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A psiquiatria e a neurologia modernas passaram por uma verdadeira revolução com o advento dos antipsicóticos de segunda geração, também conhecidos como antipsicóticos atípicos. Entre esses fármacos, a olanzapina destaca-se como um dos agentes mais potentes, versáteis e amplamente estudados no mundo. Desenvolvida no final do século XX, ela transformou o prognóstico de pacientes diagnosticados com esquizofrenia e transtorno afetivo bipolar (TAB), oferecendo uma eficácia robusta no controle de sintomas psicóticos e de humor, com um perfil de efeitos colaterais motores significativamente reduzido em comparação com os antipsicóticos clássicos de primeira geração, como o haloperidol.
A relevância clínica da olanzapina reside na sua capacidade de atuar de forma multifacetada no sistema nervoso central. Ao interagir com múltiplos sistemas de neurotransmissores, ela não apenas trata os chamados “sintomas positivos” da esquizofrenia (como alucinações e delírios), mas também demonstra eficácia superior no manejo dos “sintomas negativos” (como o isolamento social, a apatia e o embotamento afetivo) e na estabilização de episódios de mania aguda. No entanto, sua potência terapêutica é acompanhada por um perfil metabólico complexo que exige monitoramento clínico rigoroso, tornando o conhecimento aprofundado sobre este medicamento essencial para médicos, farmacêuticos e pacientes.
Neste artigo completo, analisaremos detalhadamente a farmacologia da olanzapina, abrangendo desde seu mecanismo de ação molecular até suas indicações clínicas, perfil farmacocinético, efeitos adversos, interações medicamentosas e diretrizes de uso seguro. Nosso objetivo é fornecer um guia de referência científica definitivo, pautado pelas melhores evidências da medicina e pelas regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
O que é Olanzapina?
A olanzapina é um composto químico pertencente à classe das dezenove-metil-tienobenzodiazepinas. Trata-se de um agente antipsicótico atípico (segunda geração) que possui uma estrutura química intimamente relacionada à da clozapina, o primeiro antipsicótico atípico descoberto. A olanzapina foi sintetizada pela empresa farmacêutica Eli Lilly e aprovada pela primeira vez para uso clínico pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos em 1996, sob o nome comercial Zyprexa. No Brasil, a ANVISA aprovou o medicamento logo em seguida, consolidando-o como uma das principais ferramentas terapêuticas na rede pública (SUS) e privada.
Diferente dos antipsicóticos típicos de primeira geração, que atuam de forma quase exclusiva bloqueando os receptores dopaminérgicos D2, a olanzapina apresenta uma afinidade de ligação mais ampla por diversos receptores de neurotransmissores. Essa característica “multirreceptorial” confere ao fármaco suas propriedades terapêuticas únicas, permitindo o controle de quadros psicóticos graves e distúrbios de humor com menor incidência de efeitos extrapiramidais (como tremores, rigidez muscular e discinesia tardia).
No mercado farmacêutico brasileiro, a olanzapina está disponível em diversas apresentações e concentrações, permitindo a individualização do tratamento. As principais formas físicas comercializadas incluem:
- Comprimidos revestidos simples: Para administração oral convencional, disponíveis nas dosagens de 2,5 mg, 5 mg, 10 mg e 15 mg.
- Comprimidos orodispersíveis (tecnologia Zydis ou similar): Comprimidos que se dissolvem rapidamente na boca em contato com a saliva, sem a necessidade de ingestão de água. Essa apresentação é extremamente útil para garantir a adesão ao tratamento em pacientes agitados, desconfiados ou com dificuldade de deglutição (disfagia). Disponíveis em 5 mg e 10 mg.
- Pó liofilizado para solução injetável (uso intramuscular): Indicado exclusivamente para o controle rápido da agitação aguda associada à esquizofrenia ou episódios de mania, disponível na dosagem de 10 mg por frasco-ampola.
Mecanismo de Ação
O mecanismo de ação exato da olanzapina, assim como o de outros antipsicóticos eficazes, não é completamente elucidado, mas é amplamente aceito que sua eficácia terapêutica é mediada por meio de um antagonismo combinado de receptores de dopamina e serotonina no cérebro. Farmacologicamente, a olanzapina é classificada como um agente MARTA (Multi-Acting Receptor-Targeted Antipsychotic), devido ao seu perfil de ligação a múltiplos receptores celulares.
Abaixo estão detalhados os principais alvos moleculares da olanzapina e suas implicações clínicas:
1. Antagonismo dos Receptores de Serotonina (5-HT2A e 5-HT2C)
A olanzapina apresenta uma afinidade de ligação extremamente alta pelos receptores serotoninérgicos 5-HT2A. O bloqueio desses receptores no córtex pré-frontal resulta em um aumento indireto da liberação de dopamina nessa região. Esse efeito é fundamental para a melhora dos sintomas cognitivos e negativos da esquizofrenia, além de reduzir drasticamente a ocorrência de sintomas extrapiramidais (motores) no corpo estriado, uma vez que a serotonina normalmente exerce um efeito inibitório sobre a liberação de dopamina.
2. Antagonismo Moderado dos Receptores de Dopamina (D2, D1, D3, D4)
Diferente do haloperidol, que se liga de forma extremamente forte aos receptores D2, a olanzapina dissocia-se rapidamente desses receptores. Ela atua como um antagonista dos receptores dopaminérgicos D2, principalmente na via mesolímbica, o que reduz a hiperatividade dopaminérgica responsável pelos sintomas psicóticos positivos (alucinações e delírios). A menor afinidade e a rápida dissociação dos receptores D2 na via nigroestriatal explicam a baixa incidência de parkinsonismo induzido pelo medicamento.
3. Antagonismo dos Receptores de Histamina (H1)
A olanzapina possui alta afinidade de ligação pelos receptores de histamina H1. O bloqueio desses receptores é o principal responsável pelo forte efeito sedativo do medicamento, que pode ser benéfico no início do tratamento para pacientes com insônia e agitação psicomotora intensa. No entanto, o antagonismo H1 também está diretamente associado ao aumento do apetite e ao ganho de peso substancial observado na maioria dos pacientes.
4. Antagonismo dos Receptores Muscarínicos (M1, M2, M3, M4, M5)
Apresenta uma afinidade significativa por receptores colinérgicos muscarínicos, em especial o receptor M1. Esse bloqueio anticolinérgico ajuda a mitigar os efeitos extrapiramidais induzidos pelo bloqueio dopaminérgico, mas é a causa de efeitos colaterais clássicos, como boca seca, constipação intestinal, visão turva e retenção urinária de leve intensidade.
5. Antagonismo dos Receptores Alfa-1 Adrenérgicos (α1)
O bloqueio dos receptores alfa-1 adrenérgicos periféricos pela olanzapina pode levar à vasodilatação, manifestando-se clinicamente como hipotensão ortostática (queda da pressão arterial ao se levantar) e taquicardia reflexa, especialmente durante a fase inicial de titulação da dose.
⚗️ Como Funciona no Organismo?
Farmacocinética e Farmacodinâmica
A compreensão dos parâmetros farmacocinéticos da olanzapina é crucial para otimizar os regimes posológicos e prever possíveis interações medicamentosas ou variações na resposta terapêutica entre diferentes pacientes.
Absorção
Após a administração por via oral, a olanzapina é bem absorvida pelo trato gastrointestinal, atingindo as concentrações plasmáticas máximas (Cmax) dentro de 5 a 8 horas. A absorção não é afetada pela presença de alimentos, o que significa que o medicamento pode ser tomado com ou sem refeições. No entanto, a olanzapina sofre um efeito de primeira passagem hepática significativo, resultando em uma biodisponibilidade sistêmica de aproximadamente 60% a 85% para a dose oral.
Distribuição
A olanzapina apresenta uma ampla distribuição tecidual, com um volume de distribuição aparente de aproximadamente 10 a 20 L/kg. Ela atravessa facilmente a barreira hematoencefálica para exercer seus efeitos centrais. A taxa de ligação às proteínas plasmáticas é de aproximadamente 93%, ligando-se principalmente à albumina e à alfa-1-glicoproteína ácida.
Metabolismo
O metabolismo da olanzapina ocorre predominantemente no fígado por meio de reações de conjugação e oxidação. As principais vias metabólicas envolvem:
- Glucuronidação direta: Mediada pela enzima UDP-glucuronosiltransferase (UGT1A4), gerando o metabólito inativo olanzapina-10-N-glucuronídeo.
- Oxidação via Citocromo P450 (CYP1A2): Produz o metabólito ativo 4′-N-desmetilolanzapina, que possui atividade farmacológica significativamente menor que o composto original.
- Oxidação menor via CYP2D6: Envolve a formação de outros metabólitos hidroxilados menores.
Como os principais metabólitos circulantes são farmacologicamente inativos ou apresentam atividade mínima, o efeito terapêutico do medicamento provém quase que exclusivamente da própria olanzapina inalterada.
Excreção
A meia-vida de eliminação plasmática da olanzapina em indivíduos saudáveis varia de 21 a 54 horas (média de aproximadamente 30 a 33 horas). Essa meia-vida longa permite a administração em dose única diária. Cerca de 57% da dose administrada é excretada na urina na forma de metabólitos, e aproximadamente 30% é eliminada nas fezes.
Fatores demográficos e fisiológicos podem alterar significativamente a depuração (clearance) da olanzapina:
- Tabagismo: O tabaco induz a atividade da enzima CYP1A2. Pacientes fumantes apresentam uma depuração da olanzapina cerca de 30% a 40% maior em comparação com não fumantes, resultando em menores concentrações plasmáticas do fármaco.
- Gênero: Mulheres apresentam uma depuração cerca de 25% menor do que homens, o que pode exigir doses ligeiramente menores.
- Idade: Pacientes idosos apresentam uma eliminação mais lenta e meia-vida prolongada (podendo ultrapassar 50 horas), demandando cautela extrema e doses iniciais reduzidas.
Indicações Terapêuticas
A olanzapina possui indicações terapêuticas consolidadas por ensaios clínicos robustos de fase III e IV, sendo aprovada pela ANVISA para o tratamento de condições psiquiátricas graves de caráter agudo ou crônico.
1. Esquizofrenia e Outras Psicoses
A olanzapina é indicada para o tratamento agudo e de manutenção da esquizofrenia e de outros transtornos psicóticos nos quais sintomas positivos (como delírios, alucinações, desorganização do pensamento, hostilidade e desconfiança) e/ou sintomas negativos (como afeto embotado, retraimento emocional e social, pobreza de discurso) sejam proeminentes. O uso contínuo previne eficazmente as recaídas e a exacerbação dos sintomas agudos.
2. Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)
No contexto do transtorno bipolar, a olanzapina atua tanto na fase de mania quanto na prevenção de novos episódios:
- Episódios de Mania Aguda ou Mistos: Indicada como monoterapia ou em combinação com estabilizadores de humor (como carbonato de lítio ou valproato de sódio) para o tratamento de episódios agudos de mania ou mistos associados ao Transtorno Bipolar I, com ou sem características psicóticas.
- Prevenção de Recidivas (Manutenção): Indicada para prevenir a recorrência de episódios de mania, mistos ou depressivos em pacientes com transtorno bipolar que responderam previamente ao tratamento com olanzapina na fase aguda.
3. Depressão Bipolar (em associação com Fluoxetina)
A combinação de olanzapina com fluoxetina (frequentemente prescrita de forma conjunta ou em formulações combinadas) é indicada para o tratamento de episódios depressivos agudos associados ao Transtorno Bipolar I, demonstrando eficácia superior à monoterapia com antidepressivos comuns, que carregam o risco de induzir virada maníaca.
4. Usos Off-Label (Não aprovados em bula, mas clinicamente respaldados)
Embora não constem formalmente na bula aprovada pela ANVISA, a olanzapina é frequentemente prescrita por especialistas em situações específicas respaldadas por diretrizes médicas internacionais:
- Depressão Unipolar Refratária: Usada em doses baixas como potencializadora de antidepressivos ISRS ou ISRSN em pacientes com depressão maior que não responderam a múltiplos tratamentos convencionais.
- Anorexia Nervosa: Auxilia no ganho de peso e na redução da rigidez cognitiva e obsessividade em relação à imagem corporal em pacientes graves.
- Náuseas e Vômitos Induzidos por Quimioterapia (NVIQ): Utilizada em protocolos de oncologia, em doses baixas (geralmente 5 mg a 10 mg), para prevenir náuseas refratárias decorrentes de quimioterápicos altamente emetogênicos (como a cisplatina), devido ao seu forte bloqueio dos receptores de dopamina e serotonina 5-HT3.
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) Grave: Como terapia adjuvante em casos refratários aos inibidores seletivos de recaptação de serotonina.
Posologia e Forma de Uso
A posologia da olanzapina deve ser estritamente individualizada pelo médico assistente, levando em consideração a patologia alvo, a gravidade dos sintomas, a presença de comorbidades e a tolerabilidade do paciente. O medicamento deve ser administrado por via oral, preferencialmente uma vez ao dia, no mesmo horário, geralmente à noite, para mitigar os efeitos de sonolência diurna.
Esquizofrenia e Transtornos Relacionados
A dose inicial recomendada é de 5 mg a 10 mg por dia. Ajustes subsequentes de dose, se necessários, devem ocorrer em intervalos não inferiores a 24 horas, após avaliação clínica. A variação terapêutica habitual situa-se entre 5 mg e 20 mg por dia. Doses superiores a 20 mg/dia não demonstraram eficácia adicional significativa e estão associadas a um aumento expressivo de efeitos colaterais.
Mania Bipolar (Monoterapia)
A dose inicial recomendada é de 10 mg a 15 mg administrados uma vez ao dia. O ajuste posológico para manutenção ou controle fino dos sintomas deve ser feito dentro da faixa de 5 mg a 20 mg por dia, conforme a resposta clínica do paciente.
Mania Bipolar (Terapia Combinada com Lítio ou Valproato)
A dose inicial recomendada é de 10 mg uma vez ao dia. A dose pode ser ajustada posteriormente entre 5 mg e 20 mg por dia, dependendo da tolerabilidade e do controle dos sintomas em conjunto com o estabilizador de humor.
Pacientes Idosos ou com Insuficiência Renal/Hepática
Para pacientes idosos (acima de 65 anos), debilitados ou que apresentem múltiplos fatores que possam diminuir o metabolismo da olanzapina (como insuficiência hepática moderada ou insuficiência renal grave), recomenda-se iniciar o tratamento com uma dose de 2,5 mg a 5 mg por dia, progredindo de forma lenta e cautelosa.
Contraindicações
A prescrição de olanzapina exige uma avaliação detalhada do histórico de saúde do paciente, pois existem cenários clínicos em que o uso do fármaco é estritamente proibido ou requer extrema vigilância.
Contraindicações Absolutas
- Hipersensibilidade conhecida: Pacientes com histórico de reações alérgicas graves (como anafilaxia, angioedema ou erupções cutâneas graves) à olanzapina ou a qualquer componente da fórmula do medicamento.
- Glaucoma de ângulo fechado: Devido às propriedades anticolinérgicas da olanzapina, seu uso pode aumentar a pressão intraocular, precipitando uma crise de glaucoma agudo de ângulo fechado, o que constitui uma emergência médica.
Contraindicações Relativas e Precauções de Uso
- Demência em Idosos (Psicose Associada à Demência): A olanzapina não é aprovada para o tratamento de psicose associada à demência. Estudos clínicos demonstraram que pacientes idosos com demência tratados com antipsicóticos atípicos apresentam um risco significativamente aumentado de morte por causas cardiovasculares (como insuficiência cardíaca) ou infecciosas (como pneumonia), além de maior incidência de acidentes vasculares cerebrais (AVC).
- Diabetes Mellitus e Síndrome Metabólica: Pacientes com diagnóstico prévio de diabetes ou com múltiplos fatores de risco para doenças cardiovasculares devem ser monitorados de perto, devido ao risco de descompensação glicêmica grave, cetoacidose diabética e coma hiperosmolar induzidos pelo medicamento.
- Histórico de Convulsões: A olanzapina pode reduzir o limiar convulsivo. Deve ser usada com extrema cautela em pacientes com epilepsia ou condições predisponentes a convulsões.
- Insuficiência Hepática Grave: Pacientes com cirrose ou hepatite grave necessitam de monitoramento contínuo das transaminases hepáticas (TGO/TGP), devendo o tratamento ser descontinuado se houver elevação persistente e significativa dessas enzimas.
Efeitos Colaterais
Embora a olanzapina apresente excelente eficácia clínica, seu perfil de efeitos adversos é amplo e dominado por alterações metabólicas e sedação. É fundamental que médicos e pacientes conheçam esses efeitos para que estratégias preventivas (como reeducação alimentar e prática de exercícios físicos) sejam implementadas precocemente.
Reações Muito Comuns (ocorrem em mais de 10% dos pacientes)
- Ganho de peso substancial: É o efeito adverso mais proeminente da olanzapina. Ocorre devido ao aumento do apetite mediado pelos receptores H1 e 5-HT2C. Esse ganho de peso pode ser rápido e contínuo, predispondo o paciente ao desenvolvimento de síndrome metabólica.
- Sonolência e Sedação extrema: Especialmente nas primeiras semanas de tratamento. Geralmente diminui com o tempo (tolerância), mas pode limitar as atividades diárias do paciente.
- Aumento dos níveis de prolactina plasmática: Embora menor do que o observado com a risperidona, a olanzapina pode causar hiperprolactinemia, que clinicamente se manifesta como galactorreia (produção de leite), ginecomastia (aumento das mamas em homens), amenorreia (ausência de menstruação) e disfunção erétil.
- Hipotensão ortostática: Tontura ou sensação de desmaio ao se levantar rapidamente.
Reações Comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes)
- Aumento do apetite e ingestão calórica.
- Astenia (fraqueza física intensa) e fadiga.
- Aumento transitório das transaminases hepáticas (TGO e TGP), sem icterícia.
- Constipação intestinal e boca seca (efeitos anticolinérgicos).
- Acatisia (inquietação motora incontrolável) e tremores leves.
- Dislipidemia (aumento dos níveis de colesterol total, LDL e triglicerídeos).
- Elevação da glicemia de jejum.
Reações Incomuns e Raras (ocorrem em menos de 1% dos pacientes)
- Síndrome Neuroléptica Maligna (SNM): Uma emergência médica rara, mas potencialmente fatal, caracterizada por rigidez muscular extrema, hipertermia (febre alta), instabilidade autonômica (pressão instável, taquicardia) e alteração do estado mental. Exige interrupção imediata do fármaco e suporte intensivo.
- Discinesia Tardia: Movimentos involuntários e repetitivos da face, língua ou membros, que podem se tornar irreversíveis após o uso prolongado de antipsicóticos.
- Reação ao Medicamento com Eosinofilia e Sintomas Sistêmicos (DRESS): Uma reação de hipersensibilidade grave caracterizada por erupção cutânea, febre, linfadenopatia e envolvimento de órgãos internos (como hepatite ou nefrite).
- Prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma: Risco de arritmias ventriculares graves, especialmente se associada a outros fármacos cardiotóxicos.
Interações Medicamentosas
A coadministração de olanzapina com outras substâncias pode alterar significativamente suas concentrações plasmáticas ou potencializar seus efeitos adversos sistêmicos. O conhecimento dessas interações é indispensável para evitar toxicidade ou falha terapêutica.
Interações Farmacocinéticas (Influência no Metabolismo)
- Indutores da CYP1A2 (Reduzem o efeito da Olanzapina): O tabagismo e o uso de carbamazepina aumentam o metabolismo da olanzapina através da indução enzimática. Pacientes que fumam muito necessitam, frequentemente, de doses diárias maiores de olanzapina. Caso o paciente interrompa o hábito de fumar abruptamente, os níveis plasmáticos de olanzapina podem subir rapidamente, elevando o risco de toxicidade e sedação excessiva.
- Inibidores da CYP1A2 (Aumentam o efeito da Olanzapina): Fármacos como a fluvoxamina (um antidepressivo) e a ciprofloxacina (um antibiótico quinolônico) inibem fortemente a CYP1A2. A coadministração resulta em um aumento acentuado da concentração de olanzapina no sangue, exigindo uma redução obrigatória da dose do antipsicótico.
Interações Farmacodinâmicas (Sinergismo de Efeitos)
- Depressores do Sistema Nervoso Central (SNC): O uso concomitante de olanzapina com álcool, anestésicos, analgésicos opioides, sedativos, hipnóticos e outros ansiolíticos (como os benzodiazepínicos) pode causar sedação profunda, depressão respiratória e hipotensão severa.
- Benzodiazepínicos Injetáveis: A administração concomitante de olanzapina intramuscular com benzodiazepínicos por via parenteral (como diazepam ou midazolam) é desaconselhada, pois tem sido associada a casos de colapso cardiovascular e óbito por parada cardiorrespiratória. Recomenda-se um intervalo mínimo de pelo menos uma hora entre as injeções dessas classes de medicamentos.
- Medicamentos Anti-hipertensivos: Devido ao potencial de causar hipotensão ortostática, a olanzapina pode somar seus efeitos aos de anti-hipertensivos, aumentando o risco de quedas, principalmente em pacientes idosos.
- Agonistas Dopaminérgicos (Levodopa): A olanzapina pode antagonizar os efeitos terapêuticos de medicamentos antiparkinsonianos, como a levodopa e pramipexol, piorando os sintomas motores do Parkinson.
Uso em Populações Especiais
Certas categorias de pacientes exigem protocolos diferenciados e monitoramento clínico individualizado ao utilizarem a olanzapina.
Gestantes e Lactantes
A olanzapina é classificada na Categoria C de risco na gravidez. Não existem estudos clínicos controlados e adequados em mulheres grávidas. O uso de olanzapina durante a gestação só deve ser considerado se o benefício potencial para a mãe justificar o risco potencial para o feto. Recém-nascidos expostos a antipsicóticos durante o terceiro trimestre de gravidez correm o risco de apresentar sintomas extrapiramidais e/ou de abstinência após o parto (como agitação, hipertonia, hipotonia, tremor, sonolência e dificuldade respiratória).
A olanzapina é excretada no leite materno em pequenas quantidades. Recomenda-se que mulheres em tratamento com olanzapina evitem amamentar, ou que o lactente seja monitorado continuamente quanto a sinais de sedação excessiva, recusa alimentar e atraso no desenvolvimento motor.
Pediatria
A segurança e a eficácia da olanzapina em crianças e adolescentes menores de 13 anos de idade não foram estabelecidas. Em adolescentes (entre 13 e 17 anos), o uso deve ser feito sob estrito critério médico, uma vez que essa população é significativamente mais propensa a apresentar ganho de peso extremo, hiperlipidemia e sedação acentuada do que os adultos.
Idosos
Pacientes idosos apresentam maior sensibilidade aos efeitos anticolinérgicos e hipotensores da olanzapina. Além disso, a depuração do fármaco é reduzida nesta faixa etária. O uso deve iniciar sempre com doses baixas (2,5 mg a 5 mg/dia). Lembramos que o uso de olanzapina em idosos com demência está associado a um aumento da mortalidade e do risco de AVC, sendo contraindicado para este fim específico.
Superdosagem
A toxicidade aguda por superdosagem de olanzapina manifesta-se principalmente através da exacerbação dos seus efeitos farmacológicos conhecidos.
Sinais e Sintomas de Intoxicação
- Sonolência profunda, podendo evoluir para estupor ou coma.
- Miose (pupilas extremamente contraídas).
- Disartria (dificuldade na fala) e agitação psicomotora.
- Sintomas extrapiramidais agudos (rigidez, tremores).
- Alterações cardiovasculares: taquicardia, hipotensão ou hipertensão arterial, prolongamento do intervalo QT e arritmias cardíacas.
- Depressão respiratória grave.
Tratamento e Conduta Médica
Não existe um antídoto específico para a olanzapina. O tratamento de uma overdose é essencialmente de suporte e sintomático:
- Manutenção das vias aéreas: Garantir oxigenação e ventilação adequadas.
- Lavagem gástrica e carvão ativado: Podem ser considerados se realizados nas primeiras horas após a ingestão, para reduzir a absorção do fármaco.
- Monitoramento cardiovascular contínuo: Realização de eletrocardiogramas (ECG) frequentes para detectar arritmias ou prolongamento do intervalo QT.
- Tratamento da hipotensão: Administração de fluidos intravenosos. Vasopressores como a dopamina ou adrenalina devem ser evitados, pois podem piorar a hipotensão devido ao bloqueio alfa-adrenérgico provocado pela olanzapina.
☠️ Superdosagem (Overdose)
🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.
Medicamentos Genéricos e Similares
O medicamento de referência (original) para a olanzapina no Brasil é o Zyprexa (comprimidos revestidos) e o Zyprexa Zydis (comprimidos orodispersíveis), ambos produzidos pelo laboratório Eli Lilly.
Após a expiração da patente do medicamento de referência, a ANVISA aprovou diversos medicamentos genéricos e similares equivalentes, os quais passam por rigorosos testes de bioequivalência e biodisponibilidade para garantir que possuam a mesma eficácia, segurança e qualidade do produto original. A substituição do medicamento de referência pelo genérico correspondente pode ser realizada de forma segura pelo farmacêutico no momento da dispensação, oferecendo uma alternativa de menor custo para o paciente.
Os principais laboratórios farmacêuticos que produzem a olanzapina genérica e similar no Brasil incluem a Eurofarma, EMS, Medley, Ache, Torrent, Cristália, Germed e Biosintética.
Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe
Para selecionar o melhor tratamento para cada paciente, os psiquiatras comparam frequentemente a olanzapina com outros antipsicóticos atípicos de segunda geração disponíveis no mercado brasileiro, como a risperidona, a quetiapina e o aripiprazol.
A olanzapina destaca-se pela sua alta eficácia clínica no controle de sintomas psicóticos agudos e na prevenção de recaídas na esquizofrenia, sendo considerada por muitos estudos (como o famoso estudo CATIE) superior à maioria dos outros atípicos em termos de tempo de permanência no tratamento. No entanto, ela apresenta o maior risco de ganho de peso e alterações metabólicas (colesterol e glicose) quando comparada ao aripiprazol (que é metabolicamente neutro) e à risperidona. Por outro lado, a olanzapina causa significativamente menos sintomas extrapiramidais (motores) e menor elevação de prolactina do que a risperidona.
Registro na ANVISA
No Brasil, a olanzapina é um medicamento estritamente controlado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), enquadrando-se nas regras da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998.
Ela pertence à Lista C1 (Substâncias Sujeitas a Controle Especial). Isso significa que sua venda é permitida exclusivamente mediante a apresentação da Receita de Controle Especial, emitida em 2 (duas) vias. A primeira via fica retida na farmácia para fins de escrituração e controle dos órgãos de vigilância sanitária, enquanto a segunda via é devolvida carimbada ao paciente como comprovante de compra.
A receita tem validade de 30 dias a partir da data de sua emissão e pode conter uma quantidade de medicamento suficiente para até 60 dias de tratamento contínuo (ou até 3 ampolas em caso de apresentações injetáveis).
Perguntas Frequentes sobre Olanzapina
Onde Comprar Olanzapina?
A olanzapina pode ser adquirida em drogarias e farmácias físicas ou online em todo o território nacional. Por tratar-se de um medicamento de controle especial (Portaria 344/98), a compra através de sites de e-commerce farmacêutico exige que o paciente apresente a receita física no momento da entrega ou realize a pré-validação da receita digital, caso o estabelecimento possua esse serviço integrado.
Os preços da olanzapina podem variar consideravelmente dependendo do laboratório fabricante (referência vs. genérico), da dosagem prescrita (2,5 mg a 15 mg) e da apresentação (comprimido comum vs. orodispersível). Recomenda-se realizar pesquisas de preço e verificar programas de desconto de laboratórios (PBM).
Além da rede privada, a olanzapina faz parte do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso significa que pacientes com diagnóstico comprovado de esquizofrenia ou transtorno bipolar podem obter o medicamento gratuitamente pelo Estado. Para isso, é necessário preencher o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), anexar exames específicos, relatório médico detalhado e o Laudo de Solicitação de Medicamentos (LME), encaminhando o processo à farmácia de alto custo do seu município.
Onde comprar Olanzapina
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Fonte e revisão
Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 05/09/2026 e revisado em 05/09/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.
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