Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica.

Bularium bulas em português claro
Medicamentos para o Estômago

Domperidona

18 min de leitura Atualizado em 07/08/2026 Base ANVISA

Antes de continuar. Esta página reúne informações da bula em linguagem simples. Não substitui a orientação do seu médico ou farmacêutico, e não serve para iniciar, alterar ou interromper tratamento por conta própria.

Os distúrbios da motilidade gastrointestinal e os sintomas de náuseas e vômitos estão entre as queixas mais frequentes na rotina médica global, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. No centro do arsenal terapêutico para o manejo dessas condições destaca-se a Domperidona, um fármaco amplamente prescrito que atua como um potente procinético e antiemético. Desenvolvida para superar as limitações de agentes de primeira geração, como a metoclopramide, a domperidona oferece uma abordagem direcionada, minimizando os efeitos colaterais neurológicos que frequentemente limitam o uso de outros antagonistas dopaminérgicos.

Este artigo oferece uma análise profunda, técnica e clinicamente orientada sobre a domperidona. Destinado tanto a profissionais de saúde que buscam uma revisão farmacológica robusta quanto a pacientes que necessitam compreender o uso seguro e eficaz deste medicamento, abordaremos desde seus mecanismos moleculares até as recomendações de segurança mais recentes emitidas pelas agências reguladoras internacionais e pela ANVISA.

O que é Domperidona?

A domperidona é um composto sintético derivado da benzimidazolina, classificado farmacologicamente como um antagonista periférico dos receptores dopaminérgicos $D_2$ e $D_3$. Diferente de outros agentes antieméticos e procinéticos, a domperidona foi projetada para ter uma baixa capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica (BHE). Essa característica estrutural é o seu principal diferencial clínico, pois reduz drasticamente a incidência de efeitos colaterais extrapiramidais (como distonias agudas e discinesia tardia) e sedação, que são comuns com o uso de metoclopramida.

Sintetizada originalmente pela Janssen Pharmaceutica em 1974 e introduzida no mercado global no final da década de 1970, a domperidona rapidamente se estabeleceu como um dos pilares no tratamento da dispepsia funcional e do refluxo gastroesofágico. No cenário regulatório brasileiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprova o uso do medicamento para o alívio de sintomas dispépticos e controle de náuseas e vômitos de diversas etiologias.

No mercado farmacêutico brasileiro, a domperidona está disponível em múltiplas formas farmacêuticas para atender a diferentes perfis de pacientes:

  • Comprimidos de 10 mg: Indicados principalmente para o uso em adultos e adolescentes acima de 12 anos de idade e com peso igual ou superior a 35 kg.
  • Suspensão Oral (1 mg/mL): Ideal para a administração pediátrica e para pacientes com disfagia ou dificuldades de deglutição, permitindo um ajuste posológico preciso com base no peso corporal.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação da domperidona baseia-se no bloqueio seletivo dos receptores dopaminérgicos $D_2$ e $D_3$. A dopamina desempenha um papel inibitório crucial no trato gastrointestinal, reduzindo a motilidade gástrica e o tônus do esfíncter esofágico inferior através da modulação da liberação de acetilcolina nos neurônios do plexo mioentérico (plexo de Auerbach).

Ao antagonizar os receptores $D_2$ pré e pós-sinápticos no sistema nervoso entérico, a domperidona anula o efeito inibitório da dopamina. Isso resulta em:

  • Aumento da liberação de acetilcolina: A acetilcolina estimula os receptores muscarínicos $M_3$ nas células musculares lisas do estômago, promovendo a contração coordenada do antro gástrico e do duodeno.
  • Aumento do tônus do esfíncter esofágico inferior (EEI): Previne o refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago.
  • Sincronização da motilidade antroduodenal: Melhora o esvaziamento gástrico de sólidos e líquidos, reduzindo a estase alimentar.
  • Relaxamento do esfíncter pilórico: Facilita a passagem do quimo para o duodeno.

Ação Antiemética Periférica e Central

Embora a domperidona tenha penetração limitada no Sistema Nervoso Central (SNC), ela exerce um potente efeito antiemético na Zona Gatilho dos Quimiorreceptores (ZGQ), localizada na área postrema, no assoalho do quarto ventrículo. A ZGQ situa-se funcionalmente fora da barreira hematoencefálica, permitindo que a domperidona se ligue aos receptores $D_2$ ali presentes. O bloqueio desses receptores impede que estímulos emetogênicos circulantes (como toxinas, metabólitos ou fármacos circulantes) ativem o centro do vômito no bulbo.

Essa seletividade periférica e de barreira explica por que a domperidona é altamente eficaz contra náuseas e vômitos sem induzir os efeitos colaterais neurológicos típicos dos neurolépticos e de outros procinéticos centrais.

⚗️ Como Funciona no Organismo?

Farmacocinética e Farmacodinâmica

A compreensão do perfil farmacocinético da domperidona é essencial para otimizar sua eficácia clínica e evitar toxicidades.

Absorção

Após a administração por via oral em jejum, a domperidona é rapidamente absorvida, atingindo a concentração plasmática máxima ($C_{max}$) em aproximadamente 30 a 60 minutos. A biodisponibilidade absoluta por via oral é relativamente baixa (cerca de 15%), devido a um efeito de primeira passagem hepático significativo e ao metabolismo na parede intestinal.

A acidez gástrica é fundamental para a dissolução e absorção da domperidona. Portanto, a administração concomitante de fármacos que elevam o pH gástrico (como inibidores da bomba de prótons ou antagonistas $H_2$) reduz significativamente a sua absorção. Embora a ingestão do medicamento com alimentos aumente a sua biodisponibilidade sistêmica, ela pode retardar o tempo para atingir o pico plasmático ($T_{max}$). Recomenda-se, portanto, a tomada do medicamento de 15 a 30 minutos antes das refeições.

Distribuição

A domperidona apresenta uma taxa de ligação às proteínas plasmáticas elevada, variando entre 91% e 93%, ligando-se principalmente à albumina e às lipoproteínas. O volume de distribuição aparente é de aproximadamente 4 a 5 L/kg, indicando uma ampla distribuição nos tecidos periféricos, mas com penetração cerebral mínima. O fármaco atravessa a barreira placentária em quantidades muito pequenas e é excretado no leite materno em baixas concentrações (cerca de 0,1% da dose materna ajustada ao peso).

Metabolismo

A domperidona sofre metabolismo hepático rápido e extenso. A principal via metabólica é a hidroxilação aromática, mediada predominantemente pela isoenzima CYP3A4 do complexo do citocromo P450. A $N$-desalquilação oxidativa, mediada pelas isoenzimas CYP3A4, CYP1A2 e CYP2C8, representa uma via metabólica secundária. Os metabólitos resultantes são farmacologicamente inativos.

Excreção

A eliminação da domperidona ocorre principalmente por via fecal (66% da dose administrada) e, em menor proporção, por via urinária (31%). Apenas uma fração mínima (inferior a 1%) é excretada de forma inalterada na urina. A meia-vida de eliminação plasmática ($t_{1/2}$) em indivíduos saudáveis é de aproximadamente 7 a 9 horas, podendo estar significativamente prolongada em doentes com insuficiência renal grave.

Indicações Terapêuticas

As indicações da domperidona são fundamentadas na sua capacidade de acelerar o trânsito gastroduodenal e bloquear as vias emetogênicas periféricas e da área postrema. Suas principais indicações clínicas aprovadas no Brasil incluem:

1. Síndrome Dispéptica

Tratamento do complexo de sintomas dispépticos frequentemente associados ao retardo do esvaziamento gástrico, refluxo gastroesofágico e esofagite:

  • Sensação de saciedade precoce ou plenitude pós-prandial (empachamento).
  • Distensão abdominal alta e dor epigástrica.
  • Eructações excessivas e flatulência.
  • Náuseas e vômitos associados à dispepsia.
  • Azia e queimação retroesternal, com ou sem regurgitação do conteúdo gástrico.

2. Náuseas e Vômitos de Diversas Etiologias

A domperidona é indicada para o controle sintomático de náuseas e vômitos agudos ou crônicos induzidos por:

  • Infecções sistêmicas ou gastrointestinais (gastroenterites).
  • Erros alimentares ou dietéticos.
  • Uso de medicamentos, incluindo quimioterapia oncológica de baixo potencial emetogênico e radioterapia.

3. Náuseas e Vômitos Induzidos por Agonistas Dopaminérgicos no Parkinsonismo

Em pacientes com Doença de Parkinson, o uso de levodopa, bromocriptina ou pramipexol frequentemente causa náuseas e vômitos intensos devido à estimulação dopaminérgica central e periférica. A domperidona é o procinético de escolha nesses casos, pois bloqueia os receptores de dopamina na periferia e na área postrema, sem interferir nos efeitos terapêuticos motores desses fármacos no estriado (já que não cruza a barreira hematoencefálica).

Uso Off-Label: Indução da Lactação (Galactagogo)

Historicamente, a domperidona tem sido utilizada de forma off-label para estimular a produção de leite materno em puérperas com hipogalactia. O mecanismo envolve o bloqueio dos receptores $D_2$ hipofisários, o que remove o tônus inibitório da dopamina sobre as células lactotróficas, resultando em um aumento acentuado na secreção de prolactina.

Alerta Clínico Importante: Embora eficaz para este fim, o uso da domperidona como galactagogo é desencorajado por diversas sociedades médicas e agências reguladoras (como a FDA e o Ministério da Saúde do Brasil) devido ao risco potencial de efeitos adversos cardiovasculares na mãe e à passagem do fármaco para o lactente através do leite materno. O uso para esta finalidade deve ser estritamente avaliado sob uma rigorosa relação risco-benefício.

Posologia e Forma de Uso

Para minimizar o risco de eventos adversos cardiovasculares, as diretrizes clínicas atuais recomendam o uso da domperidona na menor dose eficaz e pelo menor período de tempo possível, geralmente não excedendo uma semana de tratamento contínuo para quadros agudos.

Recomendações de Administração

  • Momento de Tomada: Deve ser administrada de 15 a 30 minutos antes das refeições. Se tomada após as refeições, a absorção do medicamento é retardada, reduzindo sua eficácia terapêutica no período pós-prandial.
  • Via de Administração: Via oral. Os comprimidos devem ser deglutidos inteiros com água. A suspensão oral deve ser homogeneizada antes do uso e medida com a seringa dosadora que acompanha o produto.

Contraindicações

Devido ao seu perfil farmacodinâmico e potencial de prolongamento do intervalo QT, a domperidona apresenta contraindicações absolutas que devem ser rigorosamente observadas pelo prescritor:

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade conhecida: Pacientes com histórico de reações alérgicas à domperidona ou a qualquer componente da formulação.
  • Prolactinoma: Tumor hipofisário secretor de prolactina, uma vez que a domperidona estimula fortemente a liberação de prolactina.
  • Condições onde a estimulação da motilidade gástrica seja perigosa:
    • Hemorragia gastrointestinal ativa.
    • Obstrução mecânica do trato gastrointestinal.
    • Perfuração intestinal iminente ou confirmada.
  • Insuficiência hepática moderada a grave: Devido ao metabolismo hepático intenso e ao risco de acúmulo sistêmico do fármaco (classificações Child-Pugh B e C).
  • Cardiopatias pré-existentes e distúrbios de condução:
    • Pacientes com prolongamento conhecido dos intervalos de condução cardíaca, particularmente o intervalo QTc.
    • Pacientes com distúrbios eletrolíticos significativos não corrigidos (hipocalemia, hipomagnesemia).
    • Pacientes com doença cardíaca subjacente clinicamente relevante, como insuficiência cardíaca congestiva (classe funcional II-IV da NYHA), infarto agudo do miocárdio recente ou bradicardia clinicamente significativa.
  • Coadministração com inibidores potentes do CYP3A4: Fármacos que lentificam o metabolismo da domperidona, aumentando sua exposição sistêmica e o risco de arritmias graves.
  • Coadministração com fármacos prolongadores do intervalo QT: Medicamentos que somam efeitos eletrofisiológicos cardíacos deletérios.

Efeitos Colaterais

Embora a domperidona seja geralmente bem tolerada na prática clínica, o conhecimento de seus efeitos colaterais, especialmente os de ordem endócrina e cardiovascular, é crucial para a segurança do paciente.

Efeitos Cardiovasculares e o Intervalo QT

O efeito adverso mais grave associado ao uso da domperidona é o prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma, que pode predispor ao desenvolvimento de arritmias ventriculares graves, incluindo a Torsades de Pointes, e morte súbita cardíaca. Esse efeito ocorre devido ao bloqueio dos canais de potássio hERG (gene humano ether-à-go-go-related), responsáveis pela repolarização rápida do miocárdio. O risco é significativamente maior em pacientes com mais de 60 anos de idade, em doses diárias superiores a 30 mg, ou quando associado a inibidores do CYP3A4.

Efeitos Endócrinos e Hiperprolactinemia

Como a domperidona bloqueia os receptores $D_2$ na hipófise anterior (área desprovida de barreira hematoencefálica), ela inibe a ação tônica dopaminérgica que restringe a liberação de prolactina. A hiperprolactinemia resultante pode causar:

  • Em mulheres: Galactorreia (produção involuntária de leite), amenorreia ou oligomenorreia (irregularidades menstruais) e mastalgia (dor mamária).
  • Em homens: Ginecomastia (desenvolvimento de tecido mamário) e disfunção erétil ou redução da libido.

Interações Medicamentosas

As interações medicamentosas com a domperidona são de alta relevância clínica, principalmente aquelas que envolvem o metabolismo hepático e a eletrofisiologia cardíaca.

Interações Farmacocinéticas (Inibidores do CYP3A4)

A domperidona é metabolizada quase exclusivamente pela enzima CYP3A4. A coadministração com inibidores potentes desta enzima reduz drasticamente o clearance da domperidona, elevando suas concentrações plasmáticas a níveis potencialmente tóxicos, multiplicando o risco de prolongamento do intervalo QT e arritmias.

Inibidores potentes do CYP3A4 contraindicados:

  • Antifúngicos azólicos sistêmicos: cetoconazol, itraconazol, voriconazole, posaconazol.
  • Antibióticos macrolídeos: eritromicina, clarithromycin, telitromicina.
  • Inibidores da protease do HIV: ritonavir, saquinavir, nelfinavir, indinavir.
  • Antidepressivos: nefazodona.

Interações Farmacodinâmicas (Prolongadores do Intervalo QT)

É estritamente contraindicada a associação da domperidona com medicamentos conhecidos por prolongar o intervalo QT, devido ao efeito aditivo no miocárdio:

  • Antiarrítmicos das classes IA (ex: quinidina, disopiramida) e III (ex: amiodarona, sotalol).
  • Alguns antipsicóticos (ex: haloperidol, pimozida, sertindol).
  • Alguns antidepressivos (ex: escitalopram, citalopram).
  • Certas fluoroquinolonas (ex: moxifloxacino, levofloxacino).
  • Antimaláricos (ex: halofantrina, lumefantrina).

Interações com Modificadores do pH Gástrico

Fármacos que reduzem a acidez gástrica diminuem a dissolução e a subsequente absorção da domperidona, reduzindo sua eficácia terapêutica:

  • Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs): omeprazol, esomeprazol, pantoprazol, lansoprazol.
  • Antagonistas dos receptores $H_2$: ranitidina, famotidina.
  • Antiácidos locais (hidróxido de alumínio e magnésio, carbonato de cálcio).

Manejo Clínico: Se o uso concomitante for necessário, a domperidona deve ser tomada estritamente antes das refeições, e os antiácidos ou antissecretores devem ser administrados após as refeições ou com intervalo mínimo de 2 horas.

Uso em Populações Especiais

Gestantes e Lactantes

  • Gestação (Categoria de Risco C): Os dados sobre o uso de domperidona em mulheres grávidas são limitados. Estudos em animais demonstraram toxicidade reprodutiva em doses maternotóxicas. O risco potencial para humanos é desconhecido. Portanto, a domperidona só deve ser utilizada durante a gravidez quando o benefício terapêutico esperado justificar plenamente o risco potencial para o feto.
  • Lactação: A domperidona é excretada no leite materno, e o lactente pode receber menos de 0,1% da dose materna ajustada ao peso. No entanto, devido ao risco potencial de prolongamento do intervalo QT e arritmias cardíacas no lactente, deve-se decidir entre descontinuar a amamentação ou descontinuar/abster-se da terapia com domperidona, avaliando o benefício da amamentação para a criança e o benefício do tratamento para a mãe.

Pediatria

A formulação em suspensão oral é indicada para crianças e adolescentes com peso inferior a 35 kg. Devido à imaturidade da barreira hematoencefálica e das funções metabólicas em lactentes e recém-nascidos, o risco de efeitos colaterais neurológicos (como reações extrapiramidais e convulsões) é ligeiramente maior nesta faixa etária. A dosagem deve ser rigorosamente calculada por quilo de peso corporal, utilizando-se exclusivamente o dispositivo de medição fornecido.

Idosos

Pacientes idosos (com 60 anos de idade ou mais) apresentam maior suscetibilidade a eventos adversos cardíacos, incluindo o prolongamento do intervalo QT e arritmias graves. Alterações fisiológicas relacionadas à idade, como redução da função renal e hepática e maior prevalência de cardiopatias subjacentes, exigem cautela extrema. Recomenda-se evitar o uso crônico e limitar a dose diária ao mínimo necessário.

Insuficiência Renal e Hepática

  • Insuficiência Hepática: A domperidona é contraindicada em pacientes com insuficiência hepática moderada ou grave (Child-Pugh B ou C), devido ao risco de acúmulo sistêmico do fármaco. Não há necessidade de ajuste de dose em pacientes com insuficiência hepática leve.
  • Insuficiência Renal: Como a meia-vida de eliminação da domperidona é prolongada na insuficiência renal grave (de 7,4 horas para até 20,8 horas), a frequência de administração deve ser reduzida para uma ou duas vezes ao dia, dependendo da gravidade do comprometimento renal.

Superdosagem

A superdosagem de domperidona manifesta-se principalmente por sintomas relacionados à exacerbação de seus efeitos farmacológicos.

Sintomas de Intoxicação

  • Sonolência acentuada, letargia e apatia.
  • Desorientação têmporo-espacial e confusão mental.
  • Reações extrapiramidais (espasmos musculares, movimentos oculares involuntários, tremores, rigidez), mais comuns em crianças e lactentes.
  • Prolongamento do intervalo QT e risco de arritmias ventriculares graves.

Tratamento e Conduta Médica

Não existe um antídoto específico para a domperidona. Em caso de superdosagem aguda, as seguintes medidas devem ser adotadas imediatamente:

1. Lavagem gástrica e carvão ativado: Podem ser úteis se realizados logo após a ingestão (dentro de 1 hora).
2. Monitorização Eletrocardiográfica (ECG): Monitoramento cardíaco contínuo é imperativo devido ao risco de prolongamento do intervalo QT e arritmias.
3. Tratamento de Suporte: Manutenção das vias aéreas pérvias, hidratação e correção de distúrbios eletrolíticos.
4. Controle de Sintomas Extrapiramidais: Fármacos anticolinérgicos de ação central (como o biperideno) ou anti-histamínicos com propriedades anticolinérgicas (como a difenidramina) podem ser utilizados para reverter as reações extrapiramidais.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

No Brasil, a domperidona é comercializada tanto sob a forma de medicamento de referência quanto em versões genéricas e similares equivalentes, garantindo acessibilidade terapêutica à população.

  • Medicamento de Referência: Motilium® (desenvolvido originalmente pela Janssen-Cilag).
  • Medicamentos Similares Equivalentes (EQ):
    • Peridal® (Aché)
    • Domperix® (Marjan Farma)
    • Domped® (Eurofarma)
  • Medicamentos Genéricos: Disponíveis por diversos laboratórios farmacêuticos nacionais e multinacionais (como EMS, Medley, Eurofarma, Neo Química, Prati-Donaduzzi, entre outros), sob a denominação comum de “Domperidona”.

Todos os medicamentos genéricos e similares equivalentes aprovados pela ANVISA passam por testes rigorosos de bioequivalência e biodisponibilidade, assegurando que apresentem a mesma eficácia clínica e segurança do medicamento de referência.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

Para contextualizar a domperidona no cenário dos agentes pró-cinéticos e antieméticos, é útil compará-la com outros fármacos frequentemente utilizados na prática clínica brasileira.

Registro na ANVISA

A domperidona está devidamente registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), enquadrada na classe dos medicamentos de venda sob prescrição médica (tarja vermelha).

Alertas de Segurança Regulatória: Em consonância com a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), a ANVISA emitiu alertas de segurança reforçando as restrições de uso da domperidona. As bulas foram atualizadas para incluir contraindicações estritas para pacientes com distúrbios cardíacos e limitar a indicação principal ao tratamento sintomático de náuseas e vômitos, desaconselhando o uso prolongado ou em doses elevadas para dispepsias sem diagnóstico definido.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

🔗 Consultar no Bulário Eletrônico da ANVISA

Perguntas Frequentes sobre Domperidona

Onde Comprar Domperidona?

A domperidona é amplamente distribuída em todo o território nacional e pode ser adquirida em farmácias de manipulação, drogarias de grandes redes e estabelecimentos locais. Por se tratar de um medicamento de tarja vermelha, sua venda exige obrigatoriamente a apresentação da receita médica simples (receita branca comum), que não fica retida no estabelecimento.

O preço do medicamento pode variar consideravelmente dependendo da marca (referência, similar ou genérico), da forma farmacêutica (comprimidos ou suspensão oral) e do laboratório fabricante. Recomenda-se sempre realizar pesquisas de preços e consultar o farmacêutico para verificar a disponibilidade de programas de desconto de laboratórios ou do programa Farmácia Popular, quando aplicável.

Onde comprar Domperidona

Farmácias online parceiras. Confira preço e disponibilidade no site da loja.

Parte dos medicamentos exige receita. Links de afiliado — você não paga a mais por isso, e o conteúdo técnico desta página não muda por causa deles.

Recomendação

Não erre mais o horário do seu remédio

Quem toma mais de um medicamento por dia acaba repetindo ou pulando dose. Um porta-comprimidos semanal com divisórias por período resolve isso por menos que uma consulta.

Ver opções

Link de afiliado. Você não paga a mais por isso.

Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 07/08/2026 e revisado em 07/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

Outras bulas de Medicamentos para o Estômago

Pantoprazol

Bula completa de Pantoprazol (Pantoprazol Sódico): indicações, posologia, efeitos colaterais, interações medicamentosas e contraindicações em linguagem clara.

Omeprazol

Bula completa de Omeprazol (Omeprazol): indicações, posologia, efeitos colaterais, interações medicamentosas e muito mais. Informações técnicas e acessíveis.

Esomeprazol

Bula completa de Esomeprazol (Esomeprazol Magnésico): indicações, posologia, efeitos colaterais, interações medicamentosas e contraindicações em linguagem clara