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Antialérgicos

Cetirizina

16 min de leitura Atualizado em 03/08/2026 Base ANVISA

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Alergias são condições que afetam milhões de pessoas em todo o mundo, manifestando-se de diversas formas, desde uma simples coriza até reações cutâneas incômodas e persistentes. Para muitos, a busca por alívio é constante, e a medicina oferece soluções eficazes para controlar os sintomas alérgicos. Entre elas, destaca-se a cetirizina, um medicamento amplamente conhecido e utilizado. Mas o que torna a cetirizina uma opção tão relevante no arsenal terapêutico contra as alergias?

Neste artigo, vamos desvendar todos os aspectos da cetirizina, desde sua história e mecanismo de ação até suas indicações, posologia, efeitos colaterais e interações medicamentosas. Nosso objetivo é fornecer uma visão completa e aprofundada, embasada em evidências científicas, para que pacientes e profissionais de saúde possam compreender melhor este importante anti-histamínico de segunda geração. Prepare-se para mergulhar no universo da cetirizina e descobrir como ela pode ajudar a proporcionar uma vida com mais conforto e menos sintomas alérgicos.

O que é Cetirizina?

A cetirizina, cujo princípio ativo é o Cloridrato de Cetirizina, é um medicamento pertencente à classe dos anti-histamínicos de segunda geração. Desenvolvida a partir da hidroxizina, um anti-histamínico de primeira geração com propriedades sedativas mais pronunciadas, a cetirizina foi projetada para manter a eficácia antialérgica, mas com uma redução significativa nos efeitos colaterais relacionados ao sistema nervoso central, como a sonolência. Sua estrutura química foi modificada para torná-la menos lipofílica, o que limita sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, resultando em menos sedação.

A história da cetirizina remonta ao final da década de 1980, quando foi introduzida no mercado como uma alternativa mais segura e conveniente aos anti-histamínicos mais antigos. Rapidamente, ganhou destaque devido à sua eficácia no alívio de sintomas alérgicos e ao seu perfil de segurança favorável. Sua aprovação por agências regulatórias em diversos países, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil, solidificou sua posição como um tratamento de primeira linha para diversas condições alérgicas.

No Brasil, a cetirizina está amplamente disponível em diversas formas farmacêuticas para atender às necessidades de diferentes grupos de pacientes. As formas mais comuns incluem:

  • Comprimidos revestidos: Geralmente contendo 10 mg de cloridrato de cetirizina, são a forma mais utilizada por adultos e adolescentes, permitindo uma administração conveniente uma vez ao dia.
  • Solução oral (xarope/gotas): Com concentrações como 1 mg/mL ou 10 mg/mL (gotas), são ideais para crianças e pacientes com dificuldade para engolir comprimidos, facilitando o ajuste de dose conforme a idade e peso.

A cetirizina é um medicamento de venda livre (MIP – Medicamento Isento de Prescrição) em algumas apresentações e doses, o que demonstra seu alto perfil de segurança e eficácia para o autotratamento de sintomas alérgicos leves a moderados, sempre com a recomendação de leitura atenta da bula e, se possível, orientação farmacêutica ou médica. Para outras apresentações ou condições específicas, a prescrição médica pode ser necessária.

Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação da cetirizina é fundamentalmente baseado no seu antagonismo seletivo e potente dos receptores H1 da histamina. Para entender como a cetirizina funciona, é crucial primeiro compreender o papel da histamina no corpo e como ela desencadeia as reações alérgicas.

O Papel da Histamina nas Reações Alérgicas

A histamina é uma amina biogênica que desempenha múltiplos papéis fisiológicos, incluindo a regulação do sono-vigília, secreção gástrica e neurotransmissão. No entanto, é mais conhecida por seu papel central nas reações de hipersensibilidade imediata, ou alergias. Quando um indivíduo sensível é exposto a um alérgeno (por exemplo, pólen, poeira, pelos de animais), o sistema imunológico libera histamina de mastócitos e basófilos. Uma vez liberada, a histamina age em quatro tipos de receptores (H1, H2, H3, H4) localizados em diferentes tecidos.

Os sintomas alérgicos clássicos são predominantemente mediados pela ativação dos receptores H1. A ligação da histamina aos receptores H1 localizados em:

  • Vasos sanguíneos: Causa vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular, levando a eritema (vermelhidão), edema (inchaço) e urticária.
  • Nervos sensoriais: Estimula terminações nervosas, resultando em prurido (coceira) e dor.
  • Músculo liso brônquico: Pode induzir broncoconstrição em indivíduos suscetíveis (embora outros mediadores sejam mais importantes na asma).
  • Glandulas exócrinas: Aumenta a secreção de muco nas vias aéreas superiores, contribuindo para rinorreia (coriza) e congestão nasal.

Ação da Cetirizina nos Receptores H1

A cetirizina é um antagonista competitivo dos receptores H1. Isso significa que ela se liga aos receptores H1 da histamina sem ativá-los, bloqueando a ligação da histamina endógena e, consequentemente, impedindo ou atenuando os efeitos indesejados mediados por esses receptores. Sua alta seletividade para os receptores H1 periféricos é uma característica distintiva dos anti-histamínicos de segunda geração.

Os principais efeitos farmacológicos resultantes do bloqueio dos receptores H1 pela cetirizina incluem:

  • Redução do prurido: Alivia a coceira associada a urticária, rinite alérgica e outras dermatoses pruriginosas.
  • Diminuição da formação de pápulas e eritema: Minimiza as lesões cutâneas elevadas e avermelhadas características da urticária.
  • Alívio da rinorreia e espirros: Reduz a secreção nasal excessiva e a frequência dos espirros.
  • Descongestionamento nasal (em menor grau): Embora não seja um descongestionante primário, a redução do edema e da inflamação pode contribuir para a melhora da congestão.
  • Ação anti-inflamatória adicional: Estudos sugerem que a cetirizina pode ter efeitos moduladores em outras células inflamatórias (como mastócitos e eosinófilos), além do simples bloqueio H1, contribuindo para sua eficácia em condições como a urticária crônica. Ela inibe a migração de eosinófilos induzida por alérgenos e a liberação de certos mediadores inflamatórios.

Seletividade e Barreira Hematoencefálica

Um dos pontos mais importantes do mecanismo de ação da cetirizina, que a diferencia dos anti-histamínicos de primeira geração, é sua limitada capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica (BHE). Isso se deve à sua natureza mais polar e à sua afinidade por glicoproteínas P, que atuam como bombas de efluxo na BHE, expelindo a cetirizina de volta para a circulação sanguínea antes que ela possa atingir o sistema nervoso central (SNC) em concentrações significativas. Essa característica resulta em:

  • Menor sedação: A incidência de sonolência é consideravelmente menor em comparação com anti-histamínicos de primeira geração, pois há menos bloqueio dos receptores H1 no cérebro, que estão envolvidos na regulação do sono-vigília.
  • Menor comprometimento cognitivo e psicomotor: Os efeitos sobre a atenção, concentração e coordenação são minimizados, tornando a cetirizina uma opção mais segura para atividades que exigem alerta, como dirigir ou operar máquinas.

Em resumo, a cetirizina atua como um “escudo” contra a histamina nos tecidos periféricos, aliviando os sintomas alérgicos de forma eficaz, mas com um perfil de segurança aprimorado em relação aos efeitos no SNC, o que a torna uma escolha valiosa para o tratamento contínuo de condições alérgicas.

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Farmacocinética e Farmacodinâmica

A farmacocinética e a farmacodinâmica da cetirizina são características cruciais que determinam sua eficácia clínica, perfil de segurança e regime de dosagem. Compreender esses aspectos ajuda a otimizar o uso do medicamento.

Farmacocinética: O que o corpo faz com o medicamento

A farmacocinética descreve o percurso do medicamento no organismo, abrangendo os processos de absorção, distribuição, metabolismo e excreção (ADME).

Absorção

  • Rapidez: Após a administração oral, a cetirizina é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal.
  • Extensão: A absorção é extensa, e a biodisponibilidade oral é alta, geralmente superior a 70%, mas pode chegar a 85-95%.
  • Pico de Concentração Plasmática (Tmax): As concentrações plasmáticas máximas (Cmax) são geralmente atingidas em aproximadamente 1 hora após a administração de uma dose única em adultos.
  • Alimentos: A presença de alimentos pode atrasar ligeiramente o Tmax em cerca de 1 hora, mas não afeta a extensão da absorção (AUC – área sob a curva de concentração plasmática versus tempo), ou seja, a quantidade total de fármaco absorvida permanece a mesma. Por isso, a cetirizina pode ser administrada com ou sem alimentos.

Distribuição

  • Volume de Distribuição (Vd): A cetirizina possui um volume de distribuição relativamente baixo, em torno de 0,5 L/kg, o que sugere que ela não se distribui extensivamente para os tecidos, permanecendo mais concentrada no plasma e no fluido extracelular.
  • Ligação Proteica: Cerca de 88% a 96% da cetirizina se liga às proteínas plasmáticas, principalmente à albumina. Essa alta ligação proteica é um fator a ser considerado em situações de hipoalbuminemia.
  • Barreira Hematoencefálica (BHE): Como um anti-histamínico de segunda geração, a cetirizina atravessa a BHE em uma extensão muito limitada. Isso é crucial para seu perfil de segurança, pois minimiza os efeitos sedativos e outros efeitos no sistema nervoso central, diferenciando-a dos anti-histamínicos de primeira geração.

Metabolismo

  • Metabolismo Hepático Mínimo: A cetirizina é metabolizada em uma extensão muito limitada no fígado. Diferentemente de muitos outros fármacos, ela não sofre metabolismo significativo pelo sistema enzimático do citocromo P450 (CYP450). Isso significa que o risco de interações medicamentosas baseadas na inibição ou indução do CYP450 é baixo.
  • Metabólito Principal: Uma pequena porção da cetirizina é convertida em um metabólito inativo via O-desalquilação.

Excreção

  • Via Principal: A principal via de eliminação da cetirizina é a renal. Aproximadamente 60% da dose administrada é excretada inalterada na urina em um período de 24 horas. Cerca de 10% é excretada nas fezes.
  • Meia-vida de Eliminação (T½): Em adultos com função renal normal, a meia-vida de eliminação plasmática da cetirizina é de aproximadamente 8 a 11 horas (média de 10 horas). Essa meia-vida permite a administração uma vez ao dia para a maioria dos pacientes.
  • Populações Especiais:
    • Insuficiência Renal: A meia-vida é significativamente prolongada em pacientes com insuficiência renal, necessitando de ajuste de dose. Por exemplo, em pacientes com insuficiência renal moderada, a meia-vida pode aumentar para 19-21 horas, e em casos de insuficiência grave, pode chegar a 30 horas ou mais.
    • Insuficiência Hepática: Em pacientes com insuficiência hepática isolada, a farmacocinética da cetirizina não é alterada de forma significativa, pois o metabolismo hepático é mínimo. No entanto, se houver insuficiência renal concomitante, o ajuste de dose será necessário.
    • Idosos: A depuração da cetirizina pode estar diminuída em idosos devido à redução natural da função renal relacionada à idade, o que pode levar a um ligeiro aumento da meia-vida.
    • Crianças: A meia-vida é mais curta em crianças pequenas (por exemplo, cerca de 6 horas em crianças de 6-12 anos e 5 horas em crianças de 2-6 anos), o que justifica a dosagem duas vezes ao dia em algumas faixas etárias pediátricas para manter concentrações plasmáticas terapêuticas.

Farmacodinâmica: O que o medicamento faz no corpo

A farmacodinâmica refere-se aos efeitos bioquímicos e fisiológicos do medicamento no organismo e ao seu mecanismo de ação.

  • Início da Ação: O início da ação da cetirizina é relativamente rápido, com alívio dos sintomas geralmente observado dentro de 20 a 60 minutos após a administração oral.
  • Duração da Ação: Devido à sua meia-vida adequada e à forte ligação aos receptores H1, os efeitos antialérgicos da cetirizina persistem por pelo menos 24 horas, permitindo a administração uma vez ao dia para a maioria das indicações.
  • Eficácia: A cetirizina é um anti-histamínico potente e eficaz no bloqueio dos receptores H1 periféricos, o que se traduz em uma significativa redução dos sintomas de rinite alérgica (espirros, rinorreia, prurido nasal e ocular) e urticária (prurido, pápulas, eritema).
  • Efeitos sobre o SNC: Como mencionado anteriormente, sua baixa penetração na BHE resulta em uma incidência muito menor de sonolência e outros efeitos adversos no SNC em comparação com os anti-histamínicos de primeira geração. No entanto, a sonolência ainda é o efeito adverso mais comum relatado, especialmente em doses mais altas ou em indivíduos sensíveis.
  • Propriedades Anti-inflamatórias Adicionais: Além do bloqueio H1, a cetirizina demonstrou possuir algumas propriedades anti-inflamatórias adicionais, como a inibição da migração de eosinófilos e basófilos e a liberação de certos mediadores inflamatórios (como leucotrienos e citocinas) em modelos in vitro e in vivo. Essas ações podem contribuir para sua eficácia em condições inflamatórias alérgicas crônicas.

Em resumo, a cetirizina apresenta um perfil farmacocinético favorável com rápida absorção, metabolismo mínimo e eliminação renal predominante, resultando em uma duração de ação prolongada. Farmacodinamicamente, é um potente e seletivo antagonista H1 com baixo potencial de sedação, tornando-a uma ferramenta eficaz e bem tolerada no manejo de doenças alérgicas.

Indicações Terapêuticas

A cetirizina é um medicamento versátil, aprovado para o tratamento de uma variedade de condições alérgicas devido à sua eficácia no bloqueio dos receptores H1 da histamina. No Brasil, as indicações aprovadas pela ANVISA abrangem as manifestações alérgicas mais comuns e incômodas.

Indicações Aprovadas no Brasil:

1. Rinite Alérgica Sazonal e Perene:

Esta é uma das indicações primárias da cetirizina. A rinite alérgica é uma condição inflamatória da mucosa nasal, desencadeada pela exposição a alérgenos. Pode ser sazonal (pólen, mofo sazonal) ou perene (ácaros, pelos de animais, baratas). Os sintomas incluem:

  • Espirros: Frequentes e paroxísticos.
  • Rinorreia: Coriza, geralmente clara e aquosa.
  • Prurido nasal: Coceira no nariz, palato e garganta.
  • Congestão nasal: Obstrução do nariz, que pode ser intermitente ou persistente.
  • Prurido ocular e lacrimejamento: Coceira e irritação nos olhos, frequentemente acompanhada de vermelhidão e lacrimejamento (conjuntivite alérgica).

A cetirizina é eficaz no alívio rápido desses sintomas, proporcionando conforto e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

2. Urticária Crônica Idiopática (UCI):

A urticária é uma condição cutânea caracterizada pelo aparecimento de pápulas (vergões ou placas elevadas e avermelhadas) e/ou angioedema (inchaço mais profundo na pele ou mucosas) acompanhados de prurido intenso. A urticária é considerada crônica quando as lesões ocorrem diariamente ou quase diariamente por seis semanas ou mais. Quando a causa não é identificável, é classificada como idiopática. A cetirizina é uma medicação de primeira linha para o tratamento da UCI, pois:

  • Reduz significativamente o prurido, que é o sintoma mais debilitante.
  • Diminui o número e o tamanho das pápulas.
  • Pode aliviar o angioedema.

A dose pode ser ajustada em casos refratários, conforme orientação médica, podendo-se aumentar a dose para até quatro vezes a dose padrão diária, sempre sob estrito acompanhamento profissional.

3. Prurido (Coceira):

Além do prurido associado à rinite e urticária, a cetirizina pode ser utilizada para aliviar o prurido em outras condições cutâneas alérgicas ou pruriginosas, como dermatite atópica (eczema) ou picadas de insetos, onde a histamina desempenha um papel significativo na mediação da coceira. Embora não cure a condição subjacente, proporciona alívio sintomático.

Uso Off-label Relevante:

Embora as indicações acima sejam as aprovadas em bula no Brasil, a cetirizina, como outros anti-histamínicos, pode ser usada off-label (fora das indicações aprovadas) em algumas situações, sempre com base em avaliação clínica e julgamento médico. Alguns exemplos incluem:

  • Dermatite Atópica (Eczema): Embora não seja uma cura, a cetirizina pode ser usada para controlar o prurido intenso associado à dermatite atópica, especialmente à noite, ajudando a melhorar a qualidade do sono e a reduzir o ciclo de coceira-arranhadura.
  • Reações Alérgicas Leves a Moderadas: Para o alívio de sintomas de reações alérgicas a alimentos ou medicamentos, após estabilização da condição e sob supervisão médica, como parte de um plano de tratamento mais amplo.

É importante ressaltar que o uso off-label deve ser sempre discutido com um médico, que avaliará os riscos e benefícios para o paciente individualmente. As indicações aprovadas garantem a segurança e eficácia do medicamento para as condições estudadas e validadas pelas agências reguladoras.

Posologia e Forma de Uso

A posologia da cetirizina deve ser individualizada de acordo com a idade do paciente, a gravidade dos sintomas e a função renal. É fundamental seguir as orientações médicas ou as instruções da bula para garantir a eficácia e a segurança do tratamento.

Doses para Diferentes Indicações e Populações:

A cetirizina é geralmente administrada uma vez ao dia, preferencialmente à noite, devido ao potencial, embora baixo, de causar sonolência em alguns indivíduos. Pode ser tomada com ou sem alimentos.

Observações Importantes sobre a Posologia:

  • Crianças: Para crianças menores de 6 anos, a forma em solução oral (xarope ou gotas) é a mais adequada para facilitar a administração e o ajuste preciso da dose. A administração em duas doses diárias (manhã e noite) para crianças pequenas pode ajudar a manter concentrações plasmáticas mais estáveis e otimizar o controle dos sintomas.
  • Insuficiência Renal: Pacientes com comprometimento da função renal necessitam de ajuste de dose, pois a cetirizina é primariamente eliminada pelos rins. A dose e a frequência de administração devem ser modificadas conforme o clearance de creatinina (ClCr):
    • ClCr 31-50 mL/min (insuficiência renal moderada): Recomenda-se 5 mg uma vez ao dia.
    • ClCr 10-30 mL/min (insuficiência renal grave): Recomenda-se 5 mg a cada dois dias.
    • ClCr <10 mL/min (doença renal terminal): Contraindicado.
  • Insuficiência Hepática: Pacientes com insuficiência hepática isolada geralmente não necessitam de ajuste de dose, uma vez que o metabolismo hepático da cetirizina é mínimo. No entanto, se houver insuficiência renal concomitante, o ajuste de dose renal deve ser aplicado.
  • Idosos: Embora não seja estritamente necessário um ajuste de dose para idosos com função renal normal, é prudente iniciar com a dose mais baixa recomendada (5 mg) e monitorar a resposta, devido à possível diminuição da função renal relacionada à idade.
  • Urticária Crônica Idiopática: Em casos de urticária crônica idiopática refratária à dose padrão (10 mg/dia), alguns guidelines e a prática clínica, sob orientação médica especializada, permitem o aumento da dose para até 20 mg ou 40 mg por dia (divididas em duas doses), o que pode ser mais eficaz para o controle dos sintomas sem aumentar significativamente os efeitos adversos. Este ajuste deve ser feito estritamente sob supervisão médica.

Forma de Uso:

  • Comprimidos: Devem ser ingeridos com um pouco de líquido, independentemente das refeições.
  • Solução Oral/Gotas: Administrar a dose medida com o dosador ou conta-gotas fornecido, diretamente na boca ou diluída em um pouco de água. Para crianças, é importante garantir que a dose seja medida com precisão.

A duração do tratamento varia conforme a condição e a resposta individual. Para rinite alérgica sazonal, o tratamento pode ser interrompido após a exposição ao alérgeno ou a melhora dos sintomas. Para condições crônicas como a urticária crônica idiopática, o tratamento pode ser de longo prazo, conforme a necessidade e a avaliação médica.

Contraindicações

As contraindicações da cetirizina são condições nas quais o uso do medicamento é desaconselhado ou proibido, devido ao risco de causar danos ou exacerbar problemas de saúde existentes. É crucial que pacientes e profissionais de saúde estejam cientes dessas restrições para garantir a segurança do tratamento.

Contraindicações Absolutas:

São condições nas quais o medicamento não deve ser utilizado de forma alguma.

  1. Hipersensibilidade conhecida à cetirizina, a qualquer um dos excipientes da formulação, à hidroxizina ou a qualquer derivado da piperazina: Esta é a contraindicação mais importante. A hidroxizina é um precursor da cetirizina, e a piperazina é um grupo químico comum a ambos e a outros anti-histamínicos. Uma reação alérgica prévia a qualquer um desses compostos significa que o paciente não deve usar cetirizina, devido ao risco de reações de hipersensibilidade graves (anafilaxia, angioedema, erupções cutâneas graves).
  2. Insuficiência renal grave (clearance de creatinina < 10 mL/min): Como a cetirizina é predominantemente eliminada pelos rins, pacientes com insuficiência renal muito grave não conseguem depurar o fármaco de forma eficiente, levando ao acúmulo e ao aumento do risco de efeitos adversos, incluindo sonolência excessiva e toxicidade. Para esses pacientes, a cetirizina é contraindicada.

Contraindicações Relativas e Precauções:

São condições que exigem cautela e avaliação cuidadosa do risco-benefício antes do uso da cetirizina. Em alguns casos, o medicamento pode ser usado com ajuste de dose e monitoramento rigoroso.

  1. Epilepsia ou pacientes com risco de convulsões: Embora a cetirizina seja considerada um anti-histamínico com baixo potencial de efeitos no SNC, há relatos raros de convulsões ou exacerbação de crises convulsivas em pacientes predispostos. A cetirizina deve ser usada com cautela nesses indivíduos e sob supervisão médica.
  2. Pacientes com fatores predisponentes à retenção urinária: Isso inclui pacientes com lesão da medula espinhal, hiperplasia prostática ou obstrução do colo da bexiga. Anti-histamínicos podem ter efeitos anticolinérgicos leves (embora mínimos para cetirizina), que podem agravar a retenção urinária.
  3. Insuficiência renal moderada (clearance de creatinina 31-50 mL/min) ou grave (clearance de creatinina 10-30 mL/min): Nesses casos, a cetirizina não é absolutamente contraindicada, mas exige ajuste de dose (conforme detalhado na seção de posologia) para evitar o acúmulo do fármaco e a ocorrência de efeitos adversos.
  4. Idosos: Devido à maior probabilidade de diminuição da função renal e maior sensibilidade a efeitos adversos, a cetirizina deve ser usada com cautela em idosos, e a dose mais baixa eficaz deve ser considerada.
  5. Gravidez e Lactação:
    • Gravidez (Categoria B): Embora estudos em animais não tenham demonstrado teratogenicidade e estudos em humanos sejam limitados e não tenham evidenciado risco, a cetirizina deve ser usada durante a gravidez apenas se estritamente necessário e sob orientação médica, avaliando-se cuidadosamente o risco-benefício.
    • Lactação: A cetirizina é excretada no leite materno. Há relatos de sonolência e outros efeitos adversos em bebês amamentados por mães que utilizavam cetirizina. Portanto, o uso não é recomendado durante a amamentação ou, se essencial, a amamentação deve ser descontinuada, ou um anti-histamínico com perfil de segurança mais estabelecido na lactação deve ser considerado, sempre com aconselhamento médico.
  6. Consumo de álcool e outros depressores do SNC: Embora a cetirizina tenha baixo potencial sedativo, o uso concomitante com álcool ou outros depressores do SNC pode potencializar os efeitos sobre o sistema nervoso central, como sonolência e comprometimento psicomotor, e deve ser evitado ou monitorado com cautela.

É fundamental que os pacientes informem seus médicos sobre todas as suas condições de saúde preexistentes e medicamentos em uso antes de iniciar o tratamento com cetirizina.

Efeitos Colaterais

Assim como qualquer medicamento, a cetirizina pode causar efeitos colaterais, embora muitas pessoas a tolerem bem e não experimentem reações adversas significativas. A incidência e a gravidade dos efeitos variam de pessoa para pessoa e podem ser dose-dependentes. A cetirizina é geralmente considerada um anti-histamínico bem tolerado, com um perfil de segurança favorável em comparação com os anti-histamínicos de primeira geração, principalmente devido à sua baixa penetração na barreira hematoencefálica.

Considerações Adicionais sobre Efeitos Colaterais:

  • Sonolência: Embora seja um anti-histamínico de segunda geração com baixo potencial sedativo, a sonolência é o efeito colateral mais comum da cetirizina. A incidência é maior com doses mais elevadas e em indivíduos mais sensíveis. Recomenda-se cautela ao realizar atividades que exijam atenção, como dirigir ou operar máquinas, especialmente no início do tratamento ou ao aumentar a dose. A administração da dose à noite pode ajudar a mitigar esse efeito.
  • Boca Seca: É um efeito anticolinérgico leve que pode ocorrer, embora menos pronunciado do que com anti-histamínicos de primeira geração.
  • Fadiga e Astenia: Sensação de cansaço ou falta de energia, que pode estar relacionada à sonolência.
  • Ganho de Peso: Embora incomum, o ganho de peso tem sido relatado em alguns estudos e na experiência pós-comercialização com anti-histamínicos de segunda geração, incluindo a cetirizina. O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas pode estar relacionado a um aumento do apetite ou a efeitos metabólicos.
  • Reações Paradoxais: Em casos muito raros, especialmente em crianças, a cetirizina pode causar excitação, agitação ou insônia, em vez de sonolência.
  • Sintomas de Retirada: Embora não seja comum, há relatos de prurido intenso e recorrente após a interrupção abrupta da cetirizina, especialmente após uso prolongado em doses elevadas. Isso é conhecido como “prurido de rebote” e sugere que a dose pode precisar ser gradualmente reduzida em alguns pacientes.

Se qualquer efeito colateral se tornar incômodo ou persistente, ou se ocorrerem reações graves, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente. A comunicação aberta com o profissional de saúde é essencial para um manejo seguro e eficaz do tratamento.

Interações Medicamentosas

A cetirizina possui um baixo potencial de interações medicamentosas clinicamente significativas, principalmente devido ao seu metabolismo hepático mínimo e à sua baixa ligação ao sistema enzimático do citocromo P450. No entanto, algumas interações são importantes e devem ser consideradas.

Considerações Específicas sobre Interações:

  • Álcool e Depressores do SNC: Esta é a interação mais relevante. Embora a cetirizina tenha um baixo potencial sedativo em comparação com os anti-histamínicos de primeira geração, o consumo concomitante de álcool ou outros depressores do sistema nervoso central (como sedativos, hipnóticos, ansiolíticos, alguns antidepressivos ou opioides) pode potencializar os efeitos sobre o SNC, aumentando a sonolência, sedação e comprometimento psicomotor. Os pacientes devem ser aconselhados a evitar ou limitar o consumo de álcool e ter cautela ao usar outros depressores do SNC.
  • Teofilina: Um estudo farmacocinético demonstrou que a coadministração de cetirizina 10 mg/dia com teofilina 400 mg/dia resultou em uma pequena (16%) diminuição na depuração da cetirizina, enquanto a farmacocinética da teofilina não foi alterada. Essa interação geralmente não é clinicamente significativa para a maioria dos pacientes, mas pode ser relevante em pacientes com função renal comprometida, onde a depuração da cetirizina já está reduzida.
  • Ritonavir: Em um estudo de dose múltipla com ritonavir (600 mg duas vezes ao dia) e cetirizina (10 mg uma vez ao dia), a exposição à cetirizina (AUC) aumentou em cerca de 40%, enquanto a exposição ao ritonavir diminuiu em 11%. Embora o aumento na exposição à cetirizina não tenha sido associado a um aumento significativo nos efeitos adversos no estudo, a possibilidade de maior sonolência deve ser monitorada.
  • Azitromicina, Cimetidina, Eritromicina, Cetoconazol e Pseudoefedrina: Estudos de interação farmacocinética com esses medicamentos não demonstraram alterações clinicamente significativas na farmacocinética da cetirizina ou dos fármacos concomitantes. Isso reforça o baixo potencial de interações metabólicas da cetirizina.
  • Alimentos: A presença de alimentos pode atrasar ligeiramente o pico de concentração plasmática (Tmax) da cetirizina em cerca de 1 hora, mas não afeta a extensão da absorção (AUC). Portanto, a cetirizina pode ser administrada com ou sem alimentos.

Em geral, a cetirizina é considerada segura para uso concomitante com a maioria dos medicamentos comuns. No entanto, é sempre prudente que os pacientes informem seu médico ou farmacêutico sobre todos os medicamentos que estão usando, incluindo medicamentos de venda livre, suplementos herbais e vitaminas, para que qualquer potencial interação possa ser avaliada.

Uso em Populações Especiais

A cetirizina pode ser utilizada em diversas populações, mas ajustes de dose e considerações especiais são necessários para garantir a segurança e a eficácia, especialmente em grupos mais vulneráveis como gestantes, lactantes, crianças, idosos e pacientes com insuficiência renal ou hepática.

Detalhes Adicionais por População:

  • Gestantes: Embora a cetirizina seja classificada como Categoria B de risco na gravidez pelo FDA (o que significa que estudos em animais não demonstraram risco fetal, mas não há estudos adequados e bem controlados em humanos), e a maioria dos dados disponíveis não sugira um aumento de risco de malformações, seu uso deve ser restrito a situações de real necessidade e sob estrita orientação médica. Anti-histamínicos de segunda geração são frequentemente preferidos aos de primeira geração devido ao seu perfil de segurança mais favorável. A escolha deve ser individualizada, considerando a gravidade dos sintomas alérgicos da mãe e a potencial exposição fetal.
  • Lactantes: A cetirizina é excretada no leite materno. Embora a quantidade excretada possa ser pequena, há relatos de efeitos adversos em lactentes, incluindo sonolência, irritabilidade e diminuição do ganho de peso. Devido a esses riscos potenciais, o uso da cetirizina durante a amamentação não é geralmente recomendado. Se o tratamento for considerado essencial para a mãe, o médico pode sugerir a interrupção da amamentação ou a escolha de um anti-histamínico alternativo com um perfil de segurança mais estabelecido durante a lactação (como a loratadina, que tem menor excreção no leite).
  • Crianças: A cetirizina é amplamente utilizada e bem tolerada em crianças para o tratamento de rinite alérgica e urticária. As doses devem ser cuidadosamente ajustadas por idade e peso, utilizando as formulações líquidas (xarope ou gotas) para maior precisão. Em crianças menores de 2 anos, o uso deve ser estritamente sob orientação e supervisão médica, pois a segurança e eficácia nessa faixa etária são menos estabelecidas, e a sonolência pode ser mais pronunciada.
  • Idosos: Pacientes idosos podem apresentar uma diminuição natural da função renal e hepática, além de maior sensibilidade a medicamentos. A meia-vida da cetirizina pode estar ligeiramente prolongada em idosos. Recomenda-se cautela e, se houver qualquer grau de insuficiência renal, o ajuste da dose é essencial. É prudente iniciar com a dose mais baixa eficaz (5 mg) e monitorar a resposta e a ocorrência de efeitos adversos, especialmente sonolência.
  • Insuficiência Renal: Esta é a população especial que requer mais atenção. A cetirizina é eliminada principalmente pelos rins. Portanto, em pacientes com insuficiência renal, a depuração do fármaco é reduzida, levando a um acúmulo e prolongamento da meia-vida. Os ajustes de dose são cruciais para evitar toxicidade:
    • Insuficiência renal leve (ClCr 50-79 mL/min): Geralmente não requer ajuste, mas monitorar.
    • Insuficiência renal moderada (ClCr 31-50 mL/min): Recomenda-se 5 mg uma vez ao dia.
    • Insuficiência renal grave (ClCr 10-30 mL/min): Recomenda-se 5 mg a cada dois dias.
    • Doença renal terminal (ClCr < 10 mL/min): Contraindicado.

    A hemodiálise não remove a cetirizina de forma significativa, portanto, não é um método eficaz para tratar a superdosagem nesses pacientes.

  • Insuficiência Hepática: Como o metabolismo hepático da cetirizina é mínimo (menos de 10% da dose é metabolizada), a insuficiência hepática isolada geralmente não requer ajuste de dose. No entanto, se o paciente apresentar insuficiência hepática e renal concomitante, os ajustes de dose para insuficiência renal devem ser aplicados.

A avaliação individual de cada paciente por um profissional de saúde é sempre o melhor caminho para determinar a adequação do uso da cetirizina e a posologia correta em populações especiais.

Superdosagem

A superdosagem de cetirizina, embora geralmente não seja fatal, pode levar a uma exacerbação dos efeitos adversos e a sintomas mais graves, especialmente relacionados ao sistema nervoso central. A dose letal é muito alta em estudos animais, e a experiência em humanos mostra que a superdosagem significativa é geralmente bem tolerada, mas requer atenção médica.

Sinais e Sintomas da Intoxicação:

Os sintomas de superdosagem de cetirizina são principalmente uma extensão dos seus efeitos farmacológicos e efeitos adversos conhecidos. Eles podem variar dependendo da dose ingerida e da sensibilidade individual do paciente.

  • Sinais no Sistema Nervoso Central:
    • Sonolência acentuada: É o sintoma mais comum e proeminente, podendo variar de letargia a sedação profunda.
    • Agitação e Inquietação: Paradoxalmente, em algumas pessoas, especialmente crianças, pode ocorrer excitação ou agitação em vez de sedação.
    • Confusão mental: Desorientação e dificuldade de concentração.
    • Tremores.
    • Cefaleia (dor de cabeça).
    • Tontura.
  • Sinais Anticolinérgicos (em menor grau): Embora a cetirizina tenha baixa atividade anticolinérgica, doses muito altas podem manifestar:
    • Boca seca.
    • Visão turva.
    • Midríase (dilatação das pupilas).
    • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca).
    • Retenção urinária: Dificuldade ou incapacidade de urinar.
  • Outros Sintomas:
    • Fadiga e mal-estar.
    • Diarreia.
  • Em casos de superdosagem muito elevada e rara: Convulsões podem ocorrer, especialmente em pacientes predispostos.

A superdosagem com uma dose única de 50 mg de cetirizina (5 vezes a dose diária máxima recomendada) já foi relatada causando sonolência leve. Doses de até 100 mg por dia foram toleradas por alguns pacientes sem efeitos adversos graves, mas a faixa de segurança é individual.

Tratamento da Intoxicação:

Não existe um antídoto específico para a superdosagem de cetirizina. O tratamento é sintomático e de suporte, visando à remoção do fármaco não absorvido e ao manejo dos sintomas.

  • Descontaminação Gástrica (se aplicável):
    • Lavagem gástrica: Pode ser considerada se a ingestão for recente (idealmente dentro de 1 hora) e a dose for potencialmente tóxica, desde que o paciente esteja consciente e com as vias aéreas protegidas.
    • Carvão ativado: A administração de carvão ativado pode ser útil para adsorver o fármaco remanescente no trato gastrointestinal, reduzindo a absorção sistêmica.
  • Medidas de Suporte:
    • Monitoramento: Monitorar os sinais vitais do paciente (frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigênio) e o nível de consciência.
    • Suporte respiratório: Se houver depressão respiratória significativa (muito rara com cetirizina), pode ser necessária ventilação assistida.
    • Hidratação: Manter a hidratação adequada.
    • Manejo da Agitação/Convulsões: Se houver agitação severa ou convulsões, benzodiazepínicos podem ser administrados.
    • Retenção Urinária: Cateterização vesical pode ser necessária em casos de retenção urinária.
  • Diálise: A hemodiálise não é um método eficaz para remover a cetirizina do organismo, pois ela possui um alto volume de distribuição e alta ligação proteica.

Em todos os casos de suspeita de superdosagem, é fundamental procurar atendimento médico de emergência imediatamente ou ligar para um centro de controle de intoxicações. A intervenção rápida pode prevenir complicações e garantir a recuperação do paciente.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

A cetirizina é um princípio ativo que está disponível no mercado brasileiro tanto como medicamento de referência, quanto em versões genéricas e similares. A compreensão das diferenças entre essas categorias é crucial para pacientes e profissionais de saúde.

Medicamento de Referência:

O medicamento de referência é o produto inovador, registrado na ANVISA com patente válida, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente. No caso da cetirizina, o medicamento de referência que estabeleceu o padrão de qualidade e eficácia é o Zyrtec® (do laboratório UCB Pharma).

Medicamentos Genéricos:

Os medicamentos genéricos contêm o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica que o medicamento de referência. Para serem aprovados e comercializados no Brasil, os genéricos devem passar por rigorosos testes de bioequivalência e biodisponibilidade com o medicamento de referência. Isso significa que eles devem demonstrar que são absorvidos e atingem a corrente sanguínea na mesma proporção e velocidade que o produto de referência, garantindo a mesma eficácia e segurança. Os genéricos são identificados pela tarja amarela com a letra “G” em destaque e pelo nome do princípio ativo na embalagem.

No Brasil, existem diversos laboratórios que fabricam e comercializam cetirizina genérica. Alguns dos principais incluem:

  • EMS
  • Medley
  • Neo Química
  • Eurofarma
  • Germed Pharma
  • Prati-Donaduzzi
  • Sandoz
  • Teuto
  • Cimed

A principal vantagem dos genéricos é o seu custo, geralmente mais acessível que o medicamento de referência, tornando o tratamento mais acessível à população sem comprometer a qualidade.

Medicamentos Similares:

Os medicamentos similares também contêm o mesmo princípio ativo, dose e forma farmacêutica do medicamento de referência. No entanto, historicamente, eles não eram obrigados a comprovar a bioequivalência com o medicamento de referência no momento de seu registro. Isso mudou com a Resolução RDC nº 134/2003 e RDC nº 133/2003 da ANVISA, que estabeleceu a obrigatoriedade de testes de bioequivalência para todos os similares que desejassem ser equivalentes aos medicamentos de referência.

Atualmente, os medicamentos similares que comprovam bioequivalência com o medicamento de referência são chamados de similares intercambiáveis. Eles podem ser substituídos pelo medicamento de referência na farmácia, mediante a indicação na prescrição. Esses produtos geralmente possuem um nome comercial próprio (fantasia).

Alguns exemplos de medicamentos similares (com nome comercial) da cetirizina que podem ser encontrados no mercado brasileiro, e que podem ter comprovado ou estar em processo de comprovação de intercambialidade, incluem:

  • Alergina® (Eurofarma)
  • Reactine® (Johnson & Johnson) – este foi, por um tempo, o medicamento de referência em alguns mercados, mas no Brasil, Zyrtec® é o mais reconhecido.
  • Cetihexal® (Hexal)
  • Zina® (Biolab)

A escolha entre um medicamento de referência, genérico ou similar intercambiável deve considerar a confiança do paciente, a recomendação do profissional de saúde e o custo-benefício. Para os genéricos e similares intercambiáveis, a ANVISA assegura que a qualidade, segurança e eficácia são equivalentes ao medicamento de referência.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

A cetirizina pertence à classe dos anti-histamínicos de segunda geração, que são amplamente utilizados para o tratamento de alergias. Dentro dessa classe, existem outros fármacos com mecanismos de ação semelhantes, mas com algumas diferenças farmacocinéticas e farmacodinâmicas que podem influenciar a escolha terapêutica. A comparação com esses medicamentos ajuda a posicionar a cetirizina em relação às alternativas disponíveis.

Análise Comparativa Detalhada:

  • Potencial de Sedação:
    • Cetirizina: Embora seja um anti-histamínico de segunda geração, a cetirizina tem um potencial ligeiramente maior de causar sonolência do que a loratadina, desloratadina e fexofenadina. A sonolência é o efeito adverso mais frequentemente relatado, ocorrendo em cerca de 10-15% dos pacientes em doses de 10 mg/dia, mas ainda significativamente menor do que com os anti-histamínicos de primeira geração.
    • Levocetirizina: É o isômero ativo da cetirizina e geralmente tem um perfil de sedação semelhante ou ligeiramente inferior à cetirizina, mas com uma potência maior, o que permite doses menores.
    • Loratadina e Desloratadina: São consideradas as menos sedativas entre os anti-histamínicos de segunda geração, com incidência de sonolência muito próxima à do placebo. A desloratadina é o metabólito ativo da loratadina.
    • Fexofenadina: Também possui um perfil de sedação muito baixo, comparável à loratadina e desloratadina, sendo uma excelente opção para pacientes que precisam evitar qualquer grau de sonolência.
  • Início e Duração da Ação:
    • Cetirizina: Início de ação rápido (20-60 minutos) e duração de 24 horas, permitindo dose única diária.
    • Levocetirizina: Início de ação similar à cetirizina, com duração de 24 horas.
    • Loratadina/Desloratadina: Início de ação um pouco mais lento (1-3 horas) mas com duração de 24 horas.
    • Fexofenadina: Início de ação rápido (1 hora) e duração de 12-24 horas, podendo requerer duas doses diárias em alguns casos.
  • Metabolismo e Interações:
    • Cetirizina e Levocetirizina: Metabolismo hepático mínimo, principalmente eliminadas inalteradas pelos rins. Isso resulta em um baixo potencial de interações medicamentosas com fármacos que afetam o sistema CYP450.
    • Loratadina e Desloratadina: Metabolizadas pelo CYP450 (principalmente CYP3A4 e CYP2D6 para loratadina, embora a desloratadina seja menos dependente). Isso pode levar a potenciais interações com inibidores dessas enzimas, embora clinicamente menos relevantes do que com anti-histamínicos de primeira geração.
    • Fexofenadina: Não é extensivamente metabolizada no fígado e é excretada principalmente inalterada nas fezes e urina. No entanto, é um substrato para transportadores de efluxo (como a glicoproteína P), e pode interagir com inibidores desses transportadores (por exemplo, eritromicina, cetoconazol), o que pode aumentar seus níveis plasmáticos.
  • Indicações: Todos são indicados para rinite alérgica sazonal e perene, e urticária crônica idiopática. As diferenças são sutis e geralmente relacionadas à preferência do médico e à resposta individual do paciente.
  • Uso em Populações Especiais:
    • Insuficiência Renal: Cetirizina e levocetirizina requerem ajustes de dose mais significativos em insuficiência renal devido à sua eliminação predominante inalterada. Loratadina/desloratadina e fexofenadina também requerem ajustes, mas a magnitude pode variar.
    • Insuficiência Hepática: Cetirizina e levocetirizina não exigem ajuste em insuficiência hepática isolada. Loratadina/desloratadina podem exigir ajuste em casos graves de insuficiência hepática.

Em resumo, a escolha entre a cetirizina e outros anti-histamínicos de segunda geração depende de fatores como o perfil de efeitos colaterais desejado (especialmente o grau de sedação tolerado), a presença de comorbidades (como insuficiência renal ou hepática) e o potencial de interações medicamentosas com outros fármacos que o paciente esteja utilizando. A cetirizina continua sendo uma opção eficaz e bem estabelecida, particularmente valorizada por seu rápido início de ação e perfil de segurança geral.

Registro na ANVISA

O registro de medicamentos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é um processo rigoroso e obrigatório no Brasil, que garante a segurança, eficácia e qualidade dos produtos farmacêuticos comercializados no país. A cetirizina, como qualquer outro medicamento, passou por esse processo para ser disponibilizada ao público.

Informações Gerais sobre o Registro:

  • Processo de Registro: O registro na ANVISA envolve a submissão de um extenso dossiê que inclui dados pré-clínicos (estudos em animais), clínicos (estudos em humanos), farmacêuticos (qualidade da fabricação, estabilidade, pureza) e toxicológicos. Esses dados são avaliados por uma equipe multidisciplinar da agência para assegurar que o medicamento atende aos padrões exigidos.
  • Número de Registro: Cada medicamento aprovado recebe um número de registro único, que pode ser consultado no site da ANVISA. Este número garante que o produto foi avaliado e autorizado para comercialização.
  • Vigência do Registro: O registro de um medicamento na ANVISA tem uma validade (geralmente 5 anos) e deve ser renovado periodicamente, o que exige a apresentação de novos dados de segurança e eficácia, bem como a manutenção dos padrões de qualidade.
  • Status de Venda: A cetirizina, em algumas de suas apresentações e dosagens (ex: comprimidos de 10 mg, soluções orais para adultos e crianças), é classificada como Medicamento Isento de Prescrição (MIP). Isso significa que pode ser adquirida sem receita médica em farmácias e drogarias, o que facilita o acesso para o alívio de sintomas alérgicos comuns. No entanto, é sempre recomendável a leitura da bula e, se houver dúvidas, a consulta a um farmacêutico ou médico. Outras apresentações ou doses específicas podem requerer prescrição médica (tarja vermelha).
  • Lista de Controle Especial: A cetirizina não faz parte da lista de substâncias de controle especial (como psicotrópicos, entorpecentes ou precursores químicos) da Portaria SVS/MS nº 344/98 e suas atualizações. Isso reflete seu perfil de segurança e baixo potencial de abuso ou dependência.

Aprovação e Disponibilidade:

A cetirizina foi aprovada pela ANVISA há muitos anos, e diversas empresas farmacêuticas detêm registros para suas versões de referência (como Zyrtec®), genéricas e similares. Essa aprovação garante que o produto comercializado no Brasil é seguro, eficaz e de qualidade, seguindo os padrões sanitários e regulatórios nacionais e internacionais.

Ao adquirir cetirizina ou qualquer outro medicamento, é fundamental verificar se o produto possui o registro da ANVISA na embalagem, pois isso é um indicativo de sua procedência e conformidade com as normas sanitárias brasileiras. A ANVISA desempenha um papel crucial na proteção da saúde pública, regulando o mercado farmacêutico e garantindo que apenas produtos seguros e eficazes cheguem aos consumidores.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

🔗 Consultar no Bulário Eletrônico da ANVISA

Perguntas Frequentes sobre Cetirizina

Onde Comprar Cetirizina?

A cetirizina é um medicamento amplamente disponível no mercado brasileiro, sendo de fácil acesso para a maioria dos pacientes que necessitam de alívio para seus sintomas alérgicos. Sua disponibilidade se dá em diversas formas e locais.

Disponibilidade e Locais de Compra:

  • Farmácias e Drogarias Físicas: A cetirizina pode ser encontrada em praticamente todas as farmácias e drogarias do Brasil. As versões genéricas e similares são muito comuns, e o medicamento de referência (Zyrtec®) também está disponível.
  • Farmácias Online: Muitas redes de farmácias e drogarias possuem plataformas de venda online, onde a cetirizina pode ser comprada com entrega em domicílio. É importante verificar a reputação da farmácia online para garantir a compra de um produto legítimo e seguro.
  • Supermercados e Lojas de Conveniência: Em algumas doses e apresentações (especialmente como MIP – Medicamento Isento de Prescrição), a cetirizina pode ser encontrada em grandes supermercados e lojas de conveniência, facilitando ainda mais o acesso para o autotratamento de sintomas leves.

Necessidade de Receita Médica:

A cetirizina, em suas doses e apresentações mais comuns (como comprimidos de 10 mg e soluções orais de baixa concentração), é classificada como Medicamento Isento de Prescrição (MIP) no Brasil. Isso significa que ela pode ser adquirida sem a apresentação de receita médica. No entanto, para algumas apresentações específicas ou doses mais elevadas (como as utilizadas em casos refratários de urticária, sob supervisão médica), ou se o médico considerar necessário, uma receita pode ser exigida.

Mesmo sendo um MIP, é sempre recomendável a leitura atenta da bula e, em caso de dúvidas sobre o uso, dosagem ou interações, consultar um farmacêutico ou médico. A automedicação responsável é fundamental.

Preço Médio:

O preço da cetirizina pode variar consideravelmente dependendo de alguns fatores:

  • Marca: O medicamento de referência (Zyrtec®) tende a ser mais caro que as versões genéricas e similares.
  • Forma Farmacêutica: Comprimidos, xaropes e gotas podem ter preços diferentes.
  • Quantidade: Embalagens com maior número de comprimidos ou volumes maiores de xarope geralmente têm um custo unitário menor.
  • Local de Compra: Os preços podem variar entre diferentes redes de farmácias, regiões do país e se a compra é online ou em loja física.
  • Promoções: Fique atento a promoções e descontos oferecidos pelas farmácias.

Como referência, uma caixa com 10 ou 12 comprimidos de cetirizina genérica de 10 mg pode variar de R$ 10 a R$ 30. As soluções orais e as marcas de referência podem ter preços mais elevados. A cetirizina é geralmente considerada um medicamento acessível, especialmente nas suas versões genéricas.

Dicas para a Compra:

  • Consulte um Profissional: Se você nunca usou cetirizina ou tem dúvidas sobre sua adequação para sua condição, converse com um farmacêutico ou médico.
  • Compare Preços: Pesquise em diferentes farmácias antes de comprar para encontrar o melhor preço.
  • Verifique a Validade: Sempre confira a data de validade do produto antes de comprá-lo.
  • Guarde a Bula: Mantenha a bula do medicamento para consulta sempre que necessário.

A cetirizina é um aliado eficaz e acessível no combate aos sintomas alérgicos, permitindo que muitas pessoas desfrutem de uma melhor qualidade de vida com menos desconforto.

Onde comprar Cetirizina

Farmácias online parceiras. Confira preço e disponibilidade no site da loja.

  • Drogasmil
    CLORIDRATO DE FEXOFENADINA 120MG 10CP

    Ver preço

  • Drogaria Rosário
    Cloridrato de Metilfenidato 10M60Cpr Eurf

    Ver preço

  • Promofarma
    Cloridrato De Ambroxol Xarope 120ml Cimed

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 03/08/2026 e revisado em 03/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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