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Carvedilol

21 min de leitura Atualizado em 20/08/2026 Base ANVISA

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O tratamento das doenças cardiovasculares passou por uma verdadeira revolução nas últimas décadas, e o carvedilol consolidou-se como um dos pilares terapêuticos mais importantes dessa transformação. Historicamente, o uso de betabloqueadores em pacientes com insuficiência cardíaca era considerado contraindicado devido ao efeito inotrópico negativo inicial dessas substâncias. No entanto, a compreensão da fisiopatologia da hiperativação do sistema nervoso simpático mudou esse paradigma, revelando que o bloqueio adrenérgico a longo prazo protege o miocárdio contra os efeitos tóxicos das catecolaminas.

O carvedilol destaca-se de outros fármacos de sua classe por apresentar uma ação multifacetada. Ao associar o bloqueio não seletivo de receptores beta-adrenérgicos à atividade bloqueadora alfa-1 seletiva, ele não apenas reduz a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio do miocárdio, mas também promove uma vasodilatação periférica eficaz. Essa combinação única reduz a pós-carga cardíaca e melhora o perfil hemodinâmico global do paciente, tornando-o uma escolha de primeira linha no manejo da insuficiência cardíaca congestiva, da hipertensão arterial sistêmica e da cardiopatia isquêmica.

Neste artigo, analisamos de forma aprofundada os aspectos farmacológicos, clínicos e práticos do carvedilol. Abordaremos desde o seu intrincado mecanismo de ação molecular até as diretrizes posológicas atuais, interações medicamentosas críticas e perfis de segurança para diferentes populações, fornecendo um guia completo para profissionais de saúde e pacientes que buscam compreender a fundo esta molécula vital.

O que é Carvedilol?

O carvedilol é um agente cardiovascular pertencente à terceira geração de betabloqueadores. Diferente dos betabloqueadores de primeira geração (como o propranolol) e de segunda geração (como o atenolol e o metoprolol), os agentes de terceira geração possuem propriedades vasodilatadoras adicionais que modificam favoravelmente seu perfil hemodinâmico e metabólico.

Desenvolvido no final da década de 1980 e aprovado para uso clínico na década de 1990 após robustos ensaios clínicos multicêntricos (como os estudos US Carvedilol Heart Failure Study e, posteriormente, o COPERNICUS e o CAPRICORN), o carvedilol demonstrou uma redução sem precedentes na morbidade e mortalidade de pacientes com insuficiência cardíaca crônica e disfunção ventricular pós-infarto do miocárdio.

No Brasil, o medicamento é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e está amplamente disponível no mercado farmacêutico sob a forma de comprimidos simples. As apresentações comerciais mais comuns incluem as concentrações de 3,125 mg, 6,25 mg, 12,5 mg e 25 mg, permitindo um ajuste posológico extremamente preciso, o que é fundamental para o manejo seguro de pacientes cardiopatas graves.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação do carvedilol é complexo e envolve múltiplos alvos moleculares, o que lhe confere propriedades farmacológicas únicas em comparação com os betabloqueadores convencionais. Ele é quimicamente classificado como um mistura racêmica de dois enantiômeros (R[+] e S[-]), cada um apresentando um perfil de afinidade por receptores ligeiramente diferente:

  • Bloqueio de Receptores Beta-1 e Beta-2 Adrenérgicos: O enantiômero S(-) possui uma potente atividade bloqueadora competitiva não seletiva sobre os receptores beta-1 e beta-2. O bloqueio beta-1 (predominante no miocárdio) reduz a frequência cardíaca (efeito cronotrópico negativo), a contratilidade miocárdica (efeito inotrópico negativo) e a velocidade de condução nodal (efeito dromotrópico negativo), diminuindo a demanda miocárdica de oxigênio. O bloqueio beta-2 atenua a liberação de renina mediada pelo sistema simpático nos rins.
  • Bloqueio de Receptores Alfa-1 Adrenérgicos: Ambos os enantiômeros (R e S) exibem afinidade de ligação e capacidade de bloqueio dos receptores alfa-1 pós-sinápticos localizados na musculatura lisa vascular. Este bloqueio promove vasodilatação arterial e venosa sistêmica, resultando na diminuição da resistência vascular periférica (RVP) e, consequentemente, na redução da pressão arterial e da pós-carga imposta ao ventrículo esquerdo.
  • Propriedades Antioxidantes e Antiproliferativas: Além do antagonismo de receptores, o carvedilol atua como um potente varredor de radicais livres de oxigênio. Essa propriedade antioxidante, atribuída à sua estrutura química carbazólica, previne a oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (LDL), inibe a infiltração de células inflamatórias na parede vascular e reduz a apoptose de miócitos. O fármaco também demonstra capacidade de inibir a proliferação de células musculares lisas vasculares, o que pode retardar o processo de aterosclerose e remodelação vascular.

Diferente de betabloqueadores puros, a vasodilatação mediada pelo bloqueio alfa-1 do carvedilol impede o aumento reflexo da resistência periférica que normalmente ocorre com o uso de agentes como o propranolol. Além disso, o carvedilol não possui atividade simpatomimética intrínseca (ASI), garantindo proteção simpática contínua ao coração hiperativado.

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Farmacocinética e Farmacodinâmica

A compreensão do comportamento farmacocinético do carvedilol é essencial para otimizar sua eficácia clínica e antecipar potenciais interações e efeitos adversos:

  • Absorção: Após administração por via oral, o carvedilol é rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal, atingindo a concentração plasmática máxima ($C_{max}$) em aproximadamente 1 a 2 horas. No entanto, devido a um efeito de primeira passagem hepática significativo e estereo-seletivo, sua biodisponibilidade absoluta é de apenas cerca de 25% a 35%. A administração concomitante com alimentos não reduz a extensão da biodisponibilidade, mas retarda a taxa de absorção ($T_{max}$ prolongado), o que é clinicamente útil para reduzir a incidência de hipotensão ortostática.
  • Distribuição: O carvedilol é uma molécula altamente lipofílica, apresentando um grande volume de distribuição aparente (aproximadamente 2 L/kg). Ele exibe alta taxa de ligação às proteínas plasmáticas (cerca de 98% a 99%), ligando-se predominantemente à albumina. Devido à sua lipofilicidade, atravessa a barreira hematoencefálica, embora em menor proporção do que outros betabloqueadores mais antigos.
  • Metabolismo: O metabolismo do carvedilol é predominantemente hepático e complexo, mediado por várias enzimas do citocromo P450, principalmente a CYP2D6 e a CYP2C9, e em menor escala por CYP2C19, CYP1A2 e CYP3E1. O metabolismo ocorre por desmetilação e hidroxilação do anel fenólico, gerando três metabólitos ativos que mantêm atividade betabloqueadora (com destaque para o 4-hidroxifenil carvedilol, que é cerca de 13 vezes mais potente que o composto original no bloqueio beta). Contudo, as concentrações plasmáticas desses metabólitos ativos são baixas e contribuem minimamente para o efeito clínico global.
  • Excreção: O carvedilol e seus metabólitos são eliminados principalmente por via biliar e excretados através das fezes (mais de 60%). Menos de 16% da dose administrada é excretada pela urina na forma de metabólitos, e menos de 2% é excretada de forma inalterada. A meia-vida de eliminação plasmática varia de 6 a 10 horas, embora os efeitos farmacodinâmicos biológicos possam persistir por períodos consideravelmente maiores devido à forte ligação aos receptores teciduais.

Indicações Terapêuticas

O carvedilol possui indicações clínicas robustas e bem estabelecidas por diretrizes nacionais e internacionais de cardiologia. Seu uso clínico abrange as seguintes condições:

1. Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC)

O carvedilol é indicado para o tratamento da insuficiência cardíaca crônica estável de etiologia isquêmica ou miocárdica (não isquêmica), de intensidade leve, moderada ou grave (classes funcionais II, III e IV da New York Heart Association – NYHA). Ele é utilizado como terapia adjuvante aos tratamentos padrão, que incluem inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), diuréticos e antagonistas da aldosterona. O uso do carvedilol nesta população demonstrou reduzir significativamente a taxa de hospitalização por descompensação e aumentar a sobrevida global.

2. Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)

Pode ser utilizado em monoterapia ou em combinação com outros agentes anti-hipertensivos, especialmente diuréticos tiazídicos, bloqueadores dos canais de cálcio ou IECAs. Devido ao seu efeito vasodilatador alfa-1 mediado, o carvedilol reduz a pressão arterial sem causar taquicardia reflexa e com menor impacto negativo sobre o perfil lipídico e glicêmico do paciente em comparação com os betabloqueadores de gerações anteriores.

3. Disfunção Ventricular Esquerda Pós-Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)

Indicado para pacientes clinicamente estáveis após a fase aguda de um infarto do miocárdio que apresentam disfunção ventricular esquerda crônica (fração de ejeção do ventrículo esquerdo – FEVE ≤ 40%), com ou sem sintomas de insuficiência cardíaca. O início precoce (após estabilização hemodinâmica) previne a remodelação cardíaca patológica e reduz o risco de morte súbita cardíaca.

4. Angina de Peito Estável

O carvedilol é eficaz no controle profilático da angina de peito crônica. Ao reduzir a frequência cardíaca de repouso e de esforço, bem como a contratilidade do miocárdio, o fármaco diminui o duplo produto (frequência cardíaca x pressão arterial sistólica) e melhora a perfusão coronariana diastólica, prevenindo episódios de isquemia miocárdica.

Uso Off-Label Relevante

Embora não conste formalmente em todas as bulas, o carvedilol é frequentemente utilizado no manejo da hipertensão portal em pacientes com cirrose hepática. Ele atua reduzindo a pressão venosa portal por meio de dois mecanismos: a redução do fluxo sanguíneo esplâncnico (via bloqueio beta-2) e a redução da resistência vascular intra-hepática (via bloqueio alfa-1). Essa indicação visa prevenir o sangramento primário e secundário de varizes esofágicas.

Posologia e Forma de Uso

A administração do carvedilol deve ser estritamente individualizada e titulada de forma gradual. Recomenda-se que o medicamento seja ingerido acompanhado de alimentos para retardar a velocidade de absorção e minimizar o risco de hipotensão postural abrupta.

Princípios de Titulação na Insuficiência Cardíaca

O lema para o início do carvedilol na insuficiência cardíaca é “iniciar com dose baixa e progredir devagar” (start low and go slow). O paciente deve estar clinicamente estável (sem necessidade de inotrópicos intravenosos e sem sinais de hipervolemia grave) antes do início da terapia.

  • Dose Inicial: 3,125 mg, administrados duas vezes ao dia (de 12 em 12 horas), por um período de duas semanas.
  • Titulação: Se a dose inicial for bem tolerada (ausência de tonturas, bradicardia extrema ou piora dos sintomas de insuficiência cardíaca), a dose pode ser duplicada para 6,25 mg duas vezes ao dia por mais duas semanas. Posteriormente, pode-se aumentar para 12,5 mg duas vezes ao dia e, finalmente, para a dose alvo de 25 mg duas vezes ao dia.
  • Dose Máxima Recomendada:
    • Pacientes com peso inferior a 85 kg: 25 mg, duas vezes ao dia (50 mg/dia).
    • Pacientes com peso superior a 85 kg: 50 mg, duas vezes ao dia (100 mg/dia), desde que a insuficiência cardíaca seja leve a moderada.

Posologia na Hipertensão Arterial

Para o tratamento da hipertensão, a administração pode ser feita em dose única diária ou dividida em duas tomadas:

  • Dose Inicial: 12,5 mg uma vez ao dia (ou 6,25 mg duas vezes ao dia) nos dois primeiros dias.
  • Dose de Manutenção: 25 mg uma vez ao dia (ou 12,5 mg duas vezes ao dia). Se necessário, a dose pode ser aumentada após um intervalo mínimo de duas semanas até o limite máximo de 50 mg por dia (administrados em dose única ou divididos em duas tomadas).

Contraindicações

O carvedilol possui contraindicações absolutas que devem ser rigorosamente observadas pelo prescritor para evitar desfechos clínicos catastróficos:

Contraindicações Absolutas:

  • Insuficiência Cardíaca Descompensada de Classe IV (NYHA) que exija suporte inotrópico intravenoso contínuo ou intermitente (como dobutamina ou milrinone).
  • Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) com componente broncoespástico ou Asma Brônquica ativa (o bloqueio dos receptores beta-2 bronquiais pode desencadear broncoespasmo grave e potencialmente fatal).
  • Bloqueio Atrioventricular (BAV) de 2º ou 3º grau, a menos que o paciente seja portador de um marcapasso cardíaco artificial funcionante.
  • Síndrome do Nó Sinusal ou bradicardia sinusal grave não controlada (frequência cardíaca basal < 50 batimentos por minuto).
  • Choque Cardiogênico ou hipotensão arterial grave (pressão arterial sistólica < 85 mmHg).
  • Insuficiência Hepática Grave ou clinicamente manifesta (devido à redução dramática do clearance metabólico do fármaco).
  • Hipersonensibilidade conhecida ao carvedilol ou a qualquer componente da formulação.

Contraindicações Relativas e Precauções:

  • Diabetes Mellitus: O carvedilol pode mascarar os sintomas precoces de uma hipoglicemia aguda (especialmente a taquicardia e os tremores). No entanto, seus efeitos metabólicos sobre a sensibilidade à insulina são clinicamente mais favoráveis do que os dos betabloqueadores tradicionais.
  • Doença Vascular Periférica (como Fenômeno de Raynaud): Deve ser usado com cautela, embora o bloqueio alfa-1 tenda a mitigar a vasoconstrição periférica induzida pelo bloqueio beta-2.
  • Feocromocitoma: Jamais deve ser iniciado antes que um bloqueio adequado de receptores alfa-adrenérgicos tenha sido estabelecido por outro agente (risco de crise hipertensiva por estimulação alfa-adrenérgica sem oposição).

Efeitos Colaterais

O perfil de segurança do carvedilol é amplamente conhecido. A maioria dos efeitos colaterais está diretamente relacionada às suas propriedades farmacológicas de bloqueio adrenérgico e ocorre predominantemente durante a fase inicial de titulação da dose.

  • Muito Comuns (≥ 10%):
    • Tontura e cefaleia (frequentemente associadas à hipotensão ortostática transitória).
    • Fadiga, astenia e sensação de fraqueza generalizada.
    • Bradicardia sinusal.
    • Hipotensão arterial postural.
  • Comuns (1% a 10%):
    • Ganho de peso inexplicado e edema periférico (decorrentes da retenção hídrica inicial na insuficiência cardíaca).
    • Hipercolesterolemia, hiperglicemia e agravamento do controle glicêmico em diabéticos.
    • Distúrbios visuais, diminuição do lacrimação (olho seco – atenção especial a usuários de lentes de contato).
    • Broncoespasmo, dispneia e asma em pacientes predispostos.
    • Náusea, vômito, diarreia, dor abdominal e dispepsia.
    • Extremidades frias e agravamento de claudicação intermitente pré-existente.
  • Incomuns (0,1% a 1%):
    • Distúrbios do sono, pesadelos e alucinações.
    • Parestesias (formigamento nas extremidades).
    • Bloqueio atrioventricular de primeiro grau, síncope ou angina de peito exacerbada.
    • Reações cutâneas (como prurido, exantema, urticária e lesões semelhantes à psoríase).
    • Disfunção erétil e impotência sexual.
  • Raros (0,01% a 0,1%):
    • Trombocitopenia (redução do número de plaquetas).
    • Congestão nasal e secura na boca.
    • Insuficiência renal aguda em pacientes com nefropatia subjacente difusa ou estenose de artéria renal.

Interações Medicamentosas

O carvedilol apresenta um potencial significativo de interação com outras substâncias devido ao seu perfil metabólico hepático e às suas ações hemodinâmicas sinérgicas:

  • Inibidores e Indutores do CYP2D6 e CYP2C9: Fármacos que inibem fortemente a enzima CYP2D6 (como fluoxetina, paroxetine, quinidina e propafenona) podem elevar significativamente os níveis plasmáticos de carvedilol, aumentando o risco de bradicardia e hipotensão. Por outro lado, indutores enzimáticos potentes (como a rifampicina e o fenobarbital) podem acelerar o metabolismo do carvedilol, reduzindo sua eficácia terapêutica em até 70%.
  • Digoxina: O carvedilol pode aumentar as concentrações plasmáticas de equilíbrio da digoxina em cerca de 15% a 20%. Ambos os fármacos lentificam a condução atrioventricular; portanto, a coadministração requer monitoramento rigoroso dos níveis de digoxina e do eletrocardiograma (risco de BAV).
  • Bloqueadores dos Canais de Cálcio Não Di-idropiridínicos (Verapamil e Diltiazem): A combinação com estas substâncias pode resultar em distúrbios graves de condução cardíaca (bloqueio AV completo) e depressão miocárdica acentuada. Se a coadministração for estritamente necessária, o monitoramento eletrocardiográfico e pressórico contínuo é obrigatório.
  • Insulina e Hipoglicemiantes Orais: O carvedilol pode potencializar o efeito hipoglicemiante desses agentes e retardar a recuperação dos níveis de glicose sanguínea. Além disso, os sintomas clássicos de alerta de hipoglicemia (como sudorese fria, palpitação e tremores) podem ser mascarados ou atenuados.
  • Clonidina: A interrupção abrupta da terapia combinada de clonidina e um betabloqueador pode resultar em uma crise hipertensiva de rebote grave. O carvedilol deve ser descontinuado vários dias antes de se iniciar a retirada gradual da clonidina.
  • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): O uso concomitante de AINEs (como ibuprofeno, diclofenaco e piroxicam) pode reduzir o efeito anti-hipertensivo do carvedilol devido à inibição da síntese de prostaglandinas renais, o que promove retenção de sódio e água.

Uso em Populações Especiais

O manejo clínico do carvedilol exige precauções adicionais e ajustes terapêuticos específicos quando administrado a grupos populacionais vulneráveis:

  • Gestantes (Categoria de Risco C): O carvedilol não deve ser utilizado durante a gravidez, a menos que os benefícios potenciais superem claramente os riscos para o feto. Os betabloqueadores reduzem a perfusão placentária, o que pode resultar em morte fetal intrauterina, partos prematuros e restrição do crescimento intrauterino. Além disso, o neonato pode apresentar bradicardia, hipotensão, hipoglicemia e depressão respiratória no período pós-parto imediato.
  • Lactantes: Estudos em animais demonstraram que o carvedilol e/ou seus metabólitos são excretados no leite materno. Devido ao risco potencial de bradicardia e hipotensão no lactente, a amamentação não é recomendada durante o tratamento com carvedilol.
  • Uso Pediátrico: A segurança e a eficácia do carvedilol em crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade ainda não foram robustamente estabelecidas. O uso nesta faixa etária é considerado off-label e deve ser restrito a centros especializados em cardiologia pediátrica.
  • Idosos: Pacientes idosos podem apresentar maior sensibilidade aos efeitos hipotensores do carvedilol. A titulação da dose deve ser conduzida com extrema cautela, iniciando com as menores doses disponíveis e monitorando rigorosamente a pressão arterial ortostática e a frequência cardíaca.
  • Insuficiência Renal: Geralmente, não são necessários ajustes posológicos em pacientes com insuficiência renal crônica leve a moderada, uma vez que a eliminação renal do carvedilol inalterado é mínima. No entanto, o monitoramento da função renal é recomendado durante a titulação de dose em pacientes com nefropatia pré-existente.
  • Insuficiência Hepática: O carvedilol é contraindicado em pacientes com disfunção hepática clinicamente significativa. Em pacientes com cirrose hepática moderada, a biodisponibilidade do fármaco pode aumentar em até 4 vezes devido à redução do metabolismo de primeira passagem.

Superdosagem

A ingestão acidental ou intencional de doses maciças de carvedilol pode levar a um quadro de toxicidade cardiovascular e sistêmica grave, caracterizado por hipotensão profunda, bradicardia extrema, choque cardiogênico, insuficiência cardíaca congestiva aguda, broncoespasmo severo, convulsões e parada cardiorrespiratória.

Manejo Clínico da Intoxicação

Não existe um antídoto específico para o carvedilol. O tratamento baseia-se em medidas de suporte hemodinâmico agressivo e eliminação do fármaco se o paciente for atendido precocemente:

  • Descontaminação Gastrointestinal: Lavagem gástrica e administração de carvão ativado se a ingestão tiver ocorrido em até 1 a 2 horas.
  • Tratamento da Bradicardia: Administração intravenosa de atropina (0,5 mg a 2,0 mg). Em casos de bradicardia refratária, a instituição de marcapasso transvenoso temporário é imperativa.
  • Tratamento da Hipotensão e Choque: Infusão de fluidos intravenosos para expansão de volume. Se a hipotensão persistir, devem ser associados agentes inotrópicos e vasopressores (como dobutamina, dopamina, noradrenalina ou glucagon intravenoso, que ativa a adenilato ciclase independentemente dos receptores beta-adrenérgicos).
  • Tratamento do Broncoespasmo: Administração de broncodilatadores beta-2 agonistas inalatórios (como salbutamol) ou aminofilina intravenosa.

Devido à sua alta taxa de ligação às proteínas plasmáticas e ao grande volume de distribuição, o carvedilol não é removido de forma eficaz por hemodiálise ou hemoperfusão.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

O carvedilol é um medicamento amplamente difundido no mercado brasileiro, estando disponível tanto sob a denominação genérica (Carvedilol) quanto por diversos nomes comerciais de fantasia (similares e de referência). O medicamento de referência original registrado no Brasil é o Dilatrend® (atualmente comercializado pela Roche ou distribuído por parceiros licenciados).

Os medicamentos genéricos produzidos por laboratórios farmacêuticos de grande porte (como Medley, EMS, Eurofarma, Neo Química, Ache, entre outros) passam por testes rigorosos de bioequivalência e biodisponibilidade aprovados pela ANVISA, garantindo que apresentem o mesmo comportamento terapêutico, eficácia e perfil de segurança do produto de referência. Os medicamentos similares intercambiáveis (equivalentes terapêuticos) também representam alternativas seguras e frequentemente mais acessíveis economicamente para o tratamento contínuo.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

Para compreender as vantagens do carvedilol, é útil compará-lo com outros betabloqueadores amplamente utilizados na prática clínica diária, como o atenolol, o metoprolol e o propranolol:

Característica Carvedilol Metoprolol (Succinato) Atenolol Propranolol
Geração 3ª Geração 2ª Geração 2ª Geração 1ª Geração
Seletividade Beta Não Seletivo (β1 e β2) Cardiosseletivo (β1) Cardiosseletivo (β1) Não Seletivo (β1 e β2)
Ação Alfa-1 (Vasodilatação) Sim Não Não Não
Efeito Metabólico Neutro / Melhora sensibilidade à insulina Neutro / Pouco impacto Pode aumentar glicemia e triglicerídeos Pode alterar perfil lipídico
Indicação na Insuficiência Cardíaca Sim (Reduz mortalidade) Sim (Reduz mortalidade) Não recomendável Não recomendável
Propriedade Antioxidante Sim (Intensa) Não Não Não

Registro na ANVISA

O carvedilol possui registro ativo na ANVISA sob diversas apresentações e concentrações. Trata-se de um medicamento de venda sob prescrição médica obrigatória, necessitando da apresentação de receita médica simples (via única) no ato da compra. Não está sujeito a controle especial por portarias de substâncias psicotrópicas (como a Portaria 344/98), porém seu uso exige acompanhamento cardiológico regular devido à necessidade de monitoramento de parâmetros vitais.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Carvedilol

Onde Comprar Carvedilol?

O carvedilol pode ser facilmente adquirido em redes de farmácias físicas e drogarias online em todo o território nacional. Por ser uma medicação de uso contínuo essencial para a saúde cardiovascular, o carvedilol faz parte do elenco de medicamentos do Programa Farmácia Popular do Brasil, o que possibilita sua aquisição de forma gratuita ou com descontos significativos mediante a apresentação de receita médica válida dentro do prazo de validade legal (geralmente 180 dias a partir da data de emissão) e documento de identidade do paciente.

Os preços do carvedilol genérico são altamente acessíveis, variando de acordo com a dosagem (3,125 mg a 25 mg) e a quantidade de comprimidos por embalagem. Recomenda-se sempre realizar pesquisas de preço entre diferentes marcas e laboratórios para obter a melhor relação custo-benefício, priorizando laboratórios de reconhecida idoneidade e certificação de qualidade pela ANVISA.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 20/08/2026 e revisado em 20/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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