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Ansiolíticos e Antidepressivos

Pregabalina

20 min de leitura Atualizado em 31/08/2026 Base ANVISA

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A dor crônica, os transtornos de ansiedade e as crises convulsivas representam alguns dos maiores desafios da medicina contemporânea. No centro do manejo dessas condições complexas está a pregabalina, uma molécula inovadora que revolucionou a abordagem terapêutica da dor neuropática e da fibromialgia nas últimas duas décadas. Desenvolvida inicialmente como um anticonvulsivante, a pregabalina provou ser um agente terapêutico multifacetado, atuando diretamente na modulação da hiperexcitabilidade neuronal do sistema nervoso central.

Como um análogo estrutural do ácido gama-aminobutírico (GABA), a pregabalina possui uma farmacologia fascinante. Ao contrário do que seu nome e estrutura sugerem, ela não interage diretamente com os receptores GABAérgicos, mas sim com canais de cálcio específicos no cérebro e na medula espinhal. Essa distinção mecânica é crucial para compreender sua eficácia clínica superior e seu perfil de tolerabilidade quando comparada a outros agentes neuromoduladores tradicionais.

Neste artigo completo e aprofundado, exploraremos em detalhes todos os aspectos da pregabalina: desde sua síntese histórica e aprovação regulatória até seu mecanismo de ação molecular, propriedades farmacocinéticas, indicações clínicas precisas, posologia recomendada, potenciais efeitos adversos e interações medicamentosas. Se você é um profissional de saúde em busca de atualização científica ou um paciente buscando compreender melhor o seu tratamento, este guia definitivo fornecerá todas as informações necessárias sobre este importante medicamento.

O que é Pregabalina?

A pregabalina é um fármaco pertencente à classe dos anticonvulsivantes e neuromoduladores, amplamente utilizada no tratamento da dor neuropática, do transtorno de ansiedade generalizada (TAG), da fibromialgia e como terapia adjuvante em crises epiléticas parciais. Quimicamente, ela é identificada como ácido (S)-3-(aminometil)-5-metil-hexanoico, sendo um análogo estrutural do neurotransmissor inibitório ácido gama-aminobutírico (GABA).

A história da pregabalina remonta ao final do século XX, quando foi sintetizada pelo químico orgânico Richard Bruce Silverman na Northwestern University, nos Estados Unidos, como um sucessor aprimorado da gabapentina. O objetivo era desenvolver uma molécula com maior potência farmacológica e melhor perfil de absorção oral. O medicamento foi aprovado pela primeira vez pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA em 2004 e, logo em seguida, recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil.

No mercado farmacêutico brasileiro, a pregabalina está disponível principalmente na forma de cápsulas duras, nas concentrações de 55 mg (em algumas formulações específicas), 75 mg, 150 mg e 300 mg. O medicamento de referência original é o Lyrica®, desenvolvido pela Pfizer (atualmente comercializado pela Viatris), mas hoje existem inúmeras opções de genéricos e similares de alta qualidade produzidos por grandes laboratórios nacionais e internacionais.

Mecanismo de Ação

Embora a pregabalina seja um análogo estrutural do GABA, ela não se liga aos receptores GABA-A ou GABA-B, não é metabolicamente convertida em GABA ou em um agonista GABAérgico, não altera a captação de GABA e não inibe a sua degradação enzimática. O verdadeiro mecanismo de ação da pregabalina reside na sua capacidade de se ligar com alta afinidade à subunidade auxiliar alfa-2-delta (α2δ) dos canais de cálcio voltagem-dependentes (CCVD) no sistema nervoso central.

Os canais de cálcio voltagem-dependentes desempenham um papel fundamental na sinalização neuronal. Quando um potencial de ação atinge o terminal pré-sináptico, esses canais se abrem, permitindo a entrada de íons de cálcio ($Ca^{2+}$). O influxo de cálcio desencadeia a fusão das vesículas sinápticas com a membrana pré-sináptica, resultando na liberação de neurotransmissores na fenda sináptica. Em condições de dor crônica, ansiedade ou epilepsia, ocorre uma hiperexcitabilidade neuronal caracterizada pela superexpressão dessas subunidades α2δ.

Ao se ligar seletivamente à subunidade α2δ (especialmente aos subtipos 1 e 2), a pregabalina reduz o influxo de cálcio nos terminais nervosos pré-sinápticos hiperativos. Essa modulação diminui a liberação excessiva de diversos neurotransmissores excitatórios, incluindo:

  • Glutamato: O principal neurotransmissor excitatório do sistema nervoso central, cujo excesso está associado à dor crônica e à excitotoxicidade.
  • Noradrenalina: Envolvida nas vias ascendentes e descendentes da dor e na fisiopatologia da ansiedade.
  • Substância P e Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina (CGRP): Neuropeptídeos cruciais na transmissão de sinais dolorosos nociceptivos na medula espinhal.

Ao “atenuar” a liberação desses neurotransmissores excitatórios, a pregabalina restaura o equilíbrio sináptico, reduzindo a hiperexcitabilidade neuronal sem afetar a neurotransmissão basal normal. Isso explica sua eficácia clínica em condições caracterizadas por um sistema nervoso “hipersensibilizado”, como a dor neuropática e a fibromialgia, bem como sua ação ansiolítica e anticonvulsivante.

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Farmacocinética e Farmacodinâmica

A pregabalina apresenta um perfil farmacocinético altamente previsível, linear e consistente, com baixa variabilidade interindividual. Essas características facilitam o manejo clínico, pois a resposta terapêutica e a ocorrência de efeitos adversos costumam ser diretamente proporcionais à dose administrada.

Absorção

Após a administração por via oral em jejum, a pregabalina é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal. A biodisponibilidade oral é estimada em ≥ 90%, sendo independente da dose administrada. O pico de concentração plasmática ($C_{max}$) é atingido dentro de 1 hora (tmax) em jejum. A absorção ocorre principalmente no intestino delgado superior através do sistema de transporte de aminoácidos neutros L (sistema L-aminoácido), um transportador ativo saturável. Quando administrada com alimentos, a taxa de absorção é reduzida: o $C_{max}$ diminui em aproximadamente 25% a 30% e o tmax é retardado para cerca de 2,5 horas; no entanto, a extensão total da absorção (Área Sob a Curva – AUC) não é clinicamente afetada, o que significa que a pregabalina pode ser ingerida com ou sem alimentos.

Distribuição

A pregabalina não se liga às proteínas plasmáticas. Seu volume aparente de distribuição ($V_d$) após a administração oral é de aproximadamente 0,5 a 0,6 L/kg, o que indica que o fármaco se distribui amplamente pelos tecidos corporais. Devido à sua natureza lipofílica e à sua semelhança estrutural com aminoácidos, ela atravessa facilmente a barreira hematoencefálica através de transporte ativo facilitado. Além disso, a pregabalina atravessa a barreira placentária e é excretada no leite materno humano.

Metabolismo

O metabolismo da pregabalina em humanos é insignificante. Menos de 2% da dose administrada sofre biotransformação. O principal metabólito encontrado na urina é o derivado N-metilado da pregabalina, que não apresenta atividade farmacológica relevante. O fármaco não sofre metabolismo oxidativo mediado pelas enzimas do citocromo P450 (CYP), o que minimiza drasticamente o risco de interações medicamentosas de base metabólica.

Excreção

A pregabalina é eliminada quase em sua totalidade (aproximadamente 98%) por excreção renal na forma inalterada. A depuração (clearance) renal da pregabalina é diretamente proporcional à depuração da creatinina ($Cl_{Cr}$), uma vez que o fármaco é filtrado pelos glomérulos e sofre secreção tubular ativa parcial. A meia-vida de eliminação plasmática ($t_{1/2}$) é de aproximadamente 6,3 horas em indivíduos com função renal normal. Devido a essa eliminação predominantemente renal, o ajuste posológico é mandatório em pacientes com insuficiência renal ou submetidos à hemodiálise.

Indicações Terapêuticas

A pregabalina possui indicações terapêuticas consolidadas e aprovadas pela ANVISA, fundamentadas em robustos ensaios clínicos controlados de fase III. Suas principais aplicações clínicas incluem:

1. Dor Neuropática

Indicada para o tratamento da dor neuropática periférica e central em adultos. A dor neuropática resulta de uma lesão ou disfunção primária do sistema nervoso. As condições mais comuns tratadas com pregabalina incluem:

  • Neuropatia Diabética Periférica (NDP): Caracterizada por dor em queimação, agulhadas ou formigamento nas extremidades inferiores de pacientes diabéticos.
  • Neuralgia Pós-Herpética (NPH): Dor persistente que ocorre após a resolução das lesões cutâneas do herpes-zóster.
  • Dor Neuropática Central: Decorrente de lesões medulares, acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou esclerose múltipla.

2. Fibromialgia

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada associada a fadiga, distúrbios do sono, rigidez matinal e alterações cognitivas. A pregabalina foi o primeiro medicamento aprovado especificamente para o tratamento da fibromialgia. Ela atua reduzindo a hipersensibilidade do processamento sensorial central (sensibilização central), melhorando significativamente os escores de dor, a qualidade do sono e a funcionalidade global do paciente.

3. Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

Indicada para o tratamento do TAG em adultos. O TAG caracteriza-se por ansiedade e preocupação excessivas, persistentes e de difícil controle, acompanhadas de sintomas físicos (tensão muscular, irritabilidade, distúrbios do sono). A pregabalina demonstrou eficácia comparável à dos benzodiazepínicos e dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), com a vantagem de apresentar um início de ação mais rápido (geralmente na primeira semana de tratamento) e menor incidência de disfunção sexual.

4. Epilepsia

Indicada como terapia adjuvante (associada a outros anticonvulsivantes) no tratamento de crises convulsivas parciais (focais), com ou sem generalização secundária, em pacientes adultos. Ao reduzir a liberação de glutamato, a pregabalina previne a propagação de descargas elétricas anormais no córtex cerebral.

Uso Off-Label (Não aprovado em bula)

Na prática clínica baseada em evidências, a pregabalina é frequentemente prescrita para condições não descritas formalmente na bula (uso off-label), tais como:

  • Síndrome das Pernas Inquietas (SPI): Especialmente em casos graves ou refratários.
  • Prevenção de Enxaqueca: Como terapia profilática alternativa.
  • Prurido Urêmico ou Neuropático: Coceira crônica refratária associada à insuficiência renal ou lesões nervosas.
  • Dor Pós-Operatória Aguda: Utilizada no contexto de analgesia multimodal para reduzir o consumo de opioides no pós-operatório.

Posologia e Forma de Uso

A pregabalina deve ser administrada por via oral, com ou sem alimentos, engolida inteira com auxílio de líquido. A dose diária total varia de 150 mg a 600 mg, dividida em duas ou três tomadas diárias, dependendo da indicação clínica e da tolerabilidade do paciente. A titulação gradual da dose é fundamental para minimizar os efeitos colaterais iniciais, como tontura e sonolência.

Esquemas Posológicos Recomendados

  • Dor Neuropática: A dose inicial recomendada é de 150 mg/dia, dividida em 2 ou 3 tomadas. Se necessário, com base na resposta individual e tolerabilidade, a dose pode ser aumentada para 300 mg/dia após um intervalo de 3 a 7 dias e, se necessário, até a dose máxima de 600 mg/dia após mais 7 dias.
  • Fibromialgia: A dose inicial recomendada é de 150 mg/dia (dividida em 2 tomadas). Pode ser aumentada para 300 mg/dia (150 mg duas vezes ao dia) no prazo de uma semana. A dose máxima recomendada para a maioria dos pacientes é de 300 mg a 450 mg/dia, embora alguns pacientes possam se beneficiar de até 600 mg/dia.
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): A dose inicial é de 150 mg/dia. Dependendo da resposta, a dose pode ser aumentada para 300 mg/dia após uma semana. Após mais uma semana, pode ser aumentada para 450 mg/dia, até o limite máximo de 600 mg/dia.
  • Epilepsia: Dose inicial de 150 mg/dia. Pode ser aumentada para 300 mg/dia após uma semana e para a dose máxima de 600 mg/dia após mais uma semana.

Ajuste Posológico na Insuficiência Renal

Como a pregabalina é eliminada quase exclusivamente pelos rins, a dose deve ser reduzida em pacientes com função renal comprometida, conforme a tabela abaixo:

*A dose diária total (mg/dia) deve ser dividida conforme indicado pelo regime posológico (tomadas diárias).
**Dose complementar única: dose adicional a ser administrada imediatamente após cada sessão de hemodiálise de 4 horas.

Descontinuação do Tratamento

A interrupção do tratamento com pregabalina nunca deve ser feita de forma abrupta. Recomenda-se a descontinuação gradual ao longo de, no mínimo, uma semana. A retirada rápida pode desencadear sintomas de abstinência, incluindo insônia, cefaleia, náuseas, ansiedade, diarreia, síndrome gripal, nervosismo, depressão, dor, sudorese e tontura, além do risco de rebote de crises convulsivas em pacientes epiléticos.

Contraindicações

A pregabalina apresenta poucas contraindicações absolutas, mas exige cautela extrema em determinadas situações clínicas.

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade conhecida à substância ativa ou a qualquer componente da fórmula: Reações de hipersensibilidade, incluindo angioedema (inchaço da face, língua, lábios e garganta) e reações cutâneas graves (como Síndrome de Stevens-Johnson), já foram relatadas.

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Histórico de Angioedema: Pacientes que já apresentaram angioedema por outras causas têm risco aumentado de desenvolver a condição ao utilizar pregabalina. O uso concomitante com inibidores da ECA (como enalapril, captopril) eleva significativamente esse risco.
  • Ideação e Comportamento Suicida: Assim como outros fármacos antiepiléticos, a pregabalina pode aumentar ligeiramente o risco de pensamentos ou comportamentos suicidas. Os pacientes devem ser monitorados quanto ao surgimento ou piora de depressão, alterações de humor ou ideação suicida.
  • Histórico de Abuso de Substâncias: Pacientes com histórico de dependência química ou abuso de medicamentos devem ser avaliados cuidadosamente antes de iniciar o tratamento, pois a pregabalina possui potencial de abuso, dependência física e psíquica, especialmente em doses elevadas.
  • Insuficiência Cardíaca Congestiva (Classes NYHA III ou IV): Devido ao risco de retenção hídrica e edema periférico, a pregabalina deve ser utilizada com extrema cautela nessa população.

Efeitos Colaterais

O perfil de segurança da pregabalina é bem caracterizado. A maioria das reações adversas é de intensidade leve a moderada e tende a diminuir de intensidade com a continuação do tratamento ou com o ajuste de dose. Os efeitos colaterais mais frequentemente relatados são tontura e sonolência, que ocorrem principalmente no início da terapia.

Descrição Detalhada de Reações Adversas Importantes

  • Tontura e Sonolência: São os efeitos mais comuns, afetando mais de 10% dos pacientes. Podem comprometer a capacidade de dirigir veículos ou operar máquinas. Ocorrem com maior frequência em idosos e estão associados a um risco aumentado de quedas acidentais.
  • Ganho de Peso e Edema Periférico: O ganho de peso está frequentemente relacionado ao aumento do apetite e à retenção de fluidos (edema periférico). Não parece estar associado a alterações significativas na pressão arterial ou na função cardiovascular em pacientes sem cardiopatia prévia.
  • Efeitos Cognitivos: Dificuldade de concentração, lapsos de memória (amnésia), confusão mental e lentidão psicomotora podem ocorrer, especialmente em doses mais elevadas.

Interações Medicamentosas

Devido ao fato de a pregabalina ser excretada predominantemente de forma inalterada na urina, sofrer metabolismo insignificante em humanos e não inibir ou induzir as principais enzimas do citocromo P450, o potencial de interações farmacocinéticas é extremamente baixo.

No entanto, interações farmacodinâmicas clinicamente significativas podem ocorrer quando a pregabalina é coadministrada com outras substâncias que deprimem o sistema nervoso central (SNC).

Interações com Alimentos

Como mencionado anteriormente, a ingestão de alimentos retarda a velocidade de absorção da pregabalina (reduz o $C_{max}$ e atrasa o tmax), mas não altera a quantidade total absorvida (AUC). Portanto, o medicamento pode ser administrado independentemente das refeições.

Uso em Populações Especiais

A prescrição de pregabalina requer considerações específicas e ajustes cuidadosos em determinados subgrupos de pacientes.

Idosos (acima de 65 anos)

Pacientes idosos são mais suscetíveis a efeitos colaterais neurológicos, como tontura, sonolência, confusão mental e ataxia, o que aumenta significativamente o risco de quedas e fraturas. Além disso, como o declínio da função renal é comum com o envelhecimento fisiológico, a depuração da creatinina deve ser sempre avaliada para determinar a necessidade de ajuste posológico.

Gestantes (Categoria de Risco C)

Não existem dados adequados sobre o uso de pregabalina em mulheres grávidas. Estudos em animais demonstraram toxicidade reprodutiva (malformações estruturais fetais e toxicidade materna). Portanto, a pregabalina não deve ser utilizada durante a gravidez, a menos que o benefício para a mãe supere claramente o risco potencial para o feto. Mulheres em idade fértil devem utilizar métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento.

Lactantes

A pregabalina é excretada no leite materno humano em pequenas quantidades. A decisão entre descontinuar a amamentação ou descontinuar o tratamento com pregabalina deve ser tomada considerando os benefícios da amamentação para a criança e os benefícios do tratamento para a mãe.

Pediatria (menores de 18 anos)

A segurança e a eficácia da pregabalina em crianças e adolescentes com menos de 18 anos ainda não foram estabelecidas de forma robusta. Portanto, seu uso não é recomendado para essa faixa etária.

Insuficiência Hepática

Como a pregabalina não sofre metabolismo hepático significativo, não é necessário realizar qualquer ajuste de dose em pacientes com comprometimento da função hepática.

Superdosagem

A experiência clínica com superdosagem de pregabalina é limitada, mas, em geral, o perfil de toxicidade aguda é considerado benigno quando o fármaco é ingerido isoladamente.

Sintomas de Intoxicação

Em casos de superdosagem (com doses de até 15 g relatadas), os sintomas mais comuns incluem:

  • Sonolência acentuada ou letargia;
  • Estado de confusão mental;
  • Agitação ou inquietação;
  • Tontura e ataxia;
  • Depressão do nível de consciência (raramente evoluindo para coma);
  • Crises convulsivas (principalmente em pacientes com histórico de epilepsia ou em coingestão com outros limiares convulsivantes).

Tratamento

Não existe um antídoto específico para a pregabalina. O manejo da superdosagem baseia-se em medidas de suporte geral e tratamento sintomático:

  1. Suporte de Vias Aéreas e Ventilação: Garantir a oxigenação adequada do paciente.
  2. Prevenção da Absorção: A lavagem gástrica ou a administração de carvão ativado podem ser consideradas se realizadas dentro de 1 a 2 horas após a ingestão de uma dose potencialmente tóxica.
  3. Monitorização Clínica: Monitorar sinais vitais, função renal e eletrocardiograma (ECG).
  4. Hemodiálise: Em casos de intoxicação grave, especialmente em pacientes com insuficiência renal grave, a hemodiálise pode ser altamente eficaz. A hemodiálise pode remover aproximadamente 50% da pregabalina do organismo em um período de 4 horas.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

A patente do medicamento de referência original, Lyrica® (Pfizer), expirou no Brasil, o que permitiu a entrada de diversas alternativas genéricas e similares equivalentes no mercado nacional. Todos os medicamentos genéricos aprovados pela ANVISA passam por rigorosos testes de bioequivalência e equivalência farmacêutica, garantindo que produzam o mesmo efeito terapêutico na mesma dose que o medicamento de referência.

Principais Medicamentos Similares Equivalentes (Marcas)

  • Prebictal® (Biolab)
  • Insit® (Eurofarma)
  • Proleptol® (Aché)
  • Reguard® (Torrent)

Ao optar por um medicamento genérico ou similar, o paciente deve certificar-se de que a substituição seja orientada pelo farmacêutico ou médico assistente, garantindo a intercambialidade correta do produto.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

A pregabalina é frequentemente comparada à gabapentina, o primeiro anticonvulsivante modulador dos canais de cálcio a ser desenvolvido. Embora compartilhem o mesmo mecanismo de ação molecular básico (ligação à subunidade α2δ), existem diferenças farmacológicas e clínicas fundamentais entre as duas moléculas.

Vantagens Clínicas da Pregabalina sobre a Gabapentina

  • Farmacocinética Linear: A absorção da gabapentina é saturável (não linear), o que significa que, à medida que a dose aumenta, a porcentagem de absorção diminui. A pregabalina tem absorção linear e previsível em toda a sua faixa terapêutica, facilitando o ajuste de dose.
  • Maior Potência: A pregabalina é cerca de 3 a 6 vezes mais potente que a gabapentina, permitindo o uso de doses significativamente menores para obter o mesmo efeito terapêutico.
  • Início de Ação Mais Rápido: Devido à sua absorção mais rápida e maior biodisponibilidade, a pregabalina geralmente apresenta efeitos terapêuticos perceptíveis mais cedo (frequentemente na primeira semana) em comparação com a gabapentina.

Registro na ANVISA

No Brasil, a pregabalina é uma substância controlada e está registrada sob rigorosas normas de vigilância sanitária para mitigar riscos de uso inadequado e dependência.

De acordo com a Portaria SVS/MS nº 344 de 12 de maio de 1998, a pregabalina está classificada na Lista C1 (Substâncias Sujeitas a Controle Especial). Isso significa que sua venda é permitida exclusivamente mediante a apresentação da Receita de Controle Especial em duas vias (via branca retida na farmácia e via rosa devolvida ao paciente), com validade de 30 dias a partir da data de emissão em todo o território nacional.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

🔗 Consultar no Bulário Eletrônico da ANVISA

Perguntas Frequentes sobre Pregabalina

Onde Comprar Pregabalina?

A pregabalina pode ser adquirida em qualquer farmácia ou drogaria física e online devidamente autorizada pela ANVISA no Brasil. No entanto, devido à sua classificação como medicamento de controle especial (Lista C1 da Portaria 344/98), a compra em farmácias online exige a apresentação física da Receita de Controle Especial em duas vias no momento da entrega ou a retirada presencial do documento pelo motoboy da farmácia (dependendo da regulamentação local).

O preço da pregabalina pode variar significativamente dependendo da marca (referência Lyrica® vs. genéricos/similares), da dosagem (75 mg, 150 mg ou 300 mg) e da quantidade de cápsulas por embalagem (geralmente 14, 28, 30 ou 60 cápsulas). Os medicamentos genéricos costumam ser de 50% a 70% mais baratos que o medicamento de referência, representando uma excelente opção de custo-benefício para tratamentos de uso contínuo.

Recomenda-se sempre realizar pesquisas de preço em diferentes redes farmacêuticas e verificar a disponibilidade de programas de benefício em medicamentos (PBM) oferecidos por laboratórios parceiros para obter descontos adicionais.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 31/08/2026 e revisado em 31/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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