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Medicamentos para Diabetes

Dapaglifozina

21 min de leitura Atualizado em 28/08/2026 Base ANVISA

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Nos últimos anos, a medicina cardiovascular e metabólica testemunhou uma das maiores revoluções terapêuticas das últimas décadas. Medicamentos inicialmente desenvolvidos com o único propósito de controlar os níveis de glicose no sangue em pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) revelaram propriedades extraordinárias de proteção sistêmica. No epicentro dessa revolução está a Dapaglifozina, um fármaco inovador pertencente à classe dos inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT-2).

A descoberta de que a indução controlada de glicosúria (eliminação de glicose pela urina) poderia não apenas reduzir a glicemia, mas também diminuir drasticamente as internações por insuficiência cardíaca e retardar a progressão da doença renal crônica, mudou as diretrizes médicas globais. Hoje, a Dapaglifozina transcendeu a endocrinologia, tornando-se uma ferramenta terapêutica indispensável para cardiologistas e nefrologistas em todo o mundo. Este artigo oferece uma análise profunda, técnica e detalhada sobre a farmacologia, indicações, segurança e aplicação clínica deste medicamento.

O que é Dapaglifozina?

A Dapaglifozina é um agente antidiabético de uso oral, pioneiro na classe dos inibidores altamente seletivos do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT-2). Desenvolvida originalmente através de uma parceria de pesquisa entre a Bristol-Myers Squibb e a AstraZeneca, a molécula representa um marco na abordagem do tratamento metabólico por não depender da ação ou da secreção de insulina para exercer seu efeito hipoglicemiante.

No mercado brasileiro, o medicamento de referência contendo Dapaglifozina isolada é comercializado sob o nome de Forxiga®, disponível em apresentações de 5 mg e 10 mg em cartuchos com 14, 28 ou 30 comprimidos revestidos. Há também combinações de dose fixa com outros agentes antidiabéticos, como o Xigduo XR® (Dapaglifozina + Cloridrato de Metformina de liberação prolongada) e o Qtern® (Dapaglifozina + Saxagliptina).

A aprovação da Dapaglifozina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) ocorreu em 2013 para o tratamento do Diabetes Mellitus Tipo 2. Posteriormente, após a publicação de ensaios clínicos multicêntricos de larga escala, a ANVISA expandiu consideravelmente suas indicações aprovadas no Brasil, incluindo o tratamento de pacientes com Insuficiência Cardíaca (IC) com fração de ejeção reduzida e preservada, bem como o tratamento da Doença Renal Crônica (DRC) em adultos, independentemente da presença ou ausência de diabetes.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação da Dapaglifozina é puramente renal e independente da homeostase da insulina. Para compreender sua farmacodinâmica, é necessário entender a fisiologia renal da filtração e reabsorção de glicose. Em indivíduos saudáveis, aproximadamente 180 gramas de glicose são filtrados diariamente pelos glomérulos renais. Praticamente toda essa carga filtrada é reabsorvida nos túbulos contornados proximais, retornando à circulação sistêmica, de modo que a urina final fica livre de glicose.

Essa reabsorção tubular ativa de glicose é mediada por proteínas transportadoras de membrana conhecidas como cotransportadores sódio-glicose (SGLTs). O transportador SGLT-2, localizado predominantemente no segmento inicial (S1) do túbulo contornado proximal, é responsável por cerca de 90% da reabsorção renal de glicose. O restante (10%) é reabsorvido pelo transportador SGLT-1 no segmento mais distal (S2/S3) do túbulo proximal.

A Dapaglifozina atua como um inibidor competitivo, reversível e altamente seletivo do SGLT-2 (com seletividade mais de 1.400 vezes maior pelo SGLT-2 em comparação ao SGLT-1). Ao bloquear este transportador, o fármaco reduz a capacidade de reabsorção de glicose nos rins, diminuindo o limiar renal para a glicose (que normalmente é de cerca de 180 mg/dL). Como consequência direta, ocorre a excreção urinária ativa de glicose (glicosúria), promovendo a eliminação de aproximadamente 70g a 80g de glicose por dia na urina (o equivalente a cerca de 280 a 320 kcal/dia).

Efeitos Cardiorrenais Multissistêmicos

Além da redução direta da glicemia, o bloqueio do SGLT-2 desencadeia uma série de efeitos fisiológicos secundários de extrema relevância clínica:

  • Natriurese e Osmose: A inibição do SGLT-2 impede a reabsorção simultânea de sódio, promovendo natriurese (excreção de sódio) e diurese osmótica. Isso leva a uma redução do volume plasmático circulante e do fluido intersticial, diminuindo a pré e a pós-carga cardíaca sem ativar o sistema nervoso simpático.
  • Feedback Tubuloglomerular: O aumento da entrega de sódio e cloro à mácula densa (localizada no final do ramo ascendente espesso da alça de Henle) restaura o feedback tubuloglomerular. Isso promove a vasoconstrição da arteríola aferente glomerular, reduzindo a pressão intraglomerular (hiperfiltração) e exercendo um efeito protetor direto contra o dano glomerular a longo prazo.
  • Otimização Energética Miocárdica: A perda calórica e a modesta elevação na síntese de corpos cetônicos (especialmente o beta-hidroxibutirato) fornecem um substrato energético alternativo e mais eficiente em termos de consumo de oxigênio para o miocárdio sob estresse.
  • Redução da Rigidez Arterial e Pressão Arterial: A perda de fluidos e de sódio resulta na redução sustentada da pressão arterial sistólica (cerca de 2 a 4 mmHg) e diastólica, além de melhorar a complacência endotelial.

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Farmacocinética e Farmacodinâmica

A Dapaglifozina apresenta um perfil farmacocinético linear, previsível e altamente favorável para administração em dose única diária. Seus parâmetros cinéticos detalhados explicam a estabilidade de sua ação terapêutica ao longo de 24 horas.

Absorção

Após a administração por via oral, a Dapaglifozina é rapidamente absorvida no trato gastrointestinal. A biodisponibilidade oral absoluta é de aproximadamente 78%. O pico de concentração plasmática (Cmax) é geralmente atingido dentro de 1 a 2 horas após a ingestão em jejum. A ingestão concomitante de refeições ricas em gorduras pode atrasar ligeiramente o Tmax (em até 1 hora) e reduzir a Cmax em cerca de 30%, porém essas variações não têm relevância clínica sobre a área sob a curva (AUC) de exposição total do fármaco, permitindo que o medicamento seja tomado com ou sem alimentos.

Distribuição

A Dapaglifozina apresenta um volume de distribuição em estado de equilíbrio (Vss) de aproximadamente 118 litros, o que indica uma ampla distribuição tecidual. O fármaco exibe uma elevada taxa de ligação às proteínas plasmáticas, estimada em cerca de 91%, ligando-se principalmente à albumina sérica. Essa alta ligação proteica impede que o fármaco livre seja excessivamente filtrado e perdido de forma inativa, mantendo sua meia-vida de eliminação adequada.

Metabolismo

O metabolismo da Dapaglifozina ocorre predominantemente no fígado e nos rins, sendo mediado principalmente por vias de conjugação. A principal via metabólica é a glicuronidação mediada pela enzima UGT1A9 (UDP-glucuronosiltransferase 1A9), presente tanto no microssoma hepático quanto renal, convertendo o fármaco em seu metabólito principal e inativo, a dapaglifozina 3-O-glicuronídeo. O metabolismo oxidativo mediado pelo sistema citocromo P450 (principalmente CYP3A4, CYP2C9 e CYP2D6) é uma via minoritária, representando menos de 10% da depuração total do fármaco, o que reduz significativamente o risco de interações medicamentosas farmacocinéticas complexas.

Excreção

A meia-vida de eliminação plasmática terminal (t½) da Dapaglifozina é de aproximadamente 12,9 horas em adultos saudáveis. O fármaco e seus metabólitos são excretados principalmente por via renal. Cerca de 75% da dose administrada é recuperada na urina (sendo menos de 2% sob a forma de fármaco inalterado ativo) e aproximadamente 21% é recuperada nas fezes (com cerca de 15% de fármaco inalterado).

Indicações Terapêuticas

A Dapaglifozina é um medicamento multifuncional com indicações clínicas robustas aprovadas pela ANVISA e endossadas pelas principais diretrizes médicas internacionais (ADA, ESC, SBC, KDIGO). Suas principais indicações incluem:

1. Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2)

  • Monoterapia: Indicada como adjuvante à dieta e ao exercício físico para melhorar o controle glicêmico em pacientes adultos nos quais o uso da metformina é considerado inadequado devido a intolerância ou contraindicações.
  • Terapia de Combinação Aditiva: Associada à metformina, sulfonilureias (como glimepirida), inibidores da DPP-4, agonistas do receptor de GLP-1 ou insulina, quando o tratamento isolado ou combinado prévio não fornece controle glicêmico adequado.

2. Insuficiência Cardíaca (IC)

  • Indicada para o tratamento de pacientes adultos com Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr), bem como Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada ou Levemente Reduzida (ICFEp/ICFElr). O fármaco demonstrou reduzir de forma robusta o risco de morte cardiovascular, internações por insuficiência cardíaca e visitas de emergência decorrentes da descompensação da IC.

3. Doença Renal Crônica (DRC)

  • Indicada para o tratamento da Doença Renal Crônica em pacientes adultos com risco de progressão da doença (definida por taxa de filtração glomerular estimada reduzida e/ou presença de albuminúria persistente). O tratamento reduz o declínio sustentado da taxa de filtração glomerular, a progressão para doença renal terminal e a mortalidade cardiovascular ou por causas renais.

Uso Off-Label Relevante

Embora tenha sido estudada em ensaios clínicos para o controle do Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) como terapia adjuvante à insulina (em doses menores de 5 mg), seu uso nesta população não é recomendado nem aprovado no Brasil devido ao risco substancialmente aumentado de Cetoacidose Diabética (CAD) euglicêmica grave.

Posologia e Forma de Uso

A administração da Dapaglifozina deve ser individualizada com base na indicação clínica e no perfil de função renal do paciente. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros por via oral, uma vez ao dia, preferencialmente pela manhã para evitar o aumento da diurese noturna (nictúria), podendo ser administrados a qualquer hora do dia, independentemente das refeições.

Ajuste em Populações Especiais e Interrupção Provisória

  • Insuficiência Renal: Para o controle glicêmico no DM2, a eficácia da Dapaglifozina diminui se a Taxa de Filtração Glomerular Estimada (TFGe) for inferior a 45 mL/min/1,73m². No entanto, para o tratamento de Insuficiência Cardíaca ou Doença Renal Crônica, a terapia pode ser iniciada e mantida com TFGe de até 25 mL/min/1,73m², uma vez que os benefícios cardiorrenais persistem mesmo com menor efeito hipoglicemiante. Não é recomendado iniciar o tratamento em pacientes com TFGe < 25 mL/min/1,73m² devido à escassez de dados clínicos, e deve ser descontinuado se o paciente iniciar diálise.
  • Insuficiência Hepática: Não é necessário ajuste de dose em pacientes com insuficiência hepática leve ou moderada. Para pacientes com insuficiência hepática grave (Child-Pugh Classe C), recomenda-se uma dose inicial de 5 mg. Se bem tolerada, a dose pode ser aumentada para 10 mg.
  • Cirurgias e Procedimentos Invasivos: Recomenda-se suspender temporariamente a Dapaglifozina pelo menos 3 dias antes de cirurgias de grande porte programadas ou procedimentos médicos invasivos que exijam jejum prolongado, minimizando o risco de cetoacidose diabética. O tratamento deve ser reiniciado apenas quando o paciente retomar a alimentação oral normal e estiver clinicamente estável.

Contraindicações

A Dapaglifozina possui contraindicações estritas que visam garantir a segurança do paciente e evitar eventos adversos potencialmente graves:

Contraindicações Absolutas

  • Hipopersensibilidade conhecida à Dapaglifozina ou a qualquer um dos excipientes contidos na formulação do comprimido.
  • Pacientes com Doença Renal Terminal (TFGe < 15 mL/min/1,73m²) ou sob tratamento dialítico (hemodiálise ou diálise peritoneal), devido à ausência completa de eficácia e falta de dados de segurança.
  • Pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) – o uso nesta população está associado a um risco inaceitavelmente alto de cetoacidose diabética.

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Cetoacidose Diabética (CAD) Prévia: Pacientes com histórico de CAD espontânea ou desencadeada por fatores mínimos devem ser avaliados com extrema cautela antes do início da terapia.
  • Depleção de Volume Extracelular: Pacientes hipotensos, desidratados ou em uso de altas doses de diuréticos de alça devem ter seu estado de volemia corrigido antes do início da Dapaglifozina.
  • Predisposição a Infecções Genitais Recorrentes: Indivíduos com histórico de infecções fúngicas urogenitais graves ou de repetição necessitam de monitoramento rigoroso e orientação higiênica reforçada.

Efeitos Colaterais

Embora a Dapaglifozina apresente um perfil de segurança altamente favorável e seja bem tolerada pela vasta maioria dos pacientes, seu mecanismo de ação glicosúrico predispõe ao surgimento de reações adversas específicas, principalmente de origem infecciosa e hemodinâmica.

Descrição Detalhada de Reações Adversas Importantes

  • Infecções Genitais Fúngicas (Micóticas): Devido ao aumento da concentração de glicose no trato urinário e genital, fungos oportunistas, especialmente do gênero Candida, encontram um ambiente propício para proliferação. É o efeito colateral mais comum, ocorrendo com maior frequência em mulheres (vulvovaginite) e em homens não circuncidados (balanite). Na maioria dos casos, são infecções de intensidade leve a moderada, que respondem bem ao tratamento antifúngico tópico ou oral padrão, raramente exigindo a suspensão definitiva do medicamento.
  • Cetoacidose Diabética Euglicêmica (CAD): É uma complicação rara, mas potencialmente fatal. Caracteriza-se pela presença de acidose metabólica e cetose com níveis glicêmicos normais ou apenas discretamente elevados (< 250 mg/dL), o que pode retardar o diagnóstico correto. Pode ser desencadeada por infecções graves, cirurgias, restrição calórica extrema ou redução abrupta da dose de insulina. Os sintomas incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, fadiga extrema e dispneia (respiração de Kussmaul).
  • Fasciíte Necrosante do Períneo (Gangrena de Fournier): Uma infecção bacteriana extremamente rara, porém grave e de rápida progressão, que afeta os tecidos subcutâneos do períneo. Exige intervenção cirúrgica de urgência (desbridamento) e antibioticoterapia de amplo espectro. Pacientes que apresentem dor, sensibilidade, eritema ou edema na região genital ou perineal, acompanhados de febre ou mal-estar, devem ser avaliados imediatamente.

Interações Medicamentosas

A Dapaglifozina possui um baixo potencial de interações medicamentosas farmacocinéticas, uma vez que não inibe nem induz as principais enzimas do citocromo P450 (CYP) e possui metabolismo predominantemente mediado por glicuronidação (UGT1A9). No entanto, interações de caráter farmacodinâmico exigem atenção clínica.

Uso em Populações Especiais

A prescrição de Dapaglifozina em grupos específicos de pacientes deve seguir critérios rigorosos de avaliação de risco-benefício:

Gestantes (Categoria de Risco C)

Não há dados suficientes sobre o uso de Dapaglifozina em mulheres grávidas. Estudos realizados em modelos animais demonstraram toxicidade renal no desenvolvimento pós-natal (durante o período correspondente ao segundo e terceiro trimestres da gestação humana). Portanto, a Dapaglifozina não deve ser utilizada durante a gestação. Se a gravidez for detectada, o tratamento deve ser imediatamente descontinuado e substituído por terapias seguras para o período gestacional, como a insulina.

Lactantes

Não se sabe se a Dapaglifozina ou seus metabólitos são excretados no leite materno humano. Estudos em animais demonstraram a excreção do fármaco no leite e efeitos adversos nos rins de filhotes lactantes. Devido ao risco potencial de reações adversas graves no lactente, o uso de Dapaglifozina é contraindicado durante a amamentação.

Idosos (Acima de 65 anos)

Pacientes idosos são terapeuticamente elegíveis para o uso de Dapaglifozina e se beneficiam amplamente de sua proteção cardiovascular e renal. No entanto, nesta faixa etária há uma maior probabilidade de disfunção renal basal, maior sensibilidade a alterações hemodinâmicas e maior risco de desidratação, hipotensão postural e quedas. Recomenda-se monitorar rigorosamente a função renal e o estado de hidratação destes pacientes.

Crianças e Adolescentes (Menores de 18 anos)

A segurança e a eficácia da Dapaglifozina em pacientes pediátricos com menos de 18 anos de idade ainda não foram estabelecidas. Portanto, o uso não é recomendado para este grupo populacional.

Insuficiência Hepática

A exposição sistêmica à Dapaglifozina aumenta em pacientes com insuficiência hepática grave. Em pacientes com cirrose ou disfunção hepática grave (Child-Pugh Classe C), recomenda-se iniciar o tratamento com a dose menor de 5 mg, progredindo para 10 mg se houver boa tolerabilidade.

Superdosagem

A Dapaglifozina demonstrou ser altamente segura mesmo quando administrada em doses significativamente superiores às terapêuticas. Em ensaios clínicos, doses únicas de até 500 mg (50 vezes a dose diária recomendada) em voluntários saudáveis e doses de até 100 mg diárias por 14 dias em pacientes com diabetes tipo 2 foram bem toleradas, sem evidências de toxicidade orgânica grave ou hipoglicemia clinicamente significativa na ausência de outros secretagogos.

Sintomas de Intoxicação

Em caso de superdosagem maciça acidental ou voluntária, os principais riscos fisiológicos incluem:

  • Desidratação grave e depleção de volume devido à diurese osmótica massiva.
  • Distúrbios eletrolíticos (perda excessiva de sódio, potássio e magnésio).
  • Hipoglicemia (especialmente se o paciente estiver utilizando insulina ou sulfonilureias concomitantemente).

Conduta Médica na Superdosagem

Não existe um antídoto específico para a Dapaglifozina. O tratamento deve ser essencialmente de suporte e sintomático:

  1. Estabilização Hemodinâmica: Restabelecimento imediato da volemia através de hidratação intravenosa com soluções cristaloides (como Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato), monitorando de perto o débito urinário e os sinais vitais.
  2. Monitoramento Laboratorial: Avaliação contínua da glicemia capilar/plasmática, eletrólitos séricos (sódio, potássio, bicarbonato), função renal (creatinina e ureia) e monitoramento de sinais de acidose metabólica.
  3. Remoção do Fármaco: Devido à elevada taxa de ligação às proteínas plasmáticas (91%), a eliminação da Dapaglifozina por hemodiálise ou diálise peritoneal não é eficaz e não deve ser utilizada como medida de depuração.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

Com a expiração recente de patentes de exclusividade da molécula no Brasil, a ANVISA concedeu registro para versões genéricas da Dapaglifozina. Isso aumentou de forma expressiva a concorrência no mercado farmacêutico nacional, promovendo maior acessibilidade financeira ao tratamento.

Os medicamentos genéricos contendo Dapaglifozina são produzidos por laboratórios farmacêuticos de grande porte e alta confiabilidade no Brasil (como EMS, Eurofarma, Medley, Ache, entre outros). Para que um genérico seja aprovado pela ANVISA, ele deve passar obrigatoriamente por testes rigorosos de bioequivalência e equivalência farmacêutica em relação ao medicamento de referência (Forxiga®), garantindo que entreguem exatamente a mesma eficácia clínica e segurança biológica.

Além das apresentações isoladas, existem no mercado similares e combinações consolidadas:

  • Xigduo XR® (Dapaglifozina + Cloridrato de Metformina de liberação prolongada): Combinação inteligente que associa a inibição do SGLT-2 à redução da produção hepática de glicose mediada pela metformina, otimizando a adesão do paciente ao tratamento do diabetes por reduzir o número diário de comprimidos.
  • Qtern® (Dapaglifozina + Saxagliptina): Combina a ação glicosúrica da Dapaglifozina com o aumento dos níveis de incretinas ativas promovido pela Saxagliptina (um inibidor da DPP-4), atuando de forma complementar em diferentes vias fisiopatológicas do DM2.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

A classe dos inibidores do SGLT-2 (glifozinas) conta com outros representantes de destaque no mercado brasileiro. Embora compartilhem o mesmo mecanismo básico de ação, existem nuances farmacológicas, perfis de seletividade e evidências clínicas que diferenciam cada molécula.

Análise Comparativa

A Dapaglifozina destaca-se pela robustez e abrangência de suas evidências clínicas. Ela foi pioneira ao demonstrar benefícios consistentes em todo o espectro da Insuficiência Cardíaca (tanto na fração de ejeção reduzida quanto na preservada, através dos estudos DAPA-HF e DELIVER), além de ter estabelecido um marco no tratamento da Doença Renal Crônica (estudo DAPA-CKD), consolidando-se como uma terapia de proteção de órgãos e não apenas controle metabólico.

A Empaglifozina apresenta um perfil de eficácia e segurança muito semelhante ao da Dapaglifozina, com forte evidência de redução de mortalidade cardiovascular no diabetes (estudo EMPA-REG OUTCOME) e excelente proteção na insuficiência cardíaca (estudos EMPEROR-Reduced e EMPEROR-Preserved). A escolha entre ambas frequentemente baseia-se na disponibilidade comercial, custo e preferência do prescritor.

A Canaglifozina possui uma seletividade ligeiramente menor pelo SGLT-2 em comparação ao SGLT-1, o que pode promover uma discreta inibição do SGLT-1 intestinal, auxiliando na redução da absorção de glicose pós-prandial. Contudo, historicamente, seu estudo de segurança (CANVAS) levantou alertas temporários sobre o risco de amputações de membros inferiores, um efeito que não foi observado de forma consistente com a Dapaglifozina ou Empaglifozina.

Registro na ANVISA

A Dapaglifozina está devidamente registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e atende a todas as exigências de fabricação, controle de qualidade e distribuição vigentes no território nacional.

  • Medicamento de Referência: Forxiga® (AstraZeneca do Brasil Ltda.)
  • Classe Terapêutica: Inibidores do Cotransportador Sódio-Glicose 2 (SGLT-2) / Antidiabéticos Orais.
  • Categoria de Dispensação: Medicamento de Venda sob Prescrição Médica. Exige a apresentação de receita médica comum (via única) no ato da compra. Não está sujeito a controle especial (portaria 344/98).
ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Dapaglifozina

Onde Comprar Dapaglifozina?

A Dapaglifozina (tanto o medicamento de referência Forxiga® quanto as suas versões genéricas equivalentes) pode ser facilmente adquirida em grandes redes de farmácias e drogarias físicas ou plataformas de e-commerce farmacêutico autorizadas em todo o Brasil.

Para a aquisição, é obrigatória a apresentação da receita médica simples (branca) emitida por médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Preço Médio e Acessibilidade

O preço da Dapaglifozina pode variar consideravelmente dependendo da dosagem (5 mg ou 10 mg), da quantidade de comprimidos na embalagem (geralmente 30 comprimidos para uso mensal), da região geográfica do país e da escolha entre a marca de referência ou o genérico:

  • Forxiga® 10 mg (30 comprimidos): O preço médio costuma variar entre R$ 130,00 e R$ 190,00.
  • Dapaglifozina Genérica 10 mg (30 comprimidos): Apresenta uma redução de preço significativa, flutuando geralmente entre R$ 80,00 e R$ 120,00, tornando-se uma opção altamente custo-efetiva para o tratamento contínuo de longo prazo.

Programa Farmácia Popular

É importante destacar que, devido à sua importância epidemiológica no controle de doenças crônicas graves, a Dapaglifozina foi incluída no programa Aqui Tem Farmácia Popular do Governo Federal. Pacientes que atendem aos critérios clínicos específicos estabelecidos pelas diretrizes do Ministério da Saúde (como diagnóstico de Diabetes Mellitus Tipo 2 associado a alto risco cardiovascular ou doença cardiovascular estabelecida) podem obter o medicamento com subsídios significativos ou até mesmo de forma totalmente gratuita nas farmácias credenciadas, mediante apresentação de receita médica atualizada do SUS ou rede privada, documento de identidade e CPF.

Onde comprar Dapaglifozina

Disponível em farmácias físicas e online.

Pergunte ao farmacêutico pelo genérico: o princípio ativo é o mesmo e a economia costuma passar de 50%. Verifique antes se a apresentação que você precisa exige receita.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 28/08/2026 e revisado em 28/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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