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Antibióticos

Levofloxacino

20 min de leitura Atualizado em 09/08/2026 Base ANVISA

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O levofloxacino representa um dos maiores avanços na terapia antimicrobiana da classe das fluoroquinolonas. Classificado como uma quinolona de terceira geração ou “quinolona respiratória”, este fármaco destaca-se pelo seu amplo espectro de ação, excelente perfil farmacocinético e alta biodisponibilidade oral. Na prática clínica, o levofloxacino tornou-se uma ferramenta terapêutica indispensável para o tratamento de uma vasta gama de infecções bacterianas, que vão desde infecções simples do trato urinário até pneumonias graves adquiridas na comunidade e infecções complexas da pele e tecidos moles.

O desenvolvimento do levofloxacino solucionou uma limitação crucial das quinolonas de segunda geração (como o ciprofloxacino): a cobertura relativamente fraca contra patógenos Gram-positivos, especialmente o Streptococcus pneumoniae. Ao purificar o isômero opticamente ativo (o enantiômero L) do ofloxacino, os cientistas conseguiram dobrar a potência antibacteriana do composto original, reduzindo simultaneamente a incidência de certos efeitos adversos. Este artigo técnico-científico detalha de forma profunda todos os aspectos farmacológicos, clínicos e de segurança do levofloxacino, servindo como um guia definitivo para profissionais de saúde e pacientes que buscam informações precisas e baseadas em evidências.

O que é Levofloxacino?

O levofloxacino é o enantiômero L-levógiro do ofloxacino, uma substância antibacteriana sintética de amplo espectro pertencente à classe das fluoroquinolonas. Quimicamente, trata-se do hemi-hidrato de ácido (S)-9-fluoro-2,3-di-hidro-3-metil-10-(4-metil-1-piperazinil)-7-oxo-7H-pirido[1,2,3-de]-1,4-benzoxazina-6-carboxílico. A sua estrutura molecular apresenta um átomo de flúor na posição 6, o que aumenta significativamente a sua potência contra bactérias Gram-negativas, e um grupo piperazinil na posição 7, responsável pela atividade contra a Pseudomonas aeruginosa e pelo aumento da meia-vida plasmática.

A história do levofloxacino remonta à década de 1980, quando foi sintetizado pela empresa farmacêutica japonesa Daiichi Sankyo. Sua aprovação pelo órgão regulador norte-americano (FDA) ocorreu em 1996, revolucionando o tratamento de infecções respiratórias devido à sua excelente atividade contra o pneumococo. No Brasil, o medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e consolidou-se como um dos antimicrobianos mais prescritos em ambiente hospitalar e ambulatorial.

Atualmente, o levofloxacino está disponível no mercado farmacêutico brasileiro em diversas formas de apresentação, o que facilita a transição da terapia intravenosa (hospitalar) para a via oral (domiciliar) — prática conhecida como terapia de conversão ou “switch therapy”. As principais formas disponíveis incluem:

  • Comprimidos revestidos: nas concentrações de 250 mg, 500 mg e 750 mg.
  • Solução injetável para infusão (bolsa ou frasco-ampola): na concentração de 5 mg/mL (disponível em volumes de 100 mL, contendo 500 mg, ou 150 mL, contendo 750 mg).
  • Solução oftálmica (colírio): na concentração de 0,5% ou 1,5%, indicada para conjuntivites bacterianas e úlceras de córnea.

Mecanismo de Ação

O levofloxacino exerce um efeito bactericida rápido através da inibição de duas enzimas bacterianas essenciais da classe das topoisomerases do tipo II: a DNA girase (topoisomerase II) e a topoisomerase IV. Estas enzimas são fundamentais para os processos de replicação, transcrição, reparo e recombinação do ácido desoxirribonucleico (DNA) bacteriano.

A replicação do DNA bacteriano requer o desenrolamento da dupla hélice. Esse processo gera uma tensão de torção positiva (superenrolamento) à frente da forquilha de replicação. A DNA girase é a única enzima capaz de introduzir superenrolamentos negativos no DNA, aliviando essa tensão e permitindo que a replicação continue. O levofloxacino liga-se especificamente ao complexo DNA-girase, bloqueando a sua atividade e impedindo o fechamento das quebras de fita dupla que a enzima realiza para aliviar a tensão helicoidal. O resultado é a fragmentação irreversível do cromossomo bacteriano.

Por outro lado, a topoisomerase IV desempenha um papel crucial na segregação dos cromossomos replicados (decatenação) durante a divisão celular bacteriana. Ao inibir a topoisomerase IV, o levofloxacino impede que as células-filhas se separem após a replicação do DNA, levando à interrupção da divisão celular e consequente morte da bactéria.

Existe uma seletividade de alvos que varia de acordo com o tipo de patógeno:

  • Em bactérias Gram-negativas (como Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa), o alvo primário do levofloxacino é a DNA girase.
  • Em bactérias Gram-posicionais (como Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus), o alvo primário preferencial é a topoisomerase IV.

Devido a esse duplo mecanismo de ação, a taxa de mutação bacteriana necessária para desenvolver resistência de alto nível ao levofloxacino é significativamente menor do que a observada em agentes que atacam apenas uma única enzima, embora a resistência mediada por mutações nos genes gyrA, gyrB, parC e parE venha crescendo globalmente.

⚗️ Como Funciona no Organismo?

Farmacocinética e Farmacodinâmica

O perfil farmacocinético do levofloxacino é altamente previsível e linear, apresentando uma excelente correlação entre a dose administrada e as concentrações plasmáticas alcançadas (tanto por via oral quanto intravenosa).

Absorção

Após a administração oral, o levofloxacino é rápida e quase completamente absorvido pelo trato gastrointestinal. A sua biodisponibilidade absoluta é de aproximadamente 99%, o que significa que as curvas de concentração plasmática versus tempo obtidas após a administração oral de 500 mg ou 750 mg são praticamente idênticas às obtidas após a infusão intravenosa de doses equivalentes. A concentração plasmática máxima ($C_{max}$) é atingida entre 1 e 2 horas após a ingestão. A ingestão concomitante com alimentos retarda ligeiramente o tempo para atingir a $C_{max}$ (em cerca de 1 hora) e reduz marginalmente a $C_{max}$ em cerca de 14%, porém não altera a extensão total da absorção (Área Sob a Curva – AUC). Portanto, o levofloxacino pode ser administrado independentemente das refeições.

Distribuição

O levofloxacino apresenta um volume de distribuição moderadamente amplo (aproximadamente 74 a 112 litros após doses únicas ou repetidas), indicando uma excelente e ampla penetração nos tecidos e fluidos corporais. A taxa de ligação às proteínas plasmáticas é relativamente baixa (cerca de 24% a 38%), ocorrendo principalmente com a albumina, o que deixa uma grande fração de fármaco livre e ativa para se difundir para os sítios de infecção. Concentrações teciduais significativas, que frequentemente superam as concentrações plasmáticas, são encontradas nos seguintes locais:

  • Mucosa brônquica e fluido de revestimento epitelial alveolar (importante para infecções respiratórias).
  • Tecido pulmonar e macrófagos alveolares.
  • Líquido bolhoso (pele).
  • Tecido prostático e urina (onde atinge concentrações extremamente elevadas).
  • Ossos e fluidos ginecológicos.

A penetração no líquido cefalorraquidiano (LCR) é moderada, aumentando ligeiramente na presença de meninges inflamadas.

Metabolismo e Excreção

O levofloxacino é metabolicamente muito estável no organismo humano, sofrendo biotransformação mínima. Menos de 5% da dose administrada é recuperada na urina na forma de metabólitos, sendo os principais o desmetil-levofloxacino e o N-óxido de levofloxacino. A principal via de eliminação é a excreção renal, com aproximadamente 87% da dose administrada sendo recuperada na urina de forma inalterada dentro de 48 horas através de filtração glomerular e secreção tubular ativa. Apenas cerca de 4% é excretada nas fezes. A meia-vida de eliminação plasmática ($t_{1/2}$) varia de 6 a 8 horas em indivíduos com função renal normal, estendendo-se significativamente em pacientes com insuficiência renal.

Parâmetros Farmacodinâmicos (PK/PD)

Como um antibiótico bactericida, a eficácia do levofloxacino é classificada como dependente da concentração com tempo de efeito pós-antibiótico (PAE) prolongado. Os dois principais índices PK/PD correlacionados com o sucesso clínico e a erradicação bacteriológica são:

  1. A razão entre a Concentração Plasmática Máxima e a Concentração Inibitória Mínima ($C_{max}/CIM$). Um valor de $C_{max}/CIM \ge 10$ é desejável para evitar a seleção de mutantes resistentes.
  2. A razão entre a Área Sob a Curva nas últimas 24 horas e a Concentração Inibitória Mínima ($AUC_{24}/CIM$). Para patógenos Gram-negativos, um valor de $AUC/CIM \ge 125$ é o preditor de cura ideal. Para patógenos Gram-positivos (como S. pneumoniae), uma razão de $AUC/CIM \ge 30$ a $40$ é clinicamente suficiente.

Indicações Terapêuticas

O levofloxacino possui indicação aprovada para o tratamento de infecções bacterianas de intensidade leve, moderada e grave, causadas por microrganismos sensíveis. Suas principais indicações clínicas incluem:

1. Infecções do Trato Respiratório

  • Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC): Eficaz contra patógenos típicos (S. pneumoniae, incluindo cepas multirresistentes a penicilinas, H. influenzae, M. catarrhalis) e atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumoniae e Legionella pneumophila).
  • Sinusite Bacteriana Aguda (SBA): Indicado quando as opções de primeira linha falham ou não podem ser utilizadas.
  • Exacerbação Aguda de Bronquite Crônica (EABC): Reduz a carga bacteriana rapidamente em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
  • Pneumonia Nosocomial (Hospitalar): Geralmente utilizado em doses mais elevadas (750 mg) e frequentemente em associação com outros agentes quando há risco de infecção por Pseudomonas aeruginosa multidroga resistente.

2. Infecções do Trato Urinário (ITU) e Próstata

  • Pielonefrite Aguda: Tratamento de primeira linha devido à sua alta concentração no parênquima renal.
  • Infecções do Trato Urinário Complicadas: Causadas por enterobactérias resistentes a outros agentes.
  • Prostatite Bacteriana Crônica: Devido à sua excelente penetração no tecido prostático e fluido seminal, superando a barreira hemato-prostática.

3. Infecções da Pele e Tecidos Moles

  • Infecções complicadas e não complicadas da pele, incluindo abscessos, celulites, erisipela e feridas infectadas (causadas por Staphylococcus aureus sensível à meticilina, Streptococcus pyogenes, entre outros).

4. Outras Indicações e Usos Off-Label

  • Antraz Inalatório (Profilaxia pós-exposição e tratamento): Eficácia demonstrada contra Bacillus anthracis.
  • Peste: Tratamento e profilaxia de infecções por Yersinia pestis.
  • Tuberculose Multirresistente (MDR-TB): Utilizado como agente de segunda linha em regimes combinados de longa duração sob estrita supervisão médica.

Nota de Segurança Importante: Devido ao risco de reações adversas graves incapacitantes e potencialmente irreversíveis (como tendinite e ruptura de tendão), a ANVISA e agências internacionais recomendam que o levofloxacino seja reservado para o tratamento de sinusite aguda, exacerbação de bronquite crônica e infecções urinárias não complicadas apenas quando não houver outras opções terapêuticas viáveis.

Posologia e Forma de Uso

A posologia do levofloxacino depende da gravidade e do sítio da infecção, bem como da sensibilidade do patógeno causal e da função renal do paciente. A dose usual para adultos com função renal normal (Depuração de Creatinina – $Cl_{Cr} > 50$ mL/min) varia de 250 mg a 750 mg, administrada uma vez ao dia (a cada 24 horas).

Os comprimidos devem ser engolidos inteiros, com quantidade suficiente de líquido, e podem ser tomados com ou sem alimentos. Já a solução injetável deve ser administrada exclusivamente por infusão intravenosa lenta; a infusão rápida pode provocar hipotensão grave. O tempo de infusão deve ser de, no mínimo, 60 minutos para a dose de 500 mg e de, no mínimo, 90 minutos para a dose de 750 mg.

Ajuste Posológico na Insuficiência Renal

Como o levofloxacino é eliminado predominantemente por via renal, é imperativo ajustar a dose em pacientes com disfunção renal para evitar o acúmulo do fármaco e a consequente toxicidade sistêmica. O ajuste é baseado na Depuração de Creatinina calculada:

Não são necessários ajustes posológicos para pacientes com insuficiência hepática, uma vez que o metabolismo hepático do levofloxacino é insignificante. Pacientes idosos com função renal preservada não requerem alteração na dose padrão, embora a monitorização da função renal seja recomendada nesta faixa etária.

Contraindicações

O uso do levofloxacino é estritamente contraindicado nas seguintes situações clínicas:

  • Hipersensibilidade conhecida: Pacientes com histórico de reações alérgicas graves (como anafilaxia, angioedema, síndrome de Stevens-Johnson) ao levofloxacino, a qualquer outro membro da classe das fluoroquinolonas ou a qualquer componente da formulação.
  • Histórico de distúrbios de tendão: Pacientes que desenvolveram tendinite ou ruptura de tendão associada ao uso prévio de fluoroquinolonas.
  • Epilepsia e distúrbios convulsivos: O levofloxacino pode reduzir o limiar convulsivo no sistema nervoso central.
  • Gestação e Lactação: Devido ao risco demonstrado em modelos animais de lesões na cartilagem das articulações que suportam peso em organismos em crescimento (artropatia).
  • Crianças e adolescentes (menores de 18 anos): Pela mesma razão do risco de toxicidade articular e cartilaginosa, exceto em situações específicas e excepcionais de exposição ao antraz ou peste, onde os benefícios superam claramente os riscos.

Efeitos Colaterais

Embora o levofloxacino seja geralmente bem tolerado pela maioria dos pacientes, ele possui um perfil de segurança complexo que inclui advertências de tarja preta (Black Box Warnings) devido a reações adversas raras, mas potencialmente debilitantes e irreversíveis.

Reações Adversas Graves e Alertas Importantes

  • Tendinopatia e Ruptura de Tendão: Pode ocorrer nas primeiras 48 horas de tratamento ou até vários meses após a interrupção do uso. O tendão de Aquiles é o mais frequentemente afetado. O risco é significativamente maior em idosos (>60 anos), usuários de corticosteroides sistêmicos e receptores de transplantes de órgãos.
  • Neuropatia Periférica: Danos nos nervos sensoriais ou sensorimotores podem ocorrer rapidamente após o início do tratamento. Os sintomas incluem dor, queimação, formigamento, dormência ou fraqueza nas extremidades. O medicamento deve ser descontinuado imediatamente se estes sintomas surgirem.
  • Efeitos no Sistema Nervoso Central (SNC): Incluem convulsões, psicose tóxica, aumento da pressão intracraniana, tremores, ansiedade grave, depressão, ideação suicida, alucinações e insônia crônica.
  • Prolongamento do Intervalo QT: O levofloxacino pode prolongar o intervalo QT no eletrocardiograma, aumentando o risco de arritmias ventriculares graves, como a Torsades de Pointes. Deve ser evitado em pacientes com hipocalemia não corrigida, prolongamento congênito do intervalo QT ou em uso concomitante de antiarrítmicos de Classe IA ou III.
  • Aneurisma e Dissecação de Aorta: Estudos epidemiológicos sugerem um risco aumentado dessas condições graves em pacientes que receberam fluoroquinolonas, especialmente idosos e portadores de hipertensão arterial ou doença vascular.
  • Disglicemia Grave: Podem ocorrer flutuações severas na glicemia, incluindo hiperglicemia e hipoglicemia sintomática grave (geralmente em pacientes diabéticos em uso de hipoglicemiantes orais ou insulina).

Interações Medicamentosas

O levofloxacino apresenta interações clinicamente significativas com diversos fármacos, exigindo atenção do prescritor e ajustes no horário de administração.

Interações que afetam a absorção do Levofloxacino

A absorção oral do levofloxacino é significativamente reduzida quando administrada concomitantemente com agentes quelantes que contêm cátions divalentes ou trivalentes. Estes cátions ligam-se ao grupo carboxila da quinolona, formando complexos insolúveis no trato gastrointestinal que não conseguem ser absorvidos. Exemplos incluem:

  • Antiácidos contendo magnésio ou alumínio.
  • Suplementos de ferro (sulfato ferroso) e zinco.
  • Protetores gástricos como o sucralfato.
  • Soluções orais tamponadas (como as formulações de didanosina).

Manejo: O levofloxacino oral deve ser administrado pelo menos 2 horas antes ou 2 a 6 horas depois da ingestão de qualquer um desses agentes.

Interações Farmacodinâmicas Graves

  • Corticosteroides sistêmicos: O uso concomitante com prednisona, dexametasona ou outros corticoides aumenta exponencialmente o risco de ruptura de tendão, especialmente em pacientes idosos.
  • Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs): A coadministração de AINEs (como ibuprofeno, cetoprofeno, diclofenaco) com fluoroquinolonas pode potencializar os efeitos de estimulação do SNC, aumentando o risco de convulsões.
  • Medicamentos que prolongam o Intervalo QT: Evitar o uso concomitante com antiarrítmicos (amiodarona, sotalol, procainamida), antipsicóticos (haloperidol, pimozida), antidepressivos tricíclicos e certos macrolídeos devido ao risco aditivo de arritmias cardíacas.
  • Anticoagulantes Orais (Varfarina): O levofloxacino pode potencializar os efeitos da varfarina, resultando em elevação do RNI (Relação Normalizada Internacional) e risco aumentado de sangramentos graves. O RNI deve ser monitorado frequentemente se o uso concomitante for necessário.

Uso em Populações Especiais

Gestantes e Lactantes

O levofloxacino é classificado na Categoria C de Risco na Gravidez. Não foram realizados estudos controlados e adequados em mulheres grávidas. Estudos em animais demonstraram a ocorrência de danos na cartilagem articular de organismos jovens. Portanto, o levofloxacino não deve ser prescrito para gestantes, a menos que o benefício clínico supere claramente os riscos potenciais para o feto (como em casos de exposição ao antraz inalatório).

O levofloxacino é excretado no leite materno em pequenas quantidades. Devido ao potencial de reações adversas graves nos lactentes, a amamentação deve ser descontinuada durante o tratamento com levofloxacino ou o tratamento deve ser evitado.

Pediatria

A segurança e a eficácia do levofloxacino em crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade não foram totalmente estabelecidas. O fármaco causa artropatia e osteocondrose em animais jovens de várias espécies. Seu uso nesta faixa etária é restrito a cenários de extrema necessidade onde não existam alternativas terapêuticas seguras (ex: fibrose cística com infecção pulmonar grave por Pseudomonas aeruginosa ou profilaxia pós-exposição ao antraz).

Idosos

Pacientes idosos apresentam maior risco de desenvolver reações adversas graves associadas ao levofloxacino, incluindo prolongamento do intervalo QT, arritmias (como Torsades de Pointes), distúrbios de tendão (incluindo ruptura), aneurisma de aorta e hipoglicemia grave. Adicionalmente, como a função renal declina fisiologicamente com a idade, a taxa de depuração de creatinina deve ser calculada antes de iniciar o tratamento para determinar a necessidade de ajuste posológico.

Superdosagem

Em caso de superdosagem aguda com levofloxacino oral, os sintomas esperados envolvem principalmente o Sistema Nervoso Central e o sistema cardiovascular, manifestando-se por:

  • Confusão mental, tontura severa e perda de consciência.
  • Crises convulsivas.
  • Náuseas, vômitos e erosões na mucosa gastrointestinal.
  • Prolongamento do intervalo QT e risco de arritmias graves.

Tratamento da Superdosagem

Não existe um antídoto específico para o levofloxacino. O manejo da superdosagem deve focar na remoção do fármaco não absorvido do trato gastrointestinal e em medidas de suporte clínico geral:

  1. Esvaziamento gástrico: Pode ser considerada a lavagem gástrica ou a administração de carvão ativado se a ingestão tiver ocorrido recentemente (idealmente dentro de 1 a 2 horas).
  2. Proteção gástrica: O uso de antiácidos contendo alumínio, magnésio ou cálcio pode ser útil para quelar o levofloxacino remanescente no estômago, reduzindo sua absorção sistêmica.
  3. Monitorização Cardíaca: O eletrocardiograma (ECG) deve ser monitorado continuamente devido ao risco de prolongamento do intervalo QT e arritmias ventriculares.
  4. Manutenção da hidratação: Uma hidratação adequada é essencial para prevenir a cristalúria e auxiliar na excreção renal do fármaco.

A hemodiálise ou diálise peritoneal não são eficazes para remover significativamente o levofloxacino do organismo, uma vez que apenas uma pequena fração do fármaco é removida por estes métodos.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

O levofloxacino é comercializado sob o nome de referência Tavanic® (desenvolvido originalmente pela Sanofi-Aventis). No entanto, com a expiração da patente, o mercado brasileiro conta com uma ampla gama de medicamentos genéricos e similares de alta qualidade, aprovados pela ANVISA após testes rigorosos de bioequivalência e biodisponibilidade.

Os testes de bioequivalência garantem que o medicamento genérico libere o mesmo princípio ativo no organismo, na mesma velocidade e quantidade que o medicamento de referência, assegurando exatamente a mesma eficácia clínica e segurança terapêutica.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

As fluoroquinolonas dividem-se em diferentes gerações, apresentando variações significativas em seus espectros de ação bacteriana e propriedades farmacocinéticas. O quadro comparativo abaixo ajuda a compreender o posicionamento do levofloxacino frente a outros membros proeminentes da mesma classe terapêutica:

Registro na ANVISA

O hemi-hidrato de levofloxacino está devidamente registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sob diferentes números de registro, a depender do fabricante e da apresentação farmacêutica.

De acordo com a Resolução RDC nº 20/2011 da ANVISA, que dispõe sobre o controle de medicamentos antimicrobianos no Brasil, o levofloxacino é classificado como um medicamento de venda sob prescrição médica com retenção de receita. A sua venda em farmácias e drogarias comerciais só é permitida mediante a apresentação da Receita de Controle Especial em duas vias, onde a primeira via fica retida no estabelecimento farmacêutico para escrituração no SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados) e a segunda via é devolvida ao paciente carimbada como comprovante de dispensação.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Levofloxacino

Onde Comprar Levofloxacino?

O levofloxacino pode ser adquirido em qualquer farmácia ou drogaria física e online devidamente autorizada pela ANVISA no Brasil. Por se tratar de um antimicrobiano sujeito a controle especial (RDC 20/2011), a compra só é autorizada mediante a apresentação física da receita médica em duas vias dentro do prazo de validade (10 dias a contar da data de emissão).

Os preços do levofloxacino podem variar de forma expressiva de acordo com a marca (referência, genérico ou similar), a dosagem (500 mg ou 750 mg), a quantidade de comprimidos na embalagem e a região do país. Em geral, os medicamentos genéricos oferecem uma economia substancial em relação ao medicamento de referência, mantendo o mesmo padrão de qualidade e eficácia terapêutica.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 09/08/2026 e revisado em 09/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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