Diferente de outros bloqueadores dos canais de cálcio que atuam predominantemente na vasculatura periférica, o verapamil possui uma seletividade miocárdica marcante. Essa característica única confere a ele propriedades eletrofisiológicas e hemodinâmicas distintas, permitindo que os médicos controlem não apenas a pressão arterial, mas também o ritmo e a força de contração do coração. Compreender a fundo o verapamil — desde o seu intrincado mecanismo de ação molecular até as suas interações clínicas e nuances posológicas — é fundamental para profissionais de saúde que buscam otimizar a terapia cardiovascular e para pacientes que desejam compreender melhor o seu tratamento.

Neste artigo técnico e abrangente, exploraremos de forma detalhada todos os aspectos científicos e práticos do verapamil. Analisaremos sua farmacocinética, indicações terapêuticas baseadas em evidências, perfil de segurança, interações medicamentosas críticas e como ele se posiciona em comparação com outros fármacos de sua classe. Seja você um profissional de saúde em busca de atualização ou um paciente em busca de informações confiáveis, este guia oferece uma visão profunda sobre um dos medicamentos mais importantes da cardiologia moderna.

O que é Verapamil?

O cloridrato de verapamil é um fármaco pertencente à classe dos bloqueadores dos canais de cálcio (BCC), especificamente do grupo das fenilalquilaminas. Ao contrário das di-hidropiridinas (como a nifedipina e o anlodipino), que exercem sua ação principal nos vasos sanguíneos periféricos, o verapamil é classificado como um bloqueador de canais de cálcio não di-hidropiridínico. Isso significa que ele possui uma afinidade significativamente maior pelos canais de cálcio localizados no tecido miocárdico e no sistema de condução elétrica do coração.

A história do verapamil remonta ao início dos anos 1960, quando foi sintetizado pela empresa farmacêutica alemã Knoll AG. Inicialmente, acreditava-se que seu mecanismo de ação fosse semelhante ao dos nitratos, atuando como um vasodilatador coronariano. No entanto, os estudos pioneiros do fisiologista alemão Albrecht Fleckenstein identificaram que o verapamil bloqueava seletivamente a entrada de íons cálcio nas células musculares cardíacas, cunhando assim o termo “antagonista de cálcio”. Essa descoberta abriu um novo paradigma na farmacologia cardiovascular.

No Brasil, o verapamil é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e está amplamente disponível no mercado farmacêutico. Ele é comercializado tanto sob a forma de medicamentos genéricos quanto por nomes de referência consagrados, como o Dilacoron. O fármaco é apresentado em diferentes formulações para atender às necessidades clínicas específicas dos pacientes:

  • Comprimidos de liberação imediata (80 mg): Indicados para situações que requerem ajuste rápido da dose ou controle agudo de sintomas.
  • Comprimidos de liberação prolongada (120 mg e 240 mg – frequentemente designados como “AP” ou “Retard”): Desenvolvidos para permitir a liberação gradual do princípio ativo ao longo do dia, proporcionando níveis plasmáticos estáveis, maior comodidade posológica (geralmente dose única diária) e melhor controle da pressão arterial e da angina ao longo de 24 horas.
  • Solução injetável (2,5 mg/mL): De uso estritamente hospitalar, destinada ao manejo de emergências cardiológicas, como a reversão rápida de taquicardias supraventriculares paroxísticas.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação do cloridrato de verapamil baseia-se no bloqueio seletivo dos canais de cálcio dependentes de voltagem do tipo L (canais “lentos” de cálcio). Esses canais estão amplamente distribuídos no músculo liso vascular, nas células miocárdicas e, de forma crítica, nas células do sistema de condução cardíaco, especificamente no nó sinoatrial (SA) e no nó atrioventricular (AV).

Do ponto de vista molecular, o verapamil liga-se à subunidade alfa-1C do canal de cálcio tipo L quando este se encontra no estado aberto ou inativo. O bloqueio é classificado como “dependente de frequência” ou “dependente de uso”. Isso significa que quanto mais frequentemente o canal se abre (como ocorre em frequências cardíacas elevadas ou taquiarritmias), maior é a afinidade e a eficácia de bloqueio do verapamil. Essa propriedade é clinicamente valiosa, pois direciona a ação do fármaco preferencialmente para tecidos com atividade elétrica excessiva.

A inibição do influxo de cálcio intracelular resulta em três efeitos farmacológicos principais no sistema cardiovascular:

1. Efeito Inotrópico Negativo (Diminuição da Força de Contração)

O cálcio é o íon responsável por acionar o mecanismo de acoplamento excitação-contração nas células miocárdicas. Ao reduzir a entrada de cálcio durante a fase 2 (platô) do potencial de ação cardíaco, o verapamil diminui a contratilidade do miocárdio. Esse efeito reduz o consumo de oxigênio pelo coração, sendo altamente benéfico no tratamento da angina de peito, mas exige extrema cautela em pacientes com disfunção ventricular esquerda preexistente.

2. Efeitos Cronotrópico e Dromotrópico Negativos (Redução da Frequência Cardíaca e do Ritmo de Condução)

O nó sinoatrial (marcapasso natural do coração) e o nó atrioventricular dependem crucialmente do influxo de cálcio para a sua despolarização (Fase 0 do potencial de ação nodal). O verapamil:

  • Diminui a taxa de despolarização diastólica lenta no nó SA, reduzindo a frequência cardíaca (efeito cronotrópico negativo).
  • Prolonga o tempo de condução e o período refratário efetivo no nó AV (efeito dromotrópico negativo). Isso bloqueia a reentrada de impulsos elétricos anômalos e diminui a resposta ventricular em arritmias como a fibrilação atrial.

3. Vasodilatação Arterial

Ao bloquear os canais de cálcio no músculo liso das artérias coronárias e sistêmicas, o verapamil promove o relaxamento vascular. Isso resulta em vasodilatação coronariana (aumentando a oferta de oxigênio ao miocárdio) e diminuição da resistência vascular periférica (reduzindo a pós-carga e a pressão arterial sistêmica).

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Farmacocinética e Farmacodinâmica

A compreensão do perfil farmacocinético do verapamil é essencial para prever sua eficácia, duração de efeito e o potencial de interações com outras substâncias. O fármaco apresenta características peculiares de absorção e metabolismo que influenciam diretamente a prática clínica.

Absorção e Biodisponibilidade

Após a administração oral, o verapamil é quase completamente absorvido pelo trato gastrointestinal (cerca de 90% a 95%). No entanto, devido a um efeito de primeira passagem hepática extremamente intenso, sua biodisponibilidade sistêmica é de apenas 20% a 35%. A ingestão de alimentos não altera significativamente a biodisponibilidade das formulações convencionais, mas pode retardar ligeiramente a absorção das formulações de liberação prolongada, sem afetar a quantidade total absorvida.

Distribuição

O verapamil apresenta alta lipofilicidade, resultando em um amplo volume de distribuição (cerca de 3 a 6 L/kg). Ele atravessa facilmente a barreira hematoencefálica e a barreira placentária, sendo também excretado no leite materno. Sua taxa de ligação às proteínas plasmáticas (principalmente à albumina e à glicoproteína ácida alfa-1) é elevada, girando em torno de 90%.

Metabolismo

O metabolismo do verapamil ocorre predominantemente no fígado, mediado pelas enzimas do complexo citocromo P450, com destaque para a isoenzima CYP3A4, além de contribuições menores da CYP1A2 e CYP2C9. O fármaco sofre N-desmetilação e O-desmetilação rápida. O principal metabólito ativo formado é o norverapamil, que possui cerca de 20% da atividade cardiovascular do composto original e pode acumular-se no organismo durante o tratamento crônico, contribuindo para o efeito terapêutico global.

Excreção

A eliminação do verapamil e de seus metabólitos ocorre principalmente por via renal (cerca de 70%), restando menos de 3 a 4% do fármaco inalterado na urina. Cerca de 16% da dose é eliminada através das fezes via excreção biliar. A meia-vida de eliminação plasmática varia conforme o regime de administração:

  • Após uma única dose oral: 2,8 a 7,4 horas.
  • Após administração crônica (repetida): 4,5 a 12 horas, devido à saturação progressiva dos mecanismos metabólicos hepáticos.
  • Em pacientes com insuficiência hepática grave, a meia-vida pode ser prolongada para até 14 a 16 horas.

Indicações Terapêuticas

Devido às suas propriedades farmacológicas que combinam ação anti-hipertensiva, antianginosa e antiarrítmica, o verapamil possui um espectro amplo de indicações clínicas aprovadas pela ANVISA e pelas principais diretrizes cardiológicas internacionais.

1. Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)

O verapamil é indicado para o tratamento da hipertensão arterial, podendo ser utilizado em monoterapia ou em associação com outras classes de anti-hipertensivos (como diuréticos tiazídicos ou inibidores da ECA). É particularmente útil em pacientes hipertensos que apresentam comorbidades como angina de peito ou taquiarritmias, permitindo o controle de múltiplas condições com um único fármaco.

2. Angina de Peito

O fármaco é altamente eficaz no manejo profilático e sintomático de diferentes formas de angina:

  • Angina Estável Crônica (Angina de Esforço): Reduz o consumo miocárdico de oxigênio ao diminuir a frequência cardíaca e a contratilidade, aumentando a tolerância ao exercício.
  • Angina Instável: Utilizado em casos específicos onde os beta-bloqueadores são contraindicados ou insuficientes.
  • Angina Variante (de Prinzmetal ou Vasoespástica): O verapamil relaxa diretamente o músculo liso das artérias coronárias, prevenindo o espasmo coronariano espontâneo que caracteriza essa condição.

3. Taquiarritmias Supraventriculares

Como antiarrítmico da Classe IV (classificação de Vaughan Williams), o verapamil desempenha papel fundamental no:

  • Controle da frequência ventricular em pacientes com fibrilação atrial (FA) ou flutter atrial crônicos, limitando a quantidade de estímulos elétricos que passam do átrio para o ventrículo através do nó AV.
  • Prevenção e reversão da Taquicardia Supraventricular Paroxística (TSVP), incluindo a taquicardia por reentrada nodal AV.

4. Usos Off-Label (Não descritos em bula, mas clinicamente reconhecidos)

  • Profilaxia de Enxaqueca e Cefaleia em Salvas: O verapamil é considerado um dos tratamentos preventivos de primeira linha para a cefaleia em salvas (cluster headache), possivelmente devido à modulação de canais de cálcio no hipotálamo e vasos cerebrais.
  • Cardiomiopatia Hipertrófica: Utilizado para melhorar o enchimento diastólico e reduzir o gradiente de obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo em pacientes sintomáticos.

Posologia e Forma de Uso

A dosagem do cloridrato de verapamil deve ser estritamente individualizada pelo médico assistente, levando em consideração a gravidade da doença, a resposta clínica do paciente, a idade e a presença de comorbidades (como disfunção renal ou hepática). Os comprimidos devem ser engolidos inteiros, sem mastigar ou partir, com um copo de água, preferencialmente durante ou logo após as refeições para minimizar o desconforto gástrico.

Esquema Posológico Geral para Adultos

Abaixo estão descritas as faixas terapêuticas habituais recomendadas para as principais indicações clínicas:

Ajustes de Dose em Situações Especiais

  • Insuficiência Hepática: Como o metabolismo do verapamil é predominantemente hepático, em pacientes com cirrose ou disfunção hepática significativa, o clearance do fármaco é drasticamente reduzido. Nesses casos, a dose inicial deve ser reduzida para cerca de 30% da dose padrão (por exemplo, 40 mg de liberação imediata, duas a três vezes ao dia), com monitoramento eletrocardiográfico rigoroso.
  • Insuficiência Renal: Embora a eliminação ocorra por via renal, a farmacocinética do verapamil não é severamente alterada na insuficiência renal. No entanto, recomenda-se cautela e monitoramento clínico regular, iniciando com doses mais baixas.

Contraindicações

O uso do cloridrato de verapamil é estritamente contraindicado em diversas condições clínicas onde o bloqueio dos canais de cálcio pode agravar o quadro hemodinâmico do paciente. O reconhecimento dessas situações é vital para evitar eventos adversos graves, potencialmente fatais.

Contraindicações Absolutas

  • Choque Cardiogênico: Devido ao seu efeito inotrópico negativo, o verapamil pode piorar drasticamente a falência circulatória.
  • Infarto Agudo do Miocárdio Recente: Especialmente se houver complicações como bradicardia, hipotensão acentuada ou insuficiência ventricular esquerda associada.
  • Bloqueio Atrioventricular (AV) de 2º ou 3º Grau: Exceto em pacientes que possuem marcapasso artificial funcionante, pois o verapamil retarda ainda mais a condução no nó AV, podendo levar a assistolia.
  • Disfunção do Nó Sinoatrial (Síndrome do Nó Sinusal): Risco de bradicardia severa ou parada sinusal.
  • Insuficiência Cardíaca Congestiva com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr): O efeito inotrópico negativo pode precipitar descompensação aguda e edema agudo de pulmão.
  • Fibrilação Atrial ou Flutter associados a Vias Acessórias (ex: Síndrome de Wolff-Parkinson-White ou Lown-Ganong-Levine): O bloqueio do nó AV pelo verapamil pode desviar a condução de forma preferencial e extremamente rápida pela via acessória, podendo desencadear fibrilação ventricular e morte súbita.
  • Hipersensibilidade conhecida: Alergia ao verapamil ou a qualquer componente da formulação.
  • Uso concomitante de beta-bloqueadores intravenosos: O uso combinado de ambas as substâncias por via endovenosa pode causar colapso cardiovascular e parada cardíaca.

Efeitos Colaterais

Como qualquer fármaco ativo, o cloridrato de verapamil pode causar reações adversas. A maioria dos efeitos colaterais está diretamente relacionada às suas propriedades farmacológicas (vasodilatação e depressão da condução cardíaca). O efeito colateral não cardíaco mais comum e característico do verapamil é a constipação intestinal.

Mecanismo de Efeitos Colaterais Específicos

A constipação ocorre porque os canais de cálcio do tipo L também estão presentes no músculo liso do cólon. O bloqueio desses canais reduz a motilidade intestinal e o peristaltismo. Esse efeito é particularmente pronunciado em idosos e pode ser manejado com aumento da ingestão de fibras, hidratação adequada e, se necessário, uso de laxantes sob orientação médica.

O edema periférico (inchaço nos tornozelos e pés) ocorre devido à vasodilatação arterial seletiva, que gera um aumento da pressão hidrostática nos capilares, facilitando o extravasamento de líquido para o espaço intersticial. Não está relacionado à retenção de sódio ou água pelo rim, portanto, responde mal ao uso de diuréticos isolados.

Interações Medicamentosas

O verapamil possui um perfil de interações medicamentosas extremamente complexo e clinicamente relevante. Ele é tanto um substrato quanto um inibidor moderado a forte da enzima CYP3A4 e da glicoproteína-P (P-gp), um transportador de efluxo de fármacos. Isso significa que ele pode aumentar significativamente a concentração plasmática de diversos outros medicamentos, elevando o risco de toxicidade.

Interações Alimentares e Hábitos

  • Suco de Toranja (Grapefruit): Contém substâncias que inibem fortemente a CYP3A4 intestinal. A ingestão concomitante de suco de toranja com verapamil pode aumentar substancialmente os níveis plasmáticos do fármaco, elevando o risco de hipotensão e bradicardia severas. Deve ser evitado.
  • Álcool: O verapamil pode inibir o metabolismo do etanol, resultando em níveis elevados de álcool no sangue e prolongando seus efeitos depressores sobre o sistema nervoso central.

Uso em Populações Especiais

Gestantes (Categoria de Risco C)

Não existem estudos controlados e adequados sobre o uso de verapamil em mulheres grávidas. O fármaco atravessa a barreira placentária e pode ser detectado no sangue do cordão umbilical. O uso do verapamil durante a gestação deve ser restrito a situações em que o benefício materno justifique claramente o risco potencial para o feto (por exemplo, no controle de arritmias graves refratárias a outros tratamentos).

Lactantes

O verapamil é excretado no leite materno em pequenas quantidades (cerca de 0,01% a 0,1% da dose materna). Embora os relatos na literatura médica indiquem que o risco de efeitos adversos no lactente seja baixo, devido ao potencial de reações adversas graves no lactente (como bradicardia), recomenda-se descontinuar a amamentação ou interromper o uso do medicamento, pesando a importância do fármaco para a mãe.

Pediatria

O uso de verapamil em crianças deve ser feito sob supervisão estrita de um cardiologista pediátrico. A formulação intravenosa deve ser usada com extrema cautela em neonatos e lactentes, pois há relatos de episódios graves de hipotensão, bradicardia e assistolia após a administração endovenosa nessa faixa etária.

Idosos (Geriatria)

Os idosos apresentam maior sensibilidade aos efeitos hemodinâmicos do verapamil. O clearance do fármaco pode estar reduzido devido ao declínio fisiológico das funções hepática e renal. Portanto, o tratamento em pacientes idosos deve ser iniciado com as menores doses eficazes, com titulação cuidadosa e monitoramento constante da pressão arterial, frequência cardíaca e função intestinal (devido ao alto risco de constipação severa).

Superdosagem

A intoxicação aguda por cloridrato de verapamil (seja por ingestão acidental ou tentativa de autofilmagem) é uma emergência médica de alta gravidade, com elevado índice de morbimortalidade. Devido ao seu perfil farmacológico, a superdosagem afeta gravemente o sistema cardiovascular e o metabolismo celular.

Sinais e Sintomas de Toxicidade

  • Hipotensão arterial severa e choque cardiogênico.
  • Bradicardia sinusal profunda, bloqueio atrioventricular de alto grau e assistolia.
  • Acidose metabólica (secundária à hipoperfusão tecidual).
  • Hiperglicemia acentuada (o verapamil inibe a liberação de insulina pelas células beta do pâncreas, processo que depende do influxo de cálcio).
  • Edema agudo de pulmão não cardiogênico.
  • Distúrbios neurológicos, variando de sonolência a coma e convulsões.

Tratamento e Manejo Clínico

O tratamento deve ser realizado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e envolve medidas de suporte e antídotos específicos:

  1. Descontaminação Gastrointestinal: Lavagem gástrica e administração de carvão ativado se o paciente for atendido nas primeiras horas após a ingestão. Em caso de formulações de liberação prolongada, a irrigação intestinal total com polietilenoglicol pode ser indicada.
  2. Cálcio Intravenoso: O uso de Gluconato de Cálcio a 10% ou Cloreto de Cálcio a 10% por via intravenosa é a terapia de primeira linha. O cálcio ajuda a superar o bloqueio competitivo dos canais, melhorando a contratilidade miocárdica e a pressão arterial, embora tenha menos efeito sobre a bradicardia e a condução nodal.
  3. Terapia de Insulina e Glicose em Altas Doses (HDI): Considerada uma das intervenções mais eficazes no choque por bloqueadores de canais de cálcio. A insulina atua como um potente inotrópico positivo, permitindo que o miocárdio utilize a glicose como substrato energético metabólico durante o estado de choque.
  4. Suporte Inotrópico e Vasopressor: Administração de aminas vasoativas como noradrenalina e adrenalina para restaurar a pressão de perfusão sistêmica.
  5. Marcapasso Temporário: Indicado em casos de bradicardia refratária e bloqueios de condução graves que não respondem à terapia medicamentosa.
  6. Emulsão Lipídica Intravenosa (Lipid Rescue): Pode ser considerada em casos de toxicidade grave e refratária, agindo como um “sumidouro” para sequestrar o verapamil (altamente lipofílico) da circulação ativa.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

No mercado farmacêutico brasileiro, o cloridrato de verapamil pode ser facilmente adquirido sob a denominação genérica ou por meio de medicamentos similares equivalentes. A intercambialidade entre o medicamento de referência e o genérico é garantida por testes rigorosos de bioequivalência e biodisponibilidade exigidos pela ANVISA.

O principal medicamento de referência para o verapamil no Brasil é o Dilacoron (produzido pela Abbott Laboratórios). Existem diversos fabricantes de genéricos autorizados, incluindo grandes laboratórios nacionais e internacionais como Medley, EMS, Eurofarma, Neo Química, Germed e Biosintética. Ao adquirir o medicamento, o paciente deve verificar se a dose e a apresentação (liberação imediata versus liberação prolongada/AP) correspondem exatamente ao prescrito pelo médico, pois a substituição inadequada dessas formulações pode comprometer a eficácia do tratamento ou gerar riscos de hipotensão.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

Para compreender o papel terapêutico do verapamil, é útil compará-lo com outros bloqueadores dos canais de cálcio (BCC). Os BCC dividem-se em di-hidropiridínicos e não di-hidropiridínicos, apresentando perfis de ação marcadamente diferentes.

Como observado na comparação, o verapamil possui um perfil único que o torna ideal para pacientes que necessitam simultaneamente de controle de frequência cardíaca e redução da pós-carga, enquanto as di-hidropiridinas como o anlodipino são preferidas quando o objetivo é exclusivamente a redução da pressão arterial sem interferência na condução elétrica cardíaca.

Registro na ANVISA

O cloridrato de verapamil está devidamente registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), atendendo a todos os critérios de segurança, eficácia e controle de qualidade exigidos pela legislação sanitária brasileira.

Por se tratar de um medicamento de ação cardiovascular potente, sua comercialização em farmácias e drogarias está sujeita à apresentação de Receita Branca Comum (Receita Simples), que deve ser retida temporariamente para verificação ou devolvida ao paciente, dependendo das normativas locais. Não pertence à categoria de medicamentos de controle especial (como psicotrópicos), mas exige acompanhamento médico contínuo para renovação das prescrições e ajustes de dose.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Verapamil

Onde Comprar Verapamil?

O cloridrato de verapamil está disponível em praticamente todas as redes de farmácias e drogarias do Brasil, tanto físicas quanto online. Por ser um medicamento de uso contínuo inserido na lista de medicamentos essenciais, ele apresenta um custo relativamente acessível, especialmente em suas versões genéricas.

Para a aquisição do medicamento, é obrigatória a apresentação da receita médica física ou digital válida. Recomenda-se que o paciente realize pesquisas de preço, pois variações significativas podem ocorrer entre diferentes marcas de genéricos e estabelecimentos. Além disso, o verapamil pode ser integrado a programas de benefícios de medicamentos (PBM) oferecidos por laboratórios ou convênios de saúde, garantindo descontos adicionais.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 21/08/2026 e revisado em 21/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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