Antes de continuar. Esta página reúne informações da bula em linguagem simples. Não substitui a orientação do seu médico ou farmacêutico, e não serve para iniciar, alterar ou interromper tratamento por conta própria.
Nos últimos anos, a medicina cardiovascular e metabólica testemunhou uma das maiores revoluções terapêuticas de sua história recente. Medicamentos originalmente desenvolvidos para o controle estrito da glicemia em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) revelaram-se verdadeiros escudos protetores para o coração e os rins. No centro dessa revolução científica está a empaglifozina, um fármaco pertencente à classe dos inibidores do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (SGLT-2).
Inicialmente vista apenas como um hipoglicemiante oral que promovia a eliminação de glicose pela urina, a empaglifozina acumulou evidências clínicas robustas que transformaram as diretrizes médicas globais. Hoje, ela é amplamente reconhecida não apenas pelo controle metabólico, mas por reduzir drasticamente a mortalidade cardiovascular, prevenir a hospitalização por insuficiência cardíaca e retardar a progressão da doença renal crônica, independentemente de o paciente ser diabético ou não. Este artigo técnico-científico detalha de forma profunda todos os aspectos farmacológicos, clínicos e práticos da empaglifozina, servindo como um guia definitivo para profissionais de saúde e pacientes.
O que é Empaglifozina?
A empaglifozina é uma substância ativa inovadora, classificada quimicamente como um derivado do C-glicosídeo, que atua como um inibidor altamente seletivo, potente e reversível do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (SGLT-2). Desenvolvida por meio de uma parceria estratégica entre as farmacêuticas Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, a molécula foi projetada para oferecer uma abordagem terapêutica totalmente independente da insulina para o tratamento do diabetes tipo 2.
A aprovação da empaglifozina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) ocorreu em 2015, sob o nome comercial de Jardiance®. Desde então, o medicamento consolidou-se no mercado brasileiro. Além da apresentação em monoterapia, a empaglifozina está disponível em associações de dose fixa com outros antidiabéticos orais para otimizar a adesão ao tratamento:
- Jardiance® (Empaglifozina): Disponível nas concentrações de 10 mg e 25 mg.
- Jardiance Duo® (Empaglifozina + Cloridrato de Metformina): Combinação que une a ação renal da empaglifozina à redução da produção hepática de glicose promovida pela metformina.
- Glyxambi® (Empaglifozina + Linagliptina): Associação de um inibidor da SGLT-2 com um inibidor da DPP-4, oferecendo um duplo mecanismo de controle glicêmico sem necessidade de insulina.
- Synjardy® / Synjardy XR® (Empaglifozina + Metformina de liberação prolongada): Outra variação de associação para facilitar a posologia diária.
A importância histórica da empaglifozina reside no fato de ter sido o primeiro medicamento para diabetes a demonstrar, em um grande ensaio clínico de desfechos cardiovasculares (o estudo EMPA-REG OUTCOME), uma redução estatisticamente significativa na mortalidade por causas cardiovasculares. Esse marco mudou o paradigma do tratamento do DM2, deslocando o foco do mero controle numérico da hemoglobina glicada (HbA1c) para a preservação de órgãos-alvo e prolongamento da vida do paciente.
Mecanismo de Ação
O mecanismo de ação da empaglifozina é fascinante por sua simplicidade e eficácia fisiológica. Sob condições normais, o rim filtra diariamente cerca de 180 gramas de glicose através dos glomérulos. Praticamente toda essa glicose filtrada é reabsorvida de volta para a circulação sistêmica no túbulo contorcido proximal, garantindo que o organismo não perca substrato energético. Essa reabsorção é mediada por proteínas transportadoras ativas, sendo o SGLT-2 responsável por aproximadamente 90% desse processo, enquanto o SGLT-1 absorve os 10% restantes no segmento mais distal do túbulo proximal.
Em pacientes com diabetes mellitus tipo 2, a expressão e a atividade dos transportadores SGLT-2 estão paradoxalmente aumentadas, o que eleva o limiar renal de glicose e contribui para a manutenção da hiperglicemia crônica. Ao inibir seletivamente o SGLT-2, a empaglifozina impede a reabsorção renal de glicose. Como consequência direta, ocorre a eliminação ativa de glicose na urina (glicosúria). Em média, o tratamento com empaglifozina promove a excreção urinária de aproximadamente 60 a 80 gramas de glicose por dia, o que equivale à perda calórica de cerca de 240 a 320 kcal/dia, auxiliando também na redução do peso corporal.
No entanto, os efeitos farmacológicos da empaglifozina vão muito além da glicosúria. O bloqueio do SGLT-2 também inibe a co-reabsorção de sódio. Isso resulta em um efeito natriurético (eliminação de sódio pela urina) e diurético osmótico leve. Esse processo reduz o volume de fluido extracelular, diminui a pressão arterial sistólica e diastólica e reduz a pré e a pós-carga cardíacas, aliviando o estresse sobre a parede ventricular.
Adicionalmente, a empaglifozina desempenha um papel crucial na proteção renal (nefroproteção) através do restabelecimento do feedback tubuloglomerular. Ao inibir o SGLT-2, mais sódio chega à mácula densa (uma estrutura sensora no néfron). A mácula densa interpreta esse aumento de sódio como um sinal de hiperfiltração e promove a vasoconstrição da arteríola aferente glomerular. Isso reduz a pressão intraglomerular (hipertensão glomerular), que é o principal fator de agressão mecânica e deterioração renal no diabetes e na hipertensão, preservando a integridade dos néfrons a longo prazo.
⚗️ Como Funciona no Organismo?
Farmacocinética e Farmacodinâmica
A compreensão do perfil farmacocinético e farmacodinâmico da empaglifozina é essencial para prever sua eficácia clínica, interações e comportamento em diferentes perfis de pacientes.
Absorção
Após a administração por via oral, a empaglifozina é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal, atingindo as concentrações plasmáticas máximas (Cmax) em aproximadamente 1,5 horas (Tmax) pós-dose. A biodisponibilidade absoluta não foi formalmente determinada em humanos, mas estima-se que seja alta devido à sua rápida absorção e baixo metabolismo de primeira passagem. A administração concomitante com alimentos ricos em gorduras reduz levemente a Cmax e atrasa o Tmax, porém essas alterações não são clinicamente relevantes, permitindo que o medicamento seja tomado independentemente das refeições.
Distribuição
A empaglifozina apresenta um volume de distribuição aparente no estado de equilíbrio (Vss) de aproximadamente 73,8 litros, indicando uma ampla distribuição tecidual. A ligação às proteínas plasmáticas é elevada, de cerca de 86,2%, ocorrendo principalmente com a albumina e, em menor grau, com a glicoproteína ácida alfa-1. A partição nas células vermelhas do sangue é mínima.
Metabolismo
O metabolismo da empaglifozina em humanos é secundário. A via metabólica primária é a glucuronidação pelas enzimas uridina 5′-difosfo-glucuronosiltransferases (UGT), especificamente as isoformas UGT2B7, UGT1A3, UGT1A8 e UGT1A9, formando metabólitos glucuronídeos inativos. O fármaco não sofre metabolismo oxidativo significativo mediado pelas enzimas do citocromo P450 (CYP450), o que reduz drasticamente o risco de interações medicamentosas com compostos que utilizam essa via metabólica comum.
Excreção
A meia-vida de eliminação terminal aparente da empaglifozina é de aproximadamente 12,4 horas, o que justifica plenamente a sua administração em dose única diária. Após a administração de empaglifozina radiomarcada, cerca de 95,6% da radioatividade é recuperada, sendo 54,4% na urina (principalmente como fármaco inalterado) e 41,2% nas fezes (principalmente como metabólitos ou fármaco não absorvido).
Indicações Terapêuticas
As indicações da empaglifozina expandiram-se consideravelmente à medida que grandes ensaios clínicos demonstraram seus benefícios multiorgânicos. Atualmente, as indicações aprovadas pela ANVISA e endossadas pelas principais sociedades médicas brasileiras e internacionais incluem:
1. Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2)
- Como monoterapia, em pacientes nos quais o uso da metformina é considerado inadequado devido a intolerância ou contraindicações.
- Em terapia de associação com outros medicamentos hipoglicemiantes, incluindo metformina, sulfonilureias, inibidores da DPP-4, pioglitazona e insulina, quando estes não fornecem um controle glicêmico adequado.
- Para a redução do risco de morte cardiovascular em pacientes com DM2 e doença cardiovascular estabelecida (como histórico de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral ou doença arterial periférica).
2. Insuficiência Cardíaca (IC)
A empaglifozina é indicada para o tratamento da insuficiência cardíaca crônica sintomática em adultos, independentemente da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE). Isso abrange:
- Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr): Pacientes com FEVE ≤ 40%, conforme demonstrado no estudo EMPEROR-Reduced, onde o fármaco reduziu significativamente o risco combinado de morte cardiovascular ou hospitalização por IC.
- Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada ou Levemente Reduzida (ICFEp / ICFElr): Pacientes com FEVE > 40%, com base no estudo pioneiro EMPEROR-Preserved. A empaglifozina foi a primeira terapia a demonstrar benefício claro e inequívoco nessa população historicamente difícil de tratar.
3. Doença Renal Crônica (DRC)
Indicada para o tratamento da doença renal crônica em adultos com risco de progressão da doença, com base nos resultados do estudo clínico EMPA-KIDNEY. O tratamento reduz o risco de declínio sustentado da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe), progressão para doença renal terminal, morte por causas renais ou morte cardiovascular.
Uso Off-Label (Fora da Bula)
Embora não conste formalmente em bula, a empaglifozina é por vezes avaliada ou utilizada de forma personalizada em cenários de esteatose hepática metabólica (antiga NASH/MASLD) devido ao seu papel na redução da gordura visceral e inflamação sistêmica, e no manejo auxiliar da perda de peso em pacientes com obesidade e resistência insulínica severa, sob estrito acompanhamento médico.
Posologia e Forma de Uso
A empaglifozina deve ser administrada por via oral, uma vez ao dia, preferencialmente pela manhã, com ou sem alimentos. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros com água e não devem ser partidos ou mastigados.
Posologia Padrão
- Diabetes Mellitus Tipo 2: A dose inicial recomendada é de 10 mg uma vez ao dia. Para pacientes que toleram bem essa dose, mas necessitam de um controle glicêmico adicional e possuem uma taxa de filtração glomerular adequada, a dose pode ser aumentada para 25 mg uma vez ao dia.
- Insuficiência Cardíaca (IC): A dose recomendada é de 10 mg uma vez ao dia. Não há indicação de aumento para 25 mg apenas para o tratamento da insuficiência cardíaca.
- Doença Renal Crônica (DRC): A dose recomendada é de 10 mg uma vez ao dia.
Ajuste em Populações com Insuficiência Renal
O início e a manutenção do tratamento com empaglifozina dependem diretamente da Taxa de Filtração Glomerular Estimada (TFGe) do paciente:
- TFGe ≥ 45 mL/min/1,73m²: Nenhum ajuste de dose é necessário. As doses de 10 mg ou 25 mg podem ser utilizadas.
- TFGe de 30 a < 45 mL/min/1,73m²: Se o objetivo principal for o controle glicêmico no DM2, a eficácia da empaglifozina é reduzida devido ao menor volume de filtração. No entanto, para proteção cardiovascular, insuficiência cardíaca ou tratamento da DRC, a dose de 10 mg deve ser iniciada ou mantida.
- TFGe < 30 mL/min/1,73m²: Não é recomendado iniciar o tratamento para o controle glicêmico. Contudo, para pacientes já em tratamento para IC ou DRC, a dose de 10 mg pode ser mantida até que o paciente inicie terapia de substituição renal (diálise).
- Pacientes em Diálise: A empaglifozina é contraindicada, pois não há dados de segurança e sua eficácia depende da função de filtração renal.
Contraindicações
O uso da empaglifozina é contraindicado ou exige extrema cautela em situações clínicas específicas para evitar complicações graves:
Contraindicações Absolutas
- Hipersensibilidade conhecida à empaglifozina ou a qualquer um dos componentes da formulação (como reações anafiláticas ou angioedema).
- Pacientes com doença renal terminal ou dependentes de hemodiálise/diálise peritoneal.
- Cetoacidose diabética (CAD) ativa ou histórico recente de CAD.
Contraindicações Relativas e Precauções
- Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1): A empaglifozina não deve ser usada para o tratamento de pacientes com DM1 devido a um risco significativamente aumentado de Cetoacidose Diabética Euglicêmica (uma emergência médica onde a glicemia está normal ou apenas levemente elevada, mas há acidose metabólica grave).
- Idosos (≥ 75 anos): Risco aumentado de depleção de volume (desidratação), hipotensão arterial e infecções do trato urinário.
- Histórico de amputações: Pacientes com doença vascular periférica grave ou neuropatia diabética ativa devem ser monitorados de perto, embora os dados de amputação com empaglifozina sejam mais favoráveis do que com outros inibidores de SGLT-2 (como a canaglifozina).
Efeitos Colaterais
Como qualquer medicamento ativo, a empaglifozina pode causar reações adversas. A maioria dos efeitos colaterais está diretamente relacionada ao seu mecanismo de ação glicosúrico e diurético.
Reações Muito Comuns (ocorrem em mais de 10% dos pacientes)
- Monilíase vaginal, vulvovaginite e balanite: Infecções fúngicas genitais (causadas principalmente por Candida albicans) são as reações mais frequentes. Ocorrem devido à alta concentração de glicose na urina, que serve de substrato para a proliferação de fungos. É mais comum em mulheres e em homens não circuncidados.
Reações Comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes)
- Infecção do trato urinário (ITU): Cistites e uretrites. Casos de pielonefrite (infecção renal) são raros, mas possíveis.
- Aumento da micção (poliúria e polaciúria): Necessidade frequente de urinar, inclusive durante a noite (noctúria).
- Prurido genital: Coceira na região íntima sem infecção aparente.
- Sede e desidratação leve: Sensação de boca seca decorrente do efeito diurético osmótico.
- Dislipidemia: Leve aumento nos níveis de colesterol total, LDL e HDL.
Reações Incomuns (ocorrem entre 0,1% e 1% dos pacientes)
- Depleção de volume: Hipotensão ortostática (tontura ao levantar), desidratação clínica, hipotensão arterial evidente.
- Disúria: Dor ou desconforto ao urinar.
- Fimose: Estreitamento do prepúcio em homens, frequentemente associado a balanites de repetição.
Reações Raras (ocorrem em menos de 0,1% dos pacientes)
- Cetoacidose Diabética (CAD): Uma complicação grave e potencialmente fatal, caracterizada por náuseas, vômitos, dor abdominal, fadiga extrema e dificuldade respiratória. Pode ocorrer mesmo com níveis de glicose no sangue inferiores a 250 mg/dL (CAD euglicêmica).
- Fascite Necrosante do Períneo (Gangrena de Fournier): Uma infecção bacteriana rara, porém extremamente grave e destrutiva dos tecidos moles do períneo, que exige intervenção cirúrgica de emergência e antibioticoterapia de amplo espectro.
Interações Medicamentosas
A empaglifozina apresenta um perfil de interação medicamentosa favorável, uma vez que não interage de forma significativa com as principais enzimas do citocromo P450. No entanto, algumas interações farmacodinâmicas são clinicamente relevantes:
Diuréticos (Tiazídicos e de Alça)
O uso concomitante de empaglifozina com diuréticos (como hidroclorotiazida, clortalidona, furosemida) pode potencializar o efeito diurético e desidratante. Isso aumenta substancialmente o risco de depleção de volume, hipotensão arterial severa e lesão renal aguda pré-renal. Recomenda-se monitorar o estado de hidratação e, se necessário, ajustar a dose do diurético.
Insulina e Secretagogos de Insulina (Sulfonilureias)
A empaglifozina, por si só, possui um risco quase nulo de causar hipoglicemia devido ao seu mecanismo independente da insulina. Contudo, quando associada à insulina ou a medicamentos que estimulam sua secreção (como glimepirida, gliclazida), o risco de hipoglicemia aumenta significativamente. Pode ser necessária uma redução preventiva na dose de insulina ou da sulfonilureia ao iniciar a empaglifozina.
Lítio
Os inibidores de SGLT-2 podem aumentar a excreção renal de lítio, reduzindo os níveis séricos deste estabilizador de humor e comprometendo sua eficácia terapêutica. Os níveis plasmáticos de lítio devem ser monitorados de perto após o início ou alteração da dose de empaglifozina.
Uso em Populações Especiais
O manejo clínico da empaglifozina requer atenção personalizada dependendo das características intrínsecas do paciente:
Gestantes e Lactantes
A empaglifozina é classificada na Categoria C de risco na gravidez. Estudos em animais demonstraram efeitos adversos no desenvolvimento renal pós-natal quando expostos no segundo e terceiro trimestres de gestação. Portanto, o uso de empaglifozina não é recomendado durante a gravidez. Caso ocorra gravidez, o tratamento deve ser descontinuado imediatamente. Não se sabe se a empaglifozina é excretada no leite materno humano; por isso, a amamentação deve ser descontinuada durante o tratamento.
Idosos
Pacientes idosos (especialmente aqueles com 75 anos ou mais) são mais suscetíveis aos efeitos colaterais relacionados à perda de fluidos. Eles apresentam maior risco de desidratação, hipotensão ortostática e quedas. A função renal deve ser avaliada com maior frequência nesta população.
Crianças e Adolescentes
A segurança e a eficácia da empaglifozina em pacientes pediátricos com menos de 18 anos de idade ainda não foram totalmente estabelecidas, não sendo recomendado o seu uso nesta faixa etária.
Insuficiência Hepática
A empaglifozina pode ser utilizada em pacientes com insuficiência hepática leve a moderada sem necessidade de ajuste de dose. Em pacientes com insuficiência hepática grave, a exposição ao fármaco aumenta, exigindo monitoramento clínico cuidadoso.
Superdosagem
Em estudos clínicos, doses únicas de até 800 mg de empaglifozina (equivalente a 80 vezes a dose diária padrão de 10 mg) foram administradas a voluntários saudáveis e pacientes com diabetes tipo 2 sem evidências de toxicidade sistêmica grave.
Sintomas de Superdose
Uma dose excessiva acentuada pode provocar uma glicosúria massiva, desidratação severa, desequilíbrio eletrolítico (perda de sódio e potássio) e hipotensão acentuada.
Tratamento
Em caso de superdosagem, o tratamento deve ser de suporte clínico e sintomático, adaptado ao estado do paciente. Medidas para remover o fármaco não absorvido (como lavagem gástrica ou administração de carvão ativado) podem ser consideradas se a ingestão for muito recente. A eliminação da empaglifozina por hemodiálise não é clinicamente significativa devido à sua elevada ligação às proteínas plasmáticas.
☠️ Superdosagem (Overdose)
🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.
Medicamentos Genéricos e Similares
A empaglifozina de referência no mercado brasileiro é o Jardiance®, produzido pela Boehringer Ingelheim. Com a expiração de patentes e a evolução regulatória, o mercado brasileiro passou a contar com opções de medicamentos genéricos da empaglifozina, produzidos por laboratórios farmacêuticos nacionais de grande porte (como Eurofarma, EMS, Ache, entre outros).
Os medicamentos genéricos passam por testes rigorosos de bioequivalência e biodisponibilidade exigidos pela ANVISA, garantindo que o medicamento genérico produza exatamente o mesmo efeito terapêutico, na mesma velocidade e intensidade que o medicamento de referência. Além dos genéricos, existem os medicamentos similares equivalentes (equivalentes terapêuticos com nome de marca próprio), que oferecem alternativas econômicas para o tratamento contínuo.
Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe
A classe dos inibidores da SGLT-2 conta com outros representantes de destaque no Brasil, como a dapaglifozina (Forxiga®) e a canaglifozina (Invokana®). Embora compartilhem o mesmo mecanismo de ação básico, existem nuances clínicas importantes entre eles:
- Seletividade: A empaglifozina possui a maior seletividade pelo receptor SGLT-2 em comparação ao SGLT-1 (cerca de 5000 vezes mais seletiva), minimizando efeitos gastrointestinais que poderiam ocorrer pelo bloqueio do SGLT-1 no intestino.
- Evidência em ICFEp: A empaglifozina foi a pioneira absoluta em demonstrar redução de desfechos duros na Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (estudo EMPEROR-Preserved), embora a dapaglifozina tenha posteriormente demonstrado resultados semelhantes no estudo DELIVER.
- Perfil de Segurança Cardiovascular: O estudo EMPA-REG OUTCOME da empaglifozina mostrou uma redução de 38% na morte cardiovascular relativa em pacientes com DM2 de alto risco, um dos dados mais robustos de toda a classe.
Registro na ANVISA
O registro da empaglifozina na ANVISA segue critérios rigorosos de controle de qualidade e farmacovigilância.
- Nome Técnico: Empaglifozina
- Classe Terapêutica: Inibidores do Cotransportador Sódio-Glicose 2 (SGLT-2)
- Classificação de Venda: Venda sob Prescrição Médica (Tarja Vermelha comum, sem retenção de receita).
- Número de Registro (Jardiance®): 1.0367.0174
Perguntas Frequentes sobre Empaglifozina
Onde Comprar Empaglifozina?
A empaglifozina (Jardiance® ou seus genéricos) pode ser adquirida em praticamente todas as grandes redes de farmácias e drogarias físicas e online do Brasil. Por se tratar de um medicamento de tarja vermelha comum, sua compra exige a apresentação de receita médica simples (via branca), que não fica retida no estabelecimento.
O preço do medicamento pode variar consideravelmente dependendo da dosagem (10 mg ou 25 mg), do número de comprimidos na embalagem (geralmente 10, 30 ou 60 comprimidos) e se o paciente opta pelo medicamento de referência (Jardiance®) ou pelo genérico. Muitos laboratórios oferecem programas de suporte ao paciente (como o programa de fidelidade da Boehringer Ingelheim), que concedem descontos expressivos na compra mensal do medicamento mediante cadastro prévio com a receita médica.
Onde comprar Empaglifozina
Disponível em farmácias físicas e online.
Pergunte ao farmacêutico pelo genérico: o princípio ativo é o mesmo e a economia costuma passar de 50%. Verifique antes se a apresentação que você precisa exige receita.
Recomendação
Não erre mais o horário do seu remédio
Quem toma mais de um medicamento por dia acaba repetindo ou pulando dose. Um porta-comprimidos semanal com divisórias por período resolve isso por menos que uma consulta.
Ver opçõesLink de afiliado. Você não paga a mais por isso.
Fonte e revisão
Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 28/08/2026 e revisado em 28/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.
Outras bulas de Medicamentos para Diabetes
Dapaglifozina
Bula completa de Dapaglifozina (Dapaglifozina): indicações, posologia, efeitos colaterais, interações medicamentosas e contraindicações em linguagem clara.
Metformina
Bula completa de Metformina (Cloridrato de Metformina): indicações, posologia, efeitos colaterais, interações medicamentosas e muito mais. Informações técnicas
Gliclazida
Bula completa de Gliclazida (Gliclazida): indicações, posologia, efeitos colaterais, interações medicamentosas e contraindicações em linguagem clara.