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Ansiolíticos e Antidepressivos

Venlafaxina

23 min de leitura Atualizado em 03/09/2026 Base ANVISA

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A busca por tratamentos eficazes contra os transtornos afetivos e de ansiedade tem sido um dos maiores desafios da psiquiatria e da neurofisiologia clínica nas últimas décadas. Durante muitos anos, a terapêutica farmacológica da depressão dividia-se entre os antigos antidepressivos tricíclicos (ADT) — altamente eficazes, porém repletos de efeitos colaterais graves devido à sua falta de seletividade receptorial — e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), que trouxeram excelente tolerabilidade, mas que por vezes falhavam em atingir a remissão completa em quadros de depressão grave, melancólica ou refratária. Foi nesse cenário de transição que surgiu o cloridrato de venlafaxina, o pioneiro da classe dos Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN), também conhecidos como antidepressivos de ação dupla.

A venlafaxina representou um marco evolutivo na psicofarmacologia ao propor um mecanismo de ação dual e dose-dependente. Capaz de modular tanto a via serotoninérgica quanto a noradrenérgica, este fármaco oferece uma resposta terapêutica robusta não apenas para o Transtorno Depressivo Maior (TDM), mas também para uma ampla gama de transtornos de ansiedade incapacitantes, como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), o Transtorno de Ansiedade Social (TAS) e o Transtorno do Pânico. Compreender a farmacologia clínica da venlafaxina, suas propriedades farmacocinéticas, indicações precisas, perfil de efeitos adversos e o manejo correto de sua descontinuação é fundamental para profissionais de saúde e pacientes que buscam otimizar os resultados do tratamento e garantir a segurança do processo terapêutico.

O que é Venlafaxina?

O cloridrato de venlafaxina é um agente antidepressivo de estrutura química única, derivado do ciclohexanol, que difere estruturalmente de outros antidepressivos disponíveis no mercado, como os tricíclicos, tetracíclicos ou os ISRS puramente seletivos. Desenvolvida originalmente pelos laboratórios Wyeth (posteriormente adquiridos pela Pfizer), a substância foi aprovada pelo órgão regulador norte-americano (FDA) em 1993 sob o nome comercial Effexor. No Brasil, o medicamento recebeu o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e consolidou-se como um dos psicofármacos mais prescritos no país.

Inicialmente desenvolvida na formulação de liberação imediata (comprimidos que exigiam múltiplas tomadas diárias), a venlafaxina evoluiu para a formulação de liberação prolongada (XR ou UD), que utiliza um sistema de difusão por membrana através de cápsulas gelatinosas duras contendo esferoides de liberação controlada. No mercado farmacêutico brasileiro atual, a forma de liberação prolongada é amplamente predominante devido à sua capacidade de manter níveis plasmáticos mais estáveis, reduzir significativamente a incidência e a gravidade de efeitos colaterais gastrointestinais (como náuseas intensas) e permitir a comodidade de uma única tomada diária. O medicamento é comercializado nas dosagens de 37,5 mg, 75 mg, 150 mg e, em algumas apresentações, 225 mg.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação da venlafaxina baseia-se na sua capacidade de inibir a recaptação de dois dos principais neurotransmissores monoaminérgicos envolvidos na regulação do humor, das emoções, do foco e da resposta ao estresse: a serotonina (5-HT) e a noradrenalina (NE). Esta inibição ocorre através do bloqueio seletivo das proteínas transportadoras pré-sinápticas de serotonina (SERT) e de noradrenalina (NET), resultando em um aumento da concentração destes neurotransmissores na fenda sináptica e, consequentemente, em uma ampliação da sinalização pós-sináptica.

O grande diferencial farmacológico da venlafaxina reside no seu comportamento dose-dependente, determinado por suas diferentes afinidades de ligação aos transportadores:

  • Doses Baixas (até 75 mg/dia): A venlafaxina comporta-se essencialmente como um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS). A afinidade do fármaco pelo transportador SERT é muito superior à sua afinidade pelo NET (cerca de 30 vezes maior). Portanto, nesta faixa de dose, o bloqueio da recaptação de serotonina é clinicamente predominante, com pouca ou nenhuma atividade noradrenérgica mensurável.
  • Doses Moderadas a Altas (150 mg a 225 mg/dia): Ocorre o recrutamento progressivo do transportador de noradrenalina (NET). A inibição da recaptação de noradrenalina torna-se clinicamente significativa, desencadeando os efeitos energizantes, de melhora do foco, da motivação e do controle da dor (via modulação das vias descendentes de dor na medula espinhal).
  • Doses Muito Altas (acima de 225 mg até 375 mg/dia): Além do bloqueio máximo de SERT e NET, a venlafaxina passa a exercer uma inibição muito leve e secundária sobre o transportador de recaptação de dopamina (DAT), embora este efeito seja considerado de menor relevância clínica em comparação com fármacos dopaminérgicos puros.

Diferente dos antidepressivos tricíclicos, a venlafaxina possui afinidade virtualmente nula por receptores muscarínicos (colinérgicos), histaminérgicos H1 ou alfa-1-adrenérgicos. A ausência de atividade significativa nestes receptores explica por que a venlafaxina não causa, na mesma intensidade que os ADT, efeitos como boca seca severa, constipação intestinal refratária, ganho de peso acentuado, sedação profunda e hipotensão ortostática.

⚗️ Como Funciona no Organismo?

Farmacocinética e Farmacodinâmica

A compreensão dos parâmetros farmacocinéticos da venlafaxina é essencial para entender sua eficácia e o manejo clínico de suas interações e ajustes posológicos.

Absorção

Após a administração oral da formulação de liberação prolongada (XR), pelo menos 92% da dose de venlafaxina é absorvida no trato gastrointestinal. No entanto, devido a um efeito de primeira passagem hepática significativo, a biodisponibilidade absoluta do fármaco é de aproximadamente 45%. A ingestão do medicamento acompanhada de alimentos não altera a extensão da absorção (biodisponibilidade global), mas retarda ligeiramente a velocidade com que o fármaco atinge a sua concentração plasmática máxima (Tmax). Nas formulações XR, o Tmax da venlafaxina é atingido em cerca de 5,5 horas, e o do seu metabólito ativo em cerca de 9 horas, proporcionando uma curva de concentração plasmática suave e sem picos abruptos.

Distribuição

A venlafaxina e seu principal metabólito ativo apresentam baixa ligação às proteínas plasmáticas humanas (aproximadamente 27% para a venlafaxina e 30% para o metabólito). Isso minimiza o risco de interações medicamentosas por deslocamento de proteínas plasmáticas com outros fármacos de alta taxa de ligação (como a varfarina). O volume de distribuição no estado de equilíbrio é amplo (cerca de 4 a 10 L/kg), indicando excelente penetração nos tecidos corporais, incluindo a barreira hematoencefálica.

Metabolismo

O metabolismo da venlafaxina ocorre predominantemente no fígado. A principal via de biotransformação é mediada pela enzima do citocromo P450 CYP2D6, que converte a venlafaxina em seu metabólito ativo mais importante: a O-desmetilvenlafaxina (ODV). A ODV possui um perfil farmacológico e de potência de recaptação muito semelhante ao da molécula-mãe. Uma via metabólica secundária envolve a enzima CYP3A4, que transforma a venlafaxina em N-desmetilvenlafaxina, um metabólito inativo.

Devido à variabilidade genética da enzima CYP2D6, os indivíduos podem ser classificados como metabolizadores rápidos, intermediários ou lentos. Nos metabolizadores lentos, as concentrações de venlafaxina serão mais elevadas e as de ODV serão mais baixas; no entanto, como ambas as substâncias são ativas e a soma de suas concentrações (fração ativa total) permanece semelhante, o impacto clínico geral sobre a eficácia costuma ser moderado, embora o perfil de tolerabilidade possa sofrer variações.

Excreção

A eliminação da venlafaxina e de seus metabólitos ocorre majoritariamente por via renal. Aproximadamente 87% de uma dose administrada é recuperada na urina em até 48 horas, seja na forma de venlafaxina inalterada (5%), ODV não conjugada (26%), ODV conjugada (26%) ou outros metabólitos menores inativos. A meia-vida de eliminação plasmática da venlafaxina é de cerca de 5 horas, enquanto a do seu metabólito ativo, ODV, é de aproximadamente 11 horas. Em pacientes com insuficiência renal ou hepática moderada a grave, a depuração do fármaco é reduzida, exigindo ajustes de dose para evitar acúmulo tóxico.

Indicações Terapêuticas

A venlafaxina possui aprovação regulatória no Brasil pela ANVISA para o tratamento de diversas condições de ordem psiquiátrica de alta prevalência na população civil:

  • Transtorno Depressivo Maior (TDM): Indicada para o tratamento agudo, prevenção de recaídas e recorrência de novos episódios depressivos. É frequentemente escolhida como terapia de segunda linha após falha com ISRS, ou como primeira linha em quadros de depressão grave com sintomas melancólicos ou retardo psicomotor.
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): Eficaz no controle de longo prazo dos sintomas psíquicos (preocupação excessiva, irritabilidade) e somáticos (tensão muscular, tremores, cefaleia tensional) da ansiedade crônica.
  • Transtorno de Ansiedade Social (TAS) / Fobia Social: Reduz a ansiedade de desempenho, o medo de julgamento e os sintomas de evitação social crônica.
  • Transtorno do Pânico: Indicada para a prevenção e redução da frequência dos ataques de pânico, bem como para o alívio da ansiedade antecipatória e da agorofobia associada.

Uso Off-Label (Não aprovado em bula, mas com respaldo científico)

Na prática clínica baseada em evidências, a venlafaxina é frequentemente prescrita para indicações não listadas formalmente na bula original, tais como:

  • Dor Neuropática e Fibromialgia: Devido ao seu componente noradrenérgico que atua no bloqueio das vias de dor descendentes, é utilizada no controle da dor crônica, neuropatia diabética dolorosa e controle sintomático da fibromialgia.
  • Sintomas Vasomotores da Menopausa (Fogachos): Utilizada como alternativa não hormonal eficaz na redução dos calorões noturnos em mulheres climatéricas, especialmente aquelas com contraindicação à terapia de reposição hormonal (como sobreviventes de câncer de mama).
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): Ocasionalmente utilizada como agente de segunda ou terceira linha em adultos, aproveitando o incremento sináptico de noradrenalina no córtex pré-frontal.
  • Prevenção de Enxaqueca: Utilizada na profilaxia de crises de enxaqueca refratárias.

Posologia e Forma de Uso

A administração da venlafaxina deve ser estritamente individualizada e monitorada por um médico psiquiatra ou clínico geral qualificado. O medicamento deve ser ingerido por via oral, preferencialmente uma única vez ao dia, sempre no mesmo horário (pela manhã ou à noite, a depender da resposta individual quanto à ativação ou sonolência) e obrigatoriamente acompanhado de uma refeição para minimizar o risco de irritação gástrica e náuseas.

As cápsulas de liberação prolongada não devem ser mastigadas, trituradas, partidas ou dissolvidas em água, pois isso destruiria o mecanismo de liberação lenta microencapsulado, resultando em uma absorção maciça e imediata do fármaco, elevando o risco de efeitos colaterais graves e toxicidade.

Esquemas Posológicos Recomendados

  • Transtorno Depressivo Maior e TAG: A dose inicial recomendada é de 75 mg uma vez ao dia. Para pacientes que necessitam de uma adaptação ainda mais lenta para mitigar efeitos colaterais iniciais, o tratamento pode ser iniciado com 37,5 mg/dia durante os primeiros 4 a 7 dias, progredindo em seguida para 75 mg/dia. Se após algumas semanas de tratamento não houver resposta clínica satisfatória, a dose pode ser aumentada em incrementos de até 75 mg em intervalos não inferiores a duas semanas, até o limite terapêutico usual de 225 mg/dia. Em casos de depressão grave hospitalizada, doses de até 375 mg/dia já foram utilizadas sob monitoramento rigoroso.
  • Transtorno do Pânico: O início deve ser ultralento para evitar a piora paradoxal da ansiedade nas primeiras semanas. Recomenda-se iniciar com 37,5 mg/dia durante os primeiros 7 dias. Posteriormente, a dose deve ser elevada para 75 mg/dia. Caso necessário, incrementos adicionais podem ser feitos até a dose máxima de 225 mg/dia.

Ajustes de Dose

  • Insuficiência Hepática: Em pacientes com cirrose ou comprometimento hepático moderado, a dose diária total deve ser reduzida em 50%. Em casos graves, reduções maiores podem ser necessárias.
  • Insuficiência Renal: Para pacientes com taxa de filtração glomerular (TFG) entre 10 e 30 mL/min, a dose diária total deve ser reduzida em 25% a 50%. Em pacientes submetidos à hemodiálise, a dose diária deve ser reduzida em 50% e administrada somente após a conclusão da sessão de diálise.

Contraindicações

A prescrição de venlafaxina exige triagem clínica cuidadosa devido a contraindicações absolutas e relativas que podem colocar em risco a vida do paciente.

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade: Alergia conhecida ao cloridrato de venlafaxina ou a qualquer componente da fórmula (excipientes).
  • Uso Concomitante com Inibidores da Monoaminoxidase (IMAOs): O uso concomitante ou recente de IMAOs (como tranilcipromina, moclobemida, linezolida ou azul de metileno) é estritamente proibido devido ao risco iminente de Síndrome Serotoninérgica grave, uma emergência médica potencialmente fatal caracterizada por hipertermia, rigidez muscular, instabilidade autonômica e alterações do estado mental. Deve-se respeitar um intervalo mínimo de 14 dias após a descontinuação de um IMAO irreversível para iniciar a venlafaxina, e um intervalo de pelo menos 7 dias após a descontinuação da venlafaxina para iniciar um IMAO.

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Hipertensão Arterial Não Controlada: O efeito noradrenérgico da venlafaxina pode causar elevações dose-dependentes na pressão arterial sistólica e diastólica. Pacientes hipertensos devem ter sua pressão controlada antes de iniciar o tratamento e monitorada ao longo de todo o curso terapêutico.
  • Glaucoma de Ângulo Estreito: A venlafaxina pode causar midríase (dilatação da pupila), o que pode precipitar um ataque de glaucoma agudo de ângulo fechado em pacientes suscetíveis.
  • Transtorno Bipolar (Fase de Mania/Hipomania): Como qualquer antidepressivo eficaz, a venlafaxina pode induzir a virada maníaca em pacientes com transtorno bipolar não diagnosticado ou sem estabilizador de humor associado.
  • Distúrbios Convulsivos: Deve ser usada com extrema cautela em pacientes com histórico de crises epilépticas ou condições que reduzam o limiar convulsivo.

Efeitos Colaterais

O perfil de efeitos colaterais da venlafaxina está intimamente relacionado ao seu mecanismo de ação dual. A maior parte dos efeitos adversos ocorre no início do tratamento ou durante aumentos de dose, tendendo a atenuar ou desaparecer após as primeiras duas a quatro semanas de uso contínuo, à medida que os receptores sofrem regulação negativa (downregulation).

Classificação por Frequência

Muito Comuns (ocorrem em mais de 10% dos pacientes)

  • Náuseas e vômitos (especialmente nas primeiras semanas).
  • Cefaleia (dor de cabeça).
  • Boca seca.
  • Sudorese excessiva (incluindo suores noturnos intensos devido à atividade noradrenérgica).
  • Insônia ou sonolência excessiva.
  • Tontura.

Comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes)

  • Diminuição do apetite e perda de peso inicial.
  • Constipação intestinal ou diarreia.
  • Aumento da pressão arterial (especialmente em doses superiores a 150 mg/dia).
  • Palpitações e taquicardia.
  • Tremores finos nas mãos.
  • Visão turva e midríase.
  • Ansiedade paradoxal, nervosismo e sonhos anormais.
  • Disfunção Sexual: Diminuição da libido, anorgasmia (dificuldade de atingir o orgasmo) em mulheres, retardo ejaculatório e disfunção erétil em homens.
  • Astenia (fraqueza física) e bocejos frequentes.

Incomuns (ocorrem entre 0,1% e 1% dos pacientes)

  • Hiponatremia (redução do sódio no sangue), decorrente da Síndrome da Secreção Inadequada de Hormônio Antidiurético (SSIHAD), mais comum em idosos.
  • Equimoses (manchas roxas na pele) e sangramentos de mucosa devido à inibição da recaptação de serotonina nas plaquetas.
  • Hipotensão ortostática (queda de pressão ao levantar-se).
  • Retenção urinária.
  • Bruxismo (ranger de dentes durante o sono).

Raras (ocorrem em menos de 0,1% dos pacientes)

  • Síndrome Serotoninérgica.
  • Prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma e arritmias cardíacas graves.
  • Hepatite medicamentosa e elevação acentuada de enzimas hepáticas.
  • Reações alérgicas graves (anafilaxia, Síndrome de Stevens-Johnson).
  • Crises convulsivas.

Síndrome de Descontinuação

A venlafaxina é amplamente conhecida por apresentar uma das síndromes de descontinuação mais intensas e rápidas entre os antidepressivos modernos. Devido à sua meia-vida curta (e de seu metabólito), a interrupção abrupta ou a redução rápida da dose pode desencadear sintomas severos dentro de 24 a 48 horas. Os sintomas incluem tonturas incapacitantes, vertigem, náuseas, vômitos, sudorese, ansiedade extrema, irritabilidade, insônia e as características sensações de choque elétrico na cabeça e membros (conhecidas popularmente como “brain zaps”). O desmame deve ser sempre programado e extremamente gradual.

Interações Medicamentosas

O uso de venlafaxina exige atenção estrita a interações com outras substâncias que possam potencializar sua toxicidade ou reduzir sua eficácia terapêutica.

Interações Contraindicadas

  • IMAOs (Tranilcipromina, Moclobemida): Risco gravíssimo de Síndrome Serotoninérgica fatal.

Interações de Alta Gravidade (Evitar ou usar com monitoramento intensivo)

  • Outros Agentes Serotoninérgicos (Triptanos, Tramadol, Fentanil, Lítio, Erva-de-São-João/Hypericum perforatum, Linezolida): Risco aumentado de Síndrome Serotoninérgica. O tramadol, em particular, também reduz o limiar convulsivo.
  • Anticoagulantes (Varfarina) e Antiplaquetários (Aspirina, Clopidogrel, AINEs como Ibuprofeno): A venlafaxina reduz a recaptação de serotonina pelas plaquetas, o que prejudica a agregação plaquetária normal. A associação eleva significativamente o risco de sangramentos gastrointestinais e hematomas.
  • Fármacos que prolongam o intervalo QT: Medicamentos como amiodarona, sotalol, haloperidol, eritromicina e quinolonas aumentam o risco de arritmias ventriculares graves (como Torsades de Pointes) quando associados à venlafaxina.

Interações Farmacocinéticas

  • Inibidores potentes da CYP2D6 (Paroxetina, Fluoxetina, Bupropiona, Quinidina): Podem diminuir o metabolismo da venlafaxina em seu metabólito ativo ODV, aumentando os níveis plasmáticos da molécula-mãe. Embora o efeito clínico geral seja atenuado pelo fato de ambos serem ativos, a incidência de efeitos colaterais noradrenérgicos pode subir.
  • Inibidores potentes da CYP3A4 (Cetoconazol, Ritonavir, Claritromicina): Podem elevar as concentrações de venlafaxina e ODV no organismo, exigindo cautela na coadministração.
  • Álcool: A combinação de venlafaxina com bebidas alcoólicas potencializa os efeitos sedativos centrais, prejudica a coordenação motora, o julgamento e pode agravar a depressão subjacente. O consumo de álcool deve ser evitado durante o tratamento.

Uso em Populações Especiais

Gestantes e Lactantes

A venlafaxina é classificada na Categoria C de risco na gravidez. Não existem estudos controlados e adequados em mulheres grávidas. O uso só deve ser considerado se os benefícios potenciais superarem claramente os riscos para o feto. A exposição à venlafaxina no terceiro trimestre de gestação está associada a um risco aumentado de complicações neonatais, como dificuldade respiratória, cianose, apneia, convulsões, instabilidade térmica, dificuldade de alimentação e a Síndrome de Persistência da Hipertensão Pulmonar do Recém-Nascido (HPRN). A venlafaxina e seu metabólito ODV são excretados no leite materno em níveis clinicamente significativos, podendo causar sedação ou hipotonia no lactente; portanto, o aleitamento materno sob o uso de venlafaxina deve ser avaliado criteriosamente, priorizando-se outras alternativas terapêuticas mais seguras se aplicável.

Pediatria

A eficácia e a segurança da venlafaxina em crianças e adolescentes menores de 18 anos não foram estabelecidas. Estudos clínicos com diversos antidepressivos demonstraram um aumento do risco de ideação suicida, comportamento hostil e automutilação nesta faixa etária. Portanto, o uso de venlafaxina em pediatria não é recomendado.

Idosos

Pacientes idosos são particularmente sensíveis aos efeitos noradrenérgicos e serotoninérgicos da venlafaxina. Há um risco significativamente maior de desenvolvimento de hiponatremia profunda associada à SSIHAD, tonturas que predispõem a quedas e fraturas, além de elevações pressóricas perigosas em pacientes com reserva cardiovascular limitada. Os ajustes de dose devem ser conservadores, iniciando com a menor dose possível.

Insuficiência Renal e Hepática

Como a eliminação da venlafaxina e de seus metabólitos depende diretamente da depuração hepática e renal, pacientes com disfunções nestes órgãos apresentam meias-vidas de eliminação prolongadas e risco de toxicidade por acúmulo. A redução da dose diária total em 25% a 50% é mandatória nestas populações.

Superdosagem

A superdosagem por venlafaxina, isolada ou em associação com outras substâncias (especialmente álcool e outros psicotrópicos), representa uma situação de gravidade clínica moderada a alta, com maior letalidade em comparação com superdosagens de ISRS puros.

Sinais e Sintomas

  • Sonolência grave, letargia e evolução para o coma.
  • Taquicardia sinusal, bradicardia e prolongamento do intervalo QTc.
  • Alterações eletrocardiográficas graves (alargamento do complexo QRS, bloqueio de ramo).
  • Hipotensão grave ou hipertensão rebote.
  • Crises convulsivas generalizadas.
  • Síndrome Serotoninérgica aguda.
  • Rabdomiólise (destruição de fibras musculares com risco de insuficiência renal aguda).

Tratamento da Intoxicação

Não existe um antídoto específico para a venlafaxina. O tratamento é essencialmente de suporte e sintomático:

  • Garantia de via aérea pérvia, oxigenação e ventilação adequadas.
  • Monitoramento contínuo dos sinais vitais e eletrocardiográfico (ECG) para detecção de arritmias.
  • Administração de carvão ativado se a ingestão tiver ocorrido em curto período (até 1 a 2 horas) e o paciente estiver com vias aéreas protegidas.
  • Tratamento de convulsões com benzodiazepínicos intravenosos (como diazepam ou midazolam).
  • A diurese forçada, hemodiálise ou hemoperfusão não são eficazes devido ao grande volume de distribuição da venlafaxina e à sua forte penetração tecidual.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

O cloridrato de venlafaxina é comercializado amplamente no Brasil sob a forma de medicamentos genéricos, produzidos por grandes laboratórios farmacêuticos nacionais e multinacionais (como Eurofarma, Medley, EMS, Neo Química, Biosintética, entre outros). Para que um medicamento genérico seja comercializado, ele deve passar por testes rigorosos de bioequivalência e biodisponibilidade apresentados à ANVISA, garantindo que o genérico produza o mesmo efeito terapêutico na mesma velocidade e extensão que o medicamento de referência.

O medicamento de referência original da venlafaxina de liberação prolongada no Brasil é o Efexor XR (comercializado pela Viatris/Pfizer). Além do de referência e dos genéricos, existem os medicamentos similares equivalentes (similares de marca), bastante prescritos pelos médicos:

  • Alenthus XR (Aché)
  • Venlaxin (Biosintética)
  • Novativ (Eurofarma)
  • Vensym (Libbs)

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

A venlafaxina compartilha a classe dos IRSN com outros fármacos importantes, como a duloxetina, a desvenlafaxina e o milnaciprano. Embora tenham o mesmo mecanismo básico de ação dual, existem diferenças farmacológicas significativas entre eles:

  • Venlafaxina vs. Desvenlafaxina: A desvenlafaxina é o metabólito ativo purificado da venlafaxina. Ao contrário desta, a desvenlafaxina não depende da enzima CYP2D6 para ser ativada, o que confere uma resposta mais previsível em metabolizadores lentos e menor risco de interações medicamentosas com inibidores enzimáticos. Além disso, a desvenlafaxina apresenta menor incidência de oscilação pressórica e exige menor titulação de dose.
  • Venlafaxina vs. Duloxetina: A duloxetina apresenta uma inibição mais equilibrada e potente de SERT e NET desde as menores doses terapêuticas (não sendo tão dose-dependente quanto a venlafaxina). A duloxetina possui indicações formais muito mais robustas para dor física, como fibromialgia, dor lombar crônica e osteoartrite, além de menor tendência a causar hipertensão arterial sistêmica em comparação com doses elevadas de venlafaxina.
  • Venlafaxina vs. Milnaciprano: O milnaciprano possui uma seletividade invertida, inibindo preferencialmente a recaptação de noradrenalina em relação à serotonina. No Brasil, é indicado principalmente para o tratamento da fibromialgia.

Registro na ANVISA

A venlafaxina é uma substância controlada no Brasil, regulamentada pela Portaria 344/98 do Ministério da Saúde. Ela pertence à Lista C1 (Substâncias Sujeitas a Controle Especial).

Para a sua dispensação nas farmácias e drogarias do território nacional, é obrigatória a apresentação da Receita de Controle Especial em duas vias (cor branca). A primeira via fica retida no estabelecimento farmacêutico para escrituração no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), enquanto a segunda via é devolvida ao paciente carimbada como comprovante de compra. A receita tem validade de 30 dias a partir da data de emissão e pode conter quantidade suficiente para até 60 dias de tratamento (ou até 3 caixas de apresentações de uso contínuo).

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Venlafaxina

Onde Comprar Venlafaxina?

A venlafaxina na formulação de liberação prolongada pode ser adquirida em qualquer farmácia ou drogaria física ou online devidamente autorizada pela ANVISA no Brasil. Por se tratar de um medicamento de tarja preta sob controle especial, a compra online exige que o paciente apresente ou envie a receita física de controle especial (em duas vias) para validação do farmacêutico no momento da entrega ou retirada do produto.

Os preços da venlafaxina variam consideravelmente de acordo com a dosagem (37,5 mg, 75 mg ou 150 mg), o número de cápsulas por caixa (geralmente 30 ou 60 cápsulas) e a escolha entre o medicamento de referência (Efexor XR), similares ou genéricos. Os medicamentos genéricos costumam oferecer uma economia de até 60% em relação ao produto de referência, tornando o tratamento de longo prazo financeiramente viável. Recomenda-se realizar pesquisas de preço e verificar programas de fidelidade de laboratórios (PBM) para obter descontos adicionais.

Onde comprar Venlafaxina

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 03/09/2026 e revisado em 03/09/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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