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Medicamentos para o Estômago

Lansoprazol

21 min de leitura Atualizado em 06/08/2026 Base ANVISA

Antes de continuar. Esta página reúne informações da bula em linguagem simples. Não substitui a orientação do seu médico ou farmacêutico, e não serve para iniciar, alterar ou interromper tratamento por conta própria.

As doenças ácido-pépticas, que incluem a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), as úlceras gástricas e duodenais, e as condições hipersecretoras como a Síndrome de Zollinger-Ellison, representam uma parcela significativa das consultas médicas em gastroenterologia em todo o mundo. O manejo dessas patologias passou por uma verdadeira revolução terapêutica a partir do final da década de 1980, com a introdução dos Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs). Entre os representantes mais prescritos e clinicamente consolidados desta classe destaca-se o lansoprazol, um fármaco de segunda geração que alia rápido início de ação, eficácia antissecretora potente e um perfil de segurança altamente favorável.

Desenvolvido com o objetivo de otimizar o controle da acidez intragástrica, o lansoprazol atua diretamente na via final comum da secreção ácida. Ao contrário dos antigos antagonistas dos receptores H2 da histamina (como a ranitidina e a cimetidina), que bloqueavam apenas uma das vias de estímulo da célula parietal, o lansoprazol inibe de forma irreversível a enzima responsável pela liberação ativa de íons hidrogênio no lúmen gástrico. Essa característica confere ao medicamento uma capacidade superior de cicatrização de lesões na mucosa digestiva e de alívio sintomático sustentado, consolidando-o como uma ferramenta indispensável na prática clínica moderna.

Este artigo técnico-científico tem como objetivo detalhar de forma profunda os aspectos farmacológicos, clínicos e regulatórios do lansoprazol. Elaborado sob a perspectiva da farmacologia clínica e da prática médica baseada em evidências, este guia destina-se tanto a profissionais de saúde que buscam uma atualização terapêutica rigorosa quanto a pacientes que necessitam compreender o funcionamento, os riscos e os benefícios associados ao uso deste medicamento.

O que é Lansoprazol?

O lansoprazol é um composto químico pertencente à classe dos benzimidazóis substituídos, atuando farmacologicamente como um Inibidor da Bomba de Prótons (IBP). Quimicamente, é identificado como 2-[[[3-metil-4-(2,2,2-trifluoroetóxi)-2-piridinil]metil]sulfinil]-1H-benzimidazol. Trata-se de uma molécula lipofílica e fracamente básica que necessita de um ambiente altamente ácido para ser ativada, o que confere a ela uma especificidade celular extraordinária pelas células parietais do estômago.

A história do lansoprazol remonta ao início dos anos 1990, quando foi desenvolvido pela empresa farmacêutica japonesa Takeda Pharmaceutical. O fármaco recebeu aprovação do órgão regulador norte-americano (FDA) em 1995, sob o nome comercial Prevacid. No Brasil, o medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e rapidamente se tornou um dos pilares do tratamento gastroenterológico, comercializado tanto sob marcas de referência consagradas (como o Ogastro) quanto na forma de medicamentos genéricos e similares de alta qualidade.

Atualmente, o lansoprazol está disponível no mercado farmacêutico brasileiro em diferentes apresentações e dosagens, adequando-se às necessidades de cada paciente. As formas farmacêuticas mais comuns incluem:

  • Cápsulas duras com microgrânulos de liberação retardada (gastroresistentes): nas concentrações de 15 mg e 30 mg. A tecnologia de microgrânulos é essencial, pois o lansoprazol é uma molécula instável em meio ácido; o revestimento entérico impede a degradação do princípio ativo pelo suco gástrico antes de sua absorção no intestino delgado.
  • Comprimidos orodispersíveis: disponíveis também em 15 mg e 30 mg, que se desintegram rapidamente na boca, facilitando a administração para pacientes com disfagia (dificuldade de deglutição), idosos ou pacientes pediátricos.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação do lansoprazol é um exemplo clássico de direcionamento farmacológico específico e de ativação dependente de pH. O lansoprazol é administrado como um pró-fármaco inativo. Devido à sua natureza lipofílica e base fraca, ele atravessa facilmente as membranas celulares e circula na corrente sanguínea de forma inativa em pH fisiológico (aproximadamente 7,4).

A mágica farmacológica ocorre quando o lansoprazol atinge os canalículos secretores das células parietais gástricas. Estes canalículos são microambientes extremamente ácidos, com pH frequentemente inferior a 2,0, gerado pela atividade constante da bomba de prótons. Ao penetrar nesse ambiente altamente ácido, o lansoprazol sofre um processo de protonação e rearranjo estrutural rápido, convertendo-se em seus metabólitos ativos: a sulfenamida ativa e o ácido sulfênico.

Essas formas ativas, que possuem carga positiva e, portanto, não conseguem mais atravessar a membrana celular para fora do canalículo (fenômeno conhecido como “aprisionamento de íons”), ligam-se covalentemente através de pontes dissulfeto aos grupos sulfidrila (cisteínas, especificamente a Cys-813 e a Cys-321) da subunidade alfa da enzima $H^+/K^+$-ATPase (a bomba de prótons). Essa ligação covalente inibe de forma irreversível a atividade enzimática.

Como a $H^+/K^+$-ATPase é a via final comum para a secreção de ácido clorídrico – sendo responsável pelo bombeamento ativo de íons $H^+$ para o lúmen gástrico em troca de íons $K^+$ –, sua inibição bloqueia a secreção ácida basal e estimulada, independentemente do estímulo desencadeante (seja ele a gastrina, a acetilcolina ou a histamina). O restabelecimento da secreção ácida gástrica após a suspensão do lansoprazol depende da síntese de novas moléculas da enzima bomba de prótons, um processo que possui uma meia-vida de renovação de aproximadamente 15 a 20 horas.

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Farmacocinética e Farmacodinâmica

A compreensão do perfil farmacocinético e farmacodinâmico do lansoprazol é fundamental para otimizar sua eficácia clínica e evitar falhas terapêuticas. O comportamento do fármaco no organismo segue parâmetros bem definidos:

Absorção

O lansoprazol é rapidamente absorvido no intestino delgado após passar pelo estômago protegido por seu revestimento gastroresistente. A biodisponibilidade absoluta de uma dose oral única é elevada, situando-se entre 80% e 85%. No entanto, a presença de alimentos no estômago reduz significativamente a velocidade e a extensão da absorção; a administração do lansoprazol junto com alimentos ou imediatamente após as refeições pode reduzir a área sob a curva (AUC) e a concentração plasmática máxima ($C_{max}$) em cerca de 50%. Por esse motivo, o medicamento deve ser obrigatoriamente administrado em jejum, preferencialmente de 30 a 60 minutos antes da primeira refeição do dia.

Distribuição

Uma vez absorvido, o lansoprazol apresenta uma taxa de ligação às proteínas plasmáticas extremamente alta, de aproximadamente 97%, ligando-se predominantemente à albumina. O volume de distribuição aparente é relativamente baixo (cerca de 0,5 L/kg), refletindo sua distribuição preferencial para o compartimento extracelular e, especificamente, para as células parietais gástricas devido ao mecanismo de aprisionamento iônico.

Metabolismo

O metabolismo do lansoprazol ocorre de forma quase exclusiva no fígado, mediado pelas enzimas do complexo do citocromo P450 (CYP). Os dois principais metabólitos identificados no plasma humano são o sulfona-lansoprazol (formado via CYP3A4) e o 5-hidroxilansoprazol (formado via CYP2C19). Nenhum desses metabólitos possui atividade antissecretora gástrica clinicamente relevante.

É importante destacar que a enzima CYP2C19 apresenta polimorfismo genético na população humana. Indivíduos classificados como “metabolizadores lentos” da CYP2C19 (cerca de 2% a 5% dos caucasianos e até 20% dos asiáticos) apresentam depuração (clearance) reduzida do lansoprazol, resultando em concentrações plasmáticas significativamente mais elevadas e tempos de meia-vida prolongados, o que pode aumentar a eficácia do tratamento, mas também o risco de efeitos adversos leves.

Excreção

A meia-vida de eliminação plasmática do lansoprazol é curta, variando entre 1,3 e 1,7 horas em adultos jovens saudáveis. Apesar dessa eliminação plasmática rápida, o efeito farmacodinâmico de inibição ácida persiste por mais de 24 horas devido à ligação covalente irreversível à bomba de prótons. A eliminação dos metabólitos ocorre de forma mista: cerca de dois terços (66%) são excretados por via biliar/fecal e um terço (33%) é eliminado através da urina.

Indicações Terapêuticas

O lansoprazol possui um amplo espectro de indicações clínicas aprovadas pela ANVISA e por agências internacionais, fundamentadas em robustos ensaios clínicos controlados. As principais indicações terapêuticas incluem:

  • Tratamento da Úlcera Duodenal e Úlcera Gástrica Benigna: promove o alívio rápido da dor epigástrica e acelera significativamente a taxa de cicatrização da mucosa lesada.
  • Tratamento e Prevenção de Esofagite de Refluxo: indicado tanto na fase aguda (para cicatrização de erosões esofágicas) quanto no tratamento de manutenção de longo prazo para prevenir a recidiva da esofagite e estenose esofágica.
  • Erradicação do Helicobacter pylori: o lansoprazol é utilizado em associação com antibióticos (geralmente amoxicilina e claritromicina) na terapia tríplice ou quádrupla. A elevação do pH gástrico promovida pelo lansoprazol é crucial, pois aumenta a estabilidade e a eficácia dos antibióticos no microambiente gástrico.
  • Tratamento de Condições Hipersecretoras Patológicas (incluindo a Síndrome de Zollinger-Ellison): situação clínica rara caracterizada pela hipersecreção maciça de ácido clorídrico decorrente de tumores produtores de gastrina (gastrinomas).
  • Tratamento e Profilaxia de Úlceras Associadas ao uso de Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs): indicado para pacientes que necessitam de terapia contínua com AINEs e que apresentam fatores de risco para sangramento gastrointestinal (como idade avançada ou histórico de úlcera peptídica).

Além das indicações formais em bula, o lansoprazol é frequentemente utilizado de forma off-label (com respaldo em diretrizes médicas) para o manejo da dispepsia funcional não ulcerosa e na profilaxia da pneumonia por aspiração em pacientes cirúrgicos de alto risco.

Posologia e Forma de Uso

A posologia do lansoprazol deve ser individualizada pelo médico assistente com base na patologia a ser tratada, na gravidade dos sintomas e na resposta clínica do paciente. De modo geral, o medicamento deve ser ingerido pela manhã, em jejum, com um copo de água. As cápsulas não devem ser mastigadas, partidas ou abertas, para que a integridade do revestimento entérico dos microgrânulos não seja comprometida.

Para pacientes que apresentam extrema dificuldade de deglutição, as cápsulas podem ser abertas e os microgrânulos misturados em uma pequena quantidade de suco de maçã, laranja ou iogurte, devendo ser deglutidos imediatamente sem mastigar. Alternativamente, os comprimidos orodispersíveis podem ser colocados sobre a língua, onde se desintegrarão em segundos, podendo ser engolidos com ou sem água.

Abaixo, apresenta-se o esquema posológico padrão recomendado para adultos:

Contraindicações

Embora o lansoprazol seja um medicamento amplamente seguro e bem tolerado, existem situações clínicas específicas em que seu uso é estritamente contraindicado ou requer extrema cautela:

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade conhecida ao lansoprazol: ou a qualquer um dos componentes da formulação (excipientes).
  • Hipersensibilidade cruzada a outros IBPs: pacientes que apresentaram reações alérgicas graves (como anafilaxia, angioedema ou nefrite intersticial aguda) ao omeprazol, pantoprazol, esomeprazol ou rabeprazol não devem utilizar o lansoprazol devido ao risco de reatividade cruzada estrutural.
  • Uso concomitante com atazanavir ou rilpivirina: a coadministração de lansoprazol com estes medicamentos antirretrovirais utilizados no tratamento do HIV é contraindicada. A redução drástica da acidez gástrica provocada pelo IBP impede a absorção adequada desses antivirais, levando a falhas terapêuticas e ao desenvolvimento de resistência viral.

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Exclusão de malignidade gástrica: a resposta sintomática favorável ao tratamento com lansoprazol não exclui a presença de neoplasia gástrica (câncer de estômago). Portanto, em pacientes que apresentam sintomas de alarme (perda de peso inexplicável, vômitos persistentes, disfagia, anemia ou melena), a realização de uma endoscopia digestiva alta com biópsia é imperativa antes de iniciar a terapia de longo prazo.
  • Insuficiência hepática grave: como o lansoprazol é extensamente metabolizado pelo fígado, pacientes com cirrose ou disfunção hepática grave apresentam clearance reduzido e devem ter sua dose ajustada para um limite máximo de 15 mg ao dia.

Efeitos Colaterais

O lansoprazol apresenta um excelente perfil de segurança, com a grande maioria dos eventos adversos sendo de intensidade leve a moderada e autolimitados. No entanto, como qualquer fármaco biologicamente ativo, pode desencadear reações indesejáveis.

Os efeitos colaterais mais comuns observados em estudos clínicos de curto prazo incluem distúrbios gastrointestinais leves, como diarreia, dor abdominal, náuseas, flatulência e constipação, além de cefaleia (dor de cabeça) e tontura. Essas reações costumam desaparecer espontaneamente com a continuidade do tratamento ou após a suspensão do fármaco.

Por outro lado, o uso crônico e prolongado de Inibidores da Bomba de Prótons (geralmente superior a um ano) tem sido associado a efeitos adversos mais complexos e sistêmicos que requerem monitoramento clínico regular:

  • Hipomagnesemia: a redução crônica do ácido gástrico pode interferir no transporte ativo de magnésio no intestino, levando a quadros de hipomagnesemia grave, manifestados por fadiga, tetania, delírio, convulsões e arritmias cardíacas.
  • Deficiência de Vitamina B12 (Cobalamina): o ácido gástrico e a pepsina são necessários para clivar a vitamina B12 das proteínas alimentares, permitindo sua ligação ao fator intrínseco. O uso prolongado de lansoprazol pode reduzir a absorção desta vitamina, podendo causar anemia megaloblástica e neuropatias periféricas.
  • Risco de Fraturas Ósseas: estudos epidemiológicos sugerem que a terapia com IBPs em altas doses ou por longo prazo pode estar associada a um risco aumentado de fraturas de quadril, punho e coluna, possivelmente devido à redução da absorção intestinal de cálcio insolúvel.
  • Infecções Gastrointestinais: a barreira ácida natural do estômago é uma defesa primária contra patógenos ingeridos. A supressão ácida prolongada facilita a colonização bacteriana e aumenta o risco de infecções entéricas, como as causadas por Salmonella, Campylobacter e, especialmente, a colite pseudomembranosa por Clostridioides difficile.
  • Nefrite Intersticial Aguda (NIA): uma reação de hipersensibilidade idiossincrática renal rara, mas grave, que pode evoluir para insuficiência renal aguda se não for diagnosticada e tratada precocemente.

Interações Medicamentosas

As interações medicamentosas do lansoprazol ocorrem principalmente por dois mecanismos distintos: a alteração do pH gástrico e a competição por enzimas metabolizadoras no fígado (sistema CYP450).

Interações decorrentes da alteração do pH gástrico

Ao elevar o pH intragástrico para valores próximos ou superiores a 5,0, o lansoprazol modifica drasticamente a solubilidade e a taxa de dissolução de diversos fármacos que necessitam de um ambiente ácido para serem absorvidos de forma ideal:

  • Antifúngicos azólicos (cetoconazol, itraconazole): apresentam redução drástica de sua biodisponibilidade e eficácia terapêutica quando coadministrados com o lansoprazol. Recomenda-se evitar o uso concomitante ou, se estritamente necessário, administrar os antifúngicos com bebidas ácidas (como refrigerantes de cola).
  • Ésteres de ampicilina, ferro e digoxina: a absorção de sais de ferro e de ampicilina pode ser diminuída, enquanto os níveis plasmáticos de digoxina podem aumentar devido ao aumento de sua absorção em pH mais elevado, exigindo monitoramento da toxicidade digital.

Interações mediadas pelas enzimas do Citocromo P450

Embora o lansoprazol apresente uma afinidade de ligação ao CYP2C19 e CYP3A4 inferior à do omeprazol (gerando, portanto, menos interações clinicamente relevantes), algumas interações ainda merecem atenção:

  • Varfarina: a coadministração pode, em casos raros, levar a um aumento do tempo de protrombina (RNI), elevando o risco de sangramentos graves. Recomenda-se monitorar o RNI de forma estreita ao iniciar ou descontinuar o lansoprazol em pacientes anticoagulados.
  • Teofilina: o lansoprazol pode induzir levemente o metabolismo da teofilina, resultando em uma redução de cerca de 10% nos níveis séricos deste broncodilatador. Embora clinicamente irrelevante para a maioria dos pacientes, pode exigir monitoramento em indivíduos com níveis terapêuticos limítrofes.
  • Tacrolimo e Metotrexato: o uso de IBPs pode elevar os níveis plasmáticos desses imunossupressores, aumentando o risco de toxicidade renal e hematológica. O monitoramento rigoroso das concentrações séricas dessas drogas é altamente recomendado.

Uso em Populações Especiais

A prescrição de lansoprazol deve considerar as particularidades fisiológicas de diferentes grupos de pacientes para garantir a eficácia e minimizar riscos de toxicidade:

Gestantes e Lactantes

O lansoprazol é classificado na Categoria B de Risco na Gravidez. Estudos de reprodução animal não demonstraram evidências de danos fetais ou comprometimento da fertilidade. No entanto, não existem estudos controlados e adequados em mulheres grávidas. Portanto, o uso de lansoprazol durante a gestação deve ser reservado para situações em que o benefício materno supere claramente os riscos potenciais ao feto.

Em relação à lactação, não se sabe se o lansoprazol é excretado no leite materno humano, embora estudos em animais tenham demonstrado excreção no leite de ratas. Devido ao potencial de reações adversas graves no lactente, deve-se avaliar a descontinuação da amamentação ou a interrupção do tratamento com o fármaco.

Pediatria

O uso de lansoprazol em crianças e adolescentes (de 1 a 17 anos) é aprovado para o tratamento de curto prazo da DRGE sintomática e da esofagite de refluxo erosiva. As doses devem ser ajustadas pelo peso corporal (geralmente 15 mg uma vez ao dia para crianças com peso igual ou inferior a 30 kg, e 30 mg para aquelas com peso superior a 30 kg). A segurança e a eficácia em bebês com menos de 1 ano de idade não foram estabelecidas de forma robusta.

Idosos

Em pacientes idosos, a depuração do lansoprazol é ligeiramente reduzida e a meia-vida plasmática é prolongada. No entanto, estudos clínicos demonstram que o perfil de tolerabilidade é muito semelhante ao observado em adultos jovens, não sendo necessário um ajuste posológico inicial sistemático. Apesar disso, doses diárias superiores a 30 mg devem ser evitadas nesta população, a menos que haja indicação clínica estrita.

Insuficiência Renal e Hepática

Pacientes com disfunção renal (mesmo aqueles em hemodiálise) não necessitam de ajuste de dose, pois o rim não é a principal via de eliminação do fármaco inalterado. Já em pacientes com insuficiência hepática moderada a grave, a taxa de eliminação é substancialmente reduzida, exigindo monitoramento clínico e limitação da dose diária a 15 mg.

Superdosagem

Os casos de superdosagem com lansoprazol documentados na literatura médica indicam que o fármaco possui um perfil de toxicidade aguda extremamente baixo. Doses orais de até 600 mg foram administradas em ensaios clínicos sem a ocorrência de efeitos adversos graves ou toxicidade sistêmica significativa.

Em caso de ingestão acidental ou voluntária de doses maciças de lansoprazol, os sintomas esperados limitam-se à exacerbação dos efeitos colaterais conhecidos, tais como diarreia persistente, dor abdominal, náuseas, vômitos e xerostomia (boca seca).

O manejo da superdosagem baseia-se em medidas de suporte clínico geral. Como o lansoprazol apresenta uma taxa de ligação às proteínas plasmáticas extremamente elevada (97%), ele não é removido de forma eficaz do organismo por meio de hemodiálise ou diálise peritoneal. Em caso de ingestão recente expressiva, a administração de carvão ativado pode ser considerada para reduzir a absorção gastrointestinal, sob supervisão médica em ambiente de pronto-socorro.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

O lansoprazol é amplamente comercializado no mercado farmacêutico brasileiro, oferecendo aos médicos e pacientes uma vasta gama de opções terapêuticas de alta qualidade e com diferentes faixas de preço.

O medicamento de referência pioneiro no Brasil é o Ogastro (desenvolvido originalmente pela Takeda e comercializado atualmente por laboratórios licenciados). Existem também diversos medicamentos similares equivalentes de marcas tradicionais bem estabelecidas, como o Prazol (Eurofarma), Lanzpept (EMS) e Lansomed (Medley).

A intercambialidade entre o medicamento de referência e os medicamentos genéricos de lansoprazol é garantida por rigorosos testes de bioequivalência e biodisponibilidade exigidos pela ANVISA. Isso assegura que o medicamento genérico apresenta exatamente a mesma taxa e extensão de absorção no organismo que o medicamento de referência, entregando o mesmo resultado terapêutico com um custo frequentemente mais acessível ao consumidor.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

A classe dos Inibidores da Bomba de Prótons conta com diversos representantes no mercado nacional, sendo os principais: omeprazol, lansoprazol, pantoprazol, esomeprazol e rabeprazol. Embora todos compartilhem o mesmo mecanismo básico de ação de inibição da $H^+/K^+$-ATPase, existem nuances farmacológicas importantes que orientam a escolha clínica do médico:

  • Lansoprazol vs. Omeprazol: o lansoprazol apresenta uma biodisponibilidade inicial superior e uma velocidade de absorção mais rápida em comparação com o omeprazol convencional. Isso se traduz, frequentemente, em um alívio sintomático mais rápido nos primeiros dias de tratamento.
  • Lansoprazol vs. Pantoprazol: o pantoprazol possui uma menor afinidade pelas enzimas do citocromo P450 (especialmente a CYP2C19), o que o torna o IBP de escolha para pacientes polimedicados que fazem uso de fármacos com estreita margem terapêutica, como o clopidogrel ou a varfarina. No entanto, o lansoprazol apresenta maior potência antissecretora miligrama por miligrama.
  • Lansoprazol vs. Esomeprazol: o esomeprazol (isômero óptico S do omeprazol) apresenta uma depuração metabólica mais lenta, resultando em níveis plasmáticos mais sustentados e um controle do pH gástrico ligeiramente superior em tratamentos de esofagite grave de difícil cicatrização. Contudo, para a maioria das indicações clínicas de rotina, ambos apresentam eficácia terapêutica equivalente.

Registro na ANVISA

O lansoprazol é um medicamento devidamente registrado e regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). De acordo com a legislação sanitária vigente no Brasil, o lansoprazol é classificado como um medicamento de venda sob prescrição médica (tarja vermelha).

O registro sanitário do medicamento de referência e de seus genéricos atesta que o produto passou por rigorosos testes de controle de qualidade físico-química, estabilidade microbiológica e segurança biológica. A dispensação deste medicamento em farmácias e drogarias exige a apresentação da receita médica simples, garantindo que o uso do fármaco seja feito sob a devida orientação e acompanhamento de um profissional de saúde habilitado, minimizando os riscos associados à automedicação.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Lansoprazol

Onde Comprar Lansoprazol?

O lansoprazol pode ser adquirido facilmente em qualquer farmácia ou drogaria física e online em todo o território nacional. Por se tratar de um medicamento de tarja vermelha, sua compra exige a apresentação da prescrição médica, embora não haja a necessidade de retenção de receita pela farmácia.

Os preços do lansoprazol podem variar consideravelmente dependendo da marca (referência, similar ou genérico), da dosagem (15 mg ou 30 mg), do número de cápsulas na embalagem (geralmente apresentações com 7, 14, 28 ou 56 cápsulas) e da região do país. Recomenda-se que o consumidor realize pesquisas de preço e consulte programas de benefício em medicamentos (PBM) oferecidos por laboratórios farmacêuticos ou convênios de drogarias, que costumam oferecer descontos significativos, tornando o tratamento contínuo economicamente viável.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 06/08/2026 e revisado em 06/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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