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Antibióticos

Cefalexina

22 min de leitura Atualizado em 10/08/2026 Base ANVISA

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A cefalexina é um dos antimicrobianos mais prescritos e consolidados na história da medicina moderna. Pertencente à classe das cefalosporinas de primeira geração, este fármaco desempenha um papel fundamental na prática clínica diária, sendo amplamente utilizado tanto no ambiente hospitalar quanto na atenção primária à saúde. Trata-se de um antibacteriano de caráter bactericida, cujo desenvolvimento representou um marco na terapia contra patógenos Gram-positivos e alguns Gram-negativos específicos, oferecendo uma alternativa oral altamente eficaz e segura para o tratamento de infecções comunitárias.

Desde a sua introdução no mercado farmacêutico global na década de 1970, a cefalexina mantém-se como uma ferramenta de primeira linha para o manejo de infecções cutâneas, urinárias e do trato respiratório. A sua estabilidade frente às beta-lactamases estafilocócicas e o seu perfil farmacocinético favorável, caracterizado por excelente absorção oral e ampla distribuição tecidual, justificam sua longevidade terapêutica. Para profissionais de saúde e pacientes, compreender a fundo suas propriedades farmacológicas, indicações precisas, dosagens adequadas e potenciais efeitos adversos é indispensável para garantir o uso racional deste medicamento e mitigar o avanço da resistência bacteriana.

O que é Cefalexina?

A cefalexina é um antibiótico semissintético de administração oral pertencente à primeira geração das cefalosporinas, uma classe de agentes beta-lactâmicos estruturalmente e farmacologicamente relacionados às penicilinas. Quimicamente, ela é identificada como ácido (6R,7R)-7-[[(2R)-2-amino-2-fenilacetil]amino]-3-metil-8-oxo-5-tia-1-azabiciclo[4.2.0]oct-2-eno-2-carboxílico mono-hidratado. A presença do núcleo cefem (um anel beta-lactâmico fundido a um anel di-idrotiazínico de seis membros) confere a este fármaco uma maior estabilidade contra a hidrólise por certas enzimas bacterianas (beta-lactamases) em comparação com as penicilinas naturais.

A história da cefalexina remonta ao final da década de 1960 e início de 1970, quando foi desenvolvida pela companhia farmacêutica Eli Lilly como um derivado ativo por via oral da cefalotina. Sua aprovação pelo órgão regulador norte-americano (FDA) ocorreu em 1971 sob o nome comercial Keflex®, que rapidamente se tornou uma das marcas de antibióticos mais conhecidas do mundo. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) registra o medicamento há décadas, estando ele consolidado no mercado nacional através de diversas marcas de referência, similares e uma vasta gama de genéricos.

Atualmente, a cefalexina mono-hidratada está disponível nas farmácias brasileiras em diferentes formas farmacêuticas para atender às necessidades de variados grupos de pacientes:

  • Comprimidos revestidos ou drágeas: nas concentrações de 500 mg e 1 g, indicados principalmente para o público adulto e pediátrico acima de 12 anos.
  • Cápsulas duras: comumente na dosagem de 500 mg.
  • Pó para suspensão oral (após reconstituição): nas concentrações de 250 mg/5 mL e 500 mg/5 mL, ideal para uso pediátrico, idosos com disfagia ou pacientes com dificuldade de deglutição de formas sólidas.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação da cefalexina baseia-se na inibição da síntese da parede celular bacteriana, uma estrutura essencial para a sobrevivência, integridade osmótica e replicação das bactérias. Por ser um agente bactericida, a cefalexina não apenas impede o crescimento bacteriano, mas promove a lise e morte do microrganismo alvo.

Para exercer seu efeito, a cefalexina penetra através da parede celular bacteriana e liga-se covalentemente a receptores enzimáticos específicos localizados na membrana citoplasmática interna, conhecidos como Proteínas de Ligação à Penicilina (PBPs – Penicillin-Binding Proteins). Estas PBPs (especialmente as PBPs 1, 2 e 3) são enzimas transpeptidases, carboxipeptidases e endopeptidases responsáveis pelas etapas finais de montagem e cross-linking (ligação cruzada) do peptideoglicano, o principal polímero estrutural que confere rigidez à parede celular.

Ao se ligar e inativar as PBPs, a cefalexina bloqueia a reação de transpeptidação, impedindo a formação das pontes de ligações cruzadas entre as cadeias de peptideoglicano. Com a parede celular enfraquecida e incapaz de suportar a elevada pressão osmótica interna da bactéria, ocorre a ativação de enzimas autolíticas bacterianas endógenas (autolisinas e hidrolases de peptideoglicano). Este processo resulta na ruptura física da membrana e na consequente lise celular.

Espectro de Ação Antimicrobiana

A cefalexina possui um espectro de ação direcionado principalmente a patógenos Gram-positivos, apresentando também atividade moderada contra alguns Gram-negativos:

  • Bactérias Gram-positivas sensíveis: Staphylococcus aureus (cepas produtoras e não produtoras de penicilinase, desde que sejam sensíveis à meticilina/oxacilina – MSSA), Staphylococcus epidermidis, Streptococcus pneumoniae, Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A) e outros estreptococos beta-hemolíticos.
  • Bactérias Gram-negativas sensíveis: Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis e Haemophilus influenzae (embora muitas cepas de H. influenzae apresentem sensibilidade intermediária ou resistência).

É fundamental destacar que a cefalexina não possui atividade contra Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), enterococos (como Enterococcus faecalis), Pseudomonas aeruginosa, espécies de Enterobacter, Serratia, Morganella morganii e bactérias anaeróbias estritas, como o Bacteroides fragilis.

⚗️ Como Funciona no Organismo?

Farmacocinética e Farmacodinâmica

O perfil farmacocinético da cefalexina é caracterizado por uma excelente absorção e previsibilidade biológica, o que a torna um fármaco altamente confiável para a terapia por via oral.

Absorção

A cefalexina é ácido-estável, o que significa que ela não é degradada pelo suco gástrico após a administração oral. Ela é rápida e quase completamente absorvida no trato gastrointestinal superior (principalmente no duodeno). A biodisponibilidade oral da cefalexina é superior a 90%.

A ingestão de alimentos junto com o medicamento pode atrasar ligeiramente a taxa de absorção, resultando em um pico de concentração plasmática ligeiramente menor e mais tardio; contudo, a quantidade total de fármaco absorvida (Área Sob a Curva – AUC) não é significativamente alterada. Em jejum, os picos de concentração plasmática (Cmax) de aproximadamente 9 mcg/mL (após dose de 250 mg) e 18 mcg/mL (após dose de 500 mg) são atingidos em cerca de 1 hora após a administração.

Distribuição

Uma vez na circulação sistêmica, a cefalexina apresenta baixa taxa de ligação às proteínas plasmáticas (aproximadamente 10% a 15%). O volume aparente de distribuição é de cerca de 15 a 18 litros, demonstrando uma excelente penetração na maioria dos tecidos e fluidos corporais, incluindo:

  • Pele e tecido subcutâneo;
  • Líquido pleural, sinovial e pericárdico;
  • Tecido ósseo e articular;
  • Bile;
  • Esputo e secreções brônquicas.

A cefalexina atravessa a barreira placentária e é excretada em baixas concentrações no leite materno. No entanto, em condições normais (sem inflamação das meninges), a cefalexina apresenta penetração insignificante no líquido cefalorraquidiano (LCR), não sendo indicada para o tratamento de meningites.

Metabolismo e Excreção

A cefalexina não sofre metabolismo hepático significativo, sendo eliminada de forma inalterada (ativa) pelo organismo. A principal via de excreção é a renal, ocorrendo por meio de filtração glomerular e secreção tubular ativa. Cerca de 80% a 100% de uma dose oral é recuperada na urina nas primeiras 8 horas após a administração. Isso resulta em concentrações urinárias extremamente elevadas (frequentemente superiores a 1.000 mcg/mL após uma dose de 500 mg), o que explica sua grande eficácia no tratamento de infecções do trato urinário inferior.

A meia-vida de eliminação plasmática (t½) em adultos com função renal normal é de aproximadamente 45 a 60 minutos. Em recém-nascidos, a meia-vida pode ser prolongada (até 5 horas) devido à imaturidade renal. Em pacientes com insuficiência renal crônica grave, a meia-vida pode estender-se substancialmente (até 20 a 30 horas), exigindo ajustes posológicos rigorosos.

Indicações Terapêuticas

A cefalexina é indicada para o tratamento de infecções de gravidade leve a moderada causadas por cepas de microrganismos sensíveis. Suas principais aplicações clínicas aprovadas pela ANVISA incluem:

1. Infecções da Pele e Tecidos Moles

É uma das indicações mais comuns da cefalexina devido à sua excelente cobertura contra Staphylococcus aureus MSSA e Streptococcus pyogenes. É utilizada no tratamento de:

  • Erisipela e celulite não complicada;
  • Impetigo, ectima e foliculite;
  • Abscessos cutâneos (geralmente como adjuvante após drenagem cirúrgica);
  • Furunculose e carbúnculos;
  • Infecções de feridas cirúrgicas ou traumáticas secundárias.

2. Infecções do Trato Urinário (ITU)

Devido à sua alta concentração na urina, é indicada para o tratamento de cistites agudas não complicadas e uretrites causadas por Escherichia coli, Pr. mirabilis e Klebsiella pneumoniae. Embora seja eficaz, as diretrizes atuais costumam reservá-la como terapia de segunda linha ou baseada em urocultura, devido ao aumento global da resistência de Gram-negativos.

3. Infecções do Trato Respiratório

Indicada no manejo de infecções das vias aéreas superiores e inferiores causadas por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A e S. pneumoniae:

  • Faringite e amigdalite estreptocócica (frequentemente prescrita para pacientes com hipersensibilidade tardia ou não anafilática às penicilinas);
  • Sinusite bacteriana aguda;
  • Exacerbação bacteriana de bronquite crônica;
  • Pneumonia adquirida na comunidade (casos leves).

4. Otite Média Aguda

Utilizada no tratamento de infecções do ouvido médio em crianças e adultos, causadas principalmente por Streptococcus pneumoniae e outros patógenos sensíveis, embora não seja a primeira escolha quando há suspeita de alta prevalência de Haemophilus influenzae produtor de beta-lactamase.

5. Infecções Ósseas e Articulares

Indicada para o tratamento de osteomielite e artrite infecciosa causadas por Staphylococcus aureus sensível, frequentemente como terapia de transição oral após tratamento inicial por via intravenosa com outra cefalosporina.

Uso Off-Label e Profilaxia

Clinicamente, a cefalexina também é empregada em regime off-label para a profilaxia de infecções recorrentes do trato urinário em mulheres adultas e na prevenção de endocardite bacteriana em pacientes de risco submetidos a procedimentos odontológicos, quando estes são alérgicos à amoxicilina (desde que não apresentem histórico de anafilaxia a beta-lactâmicos).

Posologia e Forma de Uso

A administração da cefalexina é exclusivamente por via oral. Recomenda-se que o medicamento seja tomado preferencialmente com o estômago vazio (1 hora antes ou 2 horas após as refeições) para otimizar a velocidade de absorção, embora possa ser administrado com alimentos em pacientes que apresentem desconforto gástrico significativo.

Posologia para Adultos

A dose padrão para adultos varia de 1 g a 4 g diários, divididos em tomadas a cada 6 ou 12 horas, dependendo da gravidade e do sítio da infecção:

  • Faringite estreptocócica, infecções de pele e cistite não complicada: a dose usual é de 500 mg a cada 12 horas. Para infecções mais graves ou causadas por organismos menos sensíveis, doses de 500 mg a cada 6 horas ou 1 g a cada 12 horas podem ser necessárias.
  • Infecções graves (ex: osteomielite): doses de até 1 g a cada 6 horas (4 g/dia) podem ser prescritas. Caso doses diárias superiores a 4 g sejam necessárias, deve-se considerar a transição para uma cefalosporina de uso parenteral (intravenoso ou intramuscular).

Posologia Pediátrica

Para crianças, a dose é calculada com base no peso corporal. A faixa terapêutica padrão é de 25 a 50 mg/kg/dia, dividida em 2 a 4 tomadas:

  • Infecções leves a moderadas: 25 a 50 mg/kg/dia divididos em doses iguais a cada 12 horas (para pele e faringite) ou a cada 6 horas.
  • Infecções graves ou otite média: a dose pode ser duplicada para 75 a 100 mg/kg/dia, dividida em 4 tomadas diárias (máximo de 4 g/dia).

Ajuste de Dose na Insuficiência Renal

Como a cefalexina é eliminada por via renal, pacientes com disfunção renal significativa necessitam de ajuste posológico para evitar o acúmulo sistêmico do fármaco e toxicidade neurológica:

  • Clearance de Creatinina (ClCr) > 50 mL/min: não há necessidade de ajuste de dose.
  • ClCr entre 30 e 49 mL/min: dose máxima diária recomendada de 1,5 g a 2 g.
  • ClCr entre 15 e 29 mL/min: 250 mg a cada 8 ou 12 horas.
  • ClCr < 15 mL/min (ou pacientes em hemodiálise): 250 mg a cada 24 horas. Uma dose adicional de 250 mg a 500 mg pode ser administrada após cada sessão de hemodiálise, já que o procedimento remove o fármaco da circulação.

Contraindicações

A cefalexina possui um perfil de segurança estabelecido, mas existem situações clínicas específicas onde seu uso é estritamente proibido ou deve ser feito sob extrema cautela.

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade conhecida à cefalexina: pacientes que já apresentaram reações alérgicas prévias (urticária, angioedema, broncoespasmo ou choque anafilático) após o uso de cefalexina.
  • Hipersensibilidade a outras cefalosporinas: devido ao risco iminente de reação cruzada decorrente da semelhança estrutural do anel beta-lactâmico e das cadeias laterais.

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Hipersensibilidade às Penicilinas: Existe uma taxa de reatividade cruzada imunológica documentada entre penicilinas e cefalosporinas de primeira geração (como a cefalexina), estimada historicamente entre 3% e 10%. Embora estudos modernos sugiram que essa taxa seja inferior a 5% (especialmente para cefalosporinas de gerações mais avançadas), a cefalexina deve ser evitada em pacientes com histórico de reações de hipersensibilidade imediata grave do tipo I (anafilaxia, laringoespasmo, choque) às penicilinas. Em pacientes com histórico de rash cutâneo leve e não pruriginoso induzido por penicilina, o uso pode ser considerado sob supervisão médica.
  • Histórico de Colite Pseudomembranosa: Pacientes com histórico de diarreia associada ao uso de antibióticos devem ser monitorados de perto, pois a cefalexina pode alterar a microbiota intestinal normal e favorecer o supercrescimento de Clostridioides difficile.
  • Disfunção Renal Grave: Embora não seja uma contraindicação absoluta, exige cautela extrema e ajustes posológicos estritos para evitar toxicidade sistêmica, que pode se manifestar por convulsões e distúrbios neuromusculares.

Efeitos Colaterais

A cefalexina é geralmente bem tolerada pela maioria dos pacientes. A maior parte das reações adversas é de intensidade leve a moderada e cessa após a descontinuação do tratamento.

Reações Comuns (> 1% e < 10%)

  • Gastrointestinais: Diarreia leve, náuseas, vômitos, dispepsia, dor abdominal e gastrite. Estes sintomas são frequentemente decorrentes da irritação direta da mucosa gástrica ou da alteração da flora bacteriana intestinal normal.
  • Cutâneas: Erupções cutâneas (rash maculopapular), urticária e prurido.

Reações Incomuns (> 0,1% e < 1%)

  • Sistema Nervoso Central: Cefaleia, tontura, fadiga e alucinações (raras, mais associadas a idosos ou pacientes com insuficiência renal sem ajuste de dose).
  • Geniturinárias: Candidíase vaginal e prurido genital, causados pelo desequilíbrio da microbiota vaginal protetora.

Reações Raras e Muito Raras (< 0,1%)

  • Colite Pseudomembranosa: Caracterizada por diarreia aquosa grave, febre, cólicas abdominais intensas e presença de muco ou sangue nas fezes, desencadeada pelas toxinas do Clostridioides difficile. Requer interrupção imediata do fármaco e tratamento específico (ex: vancomicina oral).
  • Reações Alérgicas Graves: Anafilaxia, angioedema, Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) e eritema multiforme.
  • Hematológicas: Eosinofilia, neutropenia reversível, trombocitopenia e anemia hemolítica autoimune.
  • Hepáticas: Elevação transitória das transaminases (AST e ALT) e fosfatase alcalina, hepatite colestática leve.
  • Renais: Nefrite intersticial aguda (uma reação de hipersensibilidade renal que pode levar à insuficiência renal aguda reversível).

Interações Medicamentosas

A administração conjunta da cefalexina com outras substâncias pode alterar seu perfil farmacocinético, aumentar o risco de toxicidade ou reduzir a eficácia terapêutica.

Interações Medicamento-Medicamento

  • Probenecida: Este agente uricosúrico inibe competitivamente a secreção tubular renal ativa das cefalosporinas. A coadministração resulta em um aumento significativo das concentrações plasmáticas de cefalexina, prolongamento da sua meia-vida de eliminação e maior risco de efeitos colaterais. Embora às vezes essa interação seja explorada clinicamente para manter níveis terapêuticos elevados por mais tempo, requer monitoramento.
  • Metformina: A cefalexina pode aumentar as concentrações plasmáticas e a AUC (Área Sob a Curva) da metformina em até 34%, possivelmente por competição pelos transportadores de cátions orgânicos renais (OCT2). Pacientes em uso concomitante devem ser monitorados quanto ao risco de hipoglicemia e toxicidade por metformina (incluindo acidose lática).
  • Aminoglicosídeos e Diuréticos de Alça (ex: Furosemida): O uso concomitante de cefalosporinas em altas doses com fármacos nefrotóxicos pode potencializar o risco de nefrotoxicidade. Recomenda-se monitorar a função renal nestes pacientes.
  • Anticoncepcionais Orais: Assim como outros antibióticos de amplo espectro, a cefalexina pode, teoricamente, reduzir a eficácia dos contraceptivos hormonais orais ao alterar a microbiota intestinal e diminuir a recirculação entero-hepática do estrogênio. Embora a relevância clínica desta interação seja considerada baixa pelas diretrizes atuais, recomenda-se o uso de métodos contraceptivos de barreira adicionais (como preservativo) durante o tratamento e até 7 dias após o término do antibiótico.
  • Colestiramina: Pode ligar-se à cefalexina no trato gastrointestinal, reduzindo a sua absorção oral. Deve-se administrar a cefalexina pelo menos 1 hora antes ou 4 a 6 horas após a colestiramina.

Interações com Exames Laboratoriais

  • Teste de Coombs: Pode ocorrer a indução de um resultado falso-positivo no teste de Coombs direto durante o tratamento com cefalexina.
  • Glicosúria: Pode produzir reações falso-positivas para glicose na urina quando utilizados testes baseados na redução do cobre (como as soluções de Benedict ou Fehling), mas não interfere com testes enzimáticos específicos (glicose-oxidase).

Uso em Populações Especiais

Gestantes (Categoria de Risco B)

Estudos de reprodução animal não demonstraram evidências de toxicidade fetal ou teratogenicidade associadas ao uso de cefalexina. No entanto, não existem estudos controlados e adequados em mulheres grávidas. Como os estudos em animais nem sempre predizem a resposta humana, a cefalexina deve ser prescrita durante a gestação apenas se houver real necessidade médica, sob estrita avaliação do binômio risco-benefício.

Lactantes

A cefalexina é excretada no leite materno em baixas concentrações. Embora seja considerada compatível com a amamentação pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Organização Mundial da Saúde, o lactente deve ser monitorado quanto ao desenvolvimento de diarreia, candidíase oral (sapinho) ou reações de hipersensibilidade cutânea.

Pediatria

A cefalexina é amplamente utilizada e considerada segura na população pediátrica. A administração deve ser feita preferencialmente sob a forma de suspensão oral, com doses rigorosamente calculadas de acordo com o peso da criança. Deve-se ter cautela em recém-nascidos e lactentes jovens devido à imaturidade de sua função renal, o que prolonga a meia-vida do fármaco.

Idosos

Não há necessidade de ajustes posológicos baseados exclusivamente na idade avançada. No entanto, como pacientes idosos apresentam maior probabilidade de declínio fisiológico da função renal, a taxa de filtração glomerular deve ser avaliada antes do início do tratamento, aplicando-se os ajustes de dose recomendados se o clearance de creatinina estiver reduzido.

Insuficiência Hepática

Como a cefalexina não sofre metabolismo hepático significativo e é eliminada quase que exclusivamente por via renal, não há necessidade de ajuste de dose em pacientes com insuficiência hepática leve, moderada ou grave.

Superdosagem

Sinais e Sintomas de Intoxicação

A ingestão de doses excessivas de cefalexina geralmente resulta em sintomas gastrointestinais exacerbados, tais como náuseas severas, vômitos, dor epigástrica, diarreia e hematúria microscópica. Em pacientes com insuficiência renal prévia que acumulam altos níveis do fármaco, ou após ingestões agudas massivas, podem ocorrer manifestações neurológicas graves, incluindo hiperexcitabilidade neuromuscular, abalos mioclônicos, alucinações e convulsões generalizadas.

Manejo Clínico da Superdose

Não existe um antídoto específico para a toxicidade por cefalexina. O tratamento é essencialmente de suporte e sintomático:

  • Diminuição da absorção: A administração de carvão ativado pode ser considerada se a ingestão tiver ocorrido em um período inferior a 1 a 2 horas, desde que a via aérea do paciente esteja protegida. A indução de vômito não é rotineiramente recomendada devido ao risco de aspiração.
  • Suporte hemodinâmico e respiratório: Manutenção das vias aéreas desimpedidas, monitoramento de sinais vitais, balanço hidroeletrolítico e suporte ventilatório se necessário.
  • Tratamento de convulsões: Caso ocorram crises convulsivas, o tratamento de escolha envolve o uso de benzodiazepínicos intravenosos (como diazepam ou midazolam).
  • Depuração extracorpórea: Em casos de superdosagem grave associada a comprometimento renal agudo ou refratariedade ao tratamento clínico, a hemodiálise ou a hemoperfusão podem ser eficazes para remover o excesso de cefalexina da circulação sistêmica, embora raramente sejam necessárias.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

No mercado farmacêutico brasileiro, a cefalexina é comercializada de forma ampla sob a designação de medicamentos genéricos, similares e de referência. O medicamento de referência original historicamente estabelecido foi o Keflex® (atualmente sob registro de diferentes detentoras ao longo dos anos, como a Eurofarma).

De acordo com a legislação da ANVISA (Lei nº 9.787/1999), os medicamentos genéricos contendo cefalexina mono-hidratada passam por rigorosos testes de bioequivalência farmacêutica e biodisponibilidade em humanos. Esses testes garantem que o genérico apresente exatamente a mesma taxa e extensão de absorção no organismo que o medicamento de referência, assegurando idêntica eficácia terapêutica e perfil de segurança.

Grandes laboratórios nacionais e multinacionais produzem a cefalexina genérica no Brasil, incluindo Medley, EMS, Eurofarma, Neo Química, Teuto, Prati-Donaduzzi, e Germed. Entre os medicamentos similares equivalentes (que possuem marca comercial própria, mas passaram pelos mesmos testes de equivalência terapêutica exigidos pela ANVISA), destacam-se nomes como Cefalexina (nomes de fantasia variados), Cefacimed, Neo Cefalexina, entre outros.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

Para contextualizar a posição clínica da cefalexina, é útil compará-la com outros antimicrobianos da mesma classe (cefalosporinas de primeira geração) e de classes correlatas frequentemente utilizadas na prática ambulatorial:

  • Cefadroxila vs. Cefalexina: Ambas são cefalosporinas de primeira geração de uso oral com espectro de ação idêntico. Contudo, a cefadroxila apresenta uma meia-vida de eliminação mais longa (cerca de 1,5 a 2 horas), o que permite uma posologia mais confortável de 12 em 12 horas ou até mesmo uma vez ao dia para certas infecções (como faringite), enquanto a cefalexina frequentemente exige administrações a cada 6 horas para infecções mais graves.
  • Cefalotina e Cefazolina vs. Cefalexina: A cefalotina e a cefazolina são cefalosporinas de primeira geração de uso exclusivamente parenteral (intravenoso ou intramuscular). A cefazolina é o padrão-ouro mundial para profilaxia cirúrgica. A cefalexina é frequentemente utilizada como terapia de transição (sequencial oral) após o paciente receber alta hospitalar tendo iniciado o tratamento com cefazolina.
  • Amoxicilina vs. Cefalexina: A amoxicilina é uma aminopenicilina. Possui melhor atividade contra Streptococcus pneumoniae e cobre patógenos como o Enterococcus faecalis (contra o qual a cefalexina é inativa). No entanto, a amoxicilina é facilmente hidrolisada pelas beta-lactamases do Staphylococcus aureus, tornando a cefalexina uma opção muito superior para infecções de pele onde o estafilococo é o patógeno provável.

Registro na ANVISA

A cefalexina possui diversos registros ativos na ANVISA, enquadrando-se na categoria de medicamentos de venda sob prescrição médica com retenção de receita.

Em conformidade com a Resolução RDC nº 20/2011 da ANVISA, que regulamenta o controle de medicamentos antimicrobianos no Brasil, a dispensação de cefalexina nas farmácias e drogarias do país está estritamente condicionada à apresentação da Receita de Controle Especial em duas vias (Receita de Antimicrobianos):

  • A 1ª via (via do estabelecimento) é retida pela farmácia para escrituração no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) e arquivo físico.
  • A 2ª via é devolvida ao paciente, devidamente carimbada e datada, contendo as orientações posológicas do prescritor.

A receita de cefalexina possui validade de 10 dias a contar da data de sua emissão, limitando-se a quantidade prescrita ao tratamento estipulado pelo médico ou cirurgião-dentista.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Cefalexina

Onde Comprar Cefalexina?

A cefalexina pode ser adquirida em qualquer farmácia ou drogaria física e online autorizada pela ANVISA em todo o território nacional. Por ser um medicamento de baixo custo de produção e amplamente difundido, o preço da cefalexina genérica é bastante acessível, variando geralmente entre R$ 15,00 e R$ 40,00 para uma caixa com 10 comprimidos de 500 mg, dependendo da região e da marca escolhida.

Para a aquisição, é obrigatória a apresentação física da receita médica em duas vias dentro do prazo de validade de 10 dias. O medicamento também está incorporado à Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e é disponibilizado gratuitamente à população através das farmácias das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS), mediante apresentação de receita médica emitida por profissional do SUS ou da rede privada.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 10/08/2026 e revisado em 10/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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