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Ansiolíticos e Antidepressivos

Diazepam

23 min de leitura Atualizado em 07/09/2026 Base ANVISA

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A ansiedade e os distúrbios do sono representam duas das maiores queixas clínicas na medicina moderna, afetando diretamente a qualidade de vida, a produtividade e a saúde mental de milhões de pessoas ao redor do mundo. Na busca por soluções farmacológicas eficazes e seguras para mitigar esses quadros, a história da medicina foi profundamente transformada na década de 1960 com o desenvolvimento dos benzodiazepínicos. Entre eles, o diazepam destaca-se como o padrão-ouro de sua classe, consolidando-se como um dos medicamentos mais prescritos, estudados e clinicamente bem-sucedidos da história da neuropsicofarmacologia.

Desenvolvido originalmente para substituir os antigos e altamente perigosos barbitúricos — que apresentavam um estreito índice terapêutico e alto risco de overdose fatal —, o diazepam trouxe uma revolução no tratamento de transtornos de ansiedade, espasmos musculares, crises convulsivas e abstinência alcoólica aguda. Sua versatilidade clínica, aliada a um perfil de segurança significativamente superior ao de seus antecessores, permitiu que médicos de diversas especialidades pudessem oferecer alívio rápido e eficaz para condições de sofrimento psíquico e neuromotor agudo.

Neste artigo técnico e aprofundado, elaborado pela equipe de especialistas do Bularium, exploraremos detalhadamente todas as dimensões do diazepam. Abordaremos desde suas propriedades moleculares e farmacocinéticas até suas diretrizes de posologia, potenciais efeitos colaterais, interações medicamentosas complexas e os cuidados essenciais que devem ser tomados ao prescrever ou utilizar este potente psicotrópico. Compreender o funcionamento do diazepam é fundamental para garantir o sucesso terapêutico e minimizar os riscos associados à dependência e à tolerância.

O que é Diazepam?

O diazepam é um fármaco pertencente à classe dos benzodiazepínicos, caracterizado por apresentar propriedades ansiolíticas, sedativas, hipnóticas, anticonvulsivantes e relaxantes musculares de ação prolongada. Quimicamente, trata-se do 7-cloro-1,3-di-hidro-1-metil-5-fenil-2H-1,4-benzodiazepina-2-ona. Sua descoberta remonta ao final dos anos 1950 pelo químico Leo Sternbach nos laboratórios da gigante farmacêutica Hoffmann-La Roche. Aprovado pelo FDA norte-americano em 1963 sob o icônico nome comercial Valium, o medicamento rapidamente se tornou um fenômeno de vendas global, definindo a era dos modernos tratamentos de saúde mental.

No Brasil, o diazepam é aprovado e regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Devido ao seu potencial de causar dependência física e psíquica, bem como tolerância com o uso prolongado, ele é classificado como uma substância sob controle especial. A sua dispensação exige receita médica do tipo B (azul), de controle especial, com retenção de receita na farmácia, garantindo que o uso seja estritamente monitorado por profissionais de saúde habilitados.

Atualmente, o diazepam está amplamente disponível no mercado farmacêutico brasileiro em diversas formas farmacêuticas e concentrações, permitindo a personalização do tratamento de acordo com a necessidade clínica do paciente:

  • Comprimidos: Disponíveis nas concentrações de 5 mg e 10 mg, indicados principalmente para o tratamento de manutenção de distúrbios de ansiedade, espasmos musculares e controle de crises convulsivas recorrentes por via oral.
  • Solução Injetável (Ampolas): Geralmente na concentração de 10 mg em ampolas de 2 mL (5 mg/mL), para administração por via intravenosa (IV) ou intramuscular (IM). Esta apresentação é reservada para emergências médicas, como o status epilepticus, sedação pré-operatória, crises de pânico refratárias e controle de sintomas graves de abstinência alcoólica (delirium tremens).

Mecanismo de Ação

O diazepam exerce seus efeitos terapêuticos por meio de uma modulação alostérica positiva dos receptores do ácido gama-aminobutírico tipo A (GABA_A), o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central (SNC) dos mamíferos. Ao contrário de outros agentes que estimulam diretamente os receptores, os benzodiazepínicos dependem da presença do GABA endógeno para exercer sua atividade, o que confere a essa classe um perfil de segurança muito superior ao dos barbitúricos.

O receptor GABA_A é um canal iônico pentamérico transmembrana, composto tipicamente por duas subunidades alfa (α), duas beta (β) e uma gama (γ). O diazepam liga-se especificamente fendas hidrofóbicas localizadas na interface entre as subunidades α e γ (especificamente aquelas que contêm resíduos de histidina nas posições α_1, α_2, α_3 e α_5). Essa ligação não ativa diretamente o canal, mas induz uma mudança conformacional que aumenta significativamente a afinidade do receptor pelo neurotransmissor GABA.

Com o aumento da afinidade, ocorre um aumento na frequência de abertura do canal de cloro associado ao receptor. O influxo resultante de íons cloreto (Cl^-) para o interior do neurônio pós-sináptico promove a hiperpolarização da membrana celular. Esse estado hiperpolarizado torna o neurônio menos suscetível a estímulos despolarizantes, elevando o limiar de disparo do potencial de ação e, consequentemente, diminuindo a excitabilidade neuronal global no cérebro e na medula espinhal.

Efeitos Farmacológicos Associados às Subunidades do Receptor

Diferentes subunidades do receptor GABA_A são responsáveis pelos diversos efeitos farmacológicos observados com a administração do diazepam:

  • Subunidade α_1: Media os efeitos sedativos, hipnóticos, amnésicos anterógrados e, parcialmente, as propriedades anticonvulsivantes.
  • Subunidade α_2 e α_3: Responsáveis primárias pelas propriedades ansiolíticas e pelo relaxamento muscular central.
  • Subunidade α_5: Envolvida nos efeitos cognitivos, relaxamento muscular e processos de consolidação da memória.

Ao atuar nessas diferentes vias, o diazepam reduz a atividade excessiva no sistema límbico (aliviando a ansiedade), diminui a atividade motora na medula espinhal e nos gânglios da base (promovendo relaxamento muscular), inibe a propagação de descargas elétricas anormais no córtex cerebral (ação anticonvulsivante) e induz o sono ao atuar sobre o sistema ativador reticular ascendente (SARA).

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Farmacocinética e Farmacodinâmica

A farmacocinética do diazepam é caracterizada por uma rápida absorção, ampla distribuição tecidual, metabolismo hepático complexo com geração de metabólitos ativos e uma meia-vida de eliminação prolongada, o que o classifica como um benzodiazepínico de ação longa.

Absorção

Após a administração por via oral, o diazepam é rápida e quase completamente absorvido pelo trato gastrointestinal, apresentando uma biodisponibilidade absoluta de aproximadamente 93% a 100%. O pico de concentração plasmática (C_max) é atingido entre 30 a 90 minutos após a ingestão em jejum. Quando administrado juntamente com refeições ricas em gorduras, a taxa de absorção pode ser retardada, prolongando o tempo para atingir o pico plasmático (T_max), embora a quantidade total absorvida (área sob a curva – AUC) não seja significativamente alterada.

Distribuição

O diazepam é uma molécula altamente lipofílica, o que permite sua rápida passagem através da barreira hematoencefálica e da barreira placentária, além de ser excretado no leite materno. O volume de distribuição no estado de equilíbrio (V_d) é elevado, variando de 0,8 a 2,0 L/kg, refletindo sua ampla distribuição nos tecidos adiposos do organismo. A taxa de ligação às proteínas plasmáticas é extremamente alta, de aproximadamente 98% a 99%, ligando-se predominantemente à albumina sérica.

Devido à sua alta lipofilicidade, o diazepam apresenta uma cinética de distribuição bifásica após administração intravenosa: uma fase de distribuição inicial rápida (meia-vida de distribuição de cerca de 1 hora), onde o fármaco entra rapidamente nos órgãos altamente vascularizados como o cérebro, seguida por uma fase de redistribuição mais lenta para os tecidos adiposos e musculares, o que pode limitar a duração do seu efeito terapêutico agudo após uma única dose injetável.

Metabolismo (Biotransformação)

O diazepam é extensamente metabolizado no fígado através do sistema enzimático do citocromo P450 (CYP450). As principais vias metabólicas envolvem as isoenzimas CYP3A4 e CYP2C19. O processo de biotransformação ocorre em etapas sucessivas, gerando três metabólitos ativos de grande relevância clínica:

  1. N-desmetildiazepam (Nordiazepam): Formado via N-desmetilação (principalmente por CYP2C19 e CYP3A4). É o metabólito ativo mais importante, apresentando uma meia-vida extremamente longa de 30 a 100 horas.
  2. Temazepam: Formado via 3-hidroxilação (principalmente por CYP3A4). É um metabólito ativo com meia-vida de 10 a 20 horas.
  3. Oxazepam: Formado pela hidroxilação do nordiazepam ou desmetilação do temazepam. É um metabólito ativo de eliminação mais rápida (meia-vida de 5 a 15 horas), que é posteriormente conjugado com ácido glicurônico para excreção.

A presença desses metabólitos ativos de longa duração explica por que os efeitos terapêuticos — e eventuais efeitos colaterais, como a sonolência residual (“ressaca”) — podem persistir por vários dias após a descontinuação do tratamento, especialmente em regimes de doses múltiplas onde ocorre acúmulo sistêmico.

Excreção

O diazepam e seus metabólitos são excretados predominantemente pelos rins (cerca de 70% a 80%) na forma de conjugados glicuronídeos inativos. Menos de 1% da dose administrada é excretada de forma inalterada na urina. A depuração plasmática (clearance) do diazepam é de cerca de 20 a 30 mL/min.

A meia-vida de eliminação terminal do diazepam propriamente dito varia de 20 a 50 horas em adultos jovens saudáveis. No entanto, esse valor pode ser significativamente prolongado em idosos (podendo ultrapassar 100 horas), recém-nascidos e pacientes com insuficiência hepática grave, exigindo cautela extrema e ajuste rigoroso das doses nessas populações.

Indicações Terapêuticas

O diazepam possui um amplo espectro de indicações clínicas aprovadas pela ANVISA e amplamente respaldadas pela literatura médica internacional. Suas principais aplicações incluem:

1. Transtornos de Ansiedade e Alívio de Sintomas de Ansiedade

Indicado para o controle de curto prazo de distúrbios de ansiedade clinicamente significativos, ansiedade associada a quadros depressivos e manifestações somáticas ou psicofisiológicas da ansiedade. Devido ao risco de dependência, o uso deve ser restrito ao menor período de tempo possível, geralmente não excedendo 8 a 12 semanas, incluindo o período de desmame gradual.

2. Espasmos Musculares e Distúrbios Neuromotores

O diazepam atua de forma eficaz como relaxante muscular de ação central. É indicado para aliviar espasmos musculares decorrentes de traumas locais (contusões, estiramentos, inflamações articulares) e espasticidade crônica associada a patologias neurológicas graves, tais como paralisia cerebral, paraplegia, esclerose múltipla, tétano e atetose.

3. Crises Convulsivas e Estado de Mal Epiléptico

Utilizado como terapia adjuvante no tratamento de distúrbios convulsivos. A forma injetável (intravenosa) é considerada uma das opções de primeira linha no manejo agudo do status epilepticus (estado de mal epiléptico), uma emergência médica caracterizada por crises convulsivas prolongadas ou repetitivas sem recuperação da consciência entre elas.

4. Síndrome de Abstinência Alcoólica Aguda

No manejo de pacientes em processo de desintoxicação alcoólica, o diazepam é fundamental para o controle dos sintomas de abstinência, como agitação psicomotora extrema, tremores, alucinações iminentes e prevenção de convulsões por privação de álcool. É também utilizado no tratamento do delirium tremens.

5. Medicação Pré-Anestésica e Sedação Consciente

Administrado antes de procedimentos cirúrgicos, odontológicos ou exames diagnósticos invasivos (como endoscopia e colonoscopia) para reduzir a ansiedade, promover sedação leve a moderada e induzir amnésia anterógrada, facilitando a realização do procedimento e melhorando o conforto do paciente.

Uso Off-Label

Embora não conste formalmente em bula para tais fins, o diazepam é por vezes utilizado de forma off-label no manejo de curto prazo de vertigens agudas graves (devido ao seu efeito supressor sobre o sistema vestibular) e em protocolos específicos de facilitação de cateterismo uretral em pacientes com espasmo do esfíncter urinário.

Posologia e Forma de Uso

A posologia do diazepam deve ser estritamente individualizada pelo médico assistente, levando em consideração a indicação clínica, a gravidade dos sintomas, a idade do paciente, o peso corporal e a presença de comorbidades renais ou hepáticas. O princípio fundamental da prescrição de benzodiazepínicos deve ser sempre seguido: utilizar a menor dose eficaz pelo menor período de tempo possível.

Orientações de Administração

  • Via Oral: Os comprimidos devem ser deglutidos inteiros com água, independentemente das refeições. Não devem ser mastigados ou triturados.
  • Via Intravenosa (IV): Deve ser administrada lentamente (não excedendo 5 mg/min ou 1 mL/min em adultos) em veia de grande calibre para reduzir o risco de tromboflebite e depressão respiratória aguda. Não deve ser diluída em soluções de infusão contínua (como soro fisiológico ou glicosado), pois o diazepam é altamente insolúvel em água e pode precipitar na solução.
  • Via Intramuscular (IM): A absorção por esta via é errática e mais lenta do que por via oral ou intravenosa, devendo ser reservada apenas para situações onde a via oral ou IV sejam impossíveis de serem utilizadas. A injeção deve ser profunda no músculo deltoide ou glúteo.

Contraindicações

O uso do diazepam é estritamente contraindicado em diversas situações clínicas onde os riscos superam significativamente quaisquer potenciais benefícios terapêuticos. As principais contraindicações absolutas e relativas incluem:

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade conhecida: Pacientes com histórico de reações alérgicas ao diazepam, a qualquer outro benzodiazepínico ou aos componentes da formulação (como lactose nos comprimidos).
  • Miastenia Gravis: Doença neuromuscular autoimune caracterizada por fraqueza muscular extrema. O efeito relaxante muscular central do diazepam pode agravar criticamente a fraqueza muscular e precipitar crises miastênicas graves.
  • Insuficiência Respiratória Grave: Devido ao risco de depressão respiratória central acentuada, o diazepam não deve ser utilizado em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) descompensada ou insuficiência respiratória aguda.
  • Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS): O fármaco relaxa a musculatura das vias aéreas superiores e diminui a resposta ventilatória à hipercapnia e hipóxia, podendo prolongar e agravar os episódios de apneia durante o sono.
  • Insuficiência Hepática Grave (Child-Pugh Classe C): Como o diazepam é extensamente metabolizado pelo fígado, a insuficiência hepática grave reduz drasticamente sua depuração, levando ao acúmulo do fármaco e de seus metabólitos ativos, o que pode precipitar ou agravar a encefalopatia hepática.
  • Glaucoma de Ângulo Estreito Agudo: Embora possa ser usado em pacientes com glaucoma de ângulo aberto sob tratamento adequado, é contraindicado no glaucoma de ângulo estreito não tratado devido a potenciais efeitos antichoque fracos que podem aumentar a pressão intraocular.

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Histórico de Abuso de Substâncias: Pacientes com histórico de dependência de álcool, opioides ou outras drogas ilícitas apresentam risco significativamente maior de desenvolver dependência ao diazepam.
  • Depressão do SNC Pré-existente: Pacientes em estado de coma, choque ou intoxicação alcoólica aguda não devem receber diazepam devido ao risco de sinergismo deletério sobre as funções vitais.

Efeitos Colaterais

Os efeitos colaterais do diazepam estão diretamente relacionados à sua ação farmacológica de depressão do sistema nervoso central e tendem a ser dose-dependentes. Muitos desses efeitos manifestam-se no início do tratamento e podem diminuir de intensidade com a continuação do uso ou após a redução da dose.

Tolerância, Dependência e Síndrome de Abstinência

O uso contínuo de diazepam por mais de algumas semanas pode levar ao desenvolvimento de:

  • Tolerância: Necessidade de doses progressivamente maiores para obter o mesmo efeito terapêutico inicial.
  • Dependência Física e Psíquica: O risco aumenta com a dose e a duração do tratamento. A interrupção abrupta do uso pode desencadear uma síndrome de abstinência grave, caracterizada por ansiedade de rebote, insônia, tremores, sudorese, cefaleia, dores musculares, irritabilidade extrema, confusão mental e, em casos graves, convulsões generalizadas e psicose. Portanto, a descontinuação deve ser sempre realizada por meio de uma redução gradual e programada da dose (desmame).

Interações Medicamentosas

O diazepam apresenta um potencial significativo para interações medicamentosas farmacodinâmicas e farmacocinéticas, que podem resultar em aumento da toxicidade, sedação excessiva ou perda de eficácia terapêutica.

Interações Farmacodinâmicas (Sinergismo de Depressão do SNC)

A coadministração de diazepam com outras substâncias depressoras do sistema nervoso central resulta em um efeito aditivo ou sinérgico potente, que pode levar a sedação profunda, depressão respiratória, coma e óbito. Deve-se evitar a associação com:

  • Álcool (Etanol): O consumo de bebidas alcoólicas ou medicamentos contendo álcool potencializa drasticamente os efeitos sedativos do diazepam, comprometendo gravemente a coordenação motora, o julgamento e a função respiratória.
  • Opioides (Analgésicos e Antitussígenos): A combinação de benzodiazepínicos e opioides aumenta exponencialmente o risco de depressão respiratória profunda e sedação profunda. Essa associação deve ser reservada apenas para cenários onde não existam alternativas terapêuticas adequadas.
  • Outros Psicotrópicos: Antidepressivos sedativos (como amitriptilina, mirtazapina), antipsicóticos, outros ansiolíticos/hipnóticos, anestésicos gerais e anti-histamínicos de primeira geração (sedativos).

Interações Farmacocinéticas (Inibidores e Indutores Enzimáticos)

Como o diazepam é metabolizado pelas isoenzimas CYP3A4 e CYP2C19, substâncias que alteram a atividade dessas enzimas modificam suas concentrações plasmáticas:

  • Inibidores Enzimáticos (Aumentam os níveis de diazepam): Medicamentos como cimetidina, omeprazol, cetoconazol, itraconazol, eritromicina, fluoxetina e fluvoxamina inibem o metabolismo do diazepam, prolongando sua meia-vida e elevando o risco de efeitos adversos e toxicidade acumulada.
  • Indutores Enzimáticos (Diminuem os níveis de diazepam): Fármacos como rifampicina, carbamazepina, fenitoína e fenobarbital induzem as enzimas microssomais hepáticas, acelerando a depuração do diazepam e reduzindo sua eficácia clínica.

Uso em Populações Especiais

A prescrição de diazepam requer cuidados e ajustes posológicos rigorosos ao ser direcionada a grupos populacionais específicos que apresentam alterações na farmacocinética ou maior sensibilidade farmacodinâmica ao medicamento.

Idosos (População Geriátrica)

Os idosos são significativamente mais sensíveis aos efeitos do diazepam devido a alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento, como o aumento da massa gorda relativa (que amplia o volume de distribuição e prolonga a meia-vida do fármaco para além de 100 horas) e a redução da função hepática e renal. O uso de diazepam em idosos está associado a um risco elevado de:

  • Sedação excessiva e confusão mental (quadros de delirium).
  • Ataxia, tonturas e perda de equilíbrio, aumentando exponencialmente o risco de quedas e fraturas de fêmur.
  • Prejuízo cognitivo e psicomotor.

Portanto, o diazepam consta nos Critérios de Beers como um medicamento potencialmente inapropriado para idosos. Caso o uso seja estritamente necessário, as doses iniciais devem ser reduzidas a, no máximo, 50% da dose recomendada para adultos jovens, com monitoramento clínico contínuo.

Gestantes e Lactantes

O diazepam atravessa livremente a placenta. É classificado na Categoria D de risco na gravidez. Estudos epidemiológicos sugerem um risco aumentado de malformações congênitas (como fenda palatina e lábio leporino) quando benzodiazepínicos são administrados durante o primeiro trimestre de gestação.

A administração de doses elevadas ou o uso crônico de diazepam no terceiro trimestre de gestação pode resultar em:

  • Síndrome do Bebê Flácido (Floppy Infant Syndrome): Caracterizada por hipotonia muscular, hipotermia, letargia, dificuldades de sucção e depressão respiratória moderada no recém-nascido.
  • Síndrome de Abstinência Neonatal: Sintomas de abstinência física (irritabilidade, tremores, choro inconsolável) que se manifestam nos primeiros dias após o nascimento.

O diazepam é excretado no leite materno em quantidades clinicamente significativas. O aleitamento materno é contraindicado durante o uso regular de diazepam, pois pode causar sedação excessiva, perda de peso e letargia no lactente.

Pacientes com Insuficiência Hepática ou Renal

Em pacientes com cirrose ou insuficiência hepática de leve a moderada, a depuração do diazepam é reduzida, exigindo redução da dose e aumento dos intervalos entre as administrações. Na insuficiência hepática grave, seu uso é contraindicado pelo risco de encefalopatia.

Na insuficiência renal, embora a eliminação do diazepam inalterado seja mínima, seus metabólitos ativos podem acumular-se. Recomenda-se cautela e monitoramento em pacientes com taxa de filtração glomerular muito reduzida.

Superdosagem

A superdosagem isolada de diazepam raramente apresenta risco de morte em adultos saudáveis. No entanto, quando consumido em associação com outros depressores do SNC, especialmente álcool, opioides ou barbitúricos, o risco de complicações graves e óbito aumenta exponencialmente.

Sintomas de Superdosagem

  • Leves a Moderados: Sonolência profunda, confusão mental, letargia, ataxia, disartria (fala arrastada), hipotonia muscular e nistagmo.
  • Graves: Depressão respiratória profunda, hipotensão arterial, bradicardia, arreflexia, coma e colapso cardiovascular.

Tratamento e Conduta Médica

O manejo da superdosagem de diazepam deve ser realizado em ambiente hospitalar de urgência e envolve medidas de suporte à vida e monitoramento intensivo:

  1. Manutenção das Vias Aéreas: Garantir ventilação adequada e oxigenação. A intubação endotraqueal pode ser necessária em casos de depressão respiratória grave ou coma.
  2. Descontaminação Gastrointestinal: A lavagem gástrica ou a administração de carvão ativado podem ser consideradas se o paciente se apresentar dentro de 1 a 2 horas após a ingestão de uma dose potencialmente tóxica, desde que as vias aéreas estejam protegidas.
  3. Monitoramento Hemodinâmico: Controle rigoroso da pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio.
  4. Antídoto Específico (Flumazenil): O flumazenil é um antagonista competitivo dos receptores benzodiazepínicos, capaz de reverter rapidamente os efeitos sedativos e a depressão respiratória induzida pelo diazepam. No entanto, o flumazenil deve ser usado com extrema cautela. Ele é estritamente contraindicado em pacientes com epilepsia sob tratamento crônico com benzodiazepínicos ou em casos de superdosagem mista envolvendo antidepressivos tricíclicos, pois a reversão abrupta pode precipitar convulsões refratárias de difícil controle.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

O diazepam, por ser uma molécula madura e amplamente estabelecida na terapêutica médica, possui uma vasta gama de medicamentos genéricos e similares disponíveis no mercado brasileiro. A intercambialidade entre o medicamento de referência, os genéricos e os similares equivalentes é garantida pelos testes de bioequivalência e biodisponibilidade exigidos pela ANVISA.

O medicamento de referência histórico do diazepam é o Valium®, desenvolvido pela Hoffmann-La Roche. Embora o Valium continue sendo o padrão comparativo de eficácia, os medicamentos genéricos produzidos por laboratórios renomados oferecem a mesma eficácia clínica a um custo significativamente mais acessível para a população.

Os principais laboratórios farmacêuticos que comercializam o diazepam genérico no Brasil incluem:

  • EMS S/A
  • Medley Indústria Farmacêutica
  • Eurofarma Laboratórios
  • Neo Química
  • Teuto Brasileiro
  • Prati-Donaduzzi

Além dos genéricos, existem medicamentos similares equivalentes (EQ) que possuem nomes comerciais próprios, mas utilizam o diazepam como princípio ativo na mesma concentração e forma farmacêutica, devendo também ser dispensados mediante a apresentação da receita de controle especial retida.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

Embora todos os benzodiazepínicos compartilhem o mesmo mecanismo básico de ação molecular, eles diferem significativamente em termos de potência, velocidade de início de ação (lipofilicidade) e meia-vida de eliminação. Essas diferenças farmacocinéticas determinam as indicações clínicas preferenciais de cada agente.

O diazepam destaca-se por sua alta lipofilicidade, o que garante um início de ação extremamente rápido (ideal para emergências convulsivas ou crises de pânico agudas), e por sua meia-vida muito longa, que previne flutuações rápidas nos níveis plasmáticos e reduz a gravidade dos sintomas de ansiedade de rebote entre as doses, facilitando o processo de desmame em comparação com benzodiazepínicos de ação curta.

Registro na ANVISA

O diazepam está devidamente registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e seu uso é regulamentado pela Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998, que aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial.

Sob esta regulamentação, o diazepam está incluído na Lista B1 (Substâncias Psicotrópicas). Isso implica que sua prescrição e dispensação estão sujeitas às seguintes regras estritas no território nacional:

  • Tipo de Receita: Notificação de Receita B (cor azul).
  • Validade da Receita: 30 dias a partir da data de emissão, válida apenas na unidade federativa (Estado) de emissão, ou acompanhada de justificativa médica para aquisição em outro Estado.
  • Quantidade Máxima Dispensada: Quantidade suficiente para, no máximo, 60 dias de tratamento por receita. Em caso de formulações injetáveis, a quantidade é limitada a 5 ampolas por prescrição.
  • Retenção de Receita: A farmácia ou drogaria deve reter obrigatoriamente a Notificação de Receita B e registrar a transação no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC).
ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

🔗 Consultar no Bulário Eletrônico da ANVISA

Perguntas Frequentes sobre Diazepam

Onde Comprar Diazepam?

O diazepam é um medicamento de tarja preta que só pode ser adquirido em farmácias e drogarias físicas devidamente licenciadas pela Vigilância Sanitária local e credenciadas junto ao SNGPC. Devido à exigência legal de retenção da Notificação de Receita B (Azul) original, preenchida sem rasuras pelo médico assistente, é proibida a venda de diazepam pela internet ou através de plataformas de e-commerce sem a apresentação física prévia da receita.

Ao se dirigir a uma farmácia para adquirir o diazepam, certifique-se de que a receita médica contenha todos os dados obrigatórios preenchidos de forma legível:

  • Identificação do emitente (nome do médico, CRM e endereço do consultório).
  • Nome completo e endereço do paciente.
  • Nome do medicamento (preferencialmente pela Denominação Comum Brasileira – DCB), dosagem, forma farmacêutica e quantidade total de unidades.
  • Instruções de uso claras (posologia).
  • Data de emissão, assinatura e carimbo do médico.

O preço médio do diazepam pode variar significativamente dependendo da região do país, da apresentação do medicamento (5 mg ou 10 mg), da quantidade de comprimidos por embalagem e se o produto escolhido é o de referência (Valium) ou um genérico. Em geral, as versões genéricas do diazepam apresentam excelente custo-benefício, tornando o tratamento acessível para a maior parte da população.

Onde comprar Diazepam

Disponível em farmácias físicas e online.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 07/09/2026 e revisado em 07/09/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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