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Metoclopramida

21 min de leitura Atualizado em 07/08/2026 Base ANVISA

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A náusea e o vômito são sintomas universais e altamente debilitantes, manifestando-se em uma vasta gama de condições clínicas, desde distúrbios gastrointestinais agudos e enxaquecas até os efeitos colaterais severos de tratamentos oncológicos e procedimentos cirúrgicos. Para combater esses sintomas e restaurar a motilidade normal do trato gastrointestinal, a medicina dispõe de uma classe fundamental de medicamentos conhecida como procinéticos e antieméticos. Entre os representantes mais célebres, amplamente prescritos e clinicamente consolidados dessa classe está o cloridrato de metoclopramida.

Conhecida popularmente pelo seu nome comercial de referência, o Plasil, a metoclopramida é uma substância versátil que atua tanto no sistema nervoso central quanto diretamente no trato digestivo. Ao coordenar e acelerar o esvaziamento gástrico e o trânsito intestinal, ao mesmo tempo em que bloqueia os estímulos químicos que ativam o centro do vômito no cérebro, ela se consolidou como uma ferramenta terapêutica indispensável na prática médica global. No entanto, por trás de sua alta eficácia, esconde-se um perfil farmacológico complexo que exige cautela, especialmente devido ao risco de efeitos colaterais neurológicos, como as reações extrapiramidais.

Neste artigo técnico-científico completo, desenvolvido pelos especialistas do Bularium, analisaremos detalhadamente a metoclopramida. Investigaremos desde sua síntese histórica e mecanismos moleculares de ação até suas aplicações clínicas, farmacocinética, interações medicamentosas, contraindicações estritas e o manejo de suas reações adversas. Este guia foi elaborado para fornecer informações seguras, aprofundadas e acessíveis tanto para pacientes que buscam compreender seu tratamento quanto para profissionais de saúde em busca de atualização terapêutica.

O que é Metoclopramida?

A metoclopramida é um composto químico sintético pertencente à classe das benzamidas substituídas. Desenvolvida na década de 1960 pelos laboratórios franceses Delagrange (através dos pesquisadores Louis Justin-Besançon e Charles Laville), a molécula foi inicialmente investigada por suas propriedades no sistema nervoso central, mas logo revelou uma potente atividade reguladora sobre o sistema digestivo. Sua aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil remonta a várias décadas, consolidando-a como um dos fármacos mais antigos, acessíveis e amplamente utilizados no país.

Quimicamente, o cloridrato de metoclopramida apresenta-se como um pó cristalino branco ou quase branco, altamente solúvel em água. No mercado farmacêutico brasileiro, ela está disponível em diversas formas farmacêuticas para atender a diferentes necessidades clínicas e faixas etárias:

  • Comprimidos: Geralmente na concentração padrão de 10 mg, indicados para uso adulto por via oral.
  • Solução Oral (Gotas): Disponível na concentração de 4 mg/mL (aproximadamente 0,1 mg por gota) ou 10 mg/mL, facilitando o ajuste posológico pediátrico e para pacientes com dificuldade de deglutição.
  • Solução Injetável: Apresentada em ampolas de 10 mg/2 mL, destinada à administração intravenosa (IV) ou intramuscular (IM) em ambiente hospitalar ou ambulatorial de urgência.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação da metoclopramida é dual, envolvendo propriedades farmacodinâmicas centrais e periféricas. Ela atua primariamente como um antagonista dos receptores dopaminérgicos D2 e, em menor grau, interage com os receptores serotoninérgicos 5-HT3 e 5-HT4. Essa seletividade multifacetada explica sua dupla função como antiemético e procinético:

1. Ação Antiemética (Central)

A metoclopramida exerce seu efeito antiemético principalmente através do bloqueio dos receptores de dopamina D2 localizados na Zona Gatilho Quimiorreceptora (ZGQ), situada na área postrema do assoalho do quarto ventrículo cerebral. A ZGQ encontra-se fora da barreira hematoencefálica clássica, o que permite que substâncias circulantes no sangue e no líquido cefalorraquidiano a estimulem diretamente. Ao antagonizar os receptores D2 nesta região, a metoclopramida impede que os estímulos emetogênicos (como toxinas, quimioterápicos e metabólitos) ativem o centro do vômito.

Adicionalmente, em doses mais elevadas (frequentemente utilizadas no manejo de náuseas induzidas por quimioterapia altamente emetogênica), a metoclopramida também atua como um antagonista dos receptores serotoninérgicos 5-HT3, bloqueando as vias aferentes vagais que transmitem sinais de náusea do intestino para o cérebro.

2. Ação Procinética (Periférica)

No trato gastrointestinal superior, a dopamina atua como um inibidor da motilidade gástrica, reduzindo a liberação de acetilcolina nos neurônios motores do plexo mioentérico. Ao bloquear os receptores D2 periféricos, a metoclopramida anula essa inibição dopaminérgica, resultando em um aumento da liberação de acetilcolina.

Paralelamente, a metoclopramida atua como um agonista dos receptores serotoninérgicos 5-HT4 localizados nos neurônios entéricos facilitadores. A ativação desses receptores estimula ainda mais a liberação de acetilcolina nas junções neuromusculares do trato digestivo. Os efeitos fisiológicos combinados dessa facilitação colinérgica incluem:

  • Aumento do tônus e da amplitude das contrações gástricas (especialmente no antro gástrico).
  • Relaxamento do esfíncter pilórico, facilitando a passagem do quimo para o duodeno.
  • Aumento do peristaltismo do duodeno e do jejuno, acelerando o trânsito intestinal superior.
  • Aumento da pressão de repouso do esfíncter esofágico inferior (EEI), o que previne o refluxo gastroesofágico.

Importante destacar que a metoclopramida possui pouca ou nenhuma ação sobre a motilidade do cólon (intestino grosso) ou sobre as secreções gástricas, biliares e pancreáticas.

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Farmacocinética e Farmacodinâmica

A compreensão do perfil farmacocinético da metoclopramida é essencial para otimizar sua eficácia clínica e minimizar a ocorrência de toxicidade e efeitos adversos.

Absorção

Após a administração por via oral, a metoclopramida é rápida e quase completamente absorvida pelo trato gastrointestinal. No entanto, ela sofre um efeito de primeira passagem hepática significativo e variável. Como resultado, sua biodisponibilidade sistêmica média é de aproximadamente 80%, podendo variar individualmente de 30% a 100%. O pico de concentração plasmática (Cmax) é atingido entre 1 e 2 horas após a ingestão oral da dose. Quando administrada por via intramuscular, o início de ação ocorre em 10 a 15 minutos; por via intravenosa, os efeitos procinéticos e antieméticos iniciam-se em apenas 1 a 3 minutos.

Distribuição

A metoclopramida apresenta um volume de distribuição aparente relativamente alto (cerca de 2,2 a 3,4 L/kg), o que indica uma ampla distribuição pelos tecidos corporais. A taxa de ligação às proteínas plasmáticas é considerada baixa a moderada, situando-se em torno de 30% (ligando-se principalmente à albumina). Devido às suas propriedades lipofílicas, o fármaco atravessa prontamente a barreira hematoencefálica (o que explica seus efeitos colaterais centrais) e a barreira placentária. Além disso, é excretado no leite materno em concentrações que podem superar as plasmáticas.

Metabolismo

O metabolismo da metoclopramida ocorre no fígado, principalmente através de reações de conjugação (sulfoconjugação e glicuronidação). Uma fração menor é metabolizada por oxidação mediada pelas enzimas do citocromo P450, especificamente a isoenzima CYP2D6. O principal metabólito identificado é o monodecetilmetoclopramida, que possui atividade farmacológica insignificante.

Excreção

A principal via de eliminação da metoclopramida é a renal. Cerca de 85% da dose administrada é excretada na urina dentro de 72 horas, sendo aproximadamente 20% na forma de fármaco inalterado e o restante como metabólitos conjugados. Uma fração menor (cerca de 5%) é eliminada através das fezes via excreção biliar. A meia-vida de eliminação plasmática (t½) em adultos com função renal normal varia de 5 a 6 horas, podendo ser significativamente prolongada (até 14 a 20 horas) em pacientes com insuficiência renal grave.

Indicações Terapêuticas

A metoclopramida possui um espectro robusto de indicações clínicas aprovadas pela ANVISA e por agências reguladoras internacionais. Suas principais aplicações incluem:

1. Distúrbios da Motilidade Gastrointestinal

Utilizada no tratamento de curto prazo de distúrbios caracterizados por hipomotilidade gástrica, tais como:

  • Gastroparesia Diabética: Retardo crônico no esvaziamento gástrico associado ao diabetes mellitus, auxiliando no alívio de sintomas como saciedade precoce, náuseas, vômitos e distensão abdominal.
  • Refluxo Gastroesofágico (DRGE): Como terapia adjuvante de curto prazo em pacientes que não respondem adequadamente a outros tratamentos, atuando no aumento do tônus do esfíncter esofágico inferior.

2. Prevenção e Tratamento de Náuseas e Vômitos

Sua potente ação antiemética a torna indicada para:

  • Prevenção de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia antineoplásica emetogênica ou radioterapia.
  • Prevenção e tratamento de náuseas e vômitos no período pós-operatório imediato e tardio.
  • Tratamento sintomático de náuseas e vômitos de diversas etiologias, incluindo infecções gastrointestinais agudas, crises de enxaqueca (onde também melhora a absorção dos analgésicos orais) e distúrbios metabólicos.

3. Procedimentos Diagnósticos e Radiológicos

A metoclopramida é utilizada para facilitar o trânsito do bário pelo estômago e intestino delgado durante exames radiológicos do trato gastrointestinal, bem como para acelerar a intubação do intestino delgado (passagem de sondas enterais) em pacientes nos quais o esvaziamento gástrico lento dificulta o procedimento.

4. Uso Off-Label (Não rotulado)

Embora não constem formalmente na bula aprovada, a metoclopramida tem sido utilizada clinicamente para o tratamento de soluços persistentes ou intratáveis e, historicamente, como galactagogo (para estimular a produção de leite materno através do aumento da prolactina), embora esta última prática seja fortemente desaconselhada atualmente devido aos riscos de efeitos colaterais na mãe e no lactente.

Posologia e Forma de Uso

A posologia da metoclopramida deve ser estritamente individualizada, considerando a idade do paciente, o peso corporal, a função renal e hepática, e a gravidade dos sintomas. A recomendação geral é utilizar a menor dose eficaz pelo menor período de tempo possível (normalmente não excedendo 5 dias consecutivos de tratamento).

Administração

Para administração oral, recomenda-se que os comprimidos ou a solução em gotas sejam ingeridos cerca de 30 minutos antes das refeições e ao deitar, para garantir que o pico de ação procinética coincida com a presença de alimentos no estômago. Deve-se respeitar um intervalo mínimo de 6 horas entre as doses, mesmo em caso de vômito ou rejeição da dose anterior, para evitar a sobredosagem.

Contraindicações

A metoclopramida é contraindicada em diversas situações clínicas devido ao risco de agravamento de patologias subjacentes ou de indução de reações adversas severas:

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade: Pacientes com histórico de alergia à metoclopramida ou a qualquer componente da formulação.
  • Hemorragia, Obstrução Mecânica ou Perfuração Gastrointestinal: Situações em que o estímulo da motilidade gastrointestinal possa ser perigoso e levar à ruptura de tecidos ou agravamento de sangramentos.
  • Feocromocitoma: Tumor da glândula suprarrenal. A metoclopramida pode estimular a liberação maciça de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) pelo tumor, desencadeando crises hipertensivas graves e potencialmente fatais.
  • Histórico de Discinesia Tardia ou Reações Extrapiramidais: Pacientes que já apresentaram movimentos involuntários graves induzidos por neurolépticos ou pela própria metoclopramida.
  • Epilepsia: O fármaco pode reduzir o limiar convulsivo, aumentando a frequência e a intensidade das crises epilépticas.
  • Uso Concomitante com Levodopa ou Agonistas Dopaminérgicos: Devido ao antagonismo mútuo dos efeitos (a metoclopramida anula o efeito antiparkinsoniano dessas medicações).
  • Idade Inferior a 1 Ano: Contraindicado de forma absoluta em bebês com menos de 1 ano devido ao risco significativamente aumentado de reações extrapiramidais e metemoglobinemia.

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Doença de Parkinson: Pode exacerbar os sintomas parkinsonianos (rigidez, tremor) devido ao bloqueio dos receptores de dopamina no estriado cerebral.
  • Histórico de Depressão: A metoclopramida pode agravar quadros depressivos e aumentar o risco de ideação suicida em pacientes predispostos.
  • Insuficiência Renal ou Hepática Grave: Requer redução substancial da dose devido ao risco de acúmulo do fármaco e toxicidade sistêmica.

Efeitos Colaterais

Embora seja um medicamento amplamente tolerado pela maioria dos pacientes, o perfil de efeitos colaterais da metoclopramida é vasto e dominado por manifestações neurológicas decorrentes de sua passagem pela barreira hematoencefálica e bloqueio dopaminérgico central.

Sintomas Extrapiramidais (Neurológicos)

São as reações adversas mais características e clinicamente relevantes da metoclopramida, ocorrendo com maior frequência em crianças, adultos jovens (menores de 30 anos) e idosos:

  • Distonia Aguda: Contrações musculares involuntárias e dolorosas, espasmos faciais, torcicolo espasmódico, crises oculógiras (desvio involuntário dos olhos para cima) e trismo (dificuldade de abrir a boca). Geralmente ocorrem nas primeiras 24 a 48 horas de tratamento e respondem rapidamente à interrupção do fármaco e administração de anticolinérgicos (ex: biperideno).
  • Acatisia: Sensação subjetiva de inquietação motora extrema, urgência em se movimentar e incapacidade de permanecer sentado ou parado.
  • Parkinsonismo Farmacológico: Rigidez muscular, tremores de repouso, bradicinesia (lentidão de movimentos) e instabilidade postural, mimetizando a Doença de Parkinson.
  • Discinesia Tardia: Caracterizada por movimentos involuntários repetitivos da língua, face, boca ou mandíbula (como caretas, movimentos de sucção e mastigação). Esta condição pode tornar-se irreversível e está fortemente associada ao uso prolongado do medicamento (geralmente por mais de 3 meses).

Alterações Endócrinas

A dopamina é o principal inibidor fisiológico da secreção de prolactina pela glândula hipófise. Ao bloquear os receptores D2 hipofisários, a metoclopramida induz um estado de hiperprolactinemia, o que pode resultar em:

  • Galactorreia (produção e secreção anormal de leite em mulheres ou homens).
  • Ginecomastia (aumento benigno das mamas em homens).
  • Amenorreia ou irregularidades menstruais em mulheres.
  • Disfunção erétil e redução da libido em homens.

Interações Medicamentosas

A metoclopramida apresenta um potencial significativo de interação com outras substâncias, seja por mecanismos farmacodinâmicos (competição por receptores e efeitos sinérgicos) ou farmacocinéticos (alteração da absorção gástrica devido ao aumento do esvaziamento estomacal).

Interações Contraindicadas

  • Levodopa e Agonistas Dopaminérgicos (Pramipexol, Cabergolina): Ocorre antagonismo mútuo. A metoclopramida anula a eficácia dessas medicações no tratamento do Parkinson, enquanto estas anulam o efeito antiemético e procinético da metoclopramida.

Interações que Exigem Extrema Cautela

  • Depressores do Sistema Nervoso Central (Álcool, Anestésicos, Sedativos, Hipnóticos, Ansiolíticos, Opiáceos): A metoclopramida potencializa os efeitos sedativos dessas substâncias, aumentando o risco de sonolência profunda, depressão respiratória e acidentes.
  • Neurolépticos e Antipsicóticos (Haloperidol, Clorpromazina, Risperidona): O uso concomitante eleva drasticamente o risco de reações extrapiramidais graves e da temida Síndrome Neuroléptica Maligna (SNM), uma emergência médica caracterizada por hipertermia, rigidez muscular extrema, instabilidade autonômica e alteração do estado mental.
  • Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) e outros Serotoninérgicos: Podem aumentar o risco de Síndrome Serotoninérgica devido à modulação dos receptores 5-HT pela metoclopramida.

Interações Farmacocinéticas (Efeito Procinético)

  • Digoxina: A metoclopramida acelera o esvaziamento gástrico e reduz o tempo de trânsito intestinal, o que pode diminuir a absorção e a eficácia terapêutica da digoxina.
  • Ciclosporina, Paracetamol, Ácido Acetilsalicílico e Lítio: A aceleração do esvaziamento gástrico pode aumentar a velocidade e a extensão da absorção dessas substâncias, elevando suas concentrações plasmáticas e o risco de toxicidade.
  • Anticolinérgicos e Analgésicos Opioides: Apresentam efeitos opostos aos da metoclopramida sobre a motilidade gastrointestinal, neutralizando sua eficácia procinética.

Uso em Populações Especiais

Determinados grupos de pacientes apresentam alterações fisiológicas que modificam a resposta farmacológica à metoclopramida ou elevam substancialmente o risco de toxicidade.

Gestantes e Lactantes

A metoclopramida é classificada na Categoria B de Risco na Gravidez. Estudos em animais não demonstraram toxicidade fetal, e seu uso clínico em gestantes (particularmente no tratamento da hiperêmese gravídica) é amplamente documentado e considerado seguro sob supervisão médica, especialmente no primeiro e segundo trimestres. No entanto, o uso no final da gravidez (terceiro trimestre) deve ser evitado ou monitorado de perto, pois pode induzir sintomas extrapiramidais ou metemoglobinemia no recém-nascido.

Como a metoclopramida é significativamente excretada no leite materno, o tratamento durante a amamentação não é recomendado, a menos que o benefício para a mãe supere claramente os riscos potenciais de reações adversas neurológicas no lactente.

Crianças e Adolescentes

A população pediátrica é altamente suscetível ao desenvolvimento de reações extrapiramidais agudas (especialmente distonias). O uso de metoclopramida em crianças menores de 1 ano é terminantemente proibido. Para crianças de 1 a 18 anos, seu uso deve ser restrito como terapia de segunda linha para a prevenção de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia ou no pós-operatório, sempre respeitando rigidamente o limite posológico de 0,5 mg/kg/dia.

Idosos

Pacientes idosos apresentam maior prevalência de disfunções renais subclínicas e são altamente vulneráveis a efeitos adversos neurológicos, especialmente parkinsonismo farmacológico e discinesia tardia irreversível. Recomenda-se iniciar o tratamento com doses mais baixas (ex: 5 mg por dose) e monitorar continuamente o surgimento de tremores, rigidez ou movimentos faciais anormais.

Insuficientes Renais e Hepáticos

Como a excreção da metoclopramida é predominantemente renal, pacientes com insuficiência renal (clearance de creatinina inferior a 60 mL/min) acumulam o fármaco no organismo. Nesses casos, a dose diária total deve ser reduzida em 50% ou mais, dependendo do grau de comprometimento renal. Pacientes com insuficiência hepática grave também devem receber doses reduzidas devido ao risco de alteração metabólica.

Superdosagem

A ingestão acidental ou intencional de doses excessivas de metoclopramida pode resultar em um quadro de intoxicação aguda grave, caracterizado predominantemente por manifestações neurológicas e cardiovasculares.

Sintomas de Superdosagem

  • Sonolência intensa, letargia e torpor.
  • Desorientação têmporo-espacial, confusão mental e alucinações.
  • Reações extrapiramidais severas (espasmos musculares generalizados, crises oculógiras, trismo).
  • Convulsões (especialmente em pacientes epiléticos).
  • Parada cardiorrespiratória ou arritmias (prolongamento do intervalo QT).
  • Metemoglobinemia (particularmente em recém-nascidos e lactentes), manifestando-se por cianose (coloração azulada da pele e mucosas) e hipóxia tecidual.

Conduta Médica no Tratamento

Não existe um antídoto específico para a metoclopramida. O manejo da superdosagem é essencialmente sintomático e de suporte:

  1. Estabilização das vias aéreas e monitorização contínua dos sinais vitais e traçado eletrocardiográfico (ECG).
  2. Para o controle das reações extrapiramidais agudas, deve-se administrar fármacos anticolinérgicos/antiparkinsonianos, como o biperideno (por via intramuscular ou intravenosa lenta) ou anti-histamínicos com propriedades anticolinérgicas (como a difenidramina).
  3. Em caso de metemoglobinemia clinicamente significativa, realiza-se a administração intravenosa de azul de metileno (1 a 2 mg/kg).
  4. A hemodiálise ou diálise peritoneal não se mostram eficazes para remover a metoclopramida da circulação devido ao seu grande volume de distribuição.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

O cloridrato de metoclopramida é uma molécula de baixo custo de produção e amplamente difundida no mercado brasileiro. A existência de medicamentos genéricos e similares garante o amplo acesso da população a este tratamento essencial.

Medicamento de Referência

O medicamento de referência para a metoclopramida no Brasil é o Plasil®, desenvolvido originalmente e comercializado pela Sanofi-Aventis. Ele serve de padrão comparativo de eficácia, segurança e qualidade para todos os outros registros do mercado.

Medicamentos Genéricos

Comercializados sob a denominação comum brasileira (DCB) “Cloridrato de Metoclopramida”, os genéricos são produzidos por praticamente todos os grandes laboratórios farmacêuticos atuantes no Brasil, incluindo Medley, Eurofarma, EMS, Neo Química, Germed, Prati-Donaduzzi, entre outros. Para serem aprovados pela ANVISA, esses medicamentos passam por rigorosos testes de bioequivalência farmacêutica, garantindo que possuem exatamente a mesma velocidade de absorção e quantidade de princípio ativo no sangue que o Plasil®.

Medicamentos Similares Equivalentes (EQ)

São medicamentos que possuem nome comercial próprio, mas que também comprovaram equivalência terapêutica ao medicamento de referência. Alguns exemplos comuns no mercado nacional incluem:

  • Emetisan® (Teuto)
  • Flaticona® (Neo Química)
  • Nausilon® (Geolab)

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

Para o manejo de distúrbios da motilidade e náuseas, a medicina conta com outras opções terapêuticas. Compreender as diferenças entre a metoclopramida e seus principais concorrentes clínicos é fundamental para a escolha do tratamento ideal.

Metoclopramida vs. Bromoprida

A bromoprida é quimicamente muito semelhante à metoclopramida (ambas são benzamidas). No entanto, a bromoprida apresenta uma penetração ligeiramente menor na barreira hematoencefálica, o que resulta em uma incidência teoricamente menor de reações extrapiramidais e sonolência, embora o risco ainda exista. Ambas possuem excelente ação procinética e antiemética.

Metoclopramida vs. Domperidona

A domperidona é um antagonista dopaminérgico periférico. Ela não atravessa a barreira hematoencefálica em condições normais. Consequentemente, a domperidona praticamente não causa efeitos colaterais neurológicos (como distonia, tremores ou sonolência), sendo muito mais segura para idosos e pacientes com Parkinson. Contudo, ela apresenta um risco maior de prolongamento do intervalo QT cardíaco e arritmias severas em doses elevadas.

Metoclopramida vs. Ondansetrona

A ondansetrona é um antagonista seletivo dos receptores 5-HT3 de serotonina. Ela é um antiemético extremamente potente, sendo o padrão-ouro para náuseas induzidas por quimioterapia e pós-operatório. No entanto, a ondansetrona não possui atividade procinética (não acelera o esvaziamento gástrico), sendo ineficaz para tratar refluxo ou gastroparesia.

Registro na ANVISA

A metoclopramida é um medicamento devidamente registrado e regulamentado pela ANVISA no Brasil. Devido ao seu perfil de segurança e risco de efeitos neurológicos, sua dispensação está sujeita a regras específicas de controle sanitário.

Classe de Prescrição: Medicamento de Venda Sob Prescrição Médica (“Tarja Vermelha”). Não exige retenção de receita (receita simples branca de via única), mas sua utilização sem diagnóstico e acompanhamento médico é fortemente desaconselhada.

A ANVISA emitiu alertas de segurança ao longo dos anos reforçando a restrição do uso de metoclopramida por mais de 5 dias consecutivos e a contraindicação absoluta em menores de 1 ano, alinhando-se às diretrizes da agência europeia de medicamentos (EMA) e da FDA norte-americana, visando reduzir a incidência global de discinesia tardia na população.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

🔗 Consultar no Bulário Eletrônico da ANVISA

Perguntas Frequentes sobre Metoclopramida

Onde Comprar Metoclopramida?

A metoclopramida é um medicamento extremamente popular, de baixo custo e amplamente disponível em praticamente todas as farmácias físicas e drogarias online do Brasil. Por se tratar de um medicamento essencial, ela também faz parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e é distribuída gratuitamente em postos de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), mediante apresentação de receita médica válida.

Ao realizar a compra em farmácias privadas, o consumidor encontrará uma variação de preço dependendo da marca (referência Plasil® vs. genéricos), da apresentação (comprimidos, gotas ou ampolas) e da região do país. Os medicamentos genéricos costumam apresentar preços significativamente mais acessíveis, sendo uma excelente opção econômica sem perda de qualidade terapêutica.

Onde comprar Metoclopramida

Farmácias online parceiras. Confira preço e disponibilidade no site da loja.

  • Drogasmil
    CLORIDRATO DE FEXOFENADINA 120MG 10CP

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  • Drogaria Rosário
    Cloridrato de Metilfenidato 10M60Cpr Eurf

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 07/08/2026 e revisado em 07/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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