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O diabetes mellitus é uma das condições crônicas de maior impacto na saúde pública global, caracterizado pela deficiência absoluta ou relativa de insulina, resultando em hiperglicemia persistente e complicações micro e macrovasculares a longo prazo. No centro do manejo terapêutico desta patologia, especialmente no Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) e em fases avançadas do Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2), está a insulinoterapia. Entre as diversas formulações desenvolvidas ao longo do século XX, a Insulina NPH (Neutral Protamine Hagedorn), ou Insulina Isofana Humana, consolida-se como uma das ferramentas mais utilizadas e acessíveis em todo o mundo para o controle da glicemia basal.
Desenvolvida na década de 1940 pelo pesquisador dinamarquês Hans Christian Hagedorn, a introdução da protamina e do zinco à molécula de insulina regular permitiu prolongar significativamente o seu tempo de ação, revolucionando o tratamento do diabetes ao reduzir a necessidade de múltiplas injeções diárias de insulina de ação rápida. No cenário brasileiro, a Insulina NPH desempenha um papel socioeconômico e clínico vital, sendo distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e servindo como a base do tratamento de milhões de pacientes. Compreender sua farmacologia, indicações, limitações e técnicas de administração é fundamental para profissionais de saúde e pacientes que buscam otimizar o controle metabólico e minimizar o risco de eventos adversos graves, como a hipoglicemia.
O que é Insulina NPH?
A Insulina NPH, cujo acrônimo significa Neutral Protamine Hagedorn (Protamina Neutra de Hagedorn), também classificada tecnicamente como Insulina Isofana Humana, é uma suspensão cristalina de insulina humana obtida por tecnologia de DNA recombinante, conjugada com protamina e zinco em um tampão neutro. Essa conjugação química é o que confere à molécula suas propriedades de liberação prolongada. Historicamente, antes de sua criação em 1946, os pacientes dependiam exclusivamente da insulina regular (de ação rápida), o que exigia frequentes aplicações ao longo do dia e da noite para mimetizar a secreção pancreática basal.
A adição de protamina (uma proteína básica extraída do esperma de salmão) e zinco em proporções estequiométricas precisas (isofanas) faz com que a insulina se precipite na forma de cristais de dissolução lenta no tecido subcutâneo. No mercado farmacêutico brasileiro, a Insulina NPH foi devidamente aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e está disponível em diversas apresentações comerciais, incluindo frascos de 10 mL (para uso com seringas graduadas) e carpules/refis de 3 mL (para uso em canetas aplicadoras descartáveis ou reutilizáveis), sempre na concentração padrão de 100 UI/mL (U-100).
Mecanismo de Ação
O mecanismo de ação da Insulina NPH baseia-se na mimetização dos efeitos fisiológicos da insulina endógena, o hormônio anabólico primário secretado pelas células beta das ilhotas de Langerhans no pâncreas. No nível molecular, a insulina livre (liberada após a dissolução dos cristais de NPH no tecido subcutâneo) liga-se com alta afinidade ao seu receptor específico de membrana celular, o Receptor de Insulina (IR). Este receptor é uma glicoproteína heterotetramérica composta por duas subunidades alfa extracelulares (que contêm o sítio de ligação) e duas subunidades beta transmembranares.
A ligação da insulina à subunidade alfa induz uma mudança conformacional que ativa a atividade intrínseca de tirosina quinase nas subunidades beta. Isso resulta na autofosforilação de resíduos de tirosina no domínio citoplasmático do receptor e na subsequente fosforilação de proteínas adaptadoras intracelulares, conhecidas como Substratos do Receptor de Insulina (IRS-1, IRS-2, IRS-3, IRS-4). A partir deste ponto, duas vias de sinalização intracelular principais são ativadas:
- A Via da Fosfatidilinositol 3-Quinase (PI3K) / Akt (Proteína Quinase B): Esta via é a principal responsável pelas ações metabólicas da insulina. A ativação da Akt promove a translocação de vesículas contendo transportadores de glicose do tipo 4 (GLUT-4) do citoplasma para a membrana plasmática das células do tecido muscular esquelético e do tecido adiposo. Isso facilita a difusão facilitada da glicose circulante para o meio intracelular, reduzindo a glicemia plasmática. Além disso, a Akt ativa a glicogênio sintase (promovendo a glicogenogênese) e inibe a transcrição de enzimas gliconeogênicas no fígado, como a fosfoenolpiruvato carboxiquinase (PEPCK) e a glicose-6-fosfatase.
- A Via das Proteínas Quinases Ativadas por Mitógenos (MAPK / Ras-Raf-MEK-ERK): Esta via regula os processos de crescimento celular, diferenciação, expressão gênica e síntese proteica, mediando os efeitos mitogênicos e tróficos de longo prazo da insulina.
Através destas vias, a Insulina NPH promove o anabolismo (armazenamento de nutrientes) e inibe o catabolismo. No fígado, ela reduz drasticamente a produção hepática de glicose (tanto por meio da inibição da glicogenólise quanto da gliconeogênese). No tecido adiposo, estimula a lipogênese e inibe a lipase sensível a hormônio, bloqueando a lipólise e a liberação de ácidos graxos livres na circulação, o que também previne a produção de corpos cetônicos. No tecido muscular, aumenta a captação de glicose e a síntese de proteínas a partir de aminoácidos circulantes.
⚗️ Como Funciona no Organismo?
Farmacocinética e Farmacodinâmica
A farmacocinética da Insulina NPH é intrinsecamente determinada pelo seu perfil de liberação retardada a partir do espaço subcutâneo. Ao contrário da insulina regular, que se apresenta em solução límpida e monomérica de rápida absorção, a NPH é uma suspensão leitosa de cristais estáveis de insulina-protamina-zinco. Após a injeção subcutânea, as enzimas teciduais e o fluido intersticial dissolvem gradualmente esses cristais complexos, liberando lentamente os monômeros de insulina na microcirculação capilar.
Os parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos típicos da Insulina NPH apresentam as seguintes características quantitativas:
- Início de Ação: O efeito hipoglicemiante inicia-se entre 1,5 a 4 horas após a administração subcutânea.
- Pico de Ação: Ocorre um pico de atividade terapêutica bem definido entre 4 e 12 horas pós-aplicação. Este pico representa um dos principais desafios clínicos da NPH, pois se não for sincronizado adequadamente com a ingestão alimentar, aumenta significativamente o risco de hipoglicemia, especialmente a hipoglicemia noturna.
- Duração do Efeito: O tempo de ação total varia de 12 a 18 horas, podendo estender-se até 24 horas em alguns indivíduos sob doses elevadas. Devido a essa duração, a maioria dos pacientes requer duas aplicações diárias (geralmente de manhã e ao deitar) para obter uma cobertura basal eficaz de 24 horas.
A distribuição da insulina após a absorção sistêmica é rápida, ligando-se minimamente às proteínas plasmáticas, exceto aos receptores específicos e a proteínas transportadoras de membrana. O metabolismo ocorre principalmente por via enzimática, através da enzima degradadora de insulina (IDE – Insulin-Degrading Enzyme), localizada majoritariamente no fígado, rins e músculos. Aproximadamente 50% da insulina que atinge a circulação portal é depurada pelo fígado em sua primeira passagem. A excreção dos metabólitos inativos ocorre por via renal após filtração glomerular e reabsorção tubular proximal com degradação local.
Indicações Terapêuticas
A Insulina NPH é indicada para o tratamento de pacientes com diabetes mellitus que necessitam de terapia com insulina exógena para a manutenção da homeostase glicêmica. Suas principais indicações clínicas incluem:
Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1)
No DM1, ocorre a destruição autoimune completa das células beta pancreáticas, resultando em deficiência absoluta de insulina. A Insulina NPH é indicada como o componente de ação intermediária (basal) no esquema de múltiplas doses diárias de insulina (MDI). Ela é associada a insulinas de ação rápida ou ultrarrápida (bolus) aplicadas antes das refeições para mimetizar o padrão fisiológico de secreção pancreática.
Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2)
No DM2, caracterizado por resistência insulínica e disfunção progressiva das células beta, a Insulina NPH é indicada quando o tratamento com antidiabéticos não insulínicos (como metformina, sulfonilureias, inibidores de SGLT2 ou agonistas de GLP-1) em doses otimizadas não é suficiente para atingir as metas de hemoglobina glicada (HbA1c). Pode ser utilizada em terapia de combinação (geralmente uma dose ao deitar, conhecida como estratégia Bedtime) ou em esquemas de insulinização plena.
Diabetes Gestacional (DMG)
A Insulina NPH é considerada uma das opções terapêuticas de escolha e padrão-ouro para o controle glicêmico em gestantes cujo diabetes não foi controlado adequadamente apenas com modificações na dieta e estilo de vida. A insulina humana não atravessa a barreira placentária, tornando seu uso altamente seguro para o feto.
Uso Hospitalar e Situações Especiais
Indicada para o controle glicêmico perioperatório, em pacientes graves sob nutrição enteral ou parenteral estável, e no manejo de hiperglicemias induzidas por altas doses de corticosteroides, onde o perfil de ação da NPH pode ser ajustado para coincidir com o pico hiperglicemiante do corticoide.
Posologia e Forma de Uso
A posologia da Insulina NPH deve ser estritamente individualizada pelo médico assistente, baseando-se no tipo de diabetes, peso corporal do paciente, nível de atividade física, ingestão calórica, função renal e hepática, e monitorização frequente da glicemia capilar (ponta de dedo) ou sensores de glicose contínua.
Princípios de Administração e Técnica
A via de administração exclusiva da Insulina NPH é a subcutânea (SC). Esta insulina nunca deve ser administrada por via intravenosa (IV) ou intramuscular (IM), pois a velocidade de absorção seria perigosamente acelerada, gerando risco de hipoglicemia severa e fatal. Os locais recomendados para aplicação são o abdômen (respeitando a distância de três dedos ao redor do umbigo), as faces anterior e lateral externa das coxas, a região posterior dos braços e o quadrante superior externo das nádegas. É mandatória a realização do rodízio sistemático dos pontos de aplicação dentro da mesma região anatômica para prevenir o desenvolvimento de lipodistrofias (lipohipertrofia ou lipoatrofia).
Como a NPH é uma suspensão, é crucial realizar a ressuspensão homogênea antes de cada aplicação. O frasco ou caneta deve ser rolado suavemente entre as palmas das mãos por 10 vezes e invertido em movimentos oscilatórios lentos por mais 10 vezes, até que o líquido adquira um aspecto uniformemente leitoso e opaco. Movimentos bruscos ou agitação vigorosa devem ser evitados, pois podem criar espuma, dificultar a dosagem correta e desnaturar a proteína da insulina.
Contraindicações
A utilização da Insulina NPH apresenta contraindicações absolutas e relativas que devem ser rigorosamente observadas pelo prescritor e pelo paciente:
Contraindicações Absolutas
- Episódios de Hipoglicemia Ativa: A administração de qualquer dose de insulina durante um quadro de hipoglicemia em curso é estritamente proibida, pois agravará o estado neurológico do paciente, podendo levar ao coma e ao óbito.
- Hipersensibilidade Conhecida: Pacientes com histórico de reações alérgicas graves (como anafilaxia) à insulina isofana humana ou a qualquer um dos excipientes da formulação (como protamina, metacresol, fenol, óxido de zinco ou fosfato de sódio dibásico).
Contraindicações Relativas e Precauções
- Estenose de Artéria Renal ou Hepática Grave: Requer extremo cuidado e ajuste frequente de dose devido à redução drástica do clearance de insulina.
- Uso Associado a Pioglitazona: A combinação de insulinas com tiazolidinedionas aumenta consideravelmente o risco de retenção hídrica, edema periférico e insuficiência cardíaca congestiva (ICC). Se utilizada em conjunto, o paciente deve ser monitorado para sinais de descompensação cardíaca.
Efeitos Colaterais
Como qualquer agente terapêutico de alta potência biológica, a Insulina NPH pode causar efeitos colaterais, sendo a grande maioria relacionada ao seu efeito farmacodinâmico principal ou à técnica de aplicação.
O efeito adverso mais frequente e potencialmente grave da terapia com Insulina NPH é a hipoglicemia. Ela ocorre quando há um descompasso entre a dose administrada, a ingestão de carboidratos e o gasto energético. Os sintomas dividem-se em autonômicos/adrenérgicos (sudorese fria, tremores, taquicardia, palpitações, ansiedade e fome excessiva) e neuroglicopênicos (cefaléia, tontura, confusão mental, distúrbios visuais, dificuldade de fala, convulsões e perda de consciência).
No local da injeção, a complicação mais comum é a lipohipertrofia, caracterizada pelo acúmulo local de tecido adiposo fibroso devido ao efeito lipogênico local da insulina. Isso ocorre principalmente em pacientes que negligenciam o rodízio dos locais de aplicação. A injeção de insulina em áreas hipertróficas altera de forma imprevisível a taxa de absorção do medicamento, resultando em flutuações glicêmicas inexplicáveis e episódios de hipoglicemia inexplicada.
Interações Medicamentosas
A resposta glicêmica à Insulina NPH pode ser significativamente alterada pela coadministração de outras substâncias químicas, exigindo monitoramento intensificado e ajustes posológicos.
Substâncias que Aumentam o Efeito Hipoglicemiante (Risco de Hipoglicemia)
Diversos fármacos potencializam a ação da insulina ou aumentam a sensibilidade periférica a ela. Os principais incluem:
- Agentes Antidiabéticos Orais: Metformina, sulfonilureias, glinidas, inibidores da DPP-4, inibidores da SGLT2 e agonistas do receptor de GLP-1.
- Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA): Medicamentos como enalapril, captopril e ramipril podem aumentar a sensibilidade à insulina.
- Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina II (BRA): Como losartana e valsartana.
- Fibratos e Salicilatos: Em altas doses (como o ácido acetilsalicílico), podem reduzir a glicemia circulante.
- Inibidores da Monoaminoxidase (IMAO): Utilizados no tratamento da depressão.
- Álcool: O consumo agudo de etanol inibe a gliconeogênese hepática, predispondo a hipoglicemias graves e prolongadas, especialmente se consumido em jejum.
Substâncias que Diminuem o Efeito Hipoglicemiante (Risco de Hiperglicemia)
Fármacos que promovem resistência insulínica ou estimulam a produção endógena de glicose:
- Corticosteroides: Prednisona, dexametasona e hidrocortisona possuem potente efeito contra-regulador, elevando acentuadamente a glicemia.
- Hormônios Tireoidianos e Somatropina (GH): Podem elevar as necessidades diárias de insulina.
- Diuréticos Tiazídicos: Como a hidroclorotiazida, que podem prejudicar a secreção de insulina e reduzir a sensibilidade periférica.
- Contraceptivos Orais e Estrogênios: Podem aumentar a resistência à insulina em algumas mulheres.
- Simpaticomiméticos: Adrenalina, salbutamol e terbutalina estimulam a glicogenólise.
Interações Complexas (Beta-bloqueadores)
Os beta-bloqueadores (como propranolol e atenolol) representam uma classe de alta relevância clínica. Eles podem mascarar os principais sinais de alerta adrenérgicos da hipoglicemia, como tremores, taquicardia e palpitações. Além disso, os beta-bloqueadores não seletivos podem atrasar a recuperação da glicemia normal após um episódio hipoglicêmico por inibirem a glicogenólise mediada por receptores beta-2.
Uso em Populações Especiais
O manejo da Insulina NPH requer considerações específicas quando administrada a subgrupos populacionais que apresentam diferenças fisiológicas marcantes na absorção, distribuição, metabolismo ou excreção do hormônio.
Gestantes e Lactantes
A Insulina NPH é amplamente considerada segura e eficaz durante a gestação. Por se tratar de uma insulina humana recombinante, ela não atravessa a barreira placentária em quantidades clinicamente significativas. O controle rigoroso da glicemia é vital desde a concepção para reduzir o risco de malformações congênitas, macrossomia fetal, distocia de ombro e hipoglicemia neonatal. As necessidades de insulina geralmente caem no primeiro trimestre e aumentam progressivamente durante o segundo e terceiro trimestres. Durante a lactação, o uso de NPH é totalmente compatível; no entanto, a produção de leite consome glicose, o que pode exigir uma redução substancial nas doses basais da mãe para evitar episódios de hipoglicemia.
Pacientes Pediátricos
A Insulina NPH é amplamente prescrita para crianças e adolescentes com DM1. Contudo, essa população apresenta alta variabilidade glicêmica devido ao crescimento físico constante, flutuações hormonais (especialmente na puberdade devido ao GH e hormônios sexuais) e padrões irregulares de alimentação e atividade física. O risco de hipoglicemia noturna severa é uma preocupação constante nesta faixa etária, exigindo monitoramento glicêmico frequente antes de dormir.
Idosos
Em pacientes idosos, as metas de controle glicêmico (HbA1c) devem ser individualizadas e, frequentemente, menos estritas do que em jovens. Idosos apresentam maior prevalência de neuropatia autonômica (reduzindo a percepção dos sintomas de hipoglicemia), declínio cognitivo, risco elevado de quedas e fraturas decorrentes de tonturas hipoglicêmicas, e disfunção renal subclínica. Portanto, o início da terapia com NPH nesta faixa etária deve ser cauteloso, com doses baixas e titulação lenta.
Insuficiência Renal e Hepática
Tanto o rim quanto o fígado são órgãos fundamentais para a depuração e o metabolismo da insulina exógena. Na presença de insuficiência renal crônica (especialmente com taxa de filtração glomerular abaixo de 50 mL/min), a meia-vida da Insulina NPH é prolongada de forma significativa. Da mesma forma, na insuficiência hepática grave, a capacidade do fígado de realizar a primeira passagem e metabolizar a insulina diminui, além de haver prejuízo na neoglicogênese. Em ambas as condições, há um risco muito elevado de hipoglicemia por acúmulo do fármaco, tornando obrigatória a redução preventiva da dose total de insulina.
Superdosagem
A superdosagem de Insulina NPH resulta em um estado de hipoglicemia de gravidade variável, dependendo do excesso de unidades administradas, do momento da aplicação e da ingestão alimentar concomitante do paciente. O quadro clínico pode evoluir rapidamente de sintomas leves a emergências médicas com risco de vida.
Sinais e Sintomas
Os sintomas iniciais decorrem da ativação do sistema nervoso simpático (sudorese excessiva, tremores finos, taquicardia, palidez cutânea, ansiedade e fome de início súbito). Se a glicemia continuar a cair (geralmente abaixo de 54 mg/dL), instalam-se os sintomas neuroglicopênicos devido à privação de glicose no tecido cerebral: cefaléia intensa, diplopia (visão dupla), confusão mental, comportamento agressivo ou inadequado, letargia, convulsões tônico-clônicas generalizadas, coma hipoglicêmico (neuroglicopenia profunda) e, em casos extremos, morte encefálica ou arritmias cardíacas fatais.
Tratamento e Conduta
O manejo imediato da superdosagem depende do estado de consciência do paciente:
- Paciente Consciente e Capaz de Deglutir: Deve-se aplicar imediatamente a “Regra dos 15”: administrar 15 gramas de carboidratos simples de rápida absorção por via oral (por exemplo, 1 colher de sopa de açúcar diluída em água, 150 mL de refrigerante comum ou suco de laranja, ou 3 balas de goma). Aguardar 15 minutos e realizar a medição da glicemia capilar. Se a glicemia permanecer abaixo de 70 mg/dL, repetir o processo. Após a normalização, o paciente deve consumir um lanche contendo carboidratos complexos e proteínas (como um sanduíche ou uma refeição completa) para evitar nova queda glicêmica, considerando o tempo prolongado de ação da NPH.
- Paciente Inconsciente ou em Convulsão (Incapaz de Deglutir): É terminantemente proibido tentar introduzir alimentos ou líquidos por via oral devido ao risco crítico de broncoaspiração. A conduta imediata consiste na administração de 1 mg de glucagon por via subcutânea ou intramuscular (se disponível no ambiente domiciliar). Em ambiente hospitalar, deve-se estabelecer acesso venoso periférico imediato e infundir de 20 a 50 mL de solução de Glicose Hipertônica a 50% em bólus direto, seguido por uma infusão contínua de Glicose a 10% para manter os níveis glicêmicos seguros, sob monitoramento contínuo da glicemia capilar a cada 30 a 60 minutos.
☠️ Superdosagem (Overdose)
🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.
Medicamentos Genéricos e Similares
No Brasil, as insulinas são classificadas pela ANVISA como medicamentos biológicos. Devido à sua complexidade estrutural (sendo produzidas por processos biotecnológicos complexos em células vivas), não existem “genéricos” no sentido estrito da palavra para insulinas, mas sim medicamentos biossimilares e marcas comerciais de referência que possuem estrita equivalência terapêutica, eficácia e segurança comprovadas por estudos comparativos rigorosos.
As principais apresentações de Insulina NPH disponíveis no mercado farmacêutico brasileiro incluem:
- Humulin N (Eli Lilly): Uma das marcas de referência global e nacional, disponível em frascos e carpules para canetas de aplicação.
- Novolin N (Novo Nordisk): Outra marca de referência amplamente consagrada, de origem dinamarquesa, também comercializada em frascos e canetas aplicadoras.
- Insulina NPH Humana (Biobrás / Biomm): Produzida nacionalmente, amplamente distribuída na rede pública de saúde.
- Wosulin N (Wockhardt): Opção de insulina NPH humana recombinante disponível em farmácias e redes de distribuição.
Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe
Embora a Insulina NPH pertença à classe das insulinas basais, o advento dos análogos de insulina de ação prolongada e ultraprolongada trouxe novas perspectivas clínicas. A tabela comparativa abaixo demonstra as diferenças farmacológicas essenciais entre a NPH e os principais análogos modernos:
Como observado no comparativo, os análogos de insulina modernos (Glargina, Detemir e Degludec) oferecem a vantagem clínica de possuírem um perfil farmacodinâmico “sem pico” (plato), o que reduz drasticamente o risco de hipoglicemia, especialmente durante o período noturno. Além disso, a maior duração de ação dessas moléculas permite a administração em dose única diária na maioria dos casos, melhorando a adesão do paciente ao tratamento. Contudo, a Insulina NPH mantém-se como uma excelente alternativa terapêutica devido ao seu menor custo financeiro e ampla disponibilidade no SUS, permitindo um controle metabólico adequado quando utilizada com a técnica correta e monitoramento frequente.
Registro na ANVISA
A Insulina NPH é registrada e regulamentada no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) como um medicamento biológico. O registro sanitário garante que o produto atende a rígidos padrões de pureza, potência biológica e estabilidade molecular ao longo de sua vida útil.
Para a aquisição de Insulina NPH em farmácias comerciais ou para a retirada gratuita em postos de saúde do SUS e farmácias conveniadas ao Programa Farmácia Popular do Brasil, é obrigatória a apresentação de Receita Médica Comum (receita branca de via única). A receita deve conter a identificação do médico (assinatura e carimbo com CRM), dados do paciente, posologia clara em Unidades Internacionais (UI) e o tempo de validade da receita (que, para medicamentos de uso contínuo no SUS, costuma ser de até 180 dias a contar da data de emissão).
Perguntas Frequentes sobre Insulina NPH
Onde Comprar Insulina NPH?
A Insulina NPH é um medicamento amplamente acessível no território brasileiro, podendo ser obtida tanto pela rede pública de saúde quanto por meio de aquisição comercial direta.
Distribuição Gratuita pelo SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) garante o fornecimento 100% gratuito de Insulina NPH (geralmente na apresentação de frascos de 10 mL) para todos os cidadãos brasileiros diagnosticados com diabetes. A retirada deve ser realizada na farmácia do posto de saúde (Unidade Básica de Saúde – UBS) mais próxima da residência do paciente, mediante a apresentação do Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS), documento de identidade oficial com foto e receita médica válida emitida por médico do SUS ou da rede privada.
Programa Farmácia Popular do Brasil
A Insulina NPH também está incluída no programa “Aqui Tem Farmácia Popular”, uma parceria do Governo Federal com grandes redes de farmácias privadas. O medicamento é disponibilizado gratuitamente (subsídio integral) nestes estabelecimentos credenciados. Para a retirada, o paciente deve apresentar CPF, documento com foto e a receita médica dentro do prazo de validade.
Aquisição Comercial
Caso o paciente opte por adquirir o medicamento diretamente em drogarias comerciais, a Insulina NPH está disponível em todas as grandes redes farmacêuticas do país. O preço médio de um frasco de 10 mL (100 UI/mL) varia entre R$ 30,00 e R$ 60,00, enquanto as caixas contendo carpules de 3 mL para canetas aplicadoras podem variar de R$ 80,00 a R$ 150,00, dependendo da marca comercial e da região geográfica. Ao comprar, é fundamental que o paciente utilize bolsas térmicas adequadas para o transporte seguro do medicamento até a sua residência, preservando a cadeia de frio e a eficácia biológica da insulina.
Onde comprar Insulina NPH
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Fonte e revisão
Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 29/08/2026 e revisado em 29/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.
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