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Apixabana

29 min de leitura Atualizado em 18/08/2026 Base ANVISA

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As doenças cardiovasculares e tromboembólicas representam uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Condições como o acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, a trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP) compartilham um substrato fisiopatológico comum: a formação patológica de trombos no sistema circulatório. Durante décadas, a terapia anticoagulante oral esteve limitada quase que exclusivamente aos antagonistas da vitamina K (AVK), representados principalmente pela varfarina. Embora altamente eficazes, os AVKs impõem desafios clínicos significativos, incluindo uma janela terapêutica estreita, a necessidade de monitoramento laboratorial constante através da Relação Normalizada Internacional (RNI), múltiplas interações alimentares e medicamentosas, e um risco considerável de sangramentos graves.

Nesse cenário de complexidade clínica, o desenvolvimento dos Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs, do inglês Direct Oral Anticoagulants) revolucionou a prática médica contemporânea. Entre esses agentes, a apixabana destaca-se como um dos fármacos mais prescritos e estudados globalmente. Oferecendo um perfil farmacocinético previsível, rápida instalação de ação e dispensando a necessidade de monitoramento rotineiro da coagulação, a apixabana consolidou-se como um pilar no manejo de pacientes com fibrilação atrial não valvular e eventos tromboembólicos venosos. Este artigo técnico-científico detalha de forma exaustiva as propriedades farmacológicas, indicações, posologias, segurança e aspectos práticos do uso da apixabana na rotina clínica brasileira.

O que é Apixabana?

A apixabana é um agente terapêutico pertencente à classe dos anticoagulantes orais diretos (DOACs), atuando especificamente como um inibidor reversível e altamente seletivo do Fator Xa da cascata de coagulação. Desenvolvida por meio de uma parceria estratégica entre as empresas farmacêuticas Bristol-Myers Squibb e Pfizer, a molécula foi concebida para contornar as limitações biológicas e práticas dos anticoagulantes tradicionais.

No Brasil, a apixabana foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e introduzida no mercado sob o nome comercial de Eliquis®. Sua primeira aprovação em território nacional ocorreu em 2011, inicialmente voltada para a prevenção de eventos tromboembólicos venosos em pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas de grande porte (artroplastia de quadril ou joelho). Posteriormente, suas indicações foram expandidas para abranger a prevenção de AVC em pacientes com fibrilação atrial não valvular e o tratamento/prevenção de recorrência da TVP e do TEP.

A apixabana apresenta-se na forma de comprimidos revestidos, disponíveis nas concentrações de 2,5 mg (comprimidos amarelos, redondos, biconvexos, com gravação “893” de um lado e “2 1/2” do outro) e 5 mg (comprimidos ovais, cor-de-rosa, biconvexos, com gravação “894” de um lado e “5” do outro). Essa diferenciação visual e posológica é fundamental para mitigar erros de dispensação e administração, garantindo a segurança do paciente no ambiente domiciliar.

Mecanismo de Ação

Para compreender o mecanismo de ação da apixabana, é necessário analisar a cascata de coagulação, um sistema enzimático complexo cujo objetivo final é a formação de uma rede estável de fibrina para conter sangramentos. A cascata é classicamente dividida nas vias intrínseca, extrínseca e comum. O Fator Xa (FXa) situa-se na convergência das vias intrínseca e extrínseca, marcando o início da via comum.

O Fator Xa desempenha um papel amplificador crítico na geração de trombina. A associação do Fator Xa com o seu cofator, o Fator Va, na presença de íons cálcio e fosfolipídios de membrana, forma o chamado complexo protrombinase. Este complexo é responsável por clivar a protrombina (Fator II) em trombina (Fator IIa). Uma única molécula de Fator Xa é capaz de catalisar a formação de mais de 1.000 moléculas de trombina (fenômeno conhecido como “explosão de trombina”). A trombina, por sua vez, converte o fibrinogênio solúvel em monômeros de fibrina insolúveis, além de ser o mais potente ativador plaquetário fisiológico.

A apixabana exerce seu efeito terapêutico ao ligar-se diretamente, de forma reversível e com alta afinidade, ao sítio ativo da molécula de Fator Xa. Diferente das heparinas não fracionadas e de baixo peso molecular, que requerem a presença da antitrombina III (um cofator endógeno) para exercer sua atividade anticoagulante, a apixabana inibe o Fator Xa de forma independente de cofatores.

Adicionalmente, a apixabana possui a capacidade de inibir:

  • O Fator Xa livre no plasma circulante;
  • O Fator Xa integrado ao complexo protrombinase;
  • O Fator Xa já ligado ao coágulo (fração associada ao trombo).

Esta capacidade de inibir o Fator Xa associado ao coágulo é uma vantagem farmacológica significativa sobre os inibidores indiretos, pois impede a progressão e a estabilização de trombos preexistentes. Como consequência direta da inibição do FXa, a apixabana reduz drasticamente a geração de trombina, o que indiretamente diminui a ativação e agregação plaquetária induzidas pela própria trombina. O fármaco não possui efeito direto sobre a agregação plaquetária induzida por outros agonistas (como ADP, colágeno ou epinefrina), preservando parcialmente a homeostase primária não relacionada à via intrínseca/extrínseca de coagulação.

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Farmacocinética e Farmacodinâmica

O perfil farmacocinético da apixabana é caracterizado por uma excelente previsibilidade, baixa variabilidade interindividual e intraindividual, e uma relação linear entre a dose administrada e a exposição plasmática dentro da faixa terapêutica.

Absorção

Após a administração oral, a apixabana é rapidamente absorvida ao longo do trato gastrointestinal, com maior absorção ocorrendo no estômago e no intestino delgado proximal. A biodisponibilidade absoluta do fármaco é de aproximadamente 50%, limitada em parte pela sua solubilidade e pelo efluxo intestinal mediado por transportadores de membrana. O pico de concentração plasmática máxima ($C_{max}$) é atingido entre 3 e 4 horas após a ingestão do comprimido.

A absorção da apixabana não é clinicamente afetada pela presença de alimentos. O fármaco pode ser administrado com ou sem refeições, o que simplifica a adesão do paciente ao tratamento. A administração de comprimidos triturados em suspensão aquosa ou misturados em purê de maçã apresenta biodisponibilidade comparável à do comprimido íntegro, facilitando o uso em pacientes com disfagia ou usuários de sondas nasoenterais.

Distribuição

A apixabana apresenta um volume de distribuição aparente ($V_d$) relativamente baixo, de aproximadamente 21 litros, o que reflete sua distribuição predominantemente no espaço extracelular e sua alta taxa de ligação às proteínas plasmáticas. Aproximadamente 87% da apixabana circulante encontra-se ligada a proteínas do plasma humano, principalmente à albumina. Essa alta taxa de ligação proteica limita a depuração do fármaco por métodos dialíticos convencionais em casos de superdosagem.

Metabolismo

A biotransformação da apixabana envolve múltiplas vias metabólicas, minimizando o risco de interações graves quando uma única via é bloqueada. Aproximadamente 25% da dose administrada é eliminada como metabólitos. A principal via de metabolização é a O-desmetilação e a hidroxilação, mediadas predominantemente pelo sistema do citocromo P450, com destaque para a isoenzima CYP3A4/5 (que responde por cerca de 15% do metabolismo total), com contribuições menores de CYP1A2, 2C8, 2C9, 2C19 e 2J2. O composto inalterado (apixabana ativa) é o principal componente circulante no plasma humano, não havendo metabólitos ativos clinicamente relevantes.

Excreção e Eliminação

A eliminação da apixabana ocorre de forma equilibrada através de vias renais e não renais:

  • Excreção Renal: Cerca de 27% da depuração total da apixabana é realizada por excreção renal ativa, por meio de filtração glomerular e secreção tubular ativa.
  • Excreção Não Renal: Aproximadamente 73% é eliminado por vias não renais, incluindo excreção biliar e, de forma muito significativa, por excreção intestinal direta (efluxo ativo mediado pela Glicoproteína-P [Gp-P] e pela proteína de resistência ao câncer de mama [BCRP] localizadas na membrana apical dos enterócitos).

A meia-vida de eliminação aparente ($\text{t}_{1/2}$) da apixabana é de aproximadamente 12 horas sob condições de estado de equilíbrio (steady-state) em indivíduos saudáveis. A depuração plasmática total é de cerca de 3,3 L/h.

Farmacodinâmica

Os efeitos farmacodinâmicos da apixabana refletem diretamente o seu mecanismo de ação. A inibição da atividade do Fator Xa é proporcional à concentração plasmática do fármaco, atingindo o efeito máximo em consonância com a $C_{max}$ (3 a 4 horas pós-dose). Embora a apixabana prolongue discretamente testes globais de coagulação como o Tempo de Protrombina (TP), o Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPa) e o Tempo de Coagulação Ativado (TCA), essas alterações são altamente variáveis e não apresentam correlação linear robusta com o grau de anticoagulação real. Portanto, esses exames não devem ser utilizados para monitorar a eficácia ou ajustar as doses da apixabana.

Caso seja estritamente necessário quantificar a atividade anticoagulante da apixabana (por exemplo, em situações de emergência médica, suspeita de superdosagem ou antes de cirurgias de urgência), deve-se utilizar o ensaio cromogênico quantitativo anti-Fator Xa calibrado especificamente para a apixabana.

Indicações Terapêuticas

A apixabana possui indicações clínicas consolidadas por grandes ensaios clínicos internacionais e aprovadas pelas principais agências reguladoras do mundo, incluindo a ANVISA.

Prevenção de AVC e Embolia Sistêmica em Fibrilação Atrial Não Valvular (FANV)

A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca sustentada mais comum na prática clínica e está associada a um aumento de cinco vezes no risco de AVC isquêmico devido à estase sanguínea no apêndice atrial esquerdo e consequente formação de trombos. A apixabana é indicada para reduzir o risco de AVC e embolia sistêmica em pacientes adultos com FANV que apresentem um ou mais fatores de risco cardiovasculares, tais como:

  • Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Ataque Isquêmico Transitório (AIT) prévio;
  • Idade igual ou superior a 75 anos;
  • Hipertensão arterial sistêmica em tratamento;
  • Diabetes mellitus;
  • Insuficiência cardíaca congestiva sintomática (Classe funcional NYHA $\ge$ II).

A eficácia nesta indicação foi demonstrada no histórico estudo clínico de fase III ARISTOTLE, que comparou a apixabana à varfarina em 18.201 pacientes. A apixabana mostrou-se superior à varfarina na prevenção de AVC e embolia sistêmica, reduziu significativamente as taxas de sangramento maior (incluindo hemorragia intracraniana) e resultou em uma redução significativa na mortalidade por todas as causas.

Prevenção de Tromboembolismo Venoso (TEV) em Cirurgias Ortopédicas de Grande Porte

Pacientes submetidos a artroplastia total de quadril (ATQ) ou artroplastia total de joelho (ATJ) apresentam um risco extremamente elevado de desenvolver TVP e TEP no período pós-operatório devido à combinação de trauma tecidual, estase venosa por imobilização e estado de hipercoagulabilidade induzido pela cirurgia. A apixabana é indicada para a profilaxia primária de TEV nesses cenários. A robustez científica desta indicação baseia-se no programa de estudos ADVANCE (ADVANCE-1, 2 e 3), onde a apixabana demonstrou eficácia superior ou não inferior à enoxaparina (heparina de baixo peso molecular), associada a taxas de sangramento comparáveis ou menores.

Tratamento de Trombose Venosa Profunda (TVP) e Tromboembolismo Pulmonar (TEP)

A apixabana é indicada para o tratamento agudo e de manutenção da TVP (formação de coágulos nas veias profundas, geralmente dos membros inferiores) e do TEP (obstrução da artéria pulmonar ou de seus ramos por êmbolos). O tratamento visa restabelecer a patência vascular, aliviar os sintomas agudos e prevenir complicações fatais a curto prazo (como choque obstrutivo no TEP) e sequelas a longo prazo (como a síndrome pós-trombótica e a hipertensão pulmonar tromboembólica crônica).

Prevenção de Recorrência de TVP e TEP

Após o tratamento inicial de um evento de TEV, os pacientes permanecem sob risco de recorrência, especialmente se os fatores desencadeantes persistirem ou se o evento tiver sido idiopático (sem causa identificável). A apixabana é indicada para a prevenção a longo prazo da recorrência de TVP e TEP. A eficácia e segurança do fármaco no tratamento e na prevenção secundária foram validadas pelos estudos AMPLIFY (tratamento agudo) e AMPLIFY-EXT (extensão do tratamento), demonstrando que a apixabana é uma alternativa oral segura e eficaz, dispensando a necessidade de terapia parenteral inicial com heparina.

Uso Off-Label Relevante

Embora não constem formalmente na bula aprovada pela ANVISA, algumas situações clínicas envolvem o uso de apixabana baseado em evidências científicas crescentes:

  • Trombose associada ao Câncer (CAT): Diretrizes internacionais (como ASCO, ASH e ESC) respaldam o uso de apixabana como alternativa às heparinas de baixo peso molecular para o tratamento de TEV em pacientes oncológicos selecionados (com base nos resultados do estudo CARAVAGGIO), exceto em pacientes com neoplasias gastrointestinais ou urogenitais ativas não ressecadas, devido ao maior risco de sangramento mucoso nesses sítios.
  • Prevenção de trombose de próteses valvares biológicas: Utilizada por alguns centros no período pós-operatório inicial de implante de valva biológica mitral ou aórtica, embora a evidência principal ainda favoreça os AVKs ou aspirina a depender do caso. Nota: É formalmente contraindicada em próteses valvares mecânicas.

Posologia e Forma de Uso

A administração da apixabana deve ser estritamente individualizada de acordo com a indicação clínica e as características antropométricas e laboratoriais do paciente. Os comprimidos devem ser deglutidos inteiros com água, por via oral, independentemente das refeições.

1. Prevenção de AVC e Embolia Sistêmica na Fibrilação Atrial Não Valvular (FANV)

A dose padrão recomendada é de 5 mg por via oral, duas vezes ao dia (de 12 em 12 horas).

Critérios de Redução de Dose: A dose deve ser reduzida para 2,5 mg por via oral, duas vezes ao dia, em pacientes que apresentem pelo menos dois dos seguintes critérios de elegibilidade:

  • Idade igual ou superior a 80 anos;
  • Peso corporal igual ou inferior a 60 kg;
  • Creatinina sérica igual ou superior a 1,5 mg/dL (133 micromol/L).

Pacientes com insuficiência renal grave (depuração de creatinina [ClCr] entre 15 e 29 mL/min) também devem receber a dose reduzida de 2,5 mg duas vezes ao dia para mitigar o risco de acúmulo do fármaco.

2. Profilaxia de TEV em Cirurgias Ortopédicas de Grande Porte

  • Artroplastia Total de Joelho (ATJ): A dose recomendada é de 2,5 mg por via oral, duas vezes ao dia. A duração recomendada do tratamento é de 10 a 14 dias.
  • Artroplastia Total de Quadril (ATQ): A dose recomendada é de 2,5 mg por via oral, duas vezes ao dia. A duração recomendada do tratamento é de 32 a 38 dias.

A primeira dose deve ser administrada idealmente entre 12 e 24 horas após o procedimento cirúrgico, desde que a homeostase cirúrgica local tenha sido estabelecida.

3. Tratamento de TVP e TEP Agudos

O regime terapêutico inicial consiste em uma dose de ataque de 10 mg por via oral, duas vezes ao dia, durante os primeiros 7 dias.

Após o sétimo dia, a dose deve ser reduzida para 5 mg por via oral, duas vezes ao dia para a continuidade do tratamento (que deve durar no mínimo 3 meses).

4. Prevenção de Recorrência de TVP e TEP (Prevenção Secundária)

Após a conclusão de pelo menos 6 meses de tratamento inicial para TVP ou TEP, a dose recomendada para a prevenção a longo prazo da recorrência é de 2,5 mg por via oral, duas vezes ao dia.

Conduta em Caso de Esquecimento de Dose

Caso o paciente esqueça de tomar uma dose de apixabana, ele deve ingerir o comprimido imediatamente ao se lembrar e, em seguida, continuar com o esquema posológico regular de duas vezes ao dia. Não se deve duplicar a dose na tomada seguinte para compensar a dose esquecida.

Transição entre Anticoagulantes

  • De Antagonista da Vitamina K (ex: varfarina) para Apixabana: Descontinuar a varfarina e iniciar a apixabana somente quando a Relação Normalizada Internacional (RNI) estiver < 2,0.
  • De Apixabana para Antagonista da Vitamina K (ex: varfarina): Como a apixabana pode afetar a RNI, a transição deve ser feita com cautela. Deve-se iniciar a varfarina concomitantemente com a apixabana e realizar testes de RNI imediatamente antes da próxima dose programada de apixabana. Descontinuar a apixabana somente quando a RNI estiver em nível terapêutico ($\ge$ 2,0) em dois testes consecutivos realizados com pelo menos 24 horas de intervalo.
  • De Anticoagulantes Parenterais (ex: heparina) para Apixabana: Descontinuar a infusão contínua de heparina não fracionada ou a administração de heparina de baixo peso molecular e iniciar a apixabana no momento em que seria administrada a próxima dose do fármaco parenteral (ou imediatamente após a interrupção da infusão contínua).

Contraindicações

O uso da apixabana é estritamente contraindicado em diversas situações clínicas onde o risco de hemorragia grave supera significativamente os potenciais benefícios terapêuticos do fármaco.

Contraindicações Absolutas

  • Hipersensibilidade Ativa: Pacientes com histórico de reações anafiláticas, angioedema ou hipersensibilidade cutânea grave à apixabana ou a qualquer componente da formulação (como a lactose presente no núcleo do comprimido).
  • Sangramento Ativo Clinicamente Relevante: Hemorragias ativas de grande porte, tais como hemorragia digestiva alta ou baixa ativa, sangramento intracraniano agudo ou hemartrose ativa.
  • Coagulopatia Associada a Doença Hepática Grave: Presença de cirrose hepática classificada como Child-Pugh Classe C ou qualquer hepatopatia ativa associada a distúrbios de coagulação clinicamente relevantes que impliquem risco hemorrágico aumentado.
  • Lesões ou Condições com Alto Risco de Sangramento Maior:
    • Úlcera gastrointestinal ativa ou recentemente documentada;
    • Presença de neoplasias malignas com alto risco de sangramento;
    • Lesão cerebral ou espinhal recente;
    • Cirurgia cerebral, espinhal ou oftálmica recente;
    • Aneurismas vasculares conhecidos ou malformações arteriovenosas;
    • Varizes esofágicas ativas ou suspeitas.
  • Uso Concomitante com Outros Anticoagulantes: É contraindicada a coadministração de qualquer outro agente anticoagulante (como heparina não fracionada, heparinas de baixo peso molecular, fondaparinux, rivaroxabana, dabigatrana ou varfarina), exceto sob circunstâncias específicas de transição de terapia anticoagulante ou quando a heparina não fracionada é administrada em doses necessárias para manter a patência de um cateter venoso ou arterial central.
  • Próteses Valvares Cardíacas Mecânicas: A eficácia e a segurança dos DOACs, incluindo a apixabana, não foram estabelecidas em pacientes com próteses valvares mecânicas (estudo RE-ALIGN com outro DOAC mostrou malefício). Portanto, o uso neste grupo é formalmente contraindicado.

Efeitos Colaterais

Como qualquer agente anticoagulante potente, o principal e mais comum efeito adverso associado ao uso da apixabana é a hemorragia. Os sangramentos podem ocorrer em praticamente qualquer órgão ou tecido do corpo humano, variando de episódios leves e autolimitados a eventos catastróficos e potencialmente fatais.

Abaixo estão descritos os efeitos colaterais da apixabana classificados por frequência de ocorrência, de acordo com os dados consolidados de ensaios clínicos de fase III:

Reações Comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes)

  • Hemorragias de tecidos moles e mucosas: Epistaxe (sangramento nasal), gengivorragia (sangramento nas gengivas) e equimoses/hematomas espontâneos ou pós-traumáticos leves.
  • Hemorragia Gastrointestinal: Sangramento retal, melena (sangue digerido nas fezes), hematêmese (vômito com sangue) ou sangramento oculto detectado em exames de rotina.
  • Hemorragia Geniturinária: Hematúria (presença de sangue na urina) macroscópica ou microscópica, e menorragia/metrorragia (aumento patológico do fluxo menstrual) em mulheres em idade fértil.
  • Anemia: Redução dos níveis de hemoglobina e hematócrito decorrente de sangramentos crônicos ou agudos.
  • Náuseas: Desconforto gástrico leve após a ingestão do medicamento.

Reações Incomuns (ocorrem entre 0,1% e 1% dos pacientes)

  • Hemorragia Intracraniana: Inclui acidente vascular cerebral hemorrágico, hemorragia subdural, epidural ou subaracnoide. Embora rara, é a complicação mais temida devido à alta mortalidade e sequelas neurológicas irreversíveis.
  • Hemorragia Intraocular: Sangramento conjuntival, retinal ou vítreo, que pode comprometer temporária ou permanentemente a acuidade visual.
  • Hemoptise: Tosse com escarro sanguinolento proveniente do trato respiratório.
  • Trombocitopenia: Redução do número de plaquetas circulantes no sangue.
  • Hipotensão Arterial: Queda pressórica significativa, geralmente secundária a perdas volêmicas agudas por sangramento.
  • Elevação de Enzimas Hepáticas: Aumento transitório das transaminases (TGO/AST e TGP/ALT), fosfatase alcalina ou bilirrubinas.

Reações Raras (ocorrem em menos de 0,1% dos pacientes)

  • Hemorragia Retroperitoneal: Sangramento no espaço retroperitoneal, frequentemente manifestado por dor lombar ou abdominal súbita e choque hipovolêmico de origem obscura.
  • Hemorragia Espinhal/Epidural: Especialmente associada à realização de punção lombar ou anestesia neuroaxial (raquianestesia ou peridural) sob vigência do fármaco, podendo levar a paraplegia.
  • Reações de Hipersensibilidade Grave: Anafilaxia, angioedema de vias aéreas e urticária generalizada.

Interações Medicamentosas

Embora a apixabana apresente significativamente menos interações do que os antagonistas da vitamina K, o conhecimento de suas interações farmacológicas é vital para evitar falhas terapêuticas (trombose) ou toxicidade extrema (sangramento).

Inibidores Potentes de CYP3A4 e Glicoproteína-P (Gp-P)

A apixabana é um substrato importante da via metabólica do citocromo CYP3A4 e do transportador de efluxo Gp-P. A coadministração de medicamentos que inibem fortemente ambas as vias resulta em uma redução acentuada da depuração da apixabana, elevando substancialmente suas concentrações plasmáticas e, consequentemente, o risco de sangramentos graves. Exemplos de inibidores potentes duplos:

  • Antifúngicos Azólicos Sistêmicos: Cetoconazol, itraconazole, voriconazol e posaconazol.
  • Inibidores da Protease do HIV: Ritonavir, atazanavir e lopinavir.

Recomendação Clínica: O uso concomitante de apixabana com esses agentes não é recomendado. Caso o uso seja indispensável, deve-se avaliar a suspensão temporária da apixabana ou a substituição do antimicrobiano/antiviral.

Indutores Potentes de CYP3A4 e Glicoproteína-P (Gp-P)

Medicamentos que induzem fortemente a atividade da CYP3A4 e da Gp-P aceleram o metabolismo e a excreção da apixabana, reduzindo sua exposição plasmática em até 50%. Isso expõe o paciente a um risco inaceitável de falha terapêutica e eventos tromboembólicos (como AVC isquêmico ou recorrência de TVP). Exemplos de indutores potentes duplos:

  • Anticonvulsivantes: Carbamazepina, fenitoína e fenobarbital.
  • Antibióticos: Rifampicina e rifabutina.
  • Fitoterápicos: Erva-de-São-João (Hypericum perforatum).

Recomendação Clínica: A coadministração deve ser evitada. Pacientes que necessitam desses indutores devem ser migrados para terapias anticoagulantes alternativas cujas vias metabólicas não dependam criticamente da CYP3A4 ou Gp-P (como as heparinas ou, em alguns casos, monitoramento estrito com varfarina).

Agentes que Afetam a Hemostasia (Risco Farmacodinâmico)

O uso concomitante de apixabana com outros fármacos que interferem na cascata de coagulação ou na função plaquetária resulta em um efeito sinérgico que eleva dramaticamente o risco de sangramento, sem alterar significativamente a farmacocinética da apixabana. Devem ser monitorados ou evitados quando possível:

  • Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs): Ibuprofeno, cetoprofeno, diclofenaco, naproxeno, piroxicam e inibidores seletivos da COX-2 (como celecoxibe). Os AINEs inibem a agregação plaquetária e causam erosão da mucosa gástrica, potencializando o risco de hemorragia digestiva.
  • Antiplaquetários: Ácido acetilsalicílico (AAS), clopidogrel, prasugrel e ticagrelor. O uso combinado (dupla ou tripla terapia) é restrito a cenários muito específicos (como pós-síndrome coronariana aguda com angioplastia recente em paciente com FA) e deve ser mantido pelo menor tempo possível.
  • Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) e de Serotonina e Noradrenalina (ISRSN): Fluoxetina, sertralina, escitalopram, venlafaxina e duloxetina. Estes antidepressivos bloqueiam a captação de serotonina pelas plaquetas, prejudicando sua capacidade de ativação e aumentando o risco de sangramentos de mucosas.

Uso em Populações Especiais

Gestantes e Lactantes

Não há dados clínicos adequados e bem controlados sobre o uso de apixabana em mulheres grávidas. Estudos em animais não demonstraram efeitos teratogênicos diretos, mas revelaram toxicidade reprodutiva, incluindo aumento de perdas pós-implantação e sangramento uterino. O uso de anticoagulantes orais durante a gestação acarreta um risco intrínseco de hemorragia materna e fetal, além de potencial descolamento prematuro de placenta. Portanto, a apixabana não é recomendada durante a gravidez. Mulheres em idade fértil devem utilizar métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento.

Dados experimentais em animais demonstraram que a apixabana e seus metabólitos são excretados no leite materno. Não se sabe se o fármaco é excretado no leite humano ou se causa efeitos adversos no lactente. Diante do risco teórico de sangramento no recém-nascido, deve-se optar por descontinuar a amamentação ou interromper o tratamento com apixabana, considerando a importância do medicamento para a saúde da mãe.

Pediatria

A segurança e a eficácia da apixabana em crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade ainda não foram estabelecidas. O uso nesta população não é recomendado na prática clínica rotineira.

Idosos

A população idosa ($\ge$ 65 anos) apresenta, por natureza, maior suscetibilidade a eventos tromboembólicos e hemorrágicos. Nos estudos clínicos, a eficácia da apixabana em idosos foi consistente com a observada em pacientes mais jovens, com um perfil de segurança superior ao da varfarina (especialmente na redução de hemorragias intracranianas). Não é necessário ajuste posológico baseado exclusivamente na idade avançada, a menos que o paciente atenda aos critérios multifatoriais de redução de dose na indicação de FANV (idade $\ge$ 80 anos associada a peso $\le$ 60 kg e/ou creatinina $\ge$ 1,5 mg/dL).

Insuficiência Renal

A função renal comprometida altera a depuração da apixabana, elevando sua meia-vida de eliminação. As recomendações de ajuste são:

  • Insuficiência Renal Leve a Moderada (ClCr 30 a 80 mL/min): Não é necessário ajuste de dose isolado, exceto se o paciente preencher os critérios de redução de dose descritos para FANV.
  • Insuficiência Renal Grave (ClCr 15 a 29 mL/min): Deve ser utilizada com extrema cautela. Na indicação de FANV, a dose recomendada é de 2,5 mg duas vezes ao dia. Para o tratamento ou prevenção de TVP/TEP, não há dados clínicos robustos para recomendar uma dose segura, devendo-se avaliar alternativas.
  • Doença Renal Terminal (ClCr < 15 mL/min) ou Pacientes em Diálise: A ANVISA e as diretrizes brasileiras desaconselham o uso de apixabana devido à escassez de dados de segurança a longo prazo. Embora a FDA (EUA) aprove o uso com base em dados farmacocinéticos limitados, a prática clínica nacional preconiza o uso de varfarina ou heparinas nesses pacientes.

Insuficiência Hepática

  • Leve (Child-Pugh A): Não é necessário ajuste de dose.
  • Moderada (Child-Pugh B): Deve ser utilizada com cautela, pois pode haver alterações sutis na coagulação endógena.
  • Grave (Child-Pugh C): O uso é formalmente contraindicado devido ao risco imponderável de sangramento decorrente da coagulopatia associada à falência hepática.

Superdosagem

A superdosagem de apixabana (ingestão acidental ou intencional de doses maciças) expõe o paciente a um risco extremo de hemorragias com potencial letal. A conduta médica deve ser imediata e baseada no tempo decorrido desde a ingestão e na presença ou ausência de sangramento ativo.

Abordagem Geral e Medidas de Suporte

Em caso de ingestão recente (dentro de um período de 2 a 6 horas), a administração de carvão ativado (na dose padrão de 1 a 2 g/kg ou 50g para adultos) é altamente eficaz para adsorver a apixabana ainda presente no trato gastrointestinal, reduzindo significativamente sua absorção sistêmica.

Devido à elevada taxa de ligação às proteínas plasmáticas (87%), a apixabana não é dialisável. A hemodiálise ou hemoperfusão não são métodos eficazes para remover o fármaco da circulação.

Manejo do Sangramento Ativo por Superdosagem

  1. Sangramento Leve: Postergar a próxima dose ou suspender temporariamente o tratamento. A meia-vida de ~12 horas garante o declínio gradual do efeito anticoagulante.
  2. Sangramento Moderado a Grave: Medidas de suporte hemodinâmico imediato, incluindo compressão mecânica local se aplicável, reposição volêmica com cristaloides, suporte transfusional (concentrado de hemácias para correção de anemia, plasma fresco congelado ou plaquetas se houver plaquetopenia concomitante).
  3. Sangramento com Risco de Vida (ex: intracraniano, retroperitoneal ou choque refratário):
    • Antídoto Específico: O Andexanet Alfa (Ondexxya®) é um antídoto específico aprovado pela ANVISA. Trata-se de uma molécula recombinante modificada do Fator Xa humano que atua como um “receptor chamariz” (decoy receptor). Ela se liga à apixabana com altíssima afinidade, neutralizando seu efeito anticoagulante em minutos. No entanto, sua disponibilidade nos hospitais brasileiros ainda é restrita devido ao seu elevadíssimo custo de aquisição.
    • Complexo Protrombínico Concentrado (CPC): Na ausência do antídoto específico, recomenda-se a administração de CPC de 4 fatores (contendo os Fatores II, VII, IX e X) na dose de 25 a 50 UI/kg por via intravenosa, ou o Complexo Protrombínico Ativado (aCPC/Feiba) na dose de 50 UI/kg. O CPC reverte o efeito anticoagulante ao fornecer fatores de coagulação exógenos em abundância para sobrepujar a inibição competitiva da apixabana.

☠️ Superdosagem (Overdose)

🚨 Em caso de superdosagem: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Medicamentos Genéricos e Similares

O mercado farmacêutico brasileiro passou por transformações importantes em relação à comercialização da apixabana. Por muitos anos, o medicamento de referência Eliquis® (produzido pela aliança Bristol-Myers Squibb/Pfizer) deteve a exclusividade de mercado sob a proteção de patentes industriais.

Com a expiração das patentes principais da molécula de apixabana no Brasil, a ANVISA concedeu o registro para os primeiros medicamentos genéricos da apixabana. Atualmente, grandes laboratórios nacionais e multinacionais (como Eurofarma, EMS, Libbs, Althaia, entre outros) fabricam e distribuem o genérico da apixabana.

Para que um medicamento genérico seja aprovado pela ANVISA, ele deve passar por testes rigorosos de equivalência farmacêutica e bioequivalência em humanos, comprovando que possui a mesma taxa de absorção, velocidade e quantidade de princípio ativo que atinge a circulação sistêmica quando comparado ao medicamento de referência (Eliquis®). Dessa forma, os genéricos oferecem a mesma eficácia clínica e perfil de segurança, porém com um custo significativamente mais acessível para a população, promovendo a democratização do acesso a terapias anticoagulantes modernas.

Comparativo com Medicamentos da Mesma Classe

A escolha do anticoagulante ideal deve ser individualizada. A tabela abaixo compara a apixabana com outros anticoagulantes amplamente utilizados na prática clínica brasileira:

Característica Apixabana (Eliquis) Rivaroxabana (Xarelto) Dabigatrana (Pradaxa) Varfarina (Marevan)
Mecanismo de Ação Inibidor Direto do Fator Xa Inibidor Direto do Fator Xa Inibidor Direto da Trombina (IIa) Antagonista da Vitamina K
Frequência de Dose 2 vezes ao dia (12/12h) 1 vez ao dia (com alimentos) 2 vezes ao dia (12/12h) 1 vez ao dia (dose variável)
Excreção Renal ~27% ~33% (forma ativa) ~80% (altamente dependente) Mínima (<1%)
Necessidade de Monitoramento Não Não Não Sim (RNI constante)
Risco de Sangramento GI Menor (comparado à varfarina) Maior (comparado à apixabana) Maior (frequente dispepsia) Moderado a Alto
Antídoto Disponível Andexanet Alfa (Ondexxya) Andexanet Alfa (Ondexxya) Idarucizumabe (Praxbind) Vitamina K / Complexo Protrombínico

Registro na ANVISA

A apixabana (sob o nome comercial de referência Eliquis®) possui registro ativo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o que atesta sua segurança, eficácia e qualidade de fabricação para o consumo no mercado brasileiro.

Dados do Registro:

  • Nome do Detentor do Registro: Bristol-Myers Squibb Farmacêutica Ltda.
  • Número de Registro (Eliquis®): 1.0180.0403 (pode variar as extensões conforme a embalagem e concentração).
  • Classe Terapêutica: Anticoagulantes Orais Diretos.
  • Classificação de Venda: Venda sob Prescrição Médica (“Tarja Vermelha”). Não está sujeita ao controle especial da Portaria 344/98 (não necessita de receita retida), mas exige a apresentação da receita comum de controle sanitário no ato da compra.
ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária

🔗 Consultar no Bulário Eletrônico da ANVISA

Perguntas Frequentes sobre Apixabana

Onde Comprar Apixabana?

A apixabana, tanto na sua formulação de referência (Eliquis®) quanto em suas versões genéricas equivalentes, pode ser facilmente adquirida em redes de farmácias e drogarias de todo o Brasil. Por se tratar de um medicamento de uso contínuo para prevenção de condições graves (como AVC), sua disponibilidade é ampla.

Requisitos para Compra:

  • É obrigatória a apresentação de receita médica simples (via única, emitida por médico devidamente registrado no CRM). A receita não fica retida na farmácia, mas serve para comprovação da indicação e orientação profissional.

Dicas para Economia:

  1. Programas de Suporte ao Paciente: A fabricante do medicamento de referência (Eliquis®) oferece programas de fidelidade e adesão ao tratamento (como o programa FazBem), que concedem descontos expressivos mediante cadastro prévio com o CPF e o CRM do médico prescritor.
  2. Opção por Genéricos: Os medicamentos genéricos da apixabana costumam apresentar preços entre 35% e 50% menores do que o produto de referência, representando uma excelente alternativa para tratamentos de longa duração.
  3. Pesquisa de Preços: Devido à grande concorrência entre as redes farmacêuticas, os preços podem variar significativamente de um estabelecimento para outro. Recomenda-se a utilização de plataformas online de comparação de preços de medicamentos antes de efetuar a compra.

Onde comprar Apixabana

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Fonte e revisão

Conteúdo baseado no Bulário Eletrônico da ANVISA, disponível em consultas.anvisa.gov.br. Publicado em 18/08/2026 e revisado em 18/08/2026. Encontrou alguma divergência? Avise a gente.

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