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As infecções parasitárias intestinais, conhecidas cientificamente como helmintíases, continuam a representar um dos maiores desafios de saúde pública global, afetando bilhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em regiões com saneamento básico precário. No arsenal terapêutico utilizado para combater esses patógenos, o Mebendazol destaca-se como um dos agentes antiparasitários mais amplamente prescritos, eficazes e seguros da medicina moderna. Integrante da lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), este fármaco revolucionou o tratamento de infecções causadas por nematódios e cestódios desde a sua introdução na prática clínica na década de 1970.
A relevância do Mebendazol reside na sua impressionante versatilidade e no seu perfil de segurança favorável, o que o torna ideal tanto para tratamentos individuais em consultórios médicos quanto para campanhas de desparasitação em massa promovidas por órgãos governamentais e internacionais. Por atuar diretamente no lúmen intestinal, onde a maioria dos parasitas reside, e apresentar uma absorção sistêmica propositalmente limitada, o medicamento minimiza a ocorrência de efeitos colaterais graves no hospedeiro humano, enquanto exerce uma ação letal e altamente seletiva sobre o metabolismo dos vermes.
Neste artigo técnico-científico detalhado, exploraremos todas as dimensões do Mebendazol, desde a sua fundamentação química e farmacológica até as suas aplicações clínicas práticas, posologia recomendada, interações medicamentosas críticas e diretrizes para o seu uso seguro em diferentes grupos populacionais. Seja você um profissional de saúde em busca de atualização clínica ou um paciente que deseja compreender melhor o funcionamento e os cuidados associados a este tratamento, este guia completo oferece informações baseadas nas mais recentes evidências científicas e nas diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
O que é Mebendazol?
O Mebendazol é um composto químico sintético pertencente à classe dos benzimidazóis carbamatos. Quimicamente designado como metil 5-benzoil-1H-benzimidazol-2-ilcarbamato, trata-se de um pó branco a ligeiramente amarelo, praticamente insolúvel na água e na maioria dos solventes orgânicos, uma característica físico-química que desempenha um papel crucial na sua farmacocinética e no seu direcionamento terapêutico para o trato gastrointestinal.
Desenvolvido originalmente pela Janssen Pharmaceutica em 1971, o Mebendazol representou um marco evolutivo na terapia anti-helmíntica. Antes do seu advento, muitos tratamentos para parasitoses intestinais eram altamente tóxicos, exigiam regimes posológicos complexos ou apresentavam um espectro de ação excessivamente estreito. Com a introdução do Mebendazol, os clínicos passaram a dispor de uma ferramenta de amplo espectro, capaz de erradicar múltiplos parasitas simultaneamente com excelente tolerabilidade pelo paciente.
No mercado farmacêutico brasileiro, o Mebendazol possui aprovação consolidada pela ANVISA e está disponível em duas principais apresentações farmacêuticas de uso oral: comprimidos simples de 100 mg e suspensão oral na concentração de 20 mg/mL (equivalente a 100 mg por dose de 5 mL). Essa diversidade de apresentações facilita a administração tanto em adultos, que frequentemente preferem a praticidade dos comprimidos, quanto em crianças pequenas, para as quais a suspensão oral aromatizada garante uma melhor adesão e facilidade de deglutição.
Mecanismo de Ação
O sucesso terapêutico do Mebendazol fundamenta-se no seu mecanismo de ação molecular altamente seletivo, que interfere diretamente na integridade estrutural e metabólica do parasita sem comprometer de forma significativa as células do hospedeiro humano. O alvo molecular primário do Mebendazol é a tubulina-beta, uma proteína estrutural essencial que se polimeriza para formar os microtúbulos celulares.
Os microtúbulos são organelas vitais para o funcionamento celular dos helmintos, sendo responsáveis pelo transporte intracelular de nutrientes, pela divisão celular (mitose), pela manutenção da forma do parasita e pela secreção de enzimas digestivas nas células intestinais do verme. Ao ligar-se de forma específica e com alta afinidade à tubulina-beta dos parasitas, o Mebendazol bloqueia a polimerização desta proteína, impedindo a formação e a renovação dos microtúbulos.
A desorganização e o desaparecimento dos microtúbulos nas células absorventes do tegumento e do trato intestinal do helminto desencadeiam uma cascata de eventos degenerativos irreversíveis:
- Inibição da captação de glicose: Sem microtúbulos funcionais, o parasita perde a capacidade de absorver glicose do ambiente intestinal do hospedeiro.
- Depleção de glicogênio: Para sobreviver, o verme consome rapidamente as suas próprias reservas internas de glicogênio.
- Bloqueio da síntese de ATP: A escassez de glicose impede a produção de trifosfato de adenosina (ATP) pelas mitocôndrias do parasita, privando-o da energia necessária para suas funções vitais básicas, incluindo a motilidade.
- Degeneração celular e autólise: Ocorre o acúmulo de grânulos secretores no citoplasma das células do verme, levando à liberação de enzimas líticas e consequente autodestruição celular.
Como resultado desse colapso metabólico, os parasitas sofrem paralisia flácida, morrem lentamente e são eventualmente eliminados do trato gastrointestinal através do peristaltismo intestinal normal, muitas vezes de forma parcial ou totalmente digerida, o que explica por que os pacientes raramente visualizam vermes inteiros nas fezes após o tratamento.
⚗️ Como Funciona no Organismo?
Farmacocinética e Farmacodinâmica
A compreensão do perfil farmacocinético do Mebendazol é fundamental para entender a sua eficácia clínica e o seu perfil de segurança. O comportamento deste fármaco no organismo humano é caracterizado por uma absorção sistêmica intencionalmente muito baixa, o que maximiza a sua concentração local no lúmen intestinal, o local exato onde os parasitas exercem a sua ação patogênica.
Absorção
Após a administração por via oral, apenas uma fração muito pequena (cerca de 2% a 10%) da dose de Mebendazol é absorvida pela mucosa gastrointestinal para a circulação sistêmica. Essa absorção insignificante deve-se principalmente à baixa solubilidade do fármaco em água e ao seu expressivo efeito de primeira passagem hepática. No entanto, é importante destacar que a presença de alimentos ricos em gordura na porção superior do trato gastrointestinal pode aumentar significativamente a biodisponibilidade sistêmica do Mebendazol (em até 3 a 5 vezes). Embora esse aumento não seja necessário para o tratamento de infecções estritamente intestinais, ele pode ser clinicamente relevante ou explorado em terapias de infecções teciduais sistêmicas.
Distribuição
A fração do Mebendazol que atinge a circulação sistêmica apresenta uma elevada taxa de ligação às proteínas plasmáticas, variando entre 90% e 95%, principalmente à albumina. O volume de distribuição é relativamente pequeno devido à sua alta taxa de ligação proteica e baixa solubilidade, indicando que o fármaco que entra na circulação permanece predominantemente no compartimento vascular e nos tecidos altamente vascularizados.
Metabolismo
O Mebendazol absorvido sistemicamente sofre um rápido e extenso metabolismo no fígado. Os principais caminhos metabólicos envolvem a descarboxilação e a redução do grupo funcional funcional carbonila, processos mediados por enzimas microssomais hepáticas, incluindo isoenzimas do citocromo P450 (como CYP2E1 e CYP3A4). Os metabólitos resultantes, como o 2-amino-5-benzoylbenzimidazol, são farmacologicamente inativos e possuem depuração renal rápida.
Excreção
A maior parte da dose administrada oralmente de Mebendazol (superior a 90%) permanece inalterada no lúmen intestinal e é excretada diretamente através das fezes. A fração minoritária que foi absorvida e metabolizada é eliminada principalmente por via renal através da urina (menos de 2% a 5% da dose total), sob a forma de metabólitos conjugados ou livres. A meia-vida de eliminação plasmática do Mebendazol é relativamente curta, variando entre 3 a 6 horas em pacientes com função hepática normal.
Indicações Terapêuticas
O Mebendazol é classificado como um antiparasitário de amplo espectro, sendo clinicamente indicado para o tratamento de uma ampla variedade de infecções parasitárias simples ou mistas causadas por nematódeos (vermes redondos) e cestódeos (vermes chatos). Abaixo estão listadas as principais indicações terapêuticas aprovadas pela ANVISA e respaldadas pela literatura médica:
Nematódeos Intestinais
- Ascaridíase (causada por Ascaris lumbricoides): Conhecida popularmente como “lombriga”, é uma das infecções parasitárias mais comuns do mundo. O Mebendazol apresenta taxas de cura excelentes para esta condição.
- Enterobíase ou Oxiuríase (causada por Enterobius vermicularis): Caracterizada pelo intenso prurido anal noturno. Devido à facilidade de transmissão intrafamiliar, o tratamento frequentemente se estende a todos os membros do domicílio.
- Tricuríase (causada por Trichuris trichiura): Infecção do intestino grosso que pode causar diarreia crônica e anemia em casos graves. O Mebendazol é altamente eficaz na redução da carga parasitária.
- Ancilostomíase (causada por Ancylostoma duodenale e/ou Necator americanus): Parasitas responsáveis pelo “amarelão”, que se fixam na mucosa intestinal e consomem sangue do hospedeiro, levando à anemia ferropriva.
Cestódeos Intestinais
- Teníase (causada por Taenia solium ou Taenia saginata): Conhecida como “solitária”. Embora o Mebendazol seja eficaz no tratamento da teníase intestinal, ele geralmente requer doses mais elevadas ou tratamentos mais prolongados do que para os nematódeos, sendo por vezes preterido por outros agentes como o praziquantel, mas mantendo-se como uma excelente alternativa terapêutica.
Aplicações Clínicas Secundárias e Off-Label
Em cenários clínicos específicos e sob rigorosa supervisão médica, o Mebendazol pode ser utilizado em regimes de alta dosagem para o tratamento de infecções teciduais como a triquinose (causada por Trichinella spiralis) e a capilaríase intestinal. Historicamente, também foi estudado para o tratamento da doença hidática (equinococose), embora o albendazol seja atualmente o benzimidazólico de escolha para esta finalidade devido à sua melhor penetração tecidual.
Posologia e Forma de Uso
A administração do Mebendazol deve ser realizada por via oral. Os comprimidos podem ser mastigados, deglutidos inteiros com água, ou triturados e misturados a alimentos (como papinhas ou iogurtes) para facilitar a deglutição por crianças ou pacientes com disfagia. A suspensão oral deve ser vigorosamente agitada antes do uso para garantir a homogeneização do princípio ativo e a precisão da dose administrada por meio do copo-medida ou seringa dosadora inclusa na embalagem.
Uma vantagem clínica significativa do Mebendazol é que o seu regime posológico padrão para infecções intestinais comuns é idêntico para adultos e crianças acima de 1 ano de idade, simplificando a administração em tratamentos familiares coletivos. Não há necessidade de jejum prévio, uso de laxantes ou dietas especiais durante o tratamento.
Nota importante sobre a Enterobíase (Oxiuríase): Como os ovos de Enterobius vermicularis são extremamente resistentes no ambiente e possuem alta taxa de reinfecção, é imperativo repetir a dose única de 100 mg (ou 5 mL da suspensão) após um intervalo de 2 a 4 semanas. Recomenda-se também o tratamento simultâneo de todos os contatos domiciliares e a higienização rigorosa de roupas de cama e banho.
Contraindicações
Embora o Mebendazol seja um medicamento amplamente seguro e bem tolerado, existem situações clínicas específicas nas quais o seu uso é estritamente contraindicado ou requer extrema cautela:
Contraindicações Absolutas
- Hipersensibilidade conhecida: Pacientes com histórico de reações alérgicas ao Mebendazol, a qualquer componente da fórmula ou a outros derivados benzimidazólicos (como albendazol e tiabendazol).
- Crianças menores de 1 ano de idade: O uso de Mebendazol é estritamente contraindicado nesta faixa etária. Relatos pós-comercialização associaram o uso do fármaco em lactentes muito jovens à ocorrência de convulsões.
- Gravidez (especialmente no primeiro trimestre): Estudos em animais demonstraram potencial teratogênico e embriotóxico em doses terapêuticas. Portanto, o uso é contraindicado em gestantes, exceto sob estrita avaliação de risco-benefício pelo médico assistente em fases avançadas da gestação.
- Uso concomitante com Metronidazol: A coadministração com metronidazol deve ser evitada devido ao risco significativamente aumentado de desenvolvimento de reações cutâneas graves, como a Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET).
Contraindicações Relativas e Precauções
- Insuficiência Hepática Grave: Como a pequena fração absorvida do Mebendazol é extensamente metabolizada pelo fígado, pacientes com disfunção hepática severa podem apresentar acúmulo sistêmico do fármaco, elevando o risco de toxicidade (como neutropenia).
- Doença Inflamatória Intestinal (DII): Pacientes com colite ulcerativa ou doença de Crohn ativa podem apresentar maior absorção sistêmica do fármaco através da mucosa intestinal inflamada ou ulcerada, exigindo monitoramento clínico.
Efeitos Colaterais
O Mebendazol é caracterizado por um excelente perfil de tolerabilidade. A grande maioria dos pacientes que utilizam o medicamento nas doses recomendadas não apresenta qualquer tipo de reação adversa. Quando ocorrem, os efeitos colaterais são geralmente de intensidade leve, transitórios e autolimitados, estando frequentemente relacionados à própria eliminação e morte dos parasitas no lúmen intestinal.
Em tratamentos de longa duração ou com doses excepcionalmente elevadas (como no manejo de infecções sistêmicas raras), reações adversas mais graves podem ocorrer, incluindo distúrbios hematológicos (como neutropenia e agranulocitose), elevação significativa das enzimas hepáticas (transaminases), glomerulonefrite e alopecia reversível. Nessas circunstâncias, o monitoramento laboratorial periódico com hemograma completo e testes de função hepática é mandatório.
Interações Medicamentosas
As interações medicamentosas com o Mebendazol ocorrem principalmente em nível de metabolismo hepático (enzimas do citocromo P450) ou por sinergismo de toxicidade. Embora a absorção do Mebendazol seja baixa, a coadministração com certas substâncias pode alterar significativamente os seus níveis plasmáticos ou desencadear reações adversas graves.
Interações Alimentares
Como mencionado anteriormente, a ingestão de Mebendazol juntamente com refeições ricas em lipídios (gorduras, como leite integral, manteiga, ovos ou frituras) aumenta substancialmente a sua absorção sistêmica. Para o tratamento de verminoses puramente intestinais, este aumento não é necessário, mas também não prejudica a eficácia do tratamento. No entanto, se o objetivo for evitar ao máximo a absorção sistêmica para minimizar efeitos colaterais sistêmicos, o medicamento deve ser tomado preferencialmente com água, fora do horário de refeições pesadas.
Uso em Populações Especiais
A prescrição e a administração do Mebendazol devem ser cuidadosamente individualizadas quando destinadas a determinados grupos de pacientes que apresentam particularidades fisiológicas ou metabólicas.
Gestantes
O Mebendazol é classificado na Categoria C de risco na gravidez. Estudos conduzidos em animais de laboratório (ratos e camundongos) revelaram efeitos teratogênicos (malformações esqueléticas e viscerais) e embriotoxicidade quando o fármaco foi administrado em doses equivalentes às terapêuticas humanas. Não existem estudos controlados e adequados em mulheres grávidas. Portanto, o uso de Mebendazol é desaconselhado durante a gestação, especialmente durante o primeiro trimestre (período de organogênese), a menos que o benefício clínico para a mãe supere claramente os riscos potenciais para o desenvolvimento fetal.
Lactantes
Dados limitados indicam que apenas uma quantidade insignificante de Mebendazol é excretada no leite materno após a administração de doses orais padrão. Devido à baixíssima biodisponibilidade oral do fármaco, a quantidade absorvida pelo lactente através do leite é clinicamente irrelevante. No entanto, devido à escassez de estudos robustos de segurança, recomenda-se cautela e avaliação médica antes de administrar o Mebendazol a mulheres que estejam amamentando.
Pediatria
O Mebendazol é seguro e altamente eficaz para uso em crianças acima de 1 ano de idade. No entanto, o seu uso é estritamente contraindicado em crianças menores de 1 ano. Relatos de farmacovigilância pós-comercialização documentaram a ocorrência de episódios convulsivos nesta faixa etária associados ao uso do fármaco, embora a relação de causalidade direta ainda não esteja totalmente elucidada. Para crianças entre 1 e 2 anos de idade, o medicamento deve ser prescrito apenas se a infecção parasitária interferir significativamente no estado nutricional ou no desenvolvimento físico da criança.
Idosos
Não há necessidade de ajuste posológico específico para pacientes idosos. No entanto, como este grupo populacional apresenta maior prevalência de disfunções hepáticas subclínicas, renais ou cardíacas, além de polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos), recomenda-se uma avaliação clínica prévia e monitoramento de potenciais interações medicamentosas.
Insuficiência Renal e Hepática
- Insuficiência Renal: Como menos de 5% do Mebendazol absorvido é eliminado pelos rins, não há necessidade de ajuste de dose em pacientes com insuficiência renal leve a moderada.
- Insuficiência Hepática: Pacientes com disfunção hepática significativa devem ser monitorados de perto, pois o metabolismo do Mebendazol absorvido pode estar lentificado, resultando em concentrações plasmáticas mais elevadas e maior risco de efeitos colaterais sistêmicos (como mielossupressão).
Superdosagem
A ocorrência de superdosagem acidental ou voluntária com Mebendazol é incomum devido à sua baixa absorção gastrointestinal. No entanto, em casos de ingestão de doses massivas ou em tratamentos prolongados com doses inadequadamente elevadas, sintomas clínicos significativos podem se manifestar.
Sinais e Sintomas
- Agudos: Cólicas abdominais intensas, náuseas persistentes, vômitos, diarreia profusa e cefaleia.
- Crônicos (toxicidade por uso prolongado de altas doses): Alopecia (queda de cabelo), alterações reversíveis da função hepática (hepatite medicamentosa, elevação de transaminases), glomerulonefrite e toxicidade hematológica grave, manifestando-se principalmente como neutropenia, leucopenia e agranulocitose.
Tratamento e Manejo
Não existe um antídoto específico para a intoxicação por Mebendazol. O tratamento é predominantemente de suporte e sintomático:
- Esvaziamento gástrico: Em caso de ingestão recente (dentro de 1 a 2 horas), pode-se realizar lavagem gástrica ou indução de emese, desde que o paciente esteja consciente e com vias aéreas protegidas.
- Carvão Ativado: A administração de carvão ativado pode ser útil para adsorver o fármaco remanescente no trato gastrointestinal.
- Monitoramento laboratorial: Monitorar rigorosamente o hemograma completo e as enzimas hepáticas em pacientes expostos a superdoses crônicas.
- Suporte hemodinâmico: Manter hidratação adequada por via oral ou intravenosa para compensar perdas por vômitos ou diarreia.
☠️ Superdosagem (Overdose)
🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.
Medicamentos Genéricos e Similares
O Mebendazol é um medicamento de domínio público, o que significa que sua patente expirou há muitas décadas. Como consequência, os pacientes brasileiros têm à disposição uma ampla gama de opções de medicamentos genéricos e similares de alta qualidade, aprovados pela ANVISA após rigorosos testes de bioequivalência e equivalência farmacêutica.
A intercambialidade entre o medicamento de referência e os genéricos é garantida por lei, permitindo que o consumidor opte pela alternativa economicamente mais viável sem prejuízo à eficácia terapêutica do tratamento.
- Medicamento de Referência: O medicamento de referência histórico para o Mebendazol no Brasil é o Pantelmin® (originalmente desenvolvido pela Janssen-Cilag).
- Medicamentos Similares Consagrados: Existem marcas tradicionais no mercado brasileiro, como o Licor de Cacau Xavier® (uma formulação tradicional suspensa em veículo flavorizado de cacau, muito popular no imaginário cultural brasileiro para o tratamento infantil de vermes), além de marcas como Necamin®, Belmidol® e Multielmin®.
- Medicamentos Genéricos: Produzidos por grandes laboratórios farmacêuticos atuantes no Brasil, como Medley, EMS, Eurofarma, Neo Química, Germed, Prati-Donaduzzi, entre outros. São comercializados sob a denominação genérica “Mebendazol” e costumam apresentar preços altamente acessíveis.
Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe
Dentro da classe dos antiparasitários benzimidazólicos, o Mebendazol compartilha espaço clínico com outros agentes notáveis, principalmente o Albendazol e o Tiabendazol. Embora possuam mecanismos de ação molecular semelhantes (inibição da tubulina), existem diferenças farmacocinéticas e farmacodinâmicas cruciais que orientam a escolha médica para cada cenário clínico.
Análise Comparativa: O Albendazol destaca-se pela sua maior biodisponibilidade sistêmica devido à rápida conversão no seu metabólito ativo (sulfóxido de albendazol), o que o torna a escolha preferencial para infecções parasitárias teciduais ou sistêmicas (como neurocisticercose e equinococose). Além disso, sua posologia em dose única para a maioria dos nematódeos intestinais oferece uma conveniência posológica superior à do Mebendazol (que frequentemente requer 3 dias de tratamento). No entanto, o Mebendazol mantém um excelente perfil de segurança local e menor taxa de efeitos colaterais sistêmicos, sendo uma alternativa altamente robusta e de menor custo.
Registro na ANVISA
No Brasil, o Mebendazol é registrado e regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), classificando-se na categoria de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP) para as suas apresentações indicadas ao tratamento de parasitoses intestinais comuns. Isso significa que o medicamento pode ser adquirido diretamente no balcão da farmácia sem a necessidade obrigatória de apresentação de receita médica retida.
No entanto, a ANVISA e as sociedades médicas recomendam fortemente que a automedicação seja evitada. O diagnóstico preciso de uma parasitose e a definição do esquema terapêutico ideal devem ser realizados por um profissional de saúde qualificado (médico ou farmacêutico), especialmente quando o tratamento envolve crianças, idosos ou gestantes.
Perguntas Frequentes sobre Mebendazol
Onde Comprar Mebendazol?
O Mebendazol é um medicamento de facílima aquisição no Brasil, estando disponível em praticamente todas as farmácias e drogarias físicas do país, bem como em plataformas de e-commerce farmacêutico autorizadas pela ANVISA.
Por tratar-se de um medicamento essencial, o Mebendazol também faz parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e é distribuído gratuitamente à população através das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS), bastando apresentar uma receita médica ou odontológica válida emitida no âmbito do SUS ou da rede privada.
O preço médio do Mebendazol no mercado privado é extremamente acessível, variando geralmente entre R$ 5,00 e R$ 20,00, dependendo da marca (referência, similar ou genérico), da apresentação (comprimidos ou suspensão oral) e da região do país. Não há necessidade de retenção de receita na compra privada, mas a orientação profissional é sempre recomendada.
Onde comprar Mebendazol
Disponível em farmácias físicas e online.
Pergunte ao farmacêutico pelo genérico: o princípio ativo é o mesmo e a economia costuma passar de 50%. Verifique antes se a apresentação que você precisa exige receita.
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Fonte e revisão
Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 16/08/2026 e revisado em 16/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.
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