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Antibióticos

Norfloxacino

19 min de leitura Atualizado em 10/08/2026 Base ANVISA

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O controle e o tratamento de infecções bacterianas representam um dos maiores marcos da medicina moderna. Dentre as ferramentas terapêuticas disponíveis, a classe das fluoroquinolonas desempenha um papel de destaque devido ao seu amplo espectro de ação e eficácia clínica. O norfloxacino, um agente antibacteriano sintético de segunda geração, destaca-se historicamente como a primeira fluoroquinolona amplamente utilizada na prática clínica, revolucionando o tratamento de infecções do trato urinário (ITU) e de certas infecções gastrointestinais.

Desenvolvido no final da década de 1970 e introduzido no mercado global na década de 1980, o norfloxacino trouxe uma alternativa altamente eficaz aos tratamentos tradicionais da época, como as sulfonamidas, a ampicilina e o ácido nalidíxico. Sua estrutura química inovadora permitiu uma penetração tecidual superior e uma potente atividade bactericida contra uma ampla gama de patógenos Gram-negativos e Gram-positivos. No Brasil, o medicamento consolidou-se como um dos antimicrobianos mais prescritos para infecções urinárias e profilaxia de infecções em pacientes específicos.

Como um redator médico-científico especializado em farmacologia clínica, apresento a seguir uma análise profunda, técnica e detalhada sobre o norfloxacino. Este guia foi elaborado para servir como uma referência completa tanto para profissionais de saúde — médicos, farmacêuticos e enfermeiros — quanto para pacientes que buscam compreender o funcionamento, os riscos e os benefícios deste medicamento essencial.

O que é Norfloxacino?

O norfloxacino é um antibiótico sintético pertencente à classe das fluoroquinolonas (especificamente, a segunda geração das quinolonas). Quimicamente, trata-se do ácido 1-etil-6-fluoro-1,4-di-hidro-4-oxo-7-(1-piperazinil)-3-quinolinacarboxílico. A introdução de um átomo de flúor na posição 6 do anel quinolônico aumentou significativamente a sua potência antibacteriana em comparação com as quinolonas de primeira geração (como o ácido nalidíxico), enquanto o grupo piperazinila na posição 7 expandiu sua atividade contra a bactéria Pseudomonas aeruginosa e outros microrganismos Gram-negativos.

No mercado brasileiro, o norfloxacino foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e está disponível principalmente na forma de comprimidos revestidos de 400 mg. Ele é amplamente reconhecido por sua alta concentração nas vias urinárias e no trato gastrointestinal, o que direciona suas principais aplicações clínicas. Embora existam outras fluoroquinolonas mais recentes com maior distribuição sistêmica (como a ciprofloxacina e a levofloxacina), o norfloxacino permanece como uma terapia de escolha altamente direcionada para infecções localizadas no sistema urinário.

Mecanismo de Ação

O norfloxacino exerce sua atividade bactericida por meio da inibição seletiva de enzimas bacterianas essenciais envolvidas na replicação, transcrição, reparo e recombinação do DNA bacteriano. Os alvos moleculares primários do medicamento são as topoisomerases do tipo II:

  • DNA Girase (Topoisomerase II bacteriana): Esta enzima é responsável por introduzir superespiralamentos negativos na dupla hélice do DNA, aliviando a tensão torcional que se acumula à frente da forquilha de replicação. O norfloxacino liga-se ao complexo DNA-girase, impedindo o fechamento das quebras de fita dupla que a enzima realiza para passar o DNA. Isso resulta na fragmentação do cromossomo bacteriano.
  • Topoisomerase IV: Esta enzima desempenha um papel crucial na decatenação (separação) das moléculas de DNA circular recém-replicadas, permitindo a segregação cromossômica para as células-filhas durante a divisão celular. A inibição da topoisomerase IV impede a replicação bacteriana adequada.

Em bactérias Gram-negativas, o alvo preferencial do norfloxacino é a DNA girase, enquanto em bactérias Gram-positivas, o alvo principal costuma ser a topoisomerase IV. A seletividade do medicamento é extremamente alta para as enzimas bacterianas, apresentando uma afinidade milhares de vezes menor pelas topoisomerases presentes nas células humanas, o que garante a sua segurança terapêutica.

O efeito bactericida do norfloxacino é rápido e depende da concentração. Uma vez que o DNA bacteriano é fragmentado e a síntese proteica é interrompida, a bactéria entra em um processo de morte celular programada (lise bacteriana), mesmo em fases em que o crescimento celular está lento.

⚗️ Como Funciona no Organismo?

Farmacocinética e Farmacodinâmica

Compreender os parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos do norfloxacino é fundamental para otimizar a sua eficácia clínica e evitar falhas terapêuticas ou o desenvolvimento de resistência bacteriana.

Absorção

Após a administração por via oral, o norfloxacino é rapidamente, porém incompletamente, absorvido pelo trato gastrointestinal. A biodisponibilidade oral varia entre 30% e 40%. A presença de alimentos no estômago pode retardar a absorção e reduzir a concentração plasmática máxima ($C_{max}$), embora a quantidade total absorvida (área sob a curva – AUC) não seja significativamente afetada. Recomenda-se, portanto, a administração com o estômago vazio (1 hora antes ou 2 horas após as refeições).

Distribuição

O norfloxacino apresenta uma baixa ligação às proteínas plasmáticas (aproximadamente 10% a 15%), o que significa que a maior parte do fármaco circula na forma livre e ativa. O volume de distribuição é moderado. O grande diferencial do norfloxacino é a sua capacidade de se concentrar em tecidos específicos:

  • Trato Urinário: As concentrações urinárias do norfloxacino são extremamente elevadas, atingindo níveis que superam em até 100 vezes a Concentração Inibitória Mínima (CIM) para a maioria dos uropatógenos comuns.
  • Tecido Prostático e Fluido Seminal: Apresenta boa penetração, sendo útil no manejo de prostatites bacterianas.
  • Fezes: Devido à absorção incompleta e à excreção biliar, o fármaco atinge altas concentrações no lúmen intestinal, eliminando patógenos entéricos sem perturbar gravemente a microbiota anaeróbica normal do cólon.
  • Outros tecidos: A penetração no líquido cefalorraquidiano (LCR), ossos e tecidos moles é considerada baixa, razão pela qual o norfloxacino não é indicado para infecções sistêmicas graves, como meningite ou osteomielite.

Metabolismo

O metabolismo hepático do norfloxacino é mínimo. Cerca de 80% do fármaco recuperado na urina e nas fezes apresenta-se na forma inalterada. Foram identificados pequenos metabólitos ativos e inativos resultantes de processos de oxidação e conjugação, mas estes desempenham um papel insignificante na atividade terapêutica global.

Excreção

A eliminação ocorre por via renal (filtração glomerular e secreção tubular ativa) e biliar/fecal. Cerca de 30% a 40% de uma dose oral é excretada na urina de forma inalterada dentro de 24 horas. A meia-vida de eliminação plasmática média é de aproximadamente 3 a 4 horas em pacientes com função renal normal. No entanto, em pacientes com insuficiência renal grave (depuração de creatinina abaixo de 30 mL/min), a meia-vida pode dobrar, exigindo ajuste posológico.

Indicações Terapêuticas

O uso do norfloxacino é altamente direcionado a infecções causadas por microrganismos sensíveis a este antibiótico. No Brasil, as indicações clínicas aprovadas incluem:

1. Infecções do Trato Urinário (ITUs)

  • Cistite Aguda Não Complicada: Infecção da bexiga que ocorre principalmente em mulheres jovens e saudáveis, frequentemente causada por Escherichia coli.
  • ITUs Complicadas: Infecções associadas a cateterismo urinário, anomalias anatômicas, obstruções ou em pacientes imunocomprometidos.
  • Pielonefrite Aguda Não Complicada: Infecção do trato urinário superior (rins), desde que o quadro clínico seja leve a moderado e não requeira hospitalização para terapia intravenosa.

2. Prostatite Bacteriana

Tratamento de infecções agudas ou crônicas da próstata, causadas principalmente por enterobactérias Gram-negativas. A excelente penetração do norfloxacino no tecido prostático viabiliza essa indicação.

3. Gastroenterite Bacteriana (Diarreia Infecciosa)

Tratamento de diarreias causadas por patógenos como Salmonella spp., Shigella spp., Campylobacter jejuni, Vibrio cholerae e cepas enterotoxigênicas de Escherichia coli (comum na “diarreia do viajante”).

4. Profilaxia de Infecções

  • Profilaxia da Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE): Utilizado em pacientes cirróticos com ascite e histórico de PBE ou níveis baixos de proteínas no líquido ascítico, visando prevenir a translocação bacteriana intestinal.
  • Profilaxia de Sepse em Pacientes Neutropênicos: Utilizado temporariamente para reduzir a colonização intestinal por Gram-negativos em pacientes sob quimioterapia intensiva.

5. Gonorreia Uretral ou Endocervical Não Complicada

Embora historicamente indicado para o tratamento da gonorreia causada por Neisseria gonorrhoeae, o aumento global das taxas de resistência bacteriana reduziu significativamente o uso do norfloxacino para esta finalidade, sendo preferidas atualmente as cefalosporinas de terceira geração (como a ceftriaxona).

Posologia e Forma de Uso

Os comprimidos de norfloxacino de 400 mg devem ser ingeridos inteiros, sem mastigar, com um copo cheio de água. Para garantir a máxima absorção, o medicamento deve ser tomado pelo menos 1 hora antes ou 2 horas após a ingestão de alimentos, leite ou derivados lácteos.

A dosagem e a duração do tratamento variam de acordo com a gravidade da infecção, o local acometido e as características do paciente:

  • Cistite aguda não complicada em mulheres: 400 mg a cada 12 horas (duas vezes ao dia) por 3 dias.
  • Infecções do trato urinário (complicadas ou não complicadas): 400 mg a cada 12 horas por 7 a 10 dias.
  • Prostatite crônica: 400 mg a cada 12 horas por 4 semanas (28 dias).
  • Gastroenterite bacteriana: 400 mg a cada 12 horas por 5 dias.
  • Profilaxia de PBE em cirróticos: 400 mg uma vez ao dia, de forma contínua ou conforme orientação médica.

Ajuste Posológico em Insuficiência Renal

Para pacientes com depuração de creatinina ($\text{Cl}_{\text{cr}}$) inferior a 30 mL/min/1,73m², a dose recomendada de norfloxacino deve ser reduzida para 400 mg uma vez ao dia (a cada 24 horas) para evitar o acúmulo do fármaco e toxicidade sistêmica.

Contraindicações

O norfloxacino apresenta contraindicações absolutas e relativas que devem ser rigorosamente avaliadas pelo prescritor antes do início do tratamento:

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade: Pacientes com histórico de alergia, anafilaxia ou reações cutâneas graves ao norfloxacino ou a qualquer outro antibiótico da classe das fluoroquinolonas (como ciprofloxacina, levofloxacina, moxifloxacina, ofloxacina).
  • Histórico de Tendinopatia: Pacientes que já apresentaram tendinite ou ruptura de tendão associada ao uso de fluoroquinolonas.
  • Miastenia Gravis: As fluoroquinolonas possuem atividade de bloqueio neuromuscular e podem exacerbar a fraqueza muscular em pacientes com miastenia gravis, podendo desencadear crises respiratórias potencialmente fatais.
  • Uso Concomitante com Tizanidina: Devido ao risco de hipotensão grave e sonolência.

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Distúrbios do Sistema Nervoso Central (SNC): Pacientes com histórico de epilepsia, convulsões ou fatores de risco que diminuam o limiar convulsivo devem usar o medicamento com extrema cautela.
  • Prolongamento do Intervalo QT: Pacientes com arritmias cardíacas preexistentes, hipocalemia não corrigida ou em uso de antiarrítmicos das classes IA ou III devem evitar o uso devido ao risco de Torsades de Pointes.
  • Aneurisma de Aorta: Estudos epidemiológicos sugerem um aumento do risco de dissecção ou ruptura de aneurisma de aorta associado ao uso de fluoroquinolonas. Deve ser evitado em pacientes com aneurisma diagnosticado ou fatores de risco cardiovasculares importantes.

Efeitos Colaterais

Como qualquer agente antimicrobiano potente, o norfloxacino pode causar reações adversas. Embora a maioria dos pacientes tolere bem o medicamento, efeitos colaterais graves — por vezes debilitantes e potencialmente irreversíveis — têm sido associados à classe das fluoroquinolonas, o que levou a agências reguladoras (como a FDA e a ANVISA) a emitirem alertas de segurança nos últimos anos.

Efeitos Adversos Comuns (1% a 10%)

  • Gastrointestinais: Náuseas, dor ou desconforto abdominal, diarreia leve, dispepsia.
  • Sistema Nervoso: Cefaleia (dor de cabeça), tontura, sonolência.
  • Laboratoriais: Elevação transitória de transaminases hepáticas (AST e ALT).

Efeitos Adversos Incomuns (0,1% a 1%)

  • Cutâneos: Rash cutâneo, prurido, urticária.
  • Hematológicos: Leucopenia, eosinofilia, neutropenia.
  • Musculoesqueléticos: Artralgia (dor nas articulações), mialgia (dor muscular).

Efeitos Adversos Raros a Muito Raros (< 0,1%)

  • Tendinite e Ruptura de Tendão: O tendão de Aquiles é o mais frequentemente afetado. Este risco é maior em idosos, pacientes em uso de corticosteroides sistêmicos e transplantados de órgãos sólidos.
  • Neuropatia Periférica: Dor, queimação, formigamento ou dormência nos membros, que podem surgir rapidamente e persistir por meses ou anos.
  • Colite Pseudomembranosa: Causada pelo supercrescimento de Clostridioides difficile, caracterizada por diarreia aquosa grave com sangue, febre e cólicas abdominais.
  • Fotosensibilidade: Reações cutâneas semelhantes a queimaduras solares graves após exposição à luz solar ou ultravioleta.
  • Efeitos Psiquiátricos: Ansiedade grave, depressão, alucinações, confusão mental, insônia e pensamentos suicidas.

Interações Medicamentosas

O norfloxacino apresenta interações farmacocinéticas e farmacodinâmicas clinicamente significativas que requerem monitoramento ou ajuste de conduta terapêutica.

Interações que Reduzem a Absorção do Norfloxacino

A coadministração de norfloxacino com substâncias que contêm cátions di ou trivalentes resulta na formação de complexos de coordenação insolúveis (quelatos) no trato gastrointestinal, reduzindo drasticamente a absorção do antibiótico e levando à falha terapêutica. Evite tomar norfloxacino simultaneamente com:

  • Antiácidos contendo hidróxido de alumínio ou magnésio.
  • Suplementos de ferro (sulfato ferroso), zinco ou cálcio.
  • Multivitamínicos que contenham minerais.
  • Sucralfato.
  • Didanosina (formulações tamponadas).

Manejo: O norfloxacino deve ser administrado pelo menos 2 horas antes ou 6 horas depois dessas substâncias.

Interações que Aumentam a Toxicidade de Outros Fármacos

  • Teofilina: O norfloxacino inibe a enzima CYP1A2 do citocromo P450, responsável pelo metabolismo da teofilina. Isso pode elevar os níveis séricos de teofilina, aumentando o risco de toxicidade grave (náuseas, vômitos, arritmias e convulsões).
  • Cafeína: Redução do clearance da cafeína, provocando palpitações, insônia e nervosismo.
  • Ciclosporina: Pode ocorrer aumento dos níveis séricos de ciclosporina e consequente nefrotoxicidade.

Interações com Anticoagulantes

  • Varfarina: O norfloxacino pode potencializar os efeitos anticoagulantes da varfarina por meio da alteração da microbiota intestinal (que produz vitamina K) ou por inibição metabólica, aumentando significativamente o risco de sangramentos. O RNI (Relação Normalizada Internacional) deve ser monitorado de perto.

Outras Interações Relevantes

  • Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs): O uso concomitante de quinolonas e AINEs (como ibuprofeno, cetoprofeno, diclofenaco) pode aumentar o risco de estimulação do SNC e convulsões.

Uso em Populações Especiais

A prescrição do norfloxacino em determinados grupos de pacientes exige cautela extrema e uma avaliação criteriosa da relação risco-benefício.

Gestantes (Categoria de Risco C)

O norfloxacino não deve ser utilizado por mulheres grávidas. Estudos em animais jovens demonstraram que as fluoroquinolonas podem causar artropatia e danos à cartilagem articular de articulações que suportam peso. Embora não haja estudos controlados em humanos que comprovem malformações congênitas, o risco potencial ao desenvolvimento osteoarticular do feto justifica a contraindicação.

Lactantes

O norfloxacino é excretado no leite materno humano. Devido ao risco potencial de reações adversas graves no lactente (incluindo danos nas articulações), deve-se optar por interromper a amamentação durante o tratamento ou selecionar uma alternativa terapêutica mais segura para a mãe.

Pediatria (Crianças e Adolescentes < 18 anos)

O norfloxacino é contraindicado para menores de 18 anos devido ao risco de artropatia em articulações de carga. O uso nesta faixa etária restringe-se a situações excepcionais de extrema necessidade, sob estrita supervisão de um especialista, quando não houver outras opções viáveis.

Idosos

Os idosos apresentam maior risco de desenvolver efeitos colaterais graves associados às fluoroquinolonas, incluindo:

  • Ruptura de tendão (especialmente se estiverem em uso de corticoides).
  • Prolongamento do intervalo QT e arritmias cardíacas.
  • Disfunção renal (exigindo monitoramento da depuração de creatinina e ajuste de dose).

Insuficiência Hepática

Como o norfloxacino é minimamente metabolizado pelo fígado, não há necessidade de ajuste de dose em pacientes com insuficiência hepática isolada.

Superdosagem

A ingestão acidental ou intencional de doses excessivas de norfloxacino pode desencadear sintomas agudos que requerem intervenção médica imediata.

Sinais e Sintomas

  • Náuseas e vômitos intensos.
  • Diarreia aguda.
  • Tontura pronunciada, confusão mental e agitação.
  • Convulsões (em casos graves ou em pacientes predispostos).
  • Prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma.
  • Cristalúria (presença de cristais de norfloxacino na urina, o que pode causar lesão renal aguda).

Tratamento da Superdosagem

Não existe um antídoto específico para o norfloxacino. As medidas de suporte incluem:

  • Indução de vômito ou lavagem gástrica: Se a ingestão tiver ocorrido recentemente (menos de 2 horas).
  • Administração de antiácidos contendo cálcio ou magnésio: Para quelar o norfloxacino ainda presente no estômago, reduzindo sua absorção sistêmica.
  • Hidratação vigorosa: Para manter um fluxo urinário adequado e prevenir a cristalúria.
  • Monitoramento eletrocardiográfico (ECG): Para avaliar o intervalo QT e detectar potenciais arritmias.
  • Suporte sintomático: Controle de convulsões com benzodiazepínicos, se necessário.
  • A hemodiálise ou diálise peritoneal apresentam eficácia muito limitada na remoção do norfloxacino da circulação sistêmica.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

O norfloxacino foi amplamente comercializado sob o nome de referência Floxacin® (do laboratório Merck Sharp & Dohme), que atualmente não está mais disponível de forma ativa no mercado brasileiro. No entanto, o medicamento continua amplamente acessível através de seus equivalentes genéricos e similares.

De acordo com a Lei dos Genéricos (Lei nº 9.787/1999), os medicamentos genéricos contendo norfloxacino são rigorosamente testados pela ANVISA para garantir a sua bioequivalência e equivalência farmacêutica em relação ao medicamento de referência original. Isso significa que eles entregam exatamente a mesma eficácia clínica, segurança e qualidade a um custo significativamente menor para o consumidor.

Os principais laboratórios farmacêuticos que produzem o norfloxacino genérico no Brasil incluem:

  • Medley
  • EMS
  • Eurofarma
  • Neo Química
  • Teuto
  • Prati-Donaduzzi

Ao adquirir o medicamento, o consumidor pode identificar o genérico pela tarja amarela na embalagem contendo a inscrição “Medicamento Genérico” e o nome do princípio ativo: Norfloxacino.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

As fluoroquinolonas evoluíram ao longo das décadas. Embora compartilhem o mesmo mecanismo básico de ação, existem diferenças cruciais em termos de espectro de ação, perfil farmacocinético e indicações clínicas principais.

Norfloxacino vs. Ciprofloxacino

A ciprofloxacina é uma fluoroquinolona de segunda geração com maior biodisponibilidade sistêmica e melhor penetração tecidual geral do que o norfloxacino. Enquanto o norfloxacino é ideal para infecções urinárias localizadas e diarreia bacteriana, a ciprofloxacina pode ser utilizada para infecções sistêmicas mais graves, incluindo infecções intra-abdominais, ósseas, articulares e cutâneas.

Norfloxacino vs. Levofloxacino

O levofloxacino pertence à terceira geração das fluoroquinolonas (“quinolonas respiratórias”). Possui excelente atividade contra bactérias Gram-positivas, especialmente o Streptococcus pneumoniae, sendo amplamente utilizado no tratamento de pneumonias comunitárias, sinusites e exacerbações de bronquite crônica — indicações para as quais o norfloxacino é completamente ineficaz.

Norfloxacino vs. Moxifloxacino

O moxifloxacino é um agente de quarta geração com excelente cobertura contra anaeróbios e patógenos respiratórios. Ele é eliminado principalmente por via hepática, o que significa que atinge baixas concentrações na urina. Portanto, diferentemente do norfloxacino, o moxifloxacino não deve ser utilizado para tratar infecções do trato urinário.

Registro na ANVISA

No Brasil, a comercialização do norfloxacino é estritamente regulamentada pela ANVISA. Por se tratar de um medicamento antimicrobiano (antibiótico), sua venda está sujeita às regras estabelecidas pela Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 20, de 5 de maio de 2011.

Esta resolução determina que os antibióticos só podem ser dispensados mediante a apresentação da Receita de Controle Especial em duas vias:

  • 1ª Via: Fica retida na farmácia ou drogaria para escrituração e controle sanitário.
  • 2ª Via: É devolvida ao paciente, devidamente carimbada e assinada pelo farmacêutico, atestando a dispensação.

A receita médica para o norfloxacino tem validade de 10 dias a partir da data de sua emissão. Portanto, o paciente deve providenciar a compra do medicamento dentro deste prazo para evitar a necessidade de uma nova consulta médica.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Norfloxacino

Onde Comprar Norfloxacino?

O norfloxacino de 400 mg pode ser adquirido em qualquer farmácia física ou drogaria online autorizada pela ANVISA em todo o território nacional. Por ser um medicamento de baixo custo e amplamente fabricado por diversos laboratórios de genéricos, ele apresenta alta disponibilidade.

Para realizar a compra, é obrigatória a apresentação física da receita médica em duas vias (ou receita digital validada com assinatura eletrônica padrão ICP-Brasil). O preço médio de uma caixa com 14 comprimidos (suficiente para um tratamento padrão de 7 dias) varia entre R$ 15,00 e R$ 45,00, dependendo da região geográfica, do laboratório fabricante e de eventuais programas de desconto de redes farmacêuticas.

Recomenda-se armazenar o medicamento em sua embalagem original, em temperatura ambiente (entre 15°C e 30°C), protegido da luz solar direta, do calor e da umidade. Mantenha sempre fora do alcance de crianças e animais de estimação.

Onde comprar Norfloxacino

Disponível em farmácias físicas e online.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 10/08/2026 e revisado em 10/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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