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Captopril

23 min de leitura Atualizado em 23/08/2026 Base ANVISA

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A hipertensão arterial sistêmica (HAS) e a insuficiência cardíaca congestiva (ICC) estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade cardiovascular em todo o mundo. No arsenal farmacológico desenvolvido para combater essas patologias, poucos medicamentos possuem uma importância histórica e clínica tão proeminente quanto o Captopril. Sendo o pioneiro da classe dos Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), o Captopril revolucionou o manejo das doenças cardiovasculares e renais a partir do final da década de 1970, estabelecendo um novo paradigma na terapêutica médica: o bloqueio neuro-hormonal.

Antes do advento do Captopril, o tratamento da hipertensão baseava-se predominantemente em vasodilatadores diretos inespecíficos, diuréticos e betabloqueadores, que frequentemente apresentavam limitações de eficácia e perfis de efeitos colaterais complexos. A introdução deste fármaco não apenas ofereceu um controle tensional altamente eficaz, mas também demonstrou, ao longo de extensos ensaios clínicos, a capacidade de reduzir a hipertrofia ventricular esquerda, proteger a função renal em pacientes diabéticos e diminuir significativamente a mortalidade em pacientes pós-infartados e com insuficiência cardíaca. Neste guia completo, exploraremos detalhadamente todos os aspectos farmacológicos, clínicos e práticos do Captopril, consolidando as informações essenciais para profissionais de saúde e pacientes.

O que é Captopril?

O Captopril é um fármaco anti-hipertensivo e vasodilatador que atua como um inibidor competitivo, específico e altamente seletivo da Enzima Conversora de Angiotensina (ECA). Quimicamente, trata-se do 1-[(2S)-3-mercapto-2-metilpropionil]-L-prolina, caracterizando-se por ser uma molécula que contém um grupo sulfidrila (-SH), propriedade que o diferencia estruturalmente de outros membros mais modernos da classe dos IECAs, como o enalapril e o lisinopril.

A história do Captopril é um dos capítulos mais fascinantes da farmacologia moderna e está intimamente ligada à ciência brasileira. Na década de 1960, o farmacologista brasileiro Maurício Rocha e Silva e seus colaboradores, incluindo Sérgio Henrique Ferreira, isolaram o “fator potencializador da bradicinina” (BPF, do inglês Bradykinin Potentiating Factor) a partir do veneno da serpente jararaca (Bothrops jararaca). Posteriormente, cientistas da empresa farmacêutica Squibb (notadamente Miguel Ondetti e David Cushman) utilizaram essa descoberta para projetar sinteticamente uma molécula capaz de se ligar ao sítio ativo da ECA, culminando no desenvolvimento do Captopril. O medicamento foi aprovado pela primeira vez pelo FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos em 1981 e, logo em seguida, obteve registro no Brasil junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

No mercado farmacêutico brasileiro, o Captopril está amplamente disponível em farmácias públicas e privadas. Ele é comercializado na forma de comprimidos simples, nas concentrações de 12,5 mg, 25 mg e 50 mg. Devido à expiração de sua patente há décadas, o medicamento é produzido por uma vasta gama de laboratórios de genéricos e similares, mantendo-se como uma das opções terapêuticas mais acessíveis e prescritas do país.

Mecanismo de Ação

Para compreender o mecanismo de ação do Captopril, é fundamental analisar o Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA), um dos principais sistemas reguladores da pressão arterial e do equilíbrio hidroeletrolítico do organismo humano. Em resposta a estímulos como a hipotensão renal, a depleção de sódio ou a ativação do sistema nervoso simpático, os rins secretam a enzima renina na circulação. A renina cliva o angiotensinogênio (uma glicoproteína sintetizada pelo fígado) para formar o decapeptídeo inativo Angiotensina I.

A Enzima Conversora de Angiotensina (ECA), localizada principalmente no endotélio vascular pulmonar e sistêmico, cliva dois aminoácidos terminais da Angiotensina I, convertendo-a no octapeptídeo altamente ativo Angiotensina II. A Angiotensina II é um dos vasoconstritores endógenos mais potentes conhecidos, atuando nos receptores AT1 para promover vasoconstrição arteriolar direta, liberação de catecolaminas, ativação simpática e, crucialmente, a secreção de aldosterona pelo córtex da glândula suprarrenal. A aldosterona, por sua vez, promove a reabsorção de sódio e água nos túbulos renais distais, expandindo o volume plasmático.

O Captopril atua ligando-se competitivamente ao sítio ativo da ECA, impedindo a conversão de Angiotensina I em Angiotensina II. Os principais efeitos farmacológicos decorrentes deste bloqueio incluem:

  • Redução da Resistência Vascular Periférica: A diminuição dos níveis circulantes e teciduais de Angiotensina II promove a vasodilatação arterial e venosa, reduzindo a pós-carga e a pré-carga cardíacas sem causar taquicardia reflexa significativa.
  • Diminuição da Secreção de Aldosterona: Com menor produção de aldosterona, ocorre uma redução na retenção renal de sódio e água, o que contribui para a diminuição do volume sanguíneo circulante e consequente queda da pressão arterial.
  • Acúmulo de Bradicinina: A ECA é idêntica à cininase II, a enzima responsável pela degradação da bradicinina (um peptídeo vasodilatador endógeno). Ao inibir a ECA, o Captopril também impede a degradação da bradicinina, elevando seus níveis sistêmicos e teciduais. A bradicinina estimula a liberação de óxido nítrico e prostaglandinas vasodilatadoras (como a prostaciclina) pelo endotélio, potencializando o efeito hipotensor do fármaco. No entanto, este acúmulo de bradicinina nas vias aéreas é o principal responsável pelo desenvolvimento de tosse seca, um efeito colateral característico desta classe.

⚗️ Como Funciona no Organismo?

Farmacocinética e Farmacodinâmica

O perfil farmacocinético do Captopril determina suas diretrizes de administração e posologia, diferenciando-o de outros IECAs de ação prolongada:

Absorção

Após a administração por via oral, o Captopril é rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal, com o pico de concentração plasmática ($C_{max}$) sendo atingido em aproximadamente 1 hora. A biodisponibilidade oral média é de cerca de 60% a 75%. No entanto, a presença de alimentos no estômago reduz a absorção do fármaco em aproximadamente 30% a 40%. Por esta razão, recomenda-se clinicamente que o Captopril seja administrado pelo menos 1 hora antes das refeições ou 2 horas após.

Distribuição

O Captopril apresenta uma taxa de ligação às proteínas plasmáticas relativamente baixa, de aproximadamente 25% a 30%, ligando-se principalmente à albumina sérica. O volume de distribuição aparente é de cerca de 0,7 L/kg. O fármaco atravessa a barreira placentária e é excretado no leite materno em baixas concentrações (cerca de 1% da concentração plasmática materna). Ele não atravessa de forma significativa a barreira hematoencefálica íntegra.

Metabolismo

Aproximadamente 50% do Captopril absorvido sofre rápida metabolização hepática e sistêmica, principalmente através de reações de oxidação que envolvem o seu grupo sulfidrila (-SH). Os metabólitos formados incluem o dímero de captopril (dissulfeto de captopril) e o dissulfeto de captopril-cisteína. Estes metabólitos são farmacologicamente inativos, mas podem sofrer interconversão reversível de volta ao captopril livre no organismo.

Excreção

A eliminação do Captopril e de seus metabólitos ocorre predominantemente por via renal (mais de 95% da dose absorvida é recuperada na urina em 24 horas). Cerca de 40% a 50% do fármaco é excretado na forma inalterada através de filtração glomerular e secreção tubular ativa. A meia-vida de eliminação plasmática ($t_{1/2}$) do Captopril inalterado é curta, de aproximadamente 1,5 a 2 horas em pacientes com função renal normal. Em pacientes com insuficiência renal, a depuração do Captopril diminui proporcionalmente ao ritmo de filtração glomerular, prolongando significativamente a sua meia-vida de eliminação e exigindo ajustes posológicos estritos.

Farmacodinâmica

O início da ação anti-hipertensiva ocorre cerca de 15 a 30 minutos após a administração oral. O efeito máximo sobre a pressão arterial é observado entre 1 e 1,5 horas. A duração da ação terapêutica é dose-dependente, variando geralmente de 6 a 12 horas, o que justifica a necessidade de múltiplas tomadas diárias (duas a três vezes ao dia) para o controle adequado da hipertensão arterial crônica.

Indicações Terapêuticas

O Captopril possui indicações terapêuticas consolidadas por robustas evidências clínicas e diretrizes cardiológicas nacionais e internacionais:

Hipertensão Arterial Sistêmica

Indicado para o tratamento da hipertensão arterial essencial em todos os estágios (leve, moderada a grave). Pode ser utilizado como monoterapia inicial ou associado a outras classes de anti-hipertensivos, especialmente diuréticos tiazídicos, com os quais apresenta um efeito sinérgico marcante. Também é indicado na hipertensão renovascular, embora exija extrema cautela em casos de estenose de artéria renal.

Insuficiência Cardíaca Congestiva

O Captopril é indicado para o tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), geralmente em combinação com diuréticos e betabloqueadores. Seu uso demonstrou reduzir a resistência vascular sistêmica, melhorar a tolerância ao exercício, diminuir a frequência de hospitalizações e prolongar significativamente a sobrevida global dos pacientes.

Infarto Agudo do Miocárdio (Pós-IAM)

Indicado em pacientes clinicamente estáveis após o infarto agudo do miocárdio para melhorar a sobrevida e reduzir o desenvolvimento de insuficiência cardíaca. O tratamento deve ser iniciado idealmente nas primeiras 24 horas pós-infarto, desde que o paciente apresente estabilidade hemodinâmica. O Captopril atenua o processo de remodelamento ventricular patológico pós-isquêmico.

Nefropatia Diabética

Indicado para o tratamento da nefropatia em pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 1 que apresentam microalbuminúria ou proteinúria estabelecida. O Captopril exerce um efeito renoprotetor específico, independente da redução da pressão arterial sistêmica, ao promover a vasodilatação da arteríola eferente glomerular, reduzindo a pressão intraglomerular e retardando a progressão da insuficiência renal terminal.

Crise Hipertensiva (Uso em Urgências)

Embora as diretrizes modernas priorizem agentes de ação prolongada para evitar quedas abruptas da pressão arterial, o Captopril ainda é amplamente utilizado por via oral ou sublingual no ambiente de urgência para o manejo de urgências hipertensivas (elevações agudas da pressão arterial sem lesão de órgão-alvo em evolução), devido ao seu rápido início de ação.

Posologia e Forma de Uso

A dose de Captopril deve ser individualizada de acordo com a patologia a ser tratada, a função renal do paciente e a resposta clínica obtida. Recomenda-se a administração sempre de estômago vazio (1 hora antes ou 2 horas após as refeições) para garantir a máxima absorção.

Hipertensão Arterial

  • Dose Inicial: Geralmente 25 mg, administrados duas vezes ao dia (BID) ou três vezes ao dia (TID). Em pacientes com risco de hipotensão (como idosos, pacientes depletados de volume ou em uso de diuréticos), deve-se iniciar com 12,5 mg, duas a três vezes ao dia.
  • Titulação e Manutenção: Se a redução pressórica não for satisfatória após 1 a 2 semanas, a dose pode ser aumentada progressivamente até um máximo de 150 mg ao dia (50 mg, três vezes ao dia).

Insuficiência Cardíaca

  • Dose Inicial: Deve ser iniciada sob supervisão médica estrita para evitar hipotensão de primeira dose. A dose inicial recomendada é de 6,25 mg a 12,5 mg, três vezes ao dia.
  • Titulação: A dose deve ser dobrada gradualmente, com intervalos de alguns dias, até atingir a dose-alvo de manutenção de 50 mg, três vezes ao dia (150 mg/dia), conforme tolerado pelo paciente.

Pós-Infarto Agudo do Miocárdio

  • Esquema de Início: Após uma dose teste inicial de 6,25 mg, o tratamento deve ser titulado para 12,5 mg três vezes ao dia, progredindo para 25 mg três vezes ao dia nos dias subsequentes.
  • Dose de Manutenção: O objetivo é atingir a dose de 150 mg ao dia (50 mg, três vezes ao dia) a longo prazo.

Nefropatia Diabética

  • A dose diária recomendada para o tratamento e prevenção da progressão da nefropatia diabética é de 75 mg a 100 mg, administrados em doses divididas (duas a três vezes ao dia).

Ajuste Posológico na Insuficiência Renal

Como o Captopril é excretado principalmente pelos rins, sua dose deve ser reduzida em pacientes com clearance de creatinina (ClCr) diminuído:

Clearance de Creatinina (mL/min) Dose Inicial Recomendada Dose Máxima Diária
> 40 Dose padrão (sem alteração) 150 mg
21 – 40 25 mg/dia 75 mg
10 – 20 12,5 mg/dia 37,5 mg
< 10 6,25 mg/dia 18,75 mg

Contraindicações

O uso do Captopril é estritamente contraindicado em diversas situações clínicas, nas quais o risco de eventos adversos graves supera amplamente os benefícios terapêuticos:

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade: Pacientes com histórico de hipersensibilidade ao Captopril ou a qualquer outro inibidor da ECA.
  • Histórico de Angioedema: Pacientes que apresentaram angioedema (hereditário, idiopático ou associado a tratamento prévio com qualquer IECA). O angioedema mediado por bradicinina pode causar obstrução fatal das vias aéreas superiores.
  • Gravidez: O Captopril é contraindicado durante todo o período gestacional (Categoria de Risco D). O uso no segundo e terceiro trimestres está associado a toxicidade fetal grave, incluindo hipotensão neonatal, hipoplasia craniana fetal, anúria, insuficiência renal reversível ou irreversível, oligodramnio e óbito fetal.
  • Uso Concomitante com Aliscireno: Contraindicado em pacientes com Diabetes Mellitus ou insuficiência renal moderada a grave (ClCr < 60 mL/min) devido ao risco elevado de hipotensão, hipercalemia e deterioração da função renal.
  • Uso Concomitante com Sacubitril/Valsartana: O Captopril não deve ser iniciado antes de decorridas pelo menos 36 horas da última dose de sacubitril/valsartana (um inibidor da neprilisina e receptor de angiotensina), devido ao risco extremo de angioedema.

Contraindicações Relativas e Precauções

  • Estenose Bilateral da Artéria Renal: Ou estenose de artéria renal em rim único. Nestes pacientes, a filtração glomerular depende criticamente da vasoconstrição da arteríola eferente mediada pela Angiotensina II. O bloqueio da ECA pode precipitar insuficiência renal aguda grave.
  • Estenose Aórtica Grave ou Cardiomiopatia Obstrutiva: A redução acentuada da pós-carga pode reduzir drasticamente a perfusão coronariana e sistêmica em pacientes com obstrução fixa ao fluxo de saída do ventrículo esquerdo.
  • Hipercalemia: Pacientes com níveis séricos de potássio basais superiores a 5,5 mEq/L, devido ao risco de agravamento decorrente da supressão da aldosterona.

Efeitos Colaterais

O Captopril apresenta um perfil de segurança bem estabelecido, mas, como qualquer fármaco ativo, pode desencadear reações adversas. Muitas destas reações são efeitos de classe dos IECAs, enquanto outras (como distúrbios do paladar e neutropenia) estão associadas ao grupo sulfidrila presente na molécula do Captopril.

Muito Comuns (> 10%)

  • Tosse Seca e Persistente: Uma tosse não produtiva, irritativa, que não responde a antitussígenos comuns. É causada pelo acúmulo de bradicinina e substância P na árvore brônquica. Cessando o tratamento, a tosse desaparece tipicamente em 1 a 4 semanas.

Comuns (1% a 10%)

  • Hipotensão: Especialmente hipotensão ortostática e “hipotensão de primeira dose”, caracterizada por tontura e vertigem ao levantar-se.
  • Distúrbios Dermatológicos: Erupções cutâneas (rash maculopapular ou urticariforme), frequentemente acompanhadas de prurido e, raramente, febre.
  • Disgeusia (Alteração do Paladar): Perda ou alteração na percepção de sabores (gosto metálico na boca), geralmente reversível mesmo com a continuidade do tratamento. Associada ao grupo sulfidrila.
  • Distúrbios Gastrointestinais: Náuseas, vômitos, dispepsia, dor abdominal e diarreia.

Incomuns (0,1% a 1%)

  • Angioedema: Inchaço de início rápido que afeta a face, lábios, língua, glote e laringe. Requer atendimento médico de emergência imediato devido ao risco de asfixia.
  • Cardiovasculares: Taquicardia, palpitações, dor torácica e fenômeno de Raynaud.

Raros (0,01% a 0,1%) e Muito Raros (< 0,01%)

  • Neutropenia e Agranulocitose: Depressão da medula óssea, ocorrendo principalmente em pacientes com disfunção renal ou colagenoses (como Lupus Eritematoso Sistêmico). Exige monitoramento do hemograma.
  • Disfunção Renal: Elevações da ureia e creatinina séricas, proteinúria e insuficiência renal aguda.
  • Hipercalemia: Elevação patológica dos níveis de potássio no sangue.
  • Toxicidade Hepática: Hepatite colestática ou hepatocelular, icterícia e elevação das transaminases.

Interações Medicamentosas

O manejo clínico do paciente em uso de Captopril requer atenção rigorosa às potenciais interações farmacológicas, que podem comprometer a eficácia terapêutica ou exacerbar efeitos adversos graves:

Interações que Aumentam o Risco de Hipercalemia

  • Diuréticos Poupadores de Potássio (Espironolactona, Amilorida, Triantereno): O uso concomitante reduz a excreção renal de potássio de forma sinérgica, podendo levar a arritmias cardíacas fatais.
  • Suplementos de Potássio e Substitutos do Sal de Cozinha (ricos em cloreto de potássio): Devem ser evitados, exceto sob monitoramento rigoroso do potássio sérico.

Interações que Reduzem o Efeito Anti-hipertensivo

  • Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs – ex: Ibuprofeno, Diclofenaco, Celecoxibe): Os AINEs inibem a síntese de prostaglandinas renais vasodilatadoras. Isso resulta em retenção de sódio, atenuação do efeito hipotensor do Captopril e aumento acentuado do risco de insuficiência renal aguda (fenômeno conhecido como a “tríade terapêutica perigosa” quando associado a diuréticos).

Interações que Aumentam o Risco de Hipotensão Grave

  • Outros Anti-hipertensivos e Diuréticos de Alça/Tiazídicos: Potencializam o efeito hipotensor. Pode ser necessária redução da dose ou suspensão temporária do diurético antes de iniciar o Captopril.
  • Anestésicos Gerais: Podem causar hipotensão acentuada durante o ato cirúrgico em pacientes que tomam IECAs.

Outras Interações Clinicamente Relevantes

  • Lítio: O Captopril reduz a depuração renal do lítio, elevando suas concentrações plasmáticas a níveis tóxicos. Recomenda-se monitorar rigorosamente a litemia.
  • Agentes Antidiabéticos (Insulina e Hipoglicemiantes Orais): Os IECAs podem aumentar a sensibilidade à insulina, elevando o risco de episódios de hipoglicemia, especialmente nas primeiras semanas de tratamento combinado.
  • Sais de Ouro (Aurotiomalato de Sódio): Reações nitritoides (sintomas de vasodilatação, incluindo rubor facial, náuseas, vômitos e hipotensão) foram relatadas raramente em pacientes sob terapia concomitante com injetáveis de ouro e IECAs.

Uso em Populações Especiais

A prescrição de Captopril deve ser adaptada de acordo com as características fisiológicas específicas de determinadas populações de pacientes:

Gestantes

O Captopril é absolutamente contraindicado durante a gestação. Caso a gravidez seja detectada, o uso do medicamento deve ser interrompido imediatamente e substituído por alternativas seguras para o controle pressórico gestacional (como Metildopa, Hidralazina ou Nifedipino).

Lactantes

O Captopril é excretado no leite materno em quantidades mínimas. Embora considerado compatível com a amamentação por diversas sociedades médicas, recomenda-se cautela ao prescrever o fármaco a mães de recém-nascidos prematuros devido ao risco teórico de hipotensão e disfunção renal neonatal.

Pediatria

A segurança e a eficácia do Captopril em crianças não foram totalmente estabelecidas em ensaios clínicos de larga escala. No entanto, o fármaco é utilizado sob supervisão de nefrologistas e cardiologistas pediátricos para o tratamento de hipertensão refratária e insuficiência cardíaca em doses rigorosamente calculadas com base no peso corporal (geralmente iniciando com 0,15 mg/kg a 0,3 mg/kg por dose).

Idosos

Pacientes idosos apresentam maior sensibilidade aos efeitos hipotensores do Captopril devido à menor complacência vascular e à frequência de comorbidades. Além disso, a função renal fisiologicamente reduzida nesta faixa etária exige que o tratamento seja iniciado com as menores doses possíveis (ex: 6,25 mg a 12,5 mg), com titulação lenta e monitoramento constante da função renal e eletrólitos.

Insuficiência Renal e Hepática

Na insuficiência renal, a redução da dose é mandatória conforme detalhado na tabela posológica. Diferente de outros IECAs (como o enalapril, que é um pró-fármaco ativado no fígado), o Captopril é um fármaco ativo por si só e não requer ativação hepática. Portanto, seu perfil farmacocinético não é significativamente alterado em pacientes com insuficiência hepática isolada, embora estes pacientes devam ser monitorados quanto à volemia e hipotensão.

Superdosagem

A superdosagem por Captopril manifesta-se primariamente como uma exacerbação dos seus efeitos farmacológicos. O quadro clínico típico e as medidas de intervenção médica incluem:

Sinais e Sintomas

  • Hipotensão arterial grave e choque circulatório.
  • Bradicardia profunda ou taquicardia reflexa.
  • Estupor, letargia, tontura severa e convulsões (decorrentes da hipoperfusão cerebral).
  • Insuficiência renal aguda acompanhada de oligúria ou anúria.
  • Hipercalemia grave e distúrbios hidroeletrolíticos.

Tratamento e Conduta Médica

Não existe um antídoto específico para a intoxicação por Captopril. O tratamento é essencialmente de suporte e sintomático:

  1. Prevenção da Absorção: Se a ingestão for recente (dentro de 1 a 2 horas), pode-se considerar a realização de lavagem gástrica e administração de carvão ativado.
  2. Expansão Volêmica: A principal medida terapêutica para combater a hipotensão é a infusão intravenosa rápida de solução salina isotônica (soro fisiológico 0,9%) para restaurar o volume intravascular.
  3. Suporte Inotrópico e Vaspressor: Caso a hipotensão não responda à expansão volêmica, indica-se o uso de aminas vasoativas, como a noradrenalina ou dopamina. Em casos refratários, a infusão de Angiotensina II exógena pode ser considerada se disponível.
  4. Tratamento da Bradicardia: Administração de atropina ou implante de marcapasso temporário se houver bloqueio de condução significativo.
  5. Monitoramento: Monitoramento contínuo dos sinais vitais, eletrocardiograma, função renal, débito urinário e níveis séricos de potássio.
  6. Depuração Extracorpórea: O Captopril é dialisável. A hemodiálise pode ser indicada em casos de superdosagem grave acompanhada de insuficiência renal anúrica ou hipercalemia refratária às medidas clínicas usuais.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

No Brasil, o Captopril é amplamente disponibilizado sob a forma de medicamentos genéricos e similares equivalentes, garantindo o acesso universal ao tratamento da hipertensão. A intercambialidade entre o medicamento de referência (original), os genéricos e os similares é regulada e garantida pela ANVISA por meio de testes rigorosos de bioequivalência e equivalência farmacêutica.

O medicamento de referência histórico do Captopril no mercado brasileiro foi o Capoten (desenvolvido originalmente pela Bristol-Myers Squibb). Atualmente, diversas indústrias farmacêuticas nacionais e multinacionais produzem o Captopril Genérico, incluindo laboratórios renomados como EMS, Medley, Eurofarma, Prati-Donaduzzi, Neo Química, Germed e Teuto. Dentre as marcas de medicamentos similares disponíveis, destacam-se nomes comerciais como Captomed, Captopress, Cardiopril e Captosen.

Ao adquirir o Captopril, o consumidor pode optar livremente pelo genérico, que por lei deve ser pelo menos 35% mais barato que o de referência, mantendo rigorosamente o mesmo padrão de qualidade, eficácia e segurança biológica do composto original.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

A classe dos Inibidores da ECA evoluiu significativamente após a descoberta do Captopril. A tabela a seguir compara o Captopril com outros IECAs amplamente utilizados na prática clínica atual:

Fármaco Meia-vida de Eliminação Frequência Diária Necessidade de Ativação Hepática (Pró-fármaco) Presença do Grupo Sulfidrila (-SH) Principais Diferenciais Clínicos
Captopril 1,5 – 2 horas 2 a 3 vezes ao dia Não (fármaco ativo) Sim Rápido início de ação; ideal para titulação rápida e uso em urgências hipertensivas. Maior incidência de disgeusia.
Enalapril 11 horas (como enalaprilato) 1 a 2 vezes ao dia Sim (convertido em enalaprilato) Não Maior comodidade posológica. Amplamente estudado na insuficiência cardíaca crônica (estudos SOLVD e CONSENSUS).
Lisinopril 12 horas 1 vez ao dia Não (fármaco ativo) Não Não sofre metabolismo hepático, sendo excretado inalterado pelos rins. Ideal para pacientes com hepatopatias.
Ramipril 13 – 17 horas 1 vez ao dia Sim (convertido em ramiprilato) Não Alta afinidade tecidual pela ECA. Demonstrada alta eficácia na redução de desfechos cardiovasculares em pacientes de alto risco (estudo HOPE).

Registro na ANVISA

O Captopril está devidamente registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sob diversas apresentações e números de registro, dependendo do laboratório fabricante. O registro assegura que o produto passou por todas as fases de avaliação técnica de segurança, eficácia e controle de qualidade fabril.

De acordo com a Portaria nº 344/1998 e as resoluções vigentes da ANVISA, o Captopril é classificado como um medicamento de venda sob prescrição médica comum. Ele não está sujeito a controle especial (como receita de controle especial de cor branca ou azul), necessitando apenas da apresentação da receita médica simples no ato da compra. A retenção da receita pela farmácia não é obrigatória por lei, mas a prescrição médica atualizada é indispensável para garantir o uso seguro e a automedicação responsável.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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Perguntas Frequentes sobre Captopril

Onde Comprar Captopril?

O Captopril é um medicamento extremamente acessível e de fácil aquisição em todo o território nacional. Ele pode ser adquirido em farmácias de manipulação, drogarias de grandes redes farmacêuticas e pequenos estabelecimentos locais.

Além da compra comercial direta, o Captopril faz parte do elenco de medicamentos essenciais do SUS (Sistema Único de Saúde) e está incluído no prestigiado programa federal Farmácia Popular do Brasil. Através deste programa, pacientes diagnosticados com hipertensão arterial podem obter o Captopril de forma 100% gratuita em qualquer farmácia privada credenciada que exiba o selo do programa. Para a retirada gratuita, o cidadão deve apresentar obrigatoriamente um documento oficial com foto, CPF e a receita médica (pública ou privada) dentro do prazo de validade legal (geralmente de até 180 dias a partir da data de emissão).

Caso o paciente opte por comprar o medicamento de forma particular, o preço médio de uma caixa de Captopril (com 30 comprimidos de 25 mg ou 50 mg) é bastante baixo, variando geralmente entre R$ 5,00 e R$ 20,00, tornando-o um dos tratamentos cardiovasculares de melhor custo-benefício disponíveis na medicina contemporânea.

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 23/08/2026 e revisado em 23/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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