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Ansiolíticos e Antidepressivos

Quetiapina

19 min de leitura Atualizado em 06/09/2026 Base ANVISA

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O fumarato de quetiapina é um dos psicofármacos mais prescritos e versáteis da psiquiatria contemporânea. Classificado como um antipsicótico atípico (ou de segunda geração), este medicamento revolucionou o tratamento de transtornos mentais graves ao oferecer uma alternativa eficaz com menor incidência de efeitos colaterais extrapiramidais — como tremores e rigidez muscular — em comparação com os antipsicóticos de primeira geração, como o haloperidol. Sua ampla gama de atuação, que varia desde o tratamento da esquizofrenia até o manejo do transtorno afetivo bipolar e da depressão refratária, decorre de um perfil farmacológico singular e multifacetado.

Para pacientes, familiares e profissionais de saúde, compreender o funcionamento da quetiapina, suas indicações precisas, dosagens adequadas e potenciais efeitos colaterais é fundamental para garantir a segurança e a eficácia do tratamento. Este artigo técnico-científico foi elaborado seguindo as diretrizes de farmacologia clínica e as regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), proporcionando uma visão aprofundada e baseada em evidências sobre este importante medicamento.

O que é Quetiapina?

A quetiapina, comercializada sob a forma de fumarato de quetiapina, é um agente antipsicótico atípico pertencente à classe química das dibenzotiazepinas. Desenvolvida no final da década de 1980 e aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos em 1997, a substância chegou ao mercado brasileiro consolidando-se como uma das principais ferramentas terapêuticas na psiquiatria. Sua aprovação pela ANVISA engloba o tratamento de diversas condições psiquiátricas complexas, caracterizadas por desregulações de humor, pensamento e percepção.

Diferente dos antipsicóticos clássicos, que atuam de forma quase exclusiva no bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2, a quetiapina apresenta uma afinidade multimodal por diferentes receptores de neurotransmissores no sistema nervoso central. Essa característica confere ao fármaco não apenas propriedades antipsicóticas, mas também efeitos ansiolíticos, sedativos e estabilizadores do humor.

No mercado farmacêutico brasileiro, a quetiapina está disponível em duas apresentações principais, que determinam a velocidade de liberação do princípio ativo no organismo:

  • Liberação Imediata (IR – Immediate Release): Indicada para administrações fracionadas ao longo do dia ou em dose única noturna, dependendo da patologia. Apresenta rápida absorção e pico plasmático precoce, sendo muito utilizada quando se busca um efeito sedativo ou ansiolítico mais imediato.
  • Liberação Prolongada (XR ou XRO – Extended Release): Formulada para liberar o princípio ativo de forma gradual ao longo de 24 horas. Essa tecnologia permite a tomada única diária, melhora a adesão ao tratamento, reduz a flutuação dos níveis plasmáticos do fármaco e, consequentemente, minimiza a intensidade de efeitos colaterais como a sonolência diurna abrupta.

As concentrações disponíveis variam amplamente para permitir o ajuste preciso da dose (titulação), incluindo comprimidos de 25 mg, 50 mg, 100 mg, 200 mg e 300 mg.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação do fumarato de quetiapina é complexo e se caracteriza pelo que a farmacologia moderna denomina “perfil de ligação multimodal”. A eficácia clínica do medicamento é atribuída à sua ação sinérgica sobre os sistemas dopaminérgico, serotoninérgico, histaminérgico e noradrenérgico no cérebro.

Antagonismo de Receptores Serotoninérgicos (5-HT2A) e Dopaminérgicos (D2)

A base da classificação da quetiapina como um antipsicótico atípico reside na sua maior afinidade de ligação pelos receptores de serotonina 5-HT2A em comparação com os receptores de dopamina D2. O bloqueio moderado e transitório dos receptores D2 na via mesolímbica é suficiente para reduzir os sintomas psicóticos positivos (como alucinações e delírios), sem causar o bloqueio maciço observado nos antipsicóticos típicos.

Além disso, a quetiapina apresenta uma propriedade conhecida como “dissociação rápida” dos receptores D2. Isso significa que o fármaco se liga ao receptor, exerce seu efeito e se desprende rapidamente, permitindo que a dopamina endógena fisiológica realize sua transmissão normal em pulsos. Essa característica explica a baixíssima incidência de sintomas extrapiramidais (parkinsonismo medicamentoso, acatisia) e a menor elevação dos níveis de prolactina.

O Papel Ativo da Norquetiapina

Um dos grandes diferenciais da quetiapina é o seu principal metabólito ativo, a norquetiapina (N-desmetil quetiapina). A norquetiapina possui propriedades farmacológicas distintas e cruciais para o efeito terapêutico global do medicamento:

  • Inibição do Transportador de Noradrenalina (NET): A norquetiapina bloqueia a recaptação de noradrenalina na fenda sináptica, aumentando a disponibilidade deste neurotransmissor. Este mecanismo é idêntico ao de vários antidepressivos e explica a robusta eficácia da quetiapina no tratamento da depressão bipolar e unipolar.
  • Agonismo Parcial dos Receptores 5-HT1A: Estimula de forma moderada estes receptores serotoninérgicos, promovendo efeitos ansiolíticos e auxiliando na regulação do humor e da cognição.

Bloqueio Histaminérgico (H1) e Alfa-Adrenérgico

A quetiapina possui alta afinidade de ligação pelos receptores histaminérgicos H1 e receptores alfa-1 adrenérgicos. O bloqueio H1 é o principal responsável pelo efeito sedativo pronunciado do medicamento, frequentemente observado em doses baixas (25 mg a 50 mg). O bloqueio alfa-1 adrenérgico pode resultar em hipotensão ortostática (queda da pressão arterial ao se levantar) e taquicardia reflexa, efeitos que tendem a diminuir com o desenvolvimento de tolerância ao longo do tratamento.

⚗️ Como Funciona no Organismo?

Farmacocinética e Farmacodinâmica

A compreensão do comportamento da quetiapina no organismo — desde a sua ingestão até a eliminação — é essencial para otimizar os regimes posológicos e prever interações com outros medicamentos.

Absorção

Após a administração oral, a quetiapina de liberação imediata é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal, atingindo a concentração plasmática máxima (Tmax) em aproximadamente 1 a 1,5 horas. Para a formulação de liberação prolongada (XR), o Tmax ocorre em cerca de 6 horas. A biodisponibilidade da quetiapina é significativamente influenciada pela alimentação: a ingestão de alimentos ricos em gordura aumenta moderadamente a Cmax (concentração máxima) e a AUC (área sob a curva) da formulação XR, motivo pelo qual se recomenda que a quetiapina XR seja administrada sem alimentos ou com uma refeição leve.

Distribuição

A quetiapina é amplamente distribuída por todo o corpo, apresentando um volume aparente de distribuição de aproximadamente 10 L/kg. Cerca de 83% da substância circula ligada às proteínas plasmáticas (principalmente albumina). Essa ligação é estável e não afeta significativamente a fração livre de outros fármacos altamente ligados a proteínas.

Metabolismo

O metabolismo da quetiapina é essencialmente hepático, ocorrendo de forma quase linear dentro da faixa de dosagem terapêutica. O principal sistema enzimático envolvido na sua biotransformação é o citocromo P450, especificamente a isoenzima CYP3A4. O metabolismo mediado pela CYP3A4 produz a norquetiapina (metabólito ativo) e outros metabólitos inativos através de processos de sulfoxidação e oxidação. Devido à dependência desta via metabólica, qualquer substância que induza ou iniba a atividade da CYP3A4 alterará significativamente as concentrações plasmáticas de quetiapina no sangue.

Excreção

A meia-vida de eliminação da quetiapina é de aproximadamente 7 horas, enquanto a do seu metabólito ativo, a norquetiapina, é de cerca de 12 horas. Aproximadamente 73% da dose administrada é excretada na urina e 21% nas fezes, principalmente na forma de metabólitos inativos. Menos de 5% do fármaco inalterado é recuperado na urina ou fezes, indicando uma depuração metabólica quase completa.

Indicações Terapêuticas

Devido ao seu perfil farmacodinâmico único e dose-dependente, a quetiapina é indicada para uma ampla variedade de transtornos psiquiátricos. Suas indicações aprovadas pela ANVISA e amplamente respaldadas por diretrizes clínicas internacionais incluem:

1. Esquizofrenia

A quetiapina é eficaz no tratamento agudo e de manutenção da esquizofrenia em adultos. Ela atua reduzindo os sintomas positivos (delírios, alucinações, desorganização do pensamento) e apresenta eficácia moderada sobre os sintomas negativos (apatia, isolamento social, embotamento afetivo). O tratamento a longo prazo previne recaídas psicóticas e melhora o funcionamento global do paciente.

2. Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)

A quetiapina destaca-se como um dos poucos medicamentos aprovados para todas as fases do Transtorno Bipolar:

  • Episódios de Mania Aguda: Utilizada em monoterapia ou associada a estabilizadores de humor (lítio ou valproato) para controlar a agitação psicomotora, euforia, insônia e impulsividade.
  • Episódios de Depressão Bipolar: É uma das terapias de primeira linha mais eficazes para a fase depressiva do TAB, demonstrando melhora rápida dos sintomas depressivos, ideação suicida e ansiedade associada.
  • Tratamento de Manutenção (Prevenção de Recaídas): Indicada para prevenir novos episódios de mania, hipomania ou depressão em pacientes que responderam previamente ao tratamento com quetiapina.

3. Transtorno Depressivo Maior (TDM) – Terapia Adjuvante

Em pacientes com depressão unipolar que não obtiveram resposta satisfatória ao uso isolado de antidepressivos convencionais (como ISRS ou ISRSN), a quetiapina de liberação prolongada (XR) é aprovada como terapia complementar (adjuvante). A adição de doses baixas a moderadas de quetiapina potencializa o efeito antidepressivo e melhora sintomas de ansiedade e insônia comumente associados ao quadro.

4. Usos Off-Label (Não aprovados em bula, mas clinicamente comuns)

Embora não constem formalmente na bula aprovada pela ANVISA, a quetiapina é frequentemente prescrita em doses muito baixas (12,5 mg a 50 mg) para o manejo da insônia primária ou secundária, devido ao seu forte efeito sedativo via bloqueio H1. Contudo, sociedades médicas alertam que o uso de antipsicóticos puramente como hipnóticos deve ser reservado para casos selecionados, avaliando-se sempre a relação risco-benefício devido aos potenciais efeitos metabólicos a longo prazo. Outros usos off-label incluem o controle da agitação em quadros de demência (com cautela extrema) e o tratamento adjuvante do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

Posologia e Forma de Uso

A posologia do fumarato de quetiapina varia drasticamente conforme a indicação clínica, a idade do paciente e a tolerabilidade individual. Uma regra fundamental na prescrição de quetiapina é a titulação gradual da dose, iniciando-se com doses baixas que são progressivamente aumentadas até atingir a faixa terapêutica recomendada. Isso minimiza efeitos adversos agudos, especialmente a hipotensão ortostática e a sedação excessiva.

Instruções de Administração

  • Quetiapina de Liberação Imediata (IR): Geralmente administrada duas vezes ao dia, ou em dose única noturna se o objetivo for aproveitar o efeito sedativo para melhora do sono. Pode ser ingerida com ou sem alimentos.
  • Quetiapina de Liberação Prolongada (XR): Deve ser administrada uma vez ao dia, preferencialmente à noite, sem alimentos ou acompanhada de uma refeição leve. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros, sem mastigar, partir ou esmagar, para não comprometer o mecanismo de liberação controlada.

Contraindicações

O uso da quetiapina deve ser evitado ou realizado sob estrita vigilância médica em determinadas condições clínicas. As contraindicações dividem-se em absolutas e relativas:

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade ao Princípio Ativo: Pacientes com histórico de reações alérgicas graves (como angioedema, anafilaxia ou erupções cutâneas graves) à quetiapina ou a qualquer componente da fórmula.
  • Coadministração com Inibidores Potentes do CYP3A4: O uso concomitante de medicamentos que inibem fortemente a enzima hepática CYP3A4 é contraindicado, pois pode elevar drasticamente os níveis de quetiapina no sangue, aumentando o risco de toxicidade grave. Exemplos incluem antifúngicos azólicos (cetoconazol, itraconazol), inibidores da protease do HIV (ritonavir) e antibióticos macrolídeos (claritromicina).

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Prolongamento do Intervalo QT: A quetiapina deve ser evitada em pacientes com histórico familiar ou pessoal de prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma, arritmias cardíacas graves, bradicardia clinicamente relevante ou em uso de outros fármacos conhecidos por prolongar o intervalo QT.
  • Diabetes Mellitus e Síndrome Metabólica: Devido ao risco de ganho de peso e alterações glicêmicas, pacientes com diabetes estabelecido ou fatores de risco para síndrome metabólica requerem monitoramento rigoroso se iniciarem o tratamento.
  • Idosos com Psicose Associada à Demência: Antipsicóticos atípicos, incluindo a quetiapina, estão associados a um aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC) e mortalidade em pacientes idosos com demência. Seu uso nesta população deve ser evitado, a menos que os sintomas de agitação ou psicose representem um risco iminente de dano ao próprio paciente ou a terceiros.

Efeitos Colaterais

Como qualquer psicofármaco potente, a quetiapina pode causar reações adversas. A maioria dos efeitos colaterais está relacionada às suas ações farmacológicas nos receptores centrais e periféricos e tende a ser mais pronunciada nas primeiras semanas de tratamento, atenuando-se com o tempo.

Efeitos Metabólicos e Cardiovasculares

O ganho de peso e as alterações no perfil lipídico e glicêmico são as principais preocupações no tratamento a médio e longo prazo com a quetiapina. O fármaco pode aumentar o apetite (hiperfagia) e induzir resistência à insulina, exigindo exames laboratoriais periódicos (glicemia de jejum, hemoglobina glicada e perfil lipídico completo).

Sintomas Extrapiramidais (SEP)

Embora o risco de SEP seja significativamente menor do que com antipsicóticos típicos, sintomas como tremores, acatisia (inquietação motora), rigidez muscular e discinesia tardia ainda podem ocorrer, especialmente em doses elevadas ou em pacientes predispostos, como idosos.

Interações Medicamentosas

A quetiapina apresenta um potencial significativo de interação com outras substâncias, principalmente devido ao seu metabolismo hepático pela via CYP3A4 e seus efeitos depressores sobre o sistema nervoso central.

Interações Farmacocinéticas (Metabolismo)

  • Inibidores da CYP3A4 (Aumentam os níveis de quetiapina): Medicamentos como cetoconazol, fluconazol, eritromicina, claritromicina, diltiazem, verapamil e o suco de toranja (grapefruit) diminuem a depuração da quetiapina, elevando o risco de sedação profunda, hipotensão e arritmias.
  • Indutores da CYP3A4 (Reduzem os níveis de quetiapina): Fármacos como carbamazepina, fenitoína, fenobarbital e rifampicina aceleram significativamente o metabolismo da quetiapina, reduzindo sua eficácia terapêutica de forma drástica (em alguns casos, reduzindo a concentração plasmática em até 80%). Ajustes substanciais de dose podem ser necessários.

Interações Farmacodinâmicas (Efeito)

  • Depressores do SNC: O uso concomitante de álcool, benzodiazepínicos (como clonazepam, diazepam), opioides e outros sedativos potencializa a sonolência, o comprometimento cognitivo e o risco de depressão respiratória.
  • Medicamentos que Prolongam o Intervalo QT: A associação com antiarrítmicos (amiodarona, sotalol), certos antibióticos (moxifloxacino) ou outros antipsicóticos aumenta o risco de arritmias ventriculares graves, como Torsades de Pointes.

Uso em Populações Especiais

A prescrição de quetiapina para grupos específicos de pacientes requer cautela redobrada e uma avaliação criteriosa do binômio risco-benefício.

Gestantes e Lactantes

A quetiapina é classificada na Categoria C de risco na gravidez. Não existem estudos controlados adequados em mulheres grávidas. O uso durante a gestação deve ser restrito a casos em que os benefícios maternos superem claramente os riscos potenciais ao feto. Recém-nascidos expostos a antipsicóticos no terceiro trimestre de gestação correm o risco de apresentar sintomas extrapiramidais ou de abstinência após o parto. A quetiapina é excretada no leite materno em baixas concentrações; portanto, a amamentação durante o uso do medicamento deve ser avaliada com cautela pelo pediatra e pelo psiquiatra.

Pacientes Idosos

Os idosos apresentam maior sensibilidade aos efeitos colaterais cardiovasculares (hipotensão ortostática, que eleva o risco de quedas e fraturas) e antichoque da quetiapina. A depuração plasmática da quetiapina pode estar reduzida de 30% a 50% nesta população. O tratamento deve começar com doses muito baixas (12,5 mg a 25 mg/dia) e a titulação deve ser mais lenta.

Insuficiência Renal e Hepática

Como a quetiapina é amplamente metabolizada pelo fígado, pacientes com insuficiência hepática conhecida apresentam uma eliminação mais lenta do fármaco. Recomenda-se iniciar o tratamento com 25 mg/dia e realizar aumentos diários de 25 mg a 50 mg até atingir a dose eficaz. Em pacientes com insuficiência renal, não costuma ser necessário ajuste posológico inicial, mas o monitoramento clínico é recomendado.

Superdosagem

A toxicidade aguda por superdosagem de quetiapina manifesta-se principalmente como uma extensão dos seus efeitos farmacológicos conhecidos.

Sinais e Sintomas

Os sintomas mais frequentes decorrentes da ingestão de doses excessivas incluem sonolência grave, sedação profunda, taquicardia, hipotensão arterial importante, prolongamento do intervalo QT, hipocalemia e bloqueio de condução cardíaca. Em casos graves, podem ocorrer convulsões, coma, depressão respiratória e colapso cardiovascular.

Tratamento e Conduta

Não existe um antídoto específico para a quetiapina. O manejo da superdosagem baseia-se em medidas de suporte geral e sintomáticas:

  • Manutenção das vias aéreas pérvias e garantia de oxigenação e ventilação adequadas.
  • Monitoramento eletrocardiográfico contínuo para detectar possíveis arritmias ou prolongamento do intervalo QT.
  • Administração de carvão ativado se a ingestão tiver ocorrido em poucas horas, embora a lavagem gástrica deva ser considerada apenas em casos de ingestão massiva e recente devido ao risco de aspiração pulmonar decorrente da rápida instalação da sonolência.
  • Correção da hipotensão com fluidos intravenosos e, se necessário, agentes vasopressores (evitando-se a adrenalina e dopamina, que podem piorar a hipotensão por estimulação beta-adrenérgica em vasos já bloqueados nos receptores alfa pela quetiapina).

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

O fumarato de quetiapina está amplamente consolidado no mercado farmacêutico brasileiro. Após a expiração da patente do medicamento de referência original, diversos laboratórios nacionais e multinacionais passaram a produzir versões genéricas e similares equivalentes.

O medicamento de referência original para a quetiapina é o Seroquel® (e sua versão de liberação prolongada, Seroquel XRO®), desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca. Os medicamentos genéricos comercializados sob o nome “Fumarato de Quetiapina” passam por rigorosos testes de bioequivalência e biodisponibilidade exigidos pela ANVISA, garantindo que apresentem a mesma eficácia, segurança e comportamento no organismo que o medicamento de referência.

Além dos genéricos, existem marcas similares de alta qualidade no mercado, como:

  • Queropax® (Apsen)
  • Quetros® (Torrent)
  • Atip® (Eurofarma)
  • Queti® (Cristália)

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

A escolha entre a quetiapina e outros antipsicóticos atípicos depende do perfil de sintomas do paciente, da presença de comorbidades e da tolerabilidade aos efeitos colaterais específicos de cada substância.

Em comparação com a olanzapina, a quetiapina apresenta um risco ligeiramente menor de ganho de peso extremo e resistência à insulina, embora ambos os fármacos exijam monitoramento metabólico. Frente à risperidona, a quetiapina tem a grande vantagem de causar significativamente menos sintomas extrapiramidais e não provocar elevações marcantes nos níveis de prolactina (o que evita ginecomastia e disfunções sexuais). Por outro lado, o aripiprazol destaca-se por ser metabolicamente neutro e causar pouca ou nenhuma sedação, mas pode induzir maior taxa de acatisia (inquietação) em comparação com o perfil altamente sedativo e calmante da quetiapina.

Registro na ANVISA

No Brasil, o fumarato de quetiapina é uma substância controlada, classificada na lista C1 (Outras substâncias sujeitas a controle especial) da Portaria 344/98 da ANVISA. Isso significa que sua venda é estritamente regulamentada.

Para a aquisição do medicamento, é obrigatória a apresentação da Receita de Controle Especial em duas vias (conhecida popularmente como receita branca de controle especial). A primeira via fica retida no estabelecimento farmacêutico para escrituração no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), enquanto a segunda via é devolvida ao paciente carimbada, servindo como comprovante de orientação médica. Cada receita tem validade de 30 dias a partir da data de emissão e pode conter quantidade de medicamento suficiente para até 60 dias de tratamento (ou até 180 dias em casos específicos com justificativa médica na receita).

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Quetiapina

Onde Comprar Quetiapina?

A quetiapina pode ser adquirida em qualquer farmácia ou drogaria física autorizada pelo Ministério da Saúde e licenciada pela Vigilância Sanitária local para a comercialização de medicamentos sob controle especial. Devido à obrigatoriedade de retenção de receita física, a compra por canais de e-commerce (internet) geralmente exige que o paciente envie a receita digitalizada para validação prévia ou que a entrega seja realizada mediante a entrega física da receita ao motoboy/entregador habilitado.

Os preços do fumarato de quetiapina variam consideravelmente dependendo do laboratório fabricante (referência, similar ou genérico), da dosagem (25 mg a 300 mg) e do tipo de liberação (imediata ou prolongada). A versão de liberação prolongada (XR) costuma apresentar um custo mais elevado em comparação com a formulação convencional. Recomenda-se realizar pesquisas de preço e verificar programas de fidelidade de laboratórios parceiros, que frequentemente oferecem descontos significativos para pacientes em uso contínuo.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 06/09/2026 e revisado em 06/09/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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