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Anti-inflamatórios

Naproxeno

21 min de leitura Atualizado em 10/09/2026 Base ANVISA

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A dor e a inflamação são respostas fisiológicas complexas a lesões teciduais, infecções ou processos autoimunes. No arsenal terapêutico da medicina moderna, os Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs) desempenham um papel fundamental no manejo dessas condições. Entre eles, o naproxeno destaca-se como um dos compostos mais versáteis, eficazes e clinicamente consolidados. Com uma meia-vida plasmática prolongada que permite a conveniência de poucas tomadas diárias e um perfil de segurança cardiovascular comparativamente favorável em relação a outros membros de sua classe, o naproxeno é amplamente prescrito tanto para o alívio de dores agudas quanto para o controle de patologias inflamatórias crônicas.

Este artigo oferece uma análise profunda e tecnicamente detalhada sobre o naproxeno e o naproxeno sódico, abordando desde sua síntese histórica e mecanismos moleculares até sua farmacocinética, indicações clínicas, perfil de segurança e interações medicamentosas. O objetivo é fornecer a médicos, farmacêuticos, estudantes da área da saúde e pacientes uma referência completa e baseada em evidências científicas sobre este importante fármaco.

O que é Naproxeno?

O naproxeno é um composto químico derivado do ácido arilacético, mais especificamente do ácido propionico. Desenvolvido na década de 1970 pela empresa farmacêutica Syntex, o naproxeno foi aprovado para uso clínico e rapidamente se estabeleceu como um dos anti-inflamatórios mais prescritos no mundo devido à sua eficácia robusta e perfil de tolerabilidade. No Brasil, o medicamento é registrado e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para uma ampla gama de indicações analgésicas e anti-inflamatórias.

Quimicamente, o naproxeno pode ser administrado na forma de ácido livre (naproxeno) ou na forma de sal sódico (naproxeno sódico). Embora ambos possuam a mesma atividade terapêutica uma vez presentes na corrente sanguínea, a forma sódica apresenta uma taxa de dissolução e absorção gastrointestinal significativamente mais rápida. Isso torna o naproxeno sódico a escolha preferencial para o tratamento de dores agudas que requerem um início de ação rápido, como cefaleias, dismenorreia e dores pós-operatórias. O naproxeno na forma ácida, por sua vez, é frequentemente utilizado em formulações de liberação prolongada ou em tratamentos de longo prazo para doenças reumáticas crônicas.

No mercado farmacêutico brasileiro, o naproxeno está disponível em diversas apresentações, incluindo comprimidos simples de 250 mg e 500 mg, comprimidos de naproxeno sódico de 275 mg e 550 mg, suspensões orais para uso pediátrico e formulações tópicas. Essa diversidade de apresentações permite a personalização do tratamento de acordo com a idade do paciente, a gravidade da condição e a velocidade de resposta terapêutica desejada.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação do naproxeno baseia-se na inibição não seletiva e reversível das enzimas ciclooxigenases, especificamente a ciclooxigenase-1 (COX-1) e a ciclooxigenase-2 (COX-2). Estas enzimas são responsáveis pela conversão do ácido araquidônico, um fosfolipídio de membrana celular liberado durante a lesão tecidual, em endoperóxidos instáveis, que são subsequentemente convertidos em prostaglandinas, prostaciclinas e tromboxanos.

As prostaglandinas são mediadores lipídicos que desempenham papéis cruciais na fisiopatologia da dor, da febre e da inflamação. A prostaglandina E2 (PGE2) e a prostaciclina (PGI2) sensibilizam os nociceptores periféricos (receptores de dor) a estímulos mecânicos e químicos, como a bradicinina e a histamina, amplificando a transmissão dos sinais de dor para o sistema nervoso central. No hipotálamo, a PGE2 atua como um mediador central da febre, elevando o ponto de ajuste termorregulador do corpo. Ao inibir a síntese dessas prostaglandinas através do bloqueio da COX-2, o naproxeno exerce seus potentes efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e antipiréticos.

Por outro lado, a inibição da COX-1, uma enzima constitutiva expressa na maioria dos tecidos, é responsável por muitos dos efeitos adversos associados ao uso do naproxeno. A COX-1 desempenha funções homeostáticas vitais, incluindo a produção de prostaglandinas citoprotetoras na mucosa gástrica (que estimulam a secreção de muco e bicarbonato e mantêm o fluxo sanguíneo da mucosa) e a síntese de tromboxano A2 (TXA2) nas plaquetas, que promove a agregação plaquetária. A inibição da COX-1 pelo naproxeno reduz a proteção gástrica, aumentando o risco de irritação, erosão e ulceração gastrointestinal, e inibe temporariamente a agregação plaquetária, prolongando o tempo de sangramento.

⚗️ Como Funciona no Organismo?

Farmacocinética e Farmacodinâmica

A farmacocinética do naproxeno é caracterizada por uma excelente biodisponibilidade oral, distribuição tecidual ampla e uma meia-vida de eliminação notavelmente longa em comparação com outros AINEs de curta ação, como o ibuprofeno ou o diclofenaco.

Absorção

Após a administração oral, o naproxeno é rápida e completamente absorvido pelo trato gastrointestinal. A biodisponibilidade estimada é de aproximadamente 95%. Quando administrado na forma de naproxeno sódico, os níveis plasmáticos máximos (Cmax) são alcançados em cerca de 1 a 2 horas. Para o naproxeno na forma ácida, o Cmax é atingido em aproximadamente 2 a 4 horas. A presença de alimentos no estômago pode retardar ligeiramente a taxa de absorção (prolongando o tempo para atingir o Cmax), mas não altera a quantidade total de fármaco absorvida (área sob a curva – AUC).

Distribuição

O naproxeno apresenta um volume de distribuição relativamente pequeno (cerca de 0,16 L/kg), o que reflete sua altíssima afinidade por proteínas plasmáticas. Em concentrações terapêuticas normais, mais de 99% do naproxeno circula ligado à albumina plasmática. Devido a essa alta taxa de ligação proteica, o naproxeno pode deslocar outros medicamentos altamente ligados às proteínas de seus sítios de ligação, ou ser deslocado por eles, o que tem implicações clínicas importantes para interações medicamentosas. O naproxeno atravessa a barreira placentária e é excretado no leite materno em pequenas quantidades. Ele também penetra no líquido sinovial, onde atinge concentrações terapêuticas eficazes para o tratamento de doenças articulares.

Metabolismo

O metabolismo do naproxeno ocorre predominantemente no fígado. Aproximadamente 95% de uma dose administrada é metabolizada em 6-O-desmetilnaproxeno, um metabólito desprovido de atividade farmacológica significativa. Este processo de desmetilação é mediado principalmente pelas isoenzimas do citocromo P450, especificamente CYP2C9 e CYP1A2. Tanto o naproxeno inalterado quanto o seu metabólito desmetilado passam por processos subsequentes de conjugação, principalmente com o ácido glicurônico (glicuronidação), para facilitar sua excreção.

Excreção

A principal via de eliminação do naproxeno e de seus metabólitos é a renal, com cerca de 95% da dose excretada na urina. Menos de 1% da dose é excretada inalterada na urina, e uma fração mínima (menos de 3%) é eliminada nas fezes. A meia-vida de eliminação plasmática do naproxeno varia entre 12 e 17 horas em adultos jovens e saudáveis. Essa meia-vida prolongada permite um regime posológico conveniente de duas vezes ao dia (a cada 12 horas), o que melhora significativamente a adesão do paciente ao tratamento em comparação com AINEs que requerem administração a cada 4 ou 6 horas.

Indicações Terapêuticas

O naproxeno é indicado para o alívio sintomático de uma ampla variedade de condições dolorosas, inflamatórias e febris. Suas principais indicações clínicas incluem:

  • Doenças Reumáticas e Articulares: Tratamento de longo ou curto prazo da artrite reumatoide, osteoartrite (artrose), espondilite anquilosante e artrite reumatoide juvenil. O naproxeno reduz a dor articular, o edema e a rigidez matinal, melhorando a capacidade funcional do paciente.
  • Gota Aguda: Manejo da dor excruciante e da inflamação intensa associadas às crises agudas de gota (artrite gotosa).
  • Distúrbios Musculoesqueléticos Agudos: Tratamento de tendinites, bursites, sinovites, tenossinovites, lombalgias, torcicolos e lesões esportivas (entorses, distensões e contusões).
  • Dor Aguda e Pós-Operatória: Alívio da dor pós-parto, dor pós-cirúrgica (ortopédica, ginecológica ou geral) e dor decorrente de procedimentos odontológicos.
  • Dismenorreia Primária: Tratamento e prevenção das cólicas menstruais e sintomas associados, devido à sua capacidade de inibir a síntese de prostaglandinas uterinas hiperativas.
  • Enxaqueca e Cefaleias: Tratamento agudo de crises de enxaqueca (migrânea) e cefaleia tensional, bem como a profilaxia da enxaqueca em pacientes selecionados.
  • Estados Febris: Redução da febre em adultos e crianças, embora geralmente não seja a primeira escolha para essa finalidade isolada devido à disponibilidade de outros antipiréticos com menor perfil de efeitos colaterais.

Além das indicações aprovadas, o naproxeno é por vezes utilizado de forma off-label no manejo de dores oncológicas ósseas refratárias e no controle da febre neoplásica (febre associada a certos tipos de câncer que não responde bem a antipiréticos comuns).

Posologia e Forma de Uso

A posologia do naproxeno deve ser individualizada de acordo com a indicação clínica, a gravidade dos sintomas, a idade do paciente e a presença de comorbidades. Recomenda-se sempre utilizar a menor dose eficaz pelo menor período de tempo necessário para controlar os sintomas, minimizando assim o risco de eventos adversos.

Os comprimidos devem ser deglutidos inteiros, com um copo de água, preferencialmente durante ou após as refeições, para reduzir o potencial de irritação gástrica direta. O naproxeno sódico e o naproxeno ácido possuem equivalência terapêutica, mas as doses expressas em miligramas diferem ligeiramente devido ao peso do íon sódio (por exemplo, 275 mg de naproxeno sódico equivalem a 250 mg de naproxeno ácido; 550 mg de naproxeno sódico equivalem a 500 mg de naproxeno ácido).

Contraindicações

O uso do naproxeno é contraindicado em diversas situações clínicas onde o risco de complicações graves supera os potenciais benefícios terapêuticos. As contraindicações absolutas incluem:

  • Hipersensibilidade: Pacientes com histórico de hipersensibilidade conhecida ao naproxeno, ao naproxeno sódico ou a qualquer componente da formulação.
  • Tríade do Ácido Acetilsalicílico: Pacientes que apresentaram asma, rinite, pólipos nasais, urticária ou reações anafilactoides após o uso de ácido acetilsalicílico (Aspirina) ou outros AINEs. Nesses pacientes, existe um risco elevado de broncoespasmo grave e potencialmente fatal.
  • Úlcera Péptica Ativa ou Sangramento Gastrointestinal: Pacientes com úlcera péptica ativa, histórico de ulceração recorrente ou sangramento gastrointestinal ativo.
  • Histórico de Sangramento ou Perfuração GI Relacionados a AINEs: Pacientes que desenvolveram sangramento ou perfuração gastrointestinal prévia associada ao uso de anti-inflamatórios.
  • Insuficiência Cardíaca Grave: Pacientes com insuficiência cardíaca congestiva grave (classe funcional IV da NYHA).
  • Insuficiência Renal Grave: Pacientes com depuração de creatinina (ClCr) inferior a 30 mL/min, uma vez que o naproxeno é eliminado por via renal e pode deteriorar ainda mais a função renal.
  • Insuficiência Hepática Grave: Pacientes com cirrose hepática ou disfunção hepática grave.
  • Cirurgia de Revascularização do Miocárdio (CABG): O uso de naproxeno é contraindicado para o tratamento da dor perioperatória imediata em cirurgias de bypass coronariano devido ao risco aumentado de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
  • Terceiro Trimestre de Gestação: Contraindicado devido aos riscos de fechamento prematuro do ducto arterioso fetal, hipertensão pulmonar persistente no recém-nascido e disfunção renal fetal.

As contraindicações relativas exigem cautela extrema, monitoramento clínico rigoroso e, frequentemente, ajuste de dose. Entre elas estão o histórico de hipertensão arterial sistêmica, doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, asma brônquica crônica, distúrbios de coagulação e uso concomitante de anticoagulantes.

Efeitos Colaterais

Como todos os anti-inflamatórios não esteroidais, o naproxeno pode causar efeitos colaterais, embora nem todos os pacientes os apresentem. A gravidade e a frequência desses efeitos estão diretamente relacionadas à dose administrada e à duração do tratamento.

Os efeitos adversos mais frequentes acometem o trato gastrointestinal, decorrentes da inibição da síntese de prostaglandinas citoprotetoras mediada pela COX-1. Sintomas como dispepsia (indigestão), náuseas, pirose (azia) e dor abdominal são comuns. Complicações mais graves, como úlceras gástricas ou duodenais, hemorragia gastrointestinal (por vezes manifestada como melena ou hematêmese) e perfuração intestinal, podem ocorrer a qualquer momento durante o tratamento, especialmente em idosos ou pacientes com histórico de doença ulcerosa.

No sistema cardiovascular, o naproxeno pode promover a retenção de sódio e água, resultando em edema periférico, início ou exacerbação de hipertensão arterial e agravamento da insuficiência cardíaca congestiva. Embora estudos epidemiológicos sugiram que o naproxeno apresenta um risco cardiovascular menor (como infarto do miocárdio ou AVC) em comparação com AINEs seletivos para a COX-2 (coxibes) ou diclofenaco, esse risco não pode ser totalmente descartado, particularmente em doses elevadas e tratamentos prolongados.

A toxicidade renal é outra preocupação importante. O naproxeno pode reduzir o fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular ao inibir as prostaglandinas renais vasodilatadoras. Isso pode levar à insuficiência renal aguda, nefrite intersticial, síndrome nefrótica e hipercalemia, especialmente em pacientes predispostos (idosos, desidratados ou com disfunção renal prévia).

Interações Medicamentosas

O naproxeno apresenta um potencial significativo de interações farmacológicas com diversos medicamentos de uso comum, o que pode alterar a eficácia terapêutica ou aumentar substancialmente o risco de toxicidade.

Anticoagulantes e Antiplaquetários

A coadministração de naproxeno com anticoagulantes orais (como varfarina, rivaroxabana, apixabana ou dabigatrana) ou agentes antiplaquetários (como ácido acetilsalicílico e clopidogrel) aumenta drasticamente o risco de sangramentos graves, particularmente gastrointestinais. O naproxeno inibe reversivelmente a agregação plaquetária e pode causar lesão direta na mucosa gástrica, potencializando o efeito hemorrágico desses fármacos.

Anti-hipertensivos (Inibidores da ECA, BRA, Betabloqueadores e Diuréticos)

Os AINEs, incluindo o naproxeno, podem atenuar o efeito terapêutico de medicamentos anti-hipertensivos. A inibição das prostaglandinas renais reduz a vasodilatação e promove a retenção de sódio e água, neutralizando a ação de diuréticos (como furosemida e hidroclorotiazida), inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA, como enalapril e captopril) e bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA, como losartana). Além disso, a combinação de naproxeno com IECAs ou BRAs e diuréticos em pacientes idosos ou desidratados aumenta exponencialmente o risco de insuficiência renal aguda (fenômeno conhecido como a “tríplice aliança” de toxicidade renal).

Lítio e Metotrexato

O naproxeno reduz a depuração renal do lítio, levando a um aumento nas concentrações plasmáticas de lítio e ao risco de toxicidade grave por este metal (caracterizada por tremores, confusão, fraqueza e arritmias). Da mesma forma, o naproxeno pode diminuir a secreção tubular renal do metotrexato, elevando seus níveis séricos e aumentando o risco de toxicidade hematológica e gastrointestinal potencialmente fatal.

Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS)

O uso concomitante de antidepressivos ISRS (como fluoxetina, sertralina e escitalopram) com naproxeno eleva o risco de sangramento gastrointestinal devido a efeitos sinérgicos na função plaquetária.

Uso em Populações Especiais

A prescrição de naproxeno para determinados grupos de pacientes exige considerações clínicas específicas e monitoramento diferenciado.

Gestantes

O uso de naproxeno durante a gravidez deve ser evitado, a menos que estritamente necessário e sob supervisão médica direta. Durante o primeiro e segundo trimestres (Categoria de Risco C), o uso de AINEs tem sido associado a um risco aumentado de aborto espontâneo e malformações cardíacas. No terceiro trimestre (Categoria de Risco D), o naproxeno é estritamente contraindicado. A inibição da síntese de prostaglandinas nesta fase pode causar o fechamento prematuro do ducto arterioso fetal, hipertensão pulmonar persistente no recém-nascido, disfunção renal fetal (que pode progredir para oligoidrâmnio) e inibição das contrações uterinas, prolongando o trabalho de parto.

Lactantes

O naproxeno é excretado no leite materno em concentrações muito baixas (aproximadamente 1% da concentração sérica materna). Embora a Academia Americana de Pediatria considere o naproxeno geralmente compatível com a amamentação, a sua longa meia-vida plasmática pode resultar em acúmulo no lactente. Portanto, deve-se dar preferência a AINEs com meia-vida mais curta (como o ibuprofeno) durante a lactação, ou monitorar o lactente quanto a sinais de efeitos adversos gastrointestinais ou sangramentos.

Pediatria

A segurança e a eficácia do naproxeno em crianças com menos de 2 anos de idade não foram estabelecidas. Para crianças acima de 2 anos, o naproxeno é indicado principalmente para o tratamento da artrite reumatoide juvenil, utilizando doses calculadas rigorosamente com base no peso corporal (geralmente 10 mg/kg/dia divididos em duas tomadas). O uso como analgésico ou antipirético geral em crianças deve ser feito sob orientação médica.

Idosos

Os idosos apresentam um risco significativamente maior de desenvolver reações adversas graves aos AINEs, especialmente hemorragia e perfuração gastrointestinal, insuficiência renal aguda e descompensação cardiovascular. Nestes pacientes, a eliminação do naproxeno pode estar diminuída devido ao declínio natural da função renal associado à idade. Recomenda-se iniciar o tratamento com a menor dose eficaz e monitorar rigorosamente as funções renal e hepática, além de observar quaisquer sinais de sangramento oculto nas fezes.

Insuficiência Renal ou Hepática

Em pacientes com insuficiência renal leve a moderada (ClCr entre 30 e 80 mL/min), o naproxeno deve ser usado com cautela, e a função renal deve ser monitorada periodicamente. O uso é contraindicado na insuficiência renal grave (ClCr < 30 mL/min). Em pacientes com insuficiência hepática leve a moderada, pode ser necessário reduzir a dose diária devido ao menor metabolismo do fármaco. [populacoes_especiais]

Superdosagem

A superdosagem acidental ou intencional de naproxeno pode resultar em manifestações clínicas de gravidade variável. Os sintomas mais comuns de toxicidade aguda incluem sonolência, letargia, tontura, dor epigástrica, náuseas, vômitos e pirose. Em casos de ingestão de doses massivas, podem ocorrer efeitos mais graves, como convulsões, apneia, acidose metabólica, insuficiência renal aguda, hipotrombinemia, hemorragia gastrointestinal e, raramente, coma.

Não existe um antídoto específico para o naproxeno. O manejo da superdosagem é essencialmente sintomático e de suporte. Em caso de ingestão recente (dentro de 1 a 2 horas), pode-se considerar a indução de vômitos ou, preferencialmente, a realização de lavagem gástrica e administração de carvão ativado (1 g/kg de peso corporal) para reduzir a absorção do fármaco.

A diurese forçada, a hemodiálise ou a hemoperfusão não são eficazes para remover o naproxeno da circulação sistêmica devido à sua altíssima taxa de ligação às proteínas plasmáticas (>99%). O monitoramento contínuo das funções vital, renal e hepática, bem como do equilíbrio hidroeletrolítico e do tempo de protrombina, é fundamental até que o paciente esteja clinicamente estável.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

No Brasil, o medicamento de referência para o naproxeno sódico é o Flanax (fabricado pela Bayer), amplamente conhecido e consolidado no mercado. Para o naproxeno (ácido livre), o medicamento de referência é o Naprosyn.

Com a expiração das patentes dessas marcas, a ANVISA aprovou diversos medicamentos genéricos e similares que contêm o naproxeno ou o naproxeno sódico como princípio ativo. Os medicamentos genéricos são identificados pelo nome da substância ativa (“Naproxeno” ou “Naproxeno Sódico”) e pela tarja amarela com a letra “G” na embalagem. Eles passam por testes rigorosos de bioequivalência e biodisponibilidade para garantir que possuam exatamente a mesma eficácia, segurança e qualidade do medicamento de referência.

Dentre os principais fabricantes de genéricos que disponibilizam o naproxeno no mercado farmacêutico brasileiro, destacam-se:

  • Medley
  • EMS
  • Eurofarma
  • Neo Química
  • Aché
  • Teuto
  • Germed

Além dos genéricos, existem diversos medicamentos similares de marca (equivalentes terapêuticos registrados com nomes comerciais próprios), como o Naxotec, Invel, Naprox e Flanax (este último sendo a referência). A substituição do medicamento de referência pelo genérico correspondente pode ser realizada com segurança pelo farmacêutico no momento da dispensação, oferecendo frequentemente uma alternativa terapêutica de menor custo para o paciente.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

Para compreender melhor o papel do naproxeno na prática clínica, é útil compará-lo com outros Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs) comumente utilizados, avaliando parâmetros como seletividade enzimática, meia-vida, risco cardiovascular e risco gastrointestinal.

O naproxeno destaca-se principalmente por sua longa meia-vida (12-17 horas), o que permite uma posologia confortável de 12/12 horas. Em comparação, o ibuprofeno e o diclofenaco possuem meias-vidas curtas (2 horas), exigindo tomadas mais frequentes (a cada 6 ou 8 horas).

Do ponto de vista de segurança cardiovascular, o naproxeno é amplamente considerado o AINE não seletivo mais seguro. Estudos clínicos de grande escala (como o estudo PRECISION) demonstraram que o naproxeno não está associado ao mesmo nível de aumento de risco de eventos aterotrombóticos (infarto do miocárdio e AVC) observado com o diclofenaco ou com os inibidores seletivos da COX-2 (como o celecoxibe). Contudo, essa vantagem cardiovascular é contrabalançada por um risco gastrointestinal moderado a alto, superior ao do ibuprofeno ou do celecoxibe, o que frequentemente requer a coadministração de um inibidor da bomba de prótons (como o omeprazol) em pacientes de risco.

Registro na ANVISA

O naproxeno e o naproxeno sódico estão devidamente registrados e regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil.

De acordo com as normativas vigentes, a classificação de venda do naproxeno depende da sua dosagem e apresentação:

  • Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP): Apresentações de naproxeno sódico de baixa dosagem (geralmente até 275 mg por comprimido) indicadas para o alívio de dores leves a moderadas de curta duração (como dor de dente, dor de cabeça ou cólicas menstruais) podem ser comercializadas sem a necessidade de apresentação de receita médica. No entanto, o uso deve ser autolimitado e não deve exceder o período recomendado na bula.
  • Venda sob Prescrição Médica: Apresentações de maior dosagem (como comprimidos de 500 mg de naproxeno ou 550 mg de naproxeno sódico), bem como indicações para o tratamento de doenças crônicas (como artrite e gota), exigem obrigatoriamente a apresentação de receita médica simples para sua dispensação nas farmácias e drogarias.

O naproxeno não está sujeito a controle especial (não necessita de receita de controle especial azul ou branca), mas a automedicação deve ser evitada devido aos riscos de efeitos colaterais renais, gastrointestinais e cardiovasculares associados ao uso inadequado.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Naproxeno

Onde Comprar Naproxeno?

O naproxeno e o naproxeno sódico, tanto em suas versões de referência (como Flanax) quanto em genéricos e similares, estão amplamente disponíveis para compra em praticamente todas as farmácias e drogarias físicas e online do Brasil.

Para apresentações de venda livre (MIP), como o naproxeno sódico de 275 mg, a compra pode ser feita diretamente nas gôndolas de autoatendimento. Para as apresentações de maior dosagem (500 mg ou 550 mg), é necessária a apresentação da receita médica simples ao farmacêutico.

Os preços do naproxeno podem variar significativamente dependendo da marca (referência vs. genérico), da dosagem, da quantidade de comprimidos na embalagem e da região do país. Em geral, as versões genéricas oferecem uma excelente relação custo-benefício, sendo consideravelmente mais acessíveis. Recomenda-se realizar pesquisas de preço em diferentes redes de farmácias e verificar a disponibilidade de programas de fidelidade ou descontos de laboratórios para obter as melhores condições de aquisição.

Onde comprar Naproxeno

Disponível em farmácias físicas e online.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 10/09/2026 e revisado em 10/09/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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